| “It’s times like these we learn to live again”
Foo Fighters, em , em Times like these
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Existem vontades e vontades. Há vontades impossíveis, possíveis, prováveis… Vou falar de algumas delas: as que podem ser descritas aqui. Há a vontade de deitar um dia todo, terminar livros que estão pela metade e ignorar todo o resto do universo. Há a vontade de voltar para uma duna duma praia distante e relembrar bons momentos comigo mesmo. Há, afinal, a vontade de voltar a uma praia mais próxima e entregar ao mar alguma amargura que estava comigo na última vez que pisei lá. Não que ela esteja totalmente separada de mim agora, mas parte dela já foi consumada e pode ser jogada fora. Quanto ao resto, a gente vê o que faz. Infelizmente, nem toda vontade pode ser realizada imediatamente. Por exemplo, às vezes a gente tem que estudar métodos para descoberta de raízes aproximadas de equações e deixar o resto pra lá, a contragosto.
Ah, vou falar um pouco sobre coragem. Se você não tem amor, se sua vida tornou-se amarga, se você perdeu o sono, se não há nem metade do primeiro e de esperança, se você não tem no que acreditar e sua cabeça é um poço de traumas, tenha coragem. Se o navio afundou e a única perspectiva é morrer afogado, só tem uma coisa a fazer: respirar fundo, tomar coragem e nadar até a praia. Aprendi a ter coragem. Coragem pra seguir em frente no escuro, coragem pra reconstruir certas coisas, coragem pra persistir no impossível, coragem pra dar o melhor de mim, coragem pra abrir mão quando necessário, coragem pra encarar certos lugares e pessoas, coragem pra acordar e encarar dias que pareciam insuportáveis, coragem pra não deixar possibilidades morrerem em minhas mãos, coragem pra experimentar o novo, coragem pra superar traumas, coragem pra não desistir antes de tentar, coragem pra não sufocar vontades, coragem pra falar o que penso e sinto, coragem pra combater um derrotismo e um pessimismo aos quais já fui submisso, mas com os quais hoje traço uma luta diária pra ver quem bate e quem apanha. Eu espero que tudo continue se reconstruindo e eu não morra na praia depois de nadar. Tenha coragem.
A vida é uma grande viagem onde a gente não sabe aonde chegar. A gente chega num canto, e, quando menos percebe, já tem que arrumar as malas, se despedir e ir embora pra outro lugar. Às vezes a gente nem se despede e sai pela porta dos fundos mesmo, ou então recebemos só um agradecimento como gorjeta antes da porta bater no nariz da gente. Há dias de viajar sem placas avisando o quanto falta pra chegar a algum lugar, e você tem que ter maturidade pra lidar com o desespero, que vai estar nas beiradas do caminho. Já são meses nessa estrada de terreno complicado. Eu queria descansar agora, mas a viagem não permite paradas. Então eu vou devagar, vai me cansar menos e eu não vou morrer de estafa antes da chegada. Isso tudo é o tal do princípio da transitoriedade da vida. Muita coisa a gente sabe mas demora pra entender como funciona.
E se sábado à noite tudo pode mudar, eu posso dizer que fui pegue de surpresa por palavras diversas que me atingiram em cheio. Como raras vezes na vida, eu estava no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. De onde eu menos esperava, quando eu menos esperava, sem eu dizer nada, sem eu pedir nada, vieram as palavras.
Há um lugar seguro esperando por mim em algum canto. No caminho, que eu vou percorrer devagar, eu vou pensando nos lugares em que estive. Vou alcançar meu destino e descansar tranqüilo por algum tempo.
20 de outubro é sempre uma data marcante pra mim. Há 9 anos, eu tava entrando na UTI do Luiz França, levando duas injeções na perna direita e uma na perna esquerda (e foi só o começo). Deve ser o que chamam “nascer de novo”.
É meio trágico, mas ainda penso em como as coisas poderiam ter sido diferentes.
O blog da Frava que por sinal tá conversando comigo por e-mail agora, já que no trabalho dela não tem MSN e um e-mail que recebi hoje de manhã tão me dando crises de identidade (fiquei morto de feliz com vários e-mails sem ser spam). Quem passou um ano sem falar comigo certamente me estranha. Talvez devesse, mas não sei se quero achar o que deixei pra trás.
Ontem foram 39 graus de febre, mas hoje acordei com 36 e já me sinto vivo de novo.
Sorte que minha prova de hoje foi adiada.
