27 de outubro de 2004   —   11:36:08
Sobre pessoas-que-vão-embora e minha relação de amor e ódio com argentinos

No fim do ano passado, conheci a Lucía. Lucía era gente boa, teria talvez se tornado uma de minhas melhores amigas se eu não tivesse conhecido ela pouco mais de 2 meses antes dela ir embora de Fortaleza e voltar pra Argentina. Dela ouvi palavras agradáveis que não tinha pedido pra ouvir, que nem precisava ouvir e que me servem de ajuda quando preciso de apoio.

Há uns meses atrás, conheci a Andrea. Coincidência ou não, argentina também. Na verdade a conheci ano passado, mas só fui ter contato com ela meses atrás. E falava de sentimentos como vejo pouquíssima gente falar. Gente boa… Mas parece que vai embora no começo do ano que vem.

Em abril, escrevi um post sobre coisas que eu havia aprendido. Uma menina que nem conhecia comentou. Por coincidência, acabei conhecendo ela num dos sábados à noite e ela assiste aulas na mesma faculdade que eu. E foi assim que conheci a Larissa. O problema é que em algum dia do ano que vem ela tá saindo de Fortaleza também…

E dia desses deixaram um comentário no meu fotolog. Visitei o fotolog e o blog da menina, acabei descobrindo que era a irmã da Andrea, Giuliana (e que ela tem bom gosto, parece que gosta de Travis).

Aí me veio à cabeça como eu estava me aproximando de pessoas que iam embora. A gente se apega a algumas amizades, amanhã elas vão embora literalmente e lá estou eu sentindo saudades. Eu costumo encontrar dezenas de conhecidos pelas ruas; quando me despedi da Lucía no aeroporto, olhei pruma calçada e pensei: “Eu não vou poder mais encontrar a Lucía por acaso no meio da rua”. Alguém vai achar imbecil, mas isso me atingiu.

E o que eu faço? Reduzo minhas relações com as pessoas que vão embora a oi-tudo bem-tchau? Dou um tchauzinho e vou embora? Ou encaro isso de frente e depois pago o preço?

Meu coração que me perdoe… Eu escolhi o caminho mais difícil.

25 de outubro de 2004   —   04:32:27

O fim de semana foi bom.

🙂

Ps.: Aconteça o que acontecer, NÃO assistam Mar Aberto.

23 de outubro de 2004   —   01:54:38

Estudei no domingo(!) e fiz uma prova que pareceu ser razoável na segunda. Encontrei uma amiga minha na parada do ônibus e fiz questão de deixar o ônibus passar e esperar o próximo. Provei o troço ruim que é açaí e eu e dois amigos ficamos frescando com o garçom, que participou bem das brincadeiras. Uma breve conversa com alguns amigos e outra conversa bacana com uma garota sobre o gene que permite a você dobrar a língua ou não. Fui ao cinema assistir um filme bom (e segurar vela). Fui pra outro filme, esse bem ruim – eles tão aí pra gente rir, e o fiz o bocado com outra amiga minha. E assisti a palestra do Evandro Daolio, célebre autor de Ria da minha vida antes que eu ria da sua.

Talvez a felicidade esteja nas coisas simples. 🙂
Que o fim de semana seja bom.

20 de outubro de 2004   —   03:47:36

Eu tinha perdido quilos e quilos nos últimos dias. Não conseguia comer nada, não tinha força sequer pra tomar um banho, ia ao banheiro tirar água do joelho umas 10 vezes por dia, com direito a acordar de madrugada pra ir ao banheiro. Era de manhã, eu tinha acabado de comprar uma revista do Super-Homem e minha única refeição dia tinha sido um copo de iogurte. Chego em casa, sento na cama e não consigo ler. Vista embaçada. Vou a um hospital com meus pais, onde uma médica dá o diagnóstico e diz que não posso ficar ali porque ali não tinha UTI. Falto ao aniversário dum amigo meu. Chego a um outro hospital, onde me põem numa maca e me levam pra UTI, onde sou recebido com duas injeções na perna direita e uma na perna esquerda, e um exame de sangue que deixou meu pulso roxo por uma semana.

Era 20 de outubro de 1996, hoje eu completo 8 anos que descobri que sou diabético.

Não sou mais amigo do cara. Minha médica diz que tô melhor que muita gente normal. Tava pensando nisso hoje e como a diabetes é o menor dos meus problemas, até porque agulhada é 80% solução e 20% problema. 5 agulhadas por dia é ruim, mas ainda é melhor que caixão com florzinha, concordam? 🙂

E peço sempre aos amigos que tomem cuidado com esses sintomas. Quanto mais cedo diagnosticado, menor a chance de ir parar na UTI também e chegar a meia hora de entrar em coma e empacotar. Conselho? Cuidem bem da saúde de vocês, comam bem, comam em horários, pratiquem atividade física, joguem fora o sedentarismo. Uma vez diabético, é um caminho sem volta. Não é o pior dos males, mas evite.

17 de outubro de 2004   —   03:47:32

I might be wrong, I might be wrong
Às vezes eu faço perguntas para alguém, mesmo sabendo a resposta. Faço isso para ouvir uma resposta diferente da que eu esperava. Infelizmente, não tenho êxito. Às vezes faço algo sabendo sua consequência, mas esperando outra, para poder provar a mim mesmo que estava pensando errado, mas a consequência prevista acontece. Frustração, eu estava certo. Não estou dizendo que sou dono da razão, mas nos casos em que eu gostaria de estar errado eu infelizmente acerto. Às vezes sinto um gosto de “Ainda bem que não fiz aquilo, teria dado errado”, mas a satisfação de ter evitado um caminho ruim traz consigo uma frustração. Eu gostaria de me arrepender de uma decisão onde desisti de algo que poderia ter dado certo, mas nessas vezes eu não erro. Eu gostaria de estar errado.