Autobiografia de uma vida bandida
Capítulo de hoje: o dia da pedrada
Estamos em 1992. Eu tinha, então, 7 anos de idade. Era agosto ou setembro, se não me engano uma segunda-feira, entre meio-dia e duas da tarde. Eu estava no estacionamento do prédio, brincando sozinho por ali.
Perto de mim estavam dois vizinhos meus, eram irmãos e brincavam - vejam que inteligente - de atirar pedras um no outro. De repente, sinto a dor e a pancada: fui atingido por uma pedra perdida. Saí correndo e subi as escadas enquanto o sangue escoava da minha cabeça. Daria pra fazer uma galinha à cabidela, parecia mais sangue do que poderia caber num Barra Pesada numa segunda-feira. Lembro de quando me olhei no espelho e meu rosto estava com a metade manchada de vermelho.
Fui pro hospital perto daqui de casa e deram 2 pontos na minha testa, e até hoje tenho a cicatriz, que se esconde um pouco por causa do cabelo. E ainda não entendi que tipo de criança brinca de atirar pedras nas outras.
Oasis chuta bundas.
Um beijo pra Alinne, que fez 19 aninhos domingo!
(Ops, já é quinta! Mas tudo bem…)
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Dúvidas lingüísticas
Se cheese = queijo…
Se ham = presunto…
Por que diabos o cheeseburger tem queijo e o hamburger não tem presunto?!
Vou processar a indústria de fast food! Quantos hambúrgueres já comi em mais de 18 anos sem uma fatiazinha sequer de presunto?!
A Kit.net tirou meu blog do ar. Por quê? Não sei! Mas aqui está um blog provisório de design clean e feito às pressas, enquanto meu blog novo (e que terá o nome antigo) não sai. O nome novo é só pra realçar que este é um blog provisório.
Ah, consegui manter os posts antigos, mas as fotos e figuras já eram.
Agradeço a todos e peço que atualizem os links! ;D
O espetacular bicho-preguiça do Pici
(afinal se eu continuar com posts grandes e sérios, perco meus leitores)

Ela tinha a pele morena, acho que estava bronzeada dos dias do Carnaval. Cabelos escuros e longos; os olhos escuros também, não consigo descrevê-los com muita eficiência como meus amigos mais versados no Português, mas eles eram bonitos, assim como seu sorriso simpático. Ela vestia um jeans azul escuro e uma blusinha branca de alcinhas, talvez tenha ido preparada pro calor infernal daquele lugar. Era bonita e, para alguns homens que vão ler isso, é o suficiente. Mas me deixou tocado até agora como nenhuma outra garota atraente que eu já tenha visto andar pela rua.
Eu estava no Detran da Maraponga, indo fazer meu segundo teste de direção (reprovei no primeiro). Estavam reunidos vários alunos da mesma auto-escola que eu, e, dentre eles, a já citada garota. Ela fez seu exame de direção e conseguiu ser aprovada, mesmo após algumas dificuldades na hora do estacionamento. Alguém me perguntou quando seria meu exame, e eu respondi, enquanto o examinado anterior a mim estava próximo de terminar seu teste: “Vai ser depois do cara que tá fazendo agor… Puta que pariu! Ele tá terminando!”
Cessei as piadas e besteiras que eu falava para iludir a mim mesmo e esconder de mim meu nervosismo. Fiquei preocupado e um pouco trêmulo. Um pouco confiante, mas um pouco nervoso, afinal a experiência me ensinou a não ficar confiante demais também, ou eu reprovaria como na primeira vez. Foi quando escutei a voz suave atrás de mim, que disse algo como: “Calma! Olha só, ele está tremendo…”
Dei alguma resposta que não lembro, levantei-me e fiquei de pé junto ao banco que estava atrás de mim, enquanto observava o pobre coitado que fez o exame antes de mim exceder o tempo da baliza e ser reprovado. Chegava minha vez e eu estava um pouco nervoso. A já-citada-garota havia ido receber sua ressalva, o papel que você leva ao Detran para receber sua permissão para dirigir, e que se tornou a razão da minha existência nas últimas semanas. De repente, ela surge à minha esquerda e fala, de um jeito doce e claro: “Deixa eu ficar aqui pra te passar calma.”
Trocamos algumas poucas palavras, ela pegou minha identidade, que estava na minha mão, olhou a foto horrível que tirei em 2002, estranhou o tamanho da impressão do meu polegar. Afirmei que as pessoas iam rir ou brincar quando ouvissem a mulher do Detran anunciar meu nome. Não lembro se alguém riu ou brincou quando segundos depois anunciaram meu nome, mas passados alguns instantes lá estava eu fazendo meu exame. Não vou entrar em detalhes, mas pela segunda vez não obtive êxito naquela merda.
Enquanto eu saía do carro, após meu fracasso, ela se encaminhava à saída. Perguntou-me o que havia acontecido de errado, com o interesse de uma velha amiga, e falou mais algumas palavras que não lembro. Entrei no carro da auto-escola e fui embora daquele lugar amaldiçoado que se tornou cenário das minhas frustrações, violando meus sonhos e quebrando minhas expectativas. Mas horas depois ainda não esqueci do interesse daquela estranha em me ajudar, e relembrei as palavras do Dalai Lama que li anos atrás. Elas falavam algo sobre, apesar de qualquer coisa, continuar acreditando na compaixão humana. Nesse 1º de março eu tive a maior lição disso. No meio de tantos individualistas, ainda existem pessoas boas, que são boas até mesmo com estranhos.
Estúpido que sou, até agora não sei o nome dela. Pensei em pedir seu e-mail, telefone, qualquer coisa que nos trouxesse alguma forma de contato, mas temi que ela desconfiasse que eu fosse um paquerador barato se aproveitando de sua simpatia (os homens cachorros fazem pagar todos aqueles que não o são). Espero encontrá-la qualquer dia nos shoppings, shows e noites da vida, e, nesse dia, espero que ela ainda lembre do barbudo fracassado do Detran. Deixo aqui registrada minha homenagem, que corre o risco de nunca ser conhecida por ela, e meu agradecimento.
Se alguém conhecer uma garota cuja descrição bata com a que dei acima, que tenha apanhado no estacionamento mas mesmo assim conseguiu passar no exame do Detran no dia 1º de março de 2004, por favor me avise, ou ao menos dê meus sinceros agradecimentos.
Hm… Quem sabe um dia a gente possa se encontrar no trânsito?! Um dia…
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