Do you believe in Murphy?

31 de maio de 2005   —   08:48:09
Era cerca de duas da manhã, e eu finalizava o trabalho chato de Informática e Sociedade: uma apresentação sobre um texto falando da concentração da internet em diversas áreas ao redor do globo. Um saco. Podia se resumir em uma única afirmação: a internet se concentra nos Estados Unidos. Simples assim. Coloco o CD regravável no drive, enquanto discuto com o sr. Pedro Câmara os efeitos da Lei de Murphy (o título desse texto era o nick dele), já que o CorelDraw dele deu pau e levou embora um trabalho.

Enquanto falo de Murphy com ele, ocorre uma súbita queda de energia. Ah, normal, a coisa mais comum do mundo são quedas de energia de madrugada em Fortaleza. Quantas vezes o video-cassete já amanheceu com o relógio piscando? Devia voltar ao normal em alguns segundos… não fosse o barulho vindo do poste.

Chego até a janela e vejo uma enorme faísca azul num componente elétrico do poste que não sei o nome, mas até que fazia uma luz legal. Fiquei besta olhando aquilo, até que a faísca azul grande dá lugar a fogo. Sinto que não vou gravar o CD com minha apresentação (que pelo menos tava salva).

De repente, outro barulho, e vejo o clarão passando da esquerda pra direita, atravessando um fio, chegando a um poste vizinho. Novo barulho, e um cabo do poste se rompe, ficando pendurado, com uma extremidade partida pegando fogo. A essa altura, já tinha gente nas janelas e na rua olhando os postes se auto-destruírem. Lembrei de Carrie, A Estranha, de Stephen King, que saía pelas ruas destruindo postes e causando incêndios.

Eu só conseguia rir, pensando na história que eu ia ter pra contar.

Cerca de três da manhã o caminhão da Coelce chega e vou dormir. Beleza. Acordo, gravo o CD (não sem o computador do meu irmão travar duas vezes), vou atrasado pra faculdade. Chego lá e uma dupla anterior tá se apresentando. O professor perde tempo fazendo comentários desnecessários. Pra citar um, durante o trabalho dum aluno que falava sobre revistas que tinham sites na internet, o professor solta a pérola:

A Playboy, por exemplo, põe no site só as fotos mais sem graça. As fotos boas mesmo tão na revista. E ninguém vai levar o computador pro banheiro.

Durante um trabalho que falava das pessoas que usavam a internet para assumir sua personalidade ou outra, o professor achou por bem falar do gerente gay que dirige seu banco:

O gerente do meu banco, que é assumidamente gay, tirou férias justamente na semana da passeata gay de São Paulo. Eu até fiquei em casa assistindo na TV, pra ver se achava ele fantasiado.

O resultado de tudo isso é que não deu tempo de eu apresentar meu trabalho, e todo o stress e a noite mal dormida foram em vão.

Isso sem citar:
– Minha glicemia tava alta e o frasco de insulina que levo pra faculdade tava vazio, e tive que aguentar por um tempo os sintomas;
– Outra apresentação, que eu tinha feito ontem à tarde e era pra aula seguinte, também foi adiada pra quinta;
– Coisas que não vão ser expostas aqui.

Eu acredito em Murphy.

27 de maio de 2005   —   02:49:18
De volta ao dilema das profissões

E aí, psicólogo de plantão?

Frase dum ex-professor meu dos tempos de colégio, ao me ver no Iguatemi.
Acho que ele se enganou. Eu pareço psicólogo?

Mamãe, que é psicóloga, talvez vá ficar feliz em saber disso.

Em tempo: eu posso fazer por um precinho camarada pra vocês a consulta da mamãe.



O mesmo professor avisou que tava acontecendo, naquele instante, a Feira de Profissões do colégio. Uma daquelas onde os vestibulandos doidões vão ver estandes onde ficam alunos de diversos cursos de várias faculdades falando o que faz cada pessoa que se submete a seu curso, e pra mostrar que as universidades têm várias coisas além de Medicina e Direito.

