30 de dezembro de 2004   —   11:45:00
Exija a nota fiscal
Eu pensava que nota fiscal não servia pra nada e já morri de jogar esses papéizinhos no lixo, logo após sair do caixa, ou então guardava na carteira e, quando fizesse muito volume, jogava fora. As Lojas Americanas até têm lixeiras perto dos caixas. E eu estava na mesa do almoço nessa terça-feira 28, quando meu pai falou dum serviço que tinha pra mim. Imaginei qual serviço pra corno ele havia me reservado dessa vez e, encerrado o almoço, fui ver o que era.

Sabem aquelas promoções “Junte 50 reais em notas fiscais, deposite numa urna e concorra…”? Exato. Meu pai me pede pra fazer grupos de notas fiscais cuja soma desse 50 reais e colocasse em envelopes, e me entrega uma pasta com inúmeras notas fiscais, de meados de 2003 até hoje, desde salgadinhos de R$ 1,63 comprados na padaria até compras mensais de supermercado, passando por inúmeros pedidos à farmácia. E tome eu com uma calculadora grande daquelas de balcão de bodega somando notas fiscais pra formar grupos de 50.

O detalhe, o pequeno detalhe, é que eu também tinha que colocar as notas fiscais nos envelopes. Porém, os envelopes eram os mesmos que meu pai usou na sua campanha pra vereador em 1988. Os envelopes, de 16 anos de idade, já tinham aquela cola amarela da abertura natural e levemente pregada pelo passar do tempo. Eu tinha que pegar uma régua, enfiar numa brechinha do envelope e tentar descolar a abertura, com muito cuidado pra não rasgar os amarelados envelopes.

Quando meu irmão passou por mim ainda fez o favor de rir do serviço pra corno (principalmente da parte de abrir o envelope) e perguntar se eu não queria uma régua maior. Parecia, realmente, coisa de pegadinha. Mas era sério. E o pior ainda estaria por vir.

Depois que passo pouco mais de duas horas realizando esse trabalho insalubre, meu pai vai até o Center Um levando o saco de envelopes e, chegando lá, descobre que as urnas de lá foram recolhidas. Ele volta pra casa, deixa os envelopes no carro e diz que se quem quisesse poderia tentar o Iguatemi.

Meu orgulho, afetado por ter trabalhado duas horas pra não dar em nada, decide se mandar pro Iguatemi e procurar as urnas lá. Nada. Pergunto a um segurança, que me diz que as urnas também foram recolhidas, mas talvez haja outra promoção, em abril.

As dezenas de envelopes estão ali, amarelas, dentro dum saco. Quem sabe em abril…

19 de dezembro de 2004   —   12:10:45

Emoções. Ou um momento brega
E hoje eu tava vendo o especial do Roberto Carlos com a mamãe. O Rei é foda, embora já tenha sido menos cafona.

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei você me ver chorar sorrindo
Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante é que emoções eu vivi…

17 de dezembro de 2004   —   06:30:37

Alguns estudos afirmam que, para uma vida longa e saudável, é essencial dormir bem toda noite.

Esses estudos que me perdoem, mas algumas noites viradas me deixam bem mais novo e mais vivo…

10 de dezembro de 2004   —   08:37:51

Da série Textos de que gosto
Quando eu tinha 12 pra 13 anos, eu estava lendo uma revista do Capitão Rapadura, se não me engano, quando achei um texto que me tocou. Não estranhe: na revista, além do Capitão Rapadura em si, havia charges e textos de diversos autores. Sempre que acho conveniente cito a história e, mediante a aprovação que ela teve nos últimos dias em algumas conversas, procurei no Google o texto (cujo autor desconheço) e decidi postá-lo aqui.

Vocabulário de apoio: na mitologia, um fauno é um ser esquisito que vive nas florestas.

Leia e lembre-se: duvide sempre.


Prova de amor

Na ensolarada manhã de abril, a jovem vinha andando pelo campo, trazendo a bilha d’água fresca recém apanhada no córrego. Tentava aqui e ali proteger-se (sem deixar de andar) nesta e naquela sombra das árvores que margeavam a estrada gramada.

Assobiava uma melodia entre triste e alegre. Eis senão, quando, do alto da colina, num só galope, desce, com a fúria que acende na raça ao meio dia, um Fauno, completo e acabado, no corpo, no espírito e na flautina. Facetamente pôs-se a acompanhar a senhorita no passo e na melodia. Ela tentou não lhe dar atenção. Fingiu ignorá-lo, parou de assobiar, pensou em outra coisa.

O Fauno então disse, num tom de voz de ardor e sinceridade incomparáveis:

– Tenho paixão por você. Amo-a como ninguém jamais amou ninguém. Não poderia viver sem você.

E a moça respondeu:

– Não vejo porque alguém se apaixonaria por mim desta maneira, eu, sem graça e sem beleza, quando logo ali atrás vem minha irmã, que é a mulher mais linda e encantadora de Bathgarem.

O Fauno olhou e não viu vivalma:

– Por que me engana dessa maneira? – Perguntou. – Não vejo ninguém.

– Bem – respondeu a senhoritinha – Porque queria testar sua sinceridade. Se me amasse realmente, não olharia para trás.

6 de dezembro de 2004   —   10:24:23

…choveu!

Assim eu fico mal acostumado.