31 de março de 2005   —   08:47:48
Quase 9h nesse momento, quinta-feira já. Ah, o bom fim de semana que se aproxima depressa.

Podia ter uma lei proibindo aulas em temperatura e umidade determinadas. Se em São Paulo algumas atividades costumam parar quando a umidade relativa tá baixa (ou as pessoas morreriam sufocadas), até que a idéia faz sentido, não acham? Pra que coisa melhor que faltar aula em dia de chuva?

Semana um pouco mais agradável que a média: professores viajando e me dando tempo livre, eu cruzando por aí com os amigos em plena semana, apertando mãos, estalando colunas, rindo de bobagens entre um e outro problema. O ônibus com ar condicionado e rádio bem sintonizada (uma vez na vida) se distanciando de casa e eu acompanhando o céu azul ficando cinza, como se eu estivesse indo rumo ao coração da tempestade, com uma sensação crescente de paz interior, meio temporária, meio permanente.

Um ou outro fato desagradável e serviços pra corno teimam em querer atrapalhar minha paz em algumas horas e lugares da minha vida, mas a gente tenta ligar o foda-se e viver tranquilo.

25 de março de 2005   —   05:32:03
Pois é, e eu ando por aí.

“Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone”, diria a música que compete pau a pau com Creep nos blogs do mundo. Se a Adriana Calcanhotto e o Radiohead ganhassem dinheiro só pela citação dessas músicas nos blogs, nunca mais precisariam entrar num estúdio pra faturar um ganha-pão.

O HD do meu irmão deu pau. Perdi muitos arquivos antigos que eu guardava no HD dele, como fotos e mp3, muitos deles raros. E meu computador também pifou, um dia não quis mais ligar; agora uso o computador do meu pai ou o do meu irmão, quando tão livres. Foda que o Windows do meu pai (que saudade do meu computador com Linux!) recusa-se insistentemente a fazer as pazes com a placa de som, e os mp3 que peguei não consigo escutar.

Há músicas na jukebox da minha cabeça que não param de tocar, momentos de frieza latente, alguma revolta e há os dias de chuva, ah, os dias de chuva. Eu não canso de dizer que devia ser assim todo dia. Pensando demais, pensando besteira, pensando nas promessas que eu me faço mas nunca vou cumprir.

Eu só queria meus mp3 agora.

22 de março de 2005   —   03:08:33
Nota de esclarecimento
E eu postei no meu fotolog essa foto, e várias pessoas aspirantes a Direitos Humanos ou Anistia Internacional disseram que eu sou preconceituoso com o forró e seus seguidores felizes.

Vamos partir do princípio que preconceito é uma idéia formada sem embasamento em fatos.

Existem vários ritmos de que eu não gosto (no sentido de não ouvir, comprar disco), porém respeito. Não escuto jazz ou blues, mas respeito. Não escuto axé, mas acho o Timbalada e o Olodum dois fenômenos importantes. Não escuto metal, mas é um dos estilos mais eruditos e elaborados (e nem todo metal é grunhido, antes de dizerem que é “aqueles rocks doidões que a gente não entende nada”). O forró eu também respeito – Luiz Gonzaga fazia bem seu serviço e acho que o Alceu Valença se garante.

O forró que me irrita é ligar a TV e ver o Dedim Gouveia, ou seja lá como se escreve, em plena tarde, cantando “Cadê o Zé Priquito? Cadê o Zé Priquito? Sem Priquito a festa vai acabar” ou coisa do tipo. Me perturba a sanidade mental a FM93 ou a Liderança FM no ônibus. Me irrita o forró assassinando Wind of Change do Scorpions numa versão que muda totalmente o sentido da música. E por aí vai.

Esses são os fatos. Não é preconceito.

19 de março de 2005   —   03:06:40

que a chuva caia
como uma luva
um dilúvio
um delírio
que a chuva traga
alívio imediato

— Alívio Imediato, dos Engenheiros do Hawaii.

A chuva me parece fazer tudo passar mais devagar, como se o mundo girasse em câmera lenta. Dá uma sensação de conforto e sossego, lava a alma de alguma coisa. Recuso-me a usar guarda-chuva. Guarda-chuva, meu filho, é coisa pra mulher grávida e criança de até 6 anos. Gosto dos pingos, do frio. E cearense é engraçado: se cai uma goteira, tira aquela blusa manga longa do guarda-roupa. Deviam era curtir a ausência do sol.

É preciso muita chuva pra lavar essa alma impregnada de amargura. Às vezes me permito desarmar por meia dúzia de palavras que me dão alguma fé, em seguida tenho a sensação de que algo está errado e precisa ser alterado.

Por enquanto, hoje o bem venceu o mal.

Mas não me ofereça só o amanhã se eu quero o hoje e o amanhã.

9 de março de 2005   —   02:17:14



Funcionário do mês

Darth Vader wannabe
No começo as coisas parecem estar boas, enquanto ainda exalam aquele odor de novidade. Depois, caem na rotina, e dão aquela sensação de tempo vivido em vão, de vazio. O vazio que podia ter sido tomado por qualquer coisa boa e não foi acaba servindo para qualquer sentimento que o valha, e acabamos vivenciando um estado de espírito frio e inexplicável, pois todos nós temos nossos dias de amargor e raiva, de querer jogar o telefone na parede, de querer falar verdades que ocultamos, de querer mandar alguém pra algum lugar distante, de encarar e encarnar o Darth Vader e a Nazareth Tedesco que há em cada um de nós. Às vezes é preciso absorver a frieza, ainda que seja como beber um refrigerante quente e sem gás até o fim. O cara do abraço do apertado não existe num conjunto unitário, até você chegar. Dê-me algo que eu possa lembrar depois que for embora. O que quero dizer é o que você quiser entender, e há dias em que os conselhos soam mentirosos e hipócritas, e dispô-los sobre uma determinada situação faz eles soarem irônicos.

É preciso, sobretudo, manter o controle.