O título do texto é do novo single do Depeche Mode, Precious. É, madrugada é o melhor horário pra ver MTV. Teve Cake, REM, e até Only, do Nine Inch Nails. Nunca esqueci de quando assistia MTV de madrugada e descobri If you’ll be mine, do Babybird. Insônia serve pra muita coisa, não só pra escrever os textos tristes ali de baixo.
The cold has a voice, it talks to me.
Era pra ter um texto aqui, mas quando tava terminando de escrever, o fabuloso computador do meu pai travou e perdi ele. Talvez depois eu reescreva ele. Talvez não. Eu devia voltar a escrever com papel e caneta.
Tá perigando acabar a greve da faculdade. Não sei se acho bom ou ruim.
Parece que vou passar uns 10 dias fora e ainda vou usar terno. Não é praia nem serra, mas acho que vai ser bacana. Alguém tem convite pra praia ou serra pra aproveitar o fim de greve? Se eu puder ir tô dentro.
Comprei o DVD de Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Em tempo, visitem o site da Lacuna Inc.
The sunshine will blow my mind and the wind blows my brain.
Amém
| “Você me diz que o tempo te levará a depender dos outros E a morte te faz pensar em viver de novo” Violins, em Ocidente/Oriente
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| “Nothing is gonna change my world”
Beatles, em Across the universe
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Eu caminhava calmamente por um shopping semana passada, olhando vitrines, quando avisto um Papai Noel numa delas. O fim do ano se aproxima, e é quase inevitável não ter aqueles momentos de balanço, medir saldos.
Quando olhei o Papai Noel, finalmente percebi que era outubro. Os últimos meses passaram depressa, e é difícil digerir os fatos, que descem ora como pedras pela garganta, ora como água na temperatura certa. Não faço idéia de como 2005 vai acabar, queria de coração que fosse diferente de como as coisas estão, mas pelo visto não muda mais e essa possibilidade me assusta. Então a gente comemora a faculdade que deu uma caminhada, apesar da greve, os amigos conquistados no ano que passou. E se conforma. Ah, como eu queria errar pressentimentos e impressões…
Eu queria fazer uma viagem pra acalmar os ânimos, limpar o organismo, tirar coisas da cabeça nem que seja por decreto. A gente deixa pedaços nossos por aí e não dá pra pegar de volta, então fica aquele vazio que a gente tem que deixar fechar como um ferimento profundo.
O biscoito da sorte disse uma vez que cada etapa alcançada é uma preparação pra uma próxima. Meu sábio amigo Germano comentou que a próxima parece ser pior, como um video game, e temo que seja verdade. Mas deve haver algum sentido em tudo que aconteceu e acontece, baseado nisso eu acordo todo dia de manhã e espero que algo bom vá acontecer, com a paciência que tem quem apanhou demais.
Um dia eu vou descansar, tudo vai estar em paz.
| “foi irracional o que ela fez mas vou deletar sua insensatez” Latino, em Renata
“Queria testar sua sinceridade. Prova de amor, cujo autor desconheço
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E se passaram meses desde a Duculina. Era fim de 2000 e, na minha vida nerd de passar tardes no IRC, eis que surge, num dos canais que eu frequentava (se você não sabe o que é um canal de IRC, veja como uma sala de bate-papo), uma dona aí, ex-namorada dum amigo dum amigo meu. Passou despercebida por quase todo mundo, mas não por mim. Chamarei-a pelo nome fictício de Jucyllene.
Eu tinha 15 anos e ela tinha 16 ou 17. A Jucyllene tinha um papo legal, e fomos nos aproximando. Ela é frequentadora assídua do Mais ou Menos Bar até hoje (sim, eu tenho notícias dela), o que causou alguma divergência inicial. Até mp3 de pagode ela quis mandar. Mas ela conseguia causar alguma atração, parecia bem informada e prendada, e uma vez liguei pra ela e ela não pôde atender, pois estava pintando um quadro, veja que chique (grande coisa, podia ser um borrão no meio da tela).
Mas a coisa foi além. A Jucyllene falava dos homens que viviam atrás dela, que no Dia dos Namorados recebeu 3 propostas, que um amigo dela a pediu em namoro e, caso ela aceitasse, ele largaria a namorada pra ficar com ela. Uma vez, por telefone, ela disse que o maior medo dela era perder a bunda e que tinha perdido 8 quilos num período de semanas só dançando pagode. Ou seja: ela também deu uma de gostosa.
