o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
28 de abril de 2005

Tudo faz sentido

Já vão completar 8 meses desde que eu andava por aquela praia. Quando contei nos dedos quantos meses faziam, nem acreditei. O tempo passa mesmo depressa. Fui até o fim dela, delimitado por um monte de pedras, e voltei. Não sei quanto tempo levou. Pensei em subir numa duna, sentar ali em cima, olhar o mar e pensar na vida. Naquele momento algo me envergonhou, e até hoje não entendi a razão disso. Qual o problema de sentar em cima duma duna sozinho? Ainda que envergonhado, nunca mais eu veria aquelas pessoas mesmo. Subi, ali permaneci por alguns minutos e pus-me a pensar.Despenteado pelo vento da praia, barba sem ser feita há alguns dias. Naquela época, não sabia se estava bem ou mal. Eu tinha que saber algo de mim; sabia era que estava a cerca de 3.500km de meus problemas, e, naquele instante, a vida parecia estar tranquila. Diante do vento frio e da vastidão que a vista oferecia, tudo agora aparentava estar em seu lugar, estivesse ou não. Todo problema parecia pequeno. Pensar nas coisas, sentado naquela duna, era como olhar pro cenário da minha vida com olhos de forasteiro.

Seja qual for a crença religiosa do amigo leitor, vamos supor que Deus exista e nos livrar de qualquer discussão religiosa. Li num livro que Deus escreve nossa história melhor do que escreveríamos, se pudéssemos. Naquele instante, eu estava na transição da pior fase da minha vida pra alguma coisa que eu chamaria de maré de sorte, renascimento ou qualquer coisa que o valha. Olhando pra trás, desde a fase ruim, passando pelo momento da duna e chegando ao hoje, vejo que a afirmação do livro faz todo sentido. As vitórias que me foram negadas eram uma esmola perto das conquistas que tive em oito meses. Tivesse eu conseguido o que queria de maneira fácil e apressada, teria caído num buraco maior ainda. Até apanhar no exame do Detran inúmeras vezes faz sentido.

Tudo
faz
sentido.


Eu poderia dizer, um ano atrás, que não me arrependia de nada que tinha feito. Hoje não tenho mais esse orgulho. Não acho que errar seja a melhor maneira de aprender, nem que as pessoas devam quebrar a cara pra tirar uma lição de algo. Confesso, porém, que parte do meu orgulho foi o preço da passagem pra uma vida melhor.Muita coisa mudou no meu espírito de cimento. Desenvolvi algo de tolerância e flexibilidade, duas palavras que então eu detestava. Digo, hoje, que são características necessárias, mas que devem ser moderadas pra evitar alguma submissão. Meus princípios e fins permanecem (são os pilares de nossas vidas, se você não os tem, sua vida uma hora desaba), os meios estão mais variados. Os fins, afinal, justificam os meios. Até hoje supero traumas, e posso dizer que desenvolvi alguma coragem, sobretudo sem perder a cautela.

Se eu tivesse 15 anos e lesse isso, não acharia que fosse texto meu: arrependo-me, sim, mas não alteraria minha história. E obrigado a todos.

“De cada corte corre sangue
e a vida se renova”

(A Outra Rota, Paralamas do Sucesso)

27 de abril de 2005

Terão as coisas uma razão de existir?

Hoje vi um verso duma música estampado na camisa duma menina que estava sentada num banco qualquer da faculdade, por onde andei após constatar que não havia aula. Depois, vi novamente o mesmo verso no título dum fotolog que uma amiga minha tem faz tempos e eu descobri hoje. Não é uma música qualquer. É uma daquelas que a gente canta de anos em anos, por algum motivo.

Coincidência? Sinal dos tempos? Astrologia? De uns tempos pra cá, tenho a impressão de ter recebido avisos demais.

Acho que não importa.

19 de abril de 2005

14 anos

Saí do carro, passei pela porta do prédio e escutei o portão bater. Subi correndo os três lances de escada; Física Moderna ou seja lá o que for, os três andares passaram por mim em menos de dois segundos. Naquela noite eu estava agitado demais para concentrar-me em alguma coisa. Tentei ler algo pra pegar no sono, ao chegar no fim de um parágrafo não lembrava sequer do começo. Cada vez que eu olhava pra mim, percebia que havia mudado de posição sem qualquer causa ou objetivo. Estava possuído por uma hiperatividade quase infantil. Ao mesmo tempo que viver tinha acabado de tornar-se interessante, tudo parecia ter perdido o sentido. Tinha, então, 14 anos de novo, parecia ser a primeira vez que aquilo tudo acontecia. Naquele instante, talvez fosse.
18 de abril de 2005

Um belo dia, na cantina da faculdade…

– Um suco de acerola sem açúcar e um sanduíche natural, por favor.
– Não tem sanduíche. Nem acerola.
– Ah… então vai uma Coca Light e um salgado mesmo.

