Podia ter uma lei proibindo aulas em temperatura e umidade determinadas. Se em São Paulo algumas atividades costumam parar quando a umidade relativa tá baixa (ou as pessoas morreriam sufocadas), até que a idéia faz sentido, não acham? Pra que coisa melhor que faltar aula em dia de chuva?
Semana um pouco mais agradável que a média: professores viajando e me dando tempo livre, eu cruzando por aí com os amigos em plena semana, apertando mãos, estalando colunas, rindo de bobagens entre um e outro problema. O ônibus com ar condicionado e rádio bem sintonizada (uma vez na vida) se distanciando de casa e eu acompanhando o céu azul ficando cinza, como se eu estivesse indo rumo ao coração da tempestade, com uma sensação crescente de paz interior, meio temporária, meio permanente.
Um ou outro fato desagradável e serviços pra corno teimam em querer atrapalhar minha paz em algumas horas e lugares da minha vida, mas a gente tenta ligar o foda-se e viver tranquilo.
“Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone”, diria a música que compete pau a pau com Creep nos blogs do mundo. Se a Adriana Calcanhotto e o Radiohead ganhassem dinheiro só pela citação dessas músicas nos blogs, nunca mais precisariam entrar num estúdio pra faturar um ganha-pão.
O HD do meu irmão deu pau. Perdi muitos arquivos antigos que eu guardava no HD dele, como fotos e mp3, muitos deles raros. E meu computador também pifou, um dia não quis mais ligar; agora uso o computador do meu pai ou o do meu irmão, quando tão livres. Foda que o Windows do meu pai (que saudade do meu computador com Linux!) recusa-se insistentemente a fazer as pazes com a placa de som, e os mp3 que peguei não consigo escutar.
Há músicas na jukebox da minha cabeça que não param de tocar, momentos de frieza latente, alguma revolta e há os dias de chuva, ah, os dias de chuva. Eu não canso de dizer que devia ser assim todo dia. Pensando demais, pensando besteira, pensando nas promessas que eu me faço mas nunca vou cumprir.
Eu só queria meus mp3 agora.
Vamos partir do princípio que preconceito é uma idéia formada sem embasamento em fatos.
Existem vários ritmos de que eu não gosto (no sentido de não ouvir, comprar disco), porém respeito. Não escuto jazz ou blues, mas respeito. Não escuto axé, mas acho o Timbalada e o Olodum dois fenômenos importantes. Não escuto metal, mas é um dos estilos mais eruditos e elaborados (e nem todo metal é grunhido, antes de dizerem que é “aqueles rocks doidões que a gente não entende nada”). O forró eu também respeito - Luiz Gonzaga fazia bem seu serviço e acho que o Alceu Valença se garante.
O forró que me irrita é ligar a TV e ver o Dedim Gouveia, ou seja lá como se escreve, em plena tarde, cantando “Cadê o Zé Priquito? Cadê o Zé Priquito? Sem Priquito a festa vai acabar” ou coisa do tipo. Me perturba a sanidade mental a FM93 ou a Liderança FM no ônibus. Me irrita o forró assassinando Wind of Change do Scorpions numa versão que muda totalmente o sentido da música. E por aí vai.
Esses são os fatos. Não é preconceito.
que a chuva caia
como uma luva
um dilúvio
um delírio
que a chuva traga
alívio imediato
– Alívio Imediato, dos Engenheiros do Hawaii.
A chuva me parece fazer tudo passar mais devagar, como se o mundo girasse em câmera lenta. Dá uma sensação de conforto e sossego, lava a alma de alguma coisa. Recuso-me a usar guarda-chuva. Guarda-chuva, meu filho, é coisa pra mulher grávida e criança de até 6 anos. Gosto dos pingos, do frio. E cearense é engraçado: se cai uma goteira, tira aquela blusa manga longa do guarda-roupa. Deviam era curtir a ausência do sol.
É preciso muita chuva pra lavar essa alma impregnada de amargura. Às vezes me permito desarmar por meia dúzia de palavras que me dão alguma fé, em seguida tenho a sensação de que algo está errado e precisa ser alterado.
Por enquanto, hoje o bem venceu o mal.
Mas não me ofereça só o amanhã se eu quero o hoje e o amanhã.
Funcionário do mês |
É preciso, sobretudo, manter o controle.
O tempo faz a melhor justiça possível.
Chego na faculdade de manhã e dizem: “Esdras, veio pra aula! Tá sumido!”
(E eu tô lá todo dia, de 8 às 12h.)
Chego no bosque do Benfica à tarde, e dizem: “Esdras, tá sumido!”
(Tô lá de segunda à quinta, de 17h até horário indeterminado.)
Entro na internet e dizem: “Esdras, seu sumido!”
(Ok, meu computador quebrou, mas antes disso já tinha isso. E eu passava boa parte do dia online.)
Me sinto constantemente oculto num limbo. Deve ser uma conspiração pra me deixar pinel… Eu não sei mais onde estou.
Eu hein.
Jackass
Nunca suba na escada rolante que desce.
Interprete como bem entender.
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