Nos encontramos um dia no Iguatemi. Eu usava uma camisa pólo branca, uma calça preta e um sapato preto de camurça (meu passado me condena). Ela usava uma blusa azul e me esperava em frente às Americanas. Conversamos um bocado e dei pra ela um cartão de Natal com palavras que não lembro mais.
A Jucyllene tinha pontos baixos na história dela: ela tinha passado um chifre no ex. Mas eu estava caindo na história dela. Ela era mais velha, parecia mais madura, se dizia gostosa e tava dando bola pra mim. Eu me sentia o rei da cocada preta por tudo isso. Lembro dela me chamando pra “dar uma volta no Iguatemi, namorar um pouquinho”. Como quando a esmola é demais o santo desconfia, eu esperei.
Na época da virada do ano, ela viajou pra praia de Flexeiras. Seria a oportunidade para testá-la, e não deu outra. A Jucyllene tinha uma melhor amiga, a Glaucileide (nome fictício). A Glaucileide tinha namorado, mas também curtia passar um chifre nele. E as duas ficaram na praia competindo pra ver quem ficava com um cara lá. E a Jucyllene ficou.
Quando a Jucy veio pra Fortaleza, me contou a história. Ué, não era de mim que ela gostava? Dei-lhe um pé na bunda, tchau e bênção. Ela tentou ajeitar, disse que eu era alguém com quem ela gostaria de passar “um bom tempo da vida dela”. Pareceu que ela pensava em mim como alguém com quem ela pudesse ficar uns meses e depois dar tchau. Não teve volta. Meses depois, veio a notícia não comprovada de que ela se apaixonou por um gay.
A última vez que tive contato com ela vai fazer uns 2 anos. Mandei meu e-mail anual de Natal para minha lista de pessoas que já passaram pela minha vida, e ela respondeu me chamando de tudo menos de gente. Eu só pude rir.
Autobiografia de uma vida bandida
Capítulo de hoje: Sunday bloody sunday
| “eu não sei por que eu teimo em dizer que amo você se eu não sei dizer o que quer dizer o que vou dizer?” Zeca Baleiro, em Lenha
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Algumas histórias não deveriam ser contadas em público e essa é uma delas. Mas as histórias mais secretas tornam-se um segredo sem valor com o tempo. Trata-se do dia em que levei meu primeiro pé na bunda duma pessoa que gostei de verdade. A fim de preservar sua identidade, darei a ela o nome fictício de Duculina e espero que, se um dia ela ler isso aqui, ela não fique com raiva.
Eu tinha 14 anos quando gostei da Duculina. Era aquele negócio meio distante, raramente a gente se via. Um belíssimo dia, se não me engano era 23 abril de 2000, marcamos eu, ela e uns amigos de dar uma volta no Iguatemi (típica diversão adolescente).
Cheguei lá, e nada de ninguém aparecer. Eis que ela aparece. Eu estava tão completamente desajeitado pela situação que sequer consegui cumprimentá-la nesse dia. Ficamos em pé inventando assunto, e eu pensava em como estava com sorte: todos os nossos amigos deram o cano. Enfim sós!
Mas minha alegria durou pouco. Do nada, surge ninguém menos que a mãe da Duculina. Somos apresentados, a mãe dela olha pra mim com cara de “Se você pensa que vai pegar minha filha, está muito enganado!” e diz: “Bem, já são 15 pras 5. Se só veio ele, é melhor a gente ir embora”. E assim o chão ruiu sob meus pés.
Fui dar uma volta pelo Iguatemi. Comprei duas folhas de papel que meu irmão queria e fui parar na sessão de CDs do Extra, quando escutei a música do Zeca Baleiro citada acima que até hoje me lembra o fatídico dia.
Ao chegar em casa, entro na internet e vejo a Duculina online no IRC. Vou levar um papo com ela, que pede desculpas. Eu disse que não precisava pedir desculpas, que entendia a situação, tá beleza… Então, desconfiada do meu excesso de bondade, ela pergunta o que eu queria com aquilo tudo. Eu disse.
Veio então um fora, toda uma conversa de “eu não posso namorar” e “minha mãe não deixa”, tudo isso via internet.
E, dois meses depois, a Duculina começa a namorar um vizinho.
Durou umas duas semanas, quando ela ouviu falar de outra…
Leia também:
Meu primeiro pé na bunda
A mola
O dia da pedrada
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