14 de abril de 2005   —   10:11:44

E eu tava terça na faculdade, quando quis saber o que meus colegas iam almoçar. Se fosse algo atrativo, eu almoçava com eles. Caso contrário, eu almoçava em casa. A turma queria porque queria galeto. Eu queria sanduíche. Eles queriam galeto. E acabaram indo pro galeto, e eu vim pra casa, pra fugir do galeto.

Quando chego em casa, o prato do dia é galeto.

9 de abril de 2005   —   06:12:59
Para futuras namoradas de analistas de sistemas e seus respectivos pais
(se elas existirem e não forem órfãs)

Volta e meia eu me ponho a pensar na minha profissão. Pra quem não sabe, curso Ciências da Computação e quero ser um analista de sistemas estribado. Acredite, existem analistas de sistemas estribados. Você, mulher, e seu pai principalmente (ele terá suma importância adiante), fiquem sabendo disso.

Max Ehrmann afirmava (a tradução varia) que o qualquer profissão é um bem permanente na sorte inconstante dos tempos, por mais humilde que fosse. Infelizmente, nem todo mundo pensa assim (às vezes nem eu). Uma vez fui ligar pruma amiga minha pra dar os parabéns por ela ter passado no vestibular para Estilismo e Moda e o pai dela atendeu com uma voz de quem parecia estar de luto.

Desenvolvi um teste teórico muito fácil. Pra saber se sua profissão “presta” ou não, imagine-se sendo apresentado ao pai da sua namorada. Se você for solteiro, pode começar imaginando que tem uma. Se for mulher, quem sabe possa imaginar seu próprio pai (como minha amiga estilista), já que os homens têm mais liberdade que as mulheres.

Imagine só:

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Direito!”
Direito! Vai ser um advogado, juiz ou desembargador renomado, andando por aí de terno e sendo respeitado. E ainda pode usar uma camisa idiota com os dizeres “Se seu namorado não faz Direito eu faço”.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Medicina!”
Um médico, vestido numa cândida veste branca, dedicado à profissão bonita de salvar vidas! Uau!

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Arquitetura!”
Ah, o bonito trabalho de projetar construções belíssimas, prédios de bonitos traços, obras confortáveis aos olhos, cidades lindas.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Engenharia!”
Os engenheiros, os profissionais que erguem as obras citadas com segurança e maestria, tornando literalmente concretos (que trocadilho merda) os projetos citados.

“Papai, esse é o Esdras e ele cursa Computação!”
“IGA! ELE FAZ COMPUTAÇÃO! Aaaaaai!” Um nerd que passa horas em frente ao computador, sem ver a luz do sol, desenvolvendo lesões por esforço repetitivo, um lesado que gosta de Matemática, um forte candidato a entrar na Irmandade Lambda Lambda Lambda… fodeu. Um show de horrores de estereótipos negativos.

Está longe de ser um trabalho bonito e acho que não vou conquistar admiração e respeito de algum sogro (muito menos de alguma mulher) por causa dele, mas alguém tem que fazer as contas. E se minha vida eu dedico a algumas causas perdidas, essa é mais uma delas. É minha futura profissão (profissão, não vamos falar do curso) e eu ainda gosto dela.

PS: enquanto imaginava o teste pra profissões diversas, pensei: estilistas homens têm namorada?

8 de abril de 2005   —   12:20:22

Não, eu não quero entrar em cópias idiotas do orkut e nem mandar mensagens SMS de graça.

Favor não encher o saco.

Obrigado.