o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
31 de maio de 2005

Do you believe in Murphy?
Era cerca de duas da manhã, e eu finalizava o trabalho chato de Informática e Sociedade: uma apresentação sobre um texto falando da concentração da internet em diversas áreas ao redor do globo. Um saco. Podia se resumir em uma única afirmação: a internet se concentra nos Estados Unidos. Simples assim. Coloco o CD regravável no drive, enquanto discuto com o sr. Pedro Câmara os efeitos da Lei de Murphy (o título desse texto era o nick dele), já que o CorelDraw dele deu pau e levou embora um trabalho.

Enquanto falo de Murphy com ele, ocorre uma súbita queda de energia. Ah, normal, a coisa mais comum do mundo são quedas de energia de madrugada em Fortaleza. Quantas vezes o video-cassete já amanheceu com o relógio piscando? Devia voltar ao normal em alguns segundos… não fosse o barulho vindo do poste.

Chego até a janela e vejo uma enorme faísca azul num componente elétrico do poste que não sei o nome, mas até que fazia uma luz legal. Fiquei besta olhando aquilo, até que a faísca azul grande dá lugar a fogo. Sinto que não vou gravar o CD com minha apresentação (que pelo menos tava salva).

De repente, outro barulho, e vejo o clarão passando da esquerda pra direita, atravessando um fio, chegando a um poste vizinho. Novo barulho, e um cabo do poste se rompe, ficando pendurado, com uma extremidade partida pegando fogo. A essa altura, já tinha gente nas janelas e na rua olhando os postes se auto-destruírem. Lembrei de Carrie, A Estranha, de Stephen King, que saía pelas ruas destruindo postes e causando incêndios.

Eu só conseguia rir, pensando na história que eu ia ter pra contar.

Cerca de três da manhã o caminhão da Coelce chega e vou dormir. Beleza. Acordo, gravo o CD (não sem o computador do meu irmão travar duas vezes), vou atrasado pra faculdade. Chego lá e uma dupla anterior tá se apresentando. O professor perde tempo fazendo comentários desnecessários. Pra citar um, durante o trabalho dum aluno que falava sobre revistas que tinham sites na internet, o professor solta a pérola:

A Playboy, por exemplo, põe no site só as fotos mais sem graça. As fotos boas mesmo tão na revista. E ninguém vai levar o computador pro banheiro.

Durante um trabalho que falava das pessoas que usavam a internet para assumir sua personalidade ou outra, o professor achou por bem falar do gerente gay que dirige seu banco:

O gerente do meu banco, que é assumidamente gay, tirou férias justamente na semana da passeata gay de São Paulo. Eu até fiquei em casa assistindo na TV, pra ver se achava ele fantasiado.

O resultado de tudo isso é que não deu tempo de eu apresentar meu trabalho, e todo o stress e a noite mal dormida foram em vão.

Isso sem citar:
- Minha glicemia tava alta e o frasco de insulina que levo pra faculdade tava vazio, e tive que aguentar por um tempo os sintomas;
- Outra apresentação, que eu tinha feito ontem à tarde e era pra aula seguinte, também foi adiada pra quinta;
- Coisas que não vão ser expostas aqui.

Eu acredito em Murphy.

27 de maio de 2005

De volta ao dilema das profissões

E aí, psicólogo de plantão?

Frase dum ex-professor meu dos tempos de colégio, ao me ver no Iguatemi.
Acho que ele se enganou. Eu pareço psicólogo?

Mamãe, que é psicóloga, talvez vá ficar feliz em saber disso.

Em tempo: eu posso fazer por um precinho camarada pra vocês a consulta da mamãe.



O mesmo professor avisou que tava acontecendo, naquele instante, a Feira de Profissões do colégio. Uma daquelas onde os vestibulandos doidões vão ver estandes onde ficam alunos de diversos cursos de várias faculdades falando o que faz cada pessoa que se submete a seu curso, e pra mostrar que as universidades têm várias coisas além de Medicina e Direito.

Por um instante, despertou em mim um sentimento de compaixão budista; uma vontade de pegar o carro e ir em alta velocidade até a feira, entrar correndo e gritando e impedir que novas pessoas se inscrevessem em Computação.

Mas que graça teria o mundo sem os felizes calouros pra gente rir e cochichar: “Olha, tá todo feliz se matriculando, nem imagina pra onde veio!”



“‘Quando se formar’ não!”

Frase dita pelo meu amigo e colega de faculdade André, em seu aniversário, durante a hora do clássico Com quem será…, temendo nunca se casar com sua namorada.

