Tudo faz sentido

28 de abril de 2005   —   08:59:19
Já vão completar 8 meses desde que eu andava por aquela praia. Quando contei nos dedos quantos meses faziam, nem acreditei. O tempo passa mesmo depressa. Fui até o fim dela, delimitado por um monte de pedras, e voltei. Não sei quanto tempo levou. Pensei em subir numa duna, sentar ali em cima, olhar o mar e pensar na vida. Naquele momento algo me envergonhou, e até hoje não entendi a razão disso. Qual o problema de sentar em cima duma duna sozinho? Ainda que envergonhado, nunca mais eu veria aquelas pessoas mesmo. Subi, ali permaneci por alguns minutos e pus-me a pensar.Despenteado pelo vento da praia, barba sem ser feita há alguns dias. Naquela época, não sabia se estava bem ou mal. Eu tinha que saber algo de mim; sabia era que estava a cerca de 3.500km de meus problemas, e, naquele instante, a vida parecia estar tranquila. Diante do vento frio e da vastidão que a vista oferecia, tudo agora aparentava estar em seu lugar, estivesse ou não. Todo problema parecia pequeno. Pensar nas coisas, sentado naquela duna, era como olhar pro cenário da minha vida com olhos de forasteiro.

Seja qual for a crença religiosa do amigo leitor, vamos supor que Deus exista e nos livrar de qualquer discussão religiosa. Li num livro que Deus escreve nossa história melhor do que escreveríamos, se pudéssemos. Naquele instante, eu estava na transição da pior fase da minha vida pra alguma coisa que eu chamaria de maré de sorte, renascimento ou qualquer coisa que o valha. Olhando pra trás, desde a fase ruim, passando pelo momento da duna e chegando ao hoje, vejo que a afirmação do livro faz todo sentido. As vitórias que me foram negadas eram uma esmola perto das conquistas que tive em oito meses. Tivesse eu conseguido o que queria de maneira fácil e apressada, teria caído num buraco maior ainda. Até apanhar no exame do Detran inúmeras vezes faz sentido.

Tudo
faz
sentido.


Eu poderia dizer, um ano atrás, que não me arrependia de nada que tinha feito. Hoje não tenho mais esse orgulho. Não acho que errar seja a melhor maneira de aprender, nem que as pessoas devam quebrar a cara pra tirar uma lição de algo. Confesso, porém, que parte do meu orgulho foi o preço da passagem pra uma vida melhor.Muita coisa mudou no meu espírito de cimento. Desenvolvi algo de tolerância e flexibilidade, duas palavras que então eu detestava. Digo, hoje, que são características necessárias, mas que devem ser moderadas pra evitar alguma submissão. Meus princípios e fins permanecem (são os pilares de nossas vidas, se você não os tem, sua vida uma hora desaba), os meios estão mais variados. Os fins, afinal, justificam os meios. Até hoje supero traumas, e posso dizer que desenvolvi alguma coragem, sobretudo sem perder a cautela.

Se eu tivesse 15 anos e lesse isso, não acharia que fosse texto meu: arrependo-me, sim, mas não alteraria minha história. E obrigado a todos.

“De cada corte corre sangue
e a vida se renova”

(A Outra Rota, Paralamas do Sucesso)

Terão as coisas uma razão de existir?

27 de abril de 2005   —   11:43:43
Hoje vi um verso duma música estampado na camisa duma menina que estava sentada num banco qualquer da faculdade, por onde andei após constatar que não havia aula. Depois, vi novamente o mesmo verso no título dum fotolog que uma amiga minha tem faz tempos e eu descobri hoje. Não é uma música qualquer. É uma daquelas que a gente canta de anos em anos, por algum motivo.

Coincidência? Sinal dos tempos? Astrologia? De uns tempos pra cá, tenho a impressão de ter recebido avisos demais.

Acho que não importa.

14 anos

19 de abril de 2005   —   11:32:34
Saí do carro, passei pela porta do prédio e escutei o portão bater. Subi correndo os três lances de escada; Física Moderna ou seja lá o que for, os três andares passaram por mim em menos de dois segundos. Naquela noite eu estava agitado demais para concentrar-me em alguma coisa. Tentei ler algo pra pegar no sono, ao chegar no fim de um parágrafo não lembrava sequer do começo. Cada vez que eu olhava pra mim, percebia que havia mudado de posição sem qualquer causa ou objetivo. Estava possuído por uma hiperatividade quase infantil. Ao mesmo tempo que viver tinha acabado de tornar-se interessante, tudo parecia ter perdido o sentido. Tinha, então, 14 anos de novo, parecia ser a primeira vez que aquilo tudo acontecia. Naquele instante, talvez fosse.

Um belo dia, na cantina da faculdade…

18 de abril de 2005   —   01:50:43

– Um suco de acerola sem açúcar e um sanduíche natural, por favor.
– Não tem sanduíche. Nem acerola.
– Ah… então vai uma Coca Light e um salgado mesmo.

Bem que eu tentei ser saudável.

15 de abril de 2005   —   09:29:47

Testamento
Quando eu morrer, quero ser empalhado.

Memórias de um homem gripado
Em 2000, quando eu fazia primeiro ano, alguém puxou assunto com o professor de Química sobre casamento. É, sobre casamento. Lembro que ele falou que antes de casar, todo casal deveria morar junto por 2 anos. Assim saberia como era o humor do outro quando acordava, a cara quando não tá arrumadinho e o que me lembrou disso como era conviver com o outro doente, com o nariz escorrendo. Com certeza, evitaria o enorme número de divórcios.