Bem que eu tentei ser saudável.



15 de abril de 2005

Testamento
Quando eu morrer, quero ser empalhado.

Memórias de um homem gripado
Em 2000, quando eu fazia primeiro ano, alguém puxou assunto com o professor de Química sobre casamento. É, sobre casamento. Lembro que ele falou que antes de casar, todo casal deveria morar junto por 2 anos. Assim saberia como era o humor do outro quando acordava, a cara quando não tá arrumadinho e o que me lembrou disso como era conviver com o outro doente, com o nariz escorrendo. Com certeza, evitaria o enorme número de divórcios.

14 de abril de 2005

E eu tava terça na faculdade, quando quis saber o que meus colegas iam almoçar. Se fosse algo atrativo, eu almoçava com eles. Caso contrário, eu almoçava em casa. A turma queria porque queria galeto. Eu queria sanduíche. Eles queriam galeto. E acabaram indo pro galeto, e eu vim pra casa, pra fugir do galeto.

Quando chego em casa, o prato do dia é galeto.

9 de abril de 2005

Para futuras namoradas de analistas de sistemas e seus respectivos pais
(se elas existirem e não forem órfãs)

Volta e meia eu me ponho a pensar na minha profissão. Pra quem não sabe, curso Ciências da Computação e quero ser um analista de sistemas estribado. Acredite, existem analistas de sistemas estribados. Você, mulher, e seu pai principalmente (ele terá suma importância adiante), fiquem sabendo disso.

Max Ehrmann afirmava (a tradução varia) que o qualquer profissão é um bem permanente na sorte inconstante dos tempos, por mais humilde que fosse. Infelizmente, nem todo mundo pensa assim (às vezes nem eu). Uma vez fui ligar pruma amiga minha pra dar os parabéns por ela ter passado no vestibular para Estilismo e Moda e o pai dela atendeu com uma voz de quem parecia estar de luto.

Desenvolvi um teste teórico muito fácil. Pra saber se sua profissão “presta” ou não, imagine-se sendo apresentado ao pai da sua namorada. Se você for solteiro, pode começar imaginando que tem uma. Se for mulher, quem sabe possa imaginar seu próprio pai (como minha amiga estilista), já que os homens têm mais liberdade que as mulheres.

Imagine só:

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Direito!”
Direito! Vai ser um advogado, juiz ou desembargador renomado, andando por aí de terno e sendo respeitado. E ainda pode usar uma camisa idiota com os dizeres “Se seu namorado não faz Direito eu faço”.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Medicina!”
Um médico, vestido numa cândida veste branca, dedicado à profissão bonita de salvar vidas! Uau!

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Arquitetura!”
Ah, o bonito trabalho de projetar construções belíssimas, prédios de bonitos traços, obras confortáveis aos olhos, cidades lindas.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Engenharia!”
Os engenheiros, os profissionais que erguem as obras citadas com segurança e maestria, tornando literalmente concretos (que trocadilho merda) os projetos citados.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Computação!”
“IGA! ELE FAZ COMPUTAÇÃO! Aaaaaai!” Um nerd que passa horas em frente ao computador, sem ver a luz do sol, desenvolvendo lesões por esforço repetitivo, um lesado que gosta de Matemática, um forte candidato a entrar na Irmandade Lambda Lambda Lambda… fodeu. Um show de horrores de estereótipos negativos.

Está longe de ser um trabalho bonito e acho que não vou conquistar admiração e respeito de algum sogro (muito menos de alguma mulher) por causa dele, mas alguém tem que fazer as contas. E se minha vida eu dedico a algumas causas perdidas, essa é mais uma delas. É minha futura profissão (profissão, não vamos falar do curso) e eu ainda gosto dela.

PS: enquanto imaginava o teste pra profissões diversas, pensei: estilistas homens têm namorada?

8 de abril de 2005

Não, eu não quero entrar em cópias idiotas do orkut e nem mandar mensagens SMS de graça.

Favor não encher o saco.

Obrigado.


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 24 anos, Fortaleza // bacharel em Computação pela Universidade Federal do Ceará // livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
:: Perfil no orkut
 
 
 
 
Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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