24 de maio de 2005

Desiderata
A primeira vez que ouvi falar do texto seguinte foi no encarte do CD As quatro estações, da Legião Urbana (esse texto acaba de perder 70% dos leitores). Na época, e até hoje muita gente assim o pensa, acreditava-se que esse texto tinha sido escrito em 1792, época da construção duma igreja onde um reverendo distribuiu tal texto século passado. Chama-se Desiderata, significa “aquilo que se deseja” em latim, se não me engano, e é de Max Ehrmann (1872-1945), filósofo americano. Acho que tem algo nele pra cada um de nós. Circulam várias versões e traduções pela internet, algumas ainda como se fosse anônimo, acabei achando um livro meses atrás e gostei da tradução. Como não tenho mais o livro, achei essa tradução abaixo no pai dos burros moderno (o Google), que deve ser a que mais parece com a do livro. Lá vai:

Desiderata
(Max Ehrmann)

Siga placidamente por entre o ruído e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas. Diga sua verdade serena e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e os ignorantes, pois eles também têm suas histórias. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas atentam contra o espírito. Se você se comparar com os outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas piores ou melhores que você. Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Mantenha o interesse pela sua profissão, por mais humilde que seja. Ela é um bem verdadeiro na sorte inconstante dos tempos. Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo está cheio de traição. Mas não deixe isso cegá-lo para a virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeição. Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Aceite com brandura a lição dos anos, abrindo mão de bom grado das coisas da juventude. Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com fantasias. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço. Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil com você mesmo. Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas: você tem o direito de estar aqui. E mesmo que não lhe pareça claro, o universo, com certeza, está evoluindo como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, não importa como você o conceba. E, qualquer que sejam suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma. Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Lute pela sua felicidade.

18 de maio de 2005

Da programação do Noise 3D Club, disponível no orkut:

(Domingo, 22/05, 18h00)
“UM GRITO EM ALTIFALANTE”
Segunda edição do projeto. A trilha sonora de mais uma tarde de domingo no nOise3d vai ficar por conta das bandas : O Sonso, Belasco, Fossil e Altifalante, a discotecagem vai ficar por conta dos iniciantes: Esdras Beleza e Dj MauMau
Preço : R$ 8.00 (inteira) R$ 4.00 (meia)
promoção >>> MEIA ENTRADA PARA TODOS r$ 4.00

Apareçam.



16 de maio de 2005

A crise dos 20

O Coelho Branco pôs os óculos. “Onde devo começar, Vossa Majestade?”, perguntou.

“Comece pelo começo”, disse o Rei muito sério, “e continue até chegar no fim, então pare.”

Lewis Carrol, no trecho famoso de Alice no País das Maravilhas

E falta, então, um mês para meu aniversário (15 de junho). Tava conversando com o amicíssimo André, no meio duma aula chata, sobre esse assunto, mais especificamente sobre a aproximação dos 20 anos. Fora o fato de eu não gostar de comemorar aniversário, sair da casa dos 10 e entrar na dos 20 me assusta.

Parece ser outra fase, outras responsabilidades, como se o número 20, um natural como qualquer outro e apenas o sucessor do 19, trouxesse consigo outra realidade. Não consigo, porém, não me sentir anos mais velho por isso.

Apesar dos pesares, foram 20 anos bons. Que eu esteja pronto e tudo não passe de numerologia barata.

14 de maio de 2005

Memórias de uma manhã ruim de quinta-feira
Qualquer coisa escrita abaixo pode ter sido exagerada ou ter prazo de validade

Dirigir a menos de 60 e evitar açúcar são alguns limites que aprendi a respeitar. Os restantes me irritam. Abraço tem que ser forte, amigo tem que ser bom, e por aí vai. O sentimento que se deixa conter não merece existir, não aprendi a não me apegar. Pra não fazer algo bem feito, prefiro não fazer (a menos que me obriguem), a marca de alguém é sua obra. Dou meu sangue para aquilo que gosto, e se grandes problemas exigem soluções extremas, eu mato mosca com canhão.



Ele está ali, do outro lado de um muro alto com espirais de arame farpado ao topo. Nasce em meio a plantações de flores espinhosas, de forma que é preciso ser forte para, dilacerado, enfim, nutrir-se de seu fruto e sentir a tranquilidade que se pode ter em meio à guerra. Se até injeção de anestesia dói, não seria diferente com ele.



Uma noite mal dormida, uma manhã de planos alterados. Gosto muito de chuva, dias chuvosos, pingos batendo no vidro, banho de chuva. Infelizmente, nem todo mundo compartilha do meu gosto e isso acaba interferindo no meu cotidiano. E enquanto a chuva bate ali fora, eu só queria não ter dezenas de contas pra fazer. Eu já fui pra faculdade com desejo de aprender, hoje eu vou pra tentar serrar meu crânio e tentar meter na cabeça os cálculos e teoremas com letras gregas, pra participar da competição entre eu e os professores: eles querendo me ferrar, eu tentando escapar. Se ao invés de giz eles tivessem pregos, talvez crucificassem os alunos.

11 de maio de 2005

Post sem graça
Só pra dar sinal de vida e dizer que o gato não comeu meus dedos. A verdade é que a faculdade (pra variar) anda me matando, no meio de trabalhos em equipe e listas de exercícios, e meu tempo livre acaba indo parar pra assuntos mais importantes.

Aviso de utilidade pública I: agora em maio saem novidades do Oasis e do Coldplay, e Star Wars - Episódio III já tem (ou tinha) ingressos a venda na bilheteria do Iguatemi ou via internet (o meu tá garantido já). Estréia de quarta pra quinta, à meia-noite e um.

Aviso de utilidade pública II: se assim como eu você morre de desgosto quando o orkut chama você de “baladeiro de plantão” ou quando ele acha que o plural de “metrópole” é “metrópolis”, dá pra mudar a língua aqui.

Tenham um bom dia, quando aparecer criatividade pra algo mais interessante eu escrevo por aqui.


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
:: Perfil no orkut
 
 
 
 
Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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