Por um instante, despertou em mim um sentimento de compaixão budista; uma vontade de pegar o carro e ir em alta velocidade até a feira, entrar correndo e gritando e impedir que novas pessoas se inscrevessem em Computação.

Mas que graça teria o mundo sem os felizes calouros pra gente rir e cochichar: “Olha, tá todo feliz se matriculando, nem imagina pra onde veio!”



“‘Quando se formar’ não!”

Frase dita pelo meu amigo e colega de faculdade André, em seu aniversário, durante a hora do clássico Com quem será…, temendo nunca se casar com sua namorada.

Desiderata

24 de maio de 2005   —   01:41:01
A primeira vez que ouvi falar do texto seguinte foi no encarte do CD As quatro estações, da Legião Urbana (esse texto acaba de perder 70% dos leitores). Na época, e até hoje muita gente assim o pensa, acreditava-se que esse texto tinha sido escrito em 1792, época da construção duma igreja onde um reverendo distribuiu tal texto século passado. Chama-se Desiderata, significa “aquilo que se deseja” em latim, se não me engano, e é de Max Ehrmann (1872-1945), filósofo americano. Acho que tem algo nele pra cada um de nós. Circulam várias versões e traduções pela internet, algumas ainda como se fosse anônimo, acabei achando um livro meses atrás e gostei da tradução. Como não tenho mais o livro, achei essa tradução abaixo no pai dos burros moderno (o Google), que deve ser a que mais parece com a do livro. Lá vai:

Desiderata
(Max Ehrmann)

Siga placidamente por entre o ruído e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas. Diga sua verdade serena e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e os ignorantes, pois eles também têm suas histórias. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas atentam contra o espírito. Se você se comparar com os outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas piores ou melhores que você. Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Mantenha o interesse pela sua profissão, por mais humilde que seja. Ela é um bem verdadeiro na sorte inconstante dos tempos. Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo está cheio de traição. Mas não deixe isso cegá-lo para a virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeição. Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Aceite com brandura a lição dos anos, abrindo mão de bom grado das coisas da juventude. Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com fantasias. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço. Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil com você mesmo. Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas: você tem o direito de estar aqui. E mesmo que não lhe pareça claro, o universo, com certeza, está evoluindo como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, não importa como você o conceba. E, qualquer que sejam suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma. Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Lute pela sua felicidade.

18 de maio de 2005   —   01:56:32

Da programação do Noise 3D Club, disponível no orkut:

(Domingo, 22/05, 18h00)
“UM GRITO EM ALTIFALANTE”
Segunda edição do projeto. A trilha sonora de mais uma tarde de domingo no nOise3d vai ficar por conta das bandas : O Sonso, Belasco, Fossil e Altifalante, a discotecagem vai ficar por conta dos iniciantes: Esdras Beleza e Dj MauMau
Preço : R$ 8.00 (inteira) R$ 4.00 (meia)
promoção >>> MEIA ENTRADA PARA TODOS r$ 4.00

Apareçam.

A crise dos 20

16 de maio de 2005   —   01:07:24
O Coelho Branco pôs os óculos. “Onde devo começar, Vossa Majestade?”, perguntou.

“Comece pelo começo”, disse o Rei muito sério, “e continue até chegar no fim, então pare.”

Lewis Carrol, no trecho famoso de Alice no País das Maravilhas

E falta, então, um mês para meu aniversário (15 de junho). Tava conversando com o amicíssimo André, no meio duma aula chata, sobre esse assunto, mais especificamente sobre a aproximação dos 20 anos. Fora o fato de eu não gostar de comemorar aniversário, sair da casa dos 10 e entrar na dos 20 me assusta.

Parece ser outra fase, outras responsabilidades, como se o número 20, um natural como qualquer outro e apenas o sucessor do 19, trouxesse consigo outra realidade. Não consigo, porém, não me sentir anos mais velho por isso.

Apesar dos pesares, foram 20 anos bons. Que eu esteja pronto e tudo não passe de numerologia barata.