31 de outubro de 2005   —   12:16:06
Vontades, coragem, caminhos, palavras e destinos
(tô sem internet, esse texto foi escrito uma semana atrás. Façam as devidas adaptações temporais)

“It’s times like these we learn to live again”
Foo Fighters, em , em Times like these

Existem vontades e vontades. Há vontades impossíveis, possíveis, prováveis… Vou falar de algumas delas: as que podem ser descritas aqui. Há a vontade de deitar um dia todo, terminar livros que estão pela metade e ignorar todo o resto do universo. Há a vontade de voltar para uma duna duma praia distante e relembrar bons momentos comigo mesmo. Há, afinal, a vontade de voltar a uma praia mais próxima e entregar ao mar alguma amargura que estava comigo na última vez que pisei lá. Não que ela esteja totalmente separada de mim agora, mas parte dela já foi consumada e pode ser jogada fora. Quanto ao resto, a gente vê o que faz. Infelizmente, nem toda vontade pode ser realizada imediatamente. Por exemplo, às vezes a gente tem que estudar métodos para descoberta de raízes aproximadas de equações e deixar o resto pra lá, a contragosto.

Ah, vou falar um pouco sobre coragem. Se você não tem amor, se sua vida tornou-se amarga, se você perdeu o sono, se não há nem metade do primeiro e de esperança, se você não tem no que acreditar e sua cabeça é um poço de traumas, tenha coragem. Se o navio afundou e a única perspectiva é morrer afogado, só tem uma coisa a fazer: respirar fundo, tomar coragem e nadar até a praia. Aprendi a ter coragem. Coragem pra seguir em frente no escuro, coragem pra reconstruir certas coisas, coragem pra persistir no impossível, coragem pra dar o melhor de mim, coragem pra abrir mão quando necessário, coragem pra encarar certos lugares e pessoas, coragem pra acordar e encarar dias que pareciam insuportáveis, coragem pra não deixar possibilidades morrerem em minhas mãos, coragem pra experimentar o novo, coragem pra superar traumas, coragem pra não desistir antes de tentar, coragem pra não sufocar vontades, coragem pra falar o que penso e sinto, coragem pra combater um derrotismo e um pessimismo aos quais já fui submisso, mas com os quais hoje traço uma luta diária pra ver quem bate e quem apanha. Eu espero que tudo continue se reconstruindo e eu não morra na praia depois de nadar. Tenha coragem.

A vida é uma grande viagem onde a gente não sabe aonde chegar. A gente chega num canto, e, quando menos percebe, já tem que arrumar as malas, se despedir e ir embora pra outro lugar. Às vezes a gente nem se despede e sai pela porta dos fundos mesmo, ou então recebemos só um agradecimento como gorjeta antes da porta bater no nariz da gente. Há dias de viajar sem placas avisando o quanto falta pra chegar a algum lugar, e você tem que ter maturidade pra lidar com o desespero, que vai estar nas beiradas do caminho. Já são meses nessa estrada de terreno complicado. Eu queria descansar agora, mas a viagem não permite paradas. Então eu vou devagar, vai me cansar menos e eu não vou morrer de estafa antes da chegada. Isso tudo é o tal do princípio da transitoriedade da vida. Muita coisa a gente sabe mas demora pra entender como funciona.

E se sábado à noite tudo pode mudar, eu posso dizer que fui pegue de surpresa por palavras diversas que me atingiram em cheio. Como raras vezes na vida, eu estava no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. De onde eu menos esperava, quando eu menos esperava, sem eu dizer nada, sem eu pedir nada, vieram as palavras.

Há um lugar seguro esperando por mim em algum canto. No caminho, que eu vou percorrer devagar, eu vou pensando nos lugares em que estive. Vou alcançar meu destino e descansar tranqüilo por algum tempo.

20 de outubro de 2005   —   02:17:15
If God has a master plan
(mais rápidas)

20 de outubro é sempre uma data marcante pra mim. Há 9 anos, eu tava entrando na UTI do Luiz França, levando duas injeções na perna direita e uma na perna esquerda (e foi só o começo). Deve ser o que chamam “nascer de novo”.

É meio trágico, mas ainda penso em como as coisas poderiam ter sido diferentes.



O blog da Frava que por sinal tá conversando comigo por e-mail agora, já que no trabalho dela não tem MSN e um e-mail que recebi hoje de manhã tão me dando crises de identidade (fiquei morto de feliz com vários e-mails sem ser spam). Quem passou um ano sem falar comigo certamente me estranha. Talvez devesse, mas não sei se quero achar o que deixei pra trás.



Ontem foram 39 graus de febre, mas hoje acordei com 36 e já me sinto vivo de novo.
Sorte que minha prova de hoje foi adiada.



O título do texto é do novo single do Depeche Mode, Precious. É, madrugada é o melhor horário pra ver MTV. Teve Cake, REM, e até Only, do Nine Inch Nails. Nunca esqueci de quando assistia MTV de madrugada e descobri If you’ll be mine, do Babybird. Insônia serve pra muita coisa, não só pra escrever os textos tristes ali de baixo.



The cold has a voice, it talks to me.

18 de outubro de 2005   —   07:29:05
Rápidas

Era pra ter um texto aqui, mas quando tava terminando de escrever, o fabuloso computador do meu pai travou e perdi ele. Talvez depois eu reescreva ele. Talvez não. Eu devia voltar a escrever com papel e caneta.



Tá perigando acabar a greve da faculdade. Não sei se acho bom ou ruim.



Parece que vou passar uns 10 dias fora e ainda vou usar terno. Não é praia nem serra, mas acho que vai ser bacana. Alguém tem convite pra praia ou serra pra aproveitar o fim de greve? Se eu puder ir tô dentro.



Comprei o DVD de Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Em tempo, visitem o site da Lacuna Inc.



The sunshine will blow my mind and the wind blows my brain.

13 de outubro de 2005   —   09:55:54

Amém


Sorte de hoje:
Divida sua felicidade com os outros hoje mesmo

10 de outubro de 2005   —   10:25:30
Rumos

“Você me diz que o tempo te levará a depender dos outros
E a morte te faz pensar em viver de novo”

Violins, em Ocidente/Oriente
“Nothing is gonna change my world”

Beatles, em Across the universe

Eu caminhava calmamente por um shopping semana passada, olhando vitrines, quando avisto um Papai Noel numa delas. O fim do ano se aproxima, e é quase inevitável não ter aqueles momentos de balanço, medir saldos.

Quando olhei o Papai Noel, finalmente percebi que era outubro. Os últimos meses passaram depressa, e é difícil digerir os fatos, que descem ora como pedras pela garganta, ora como água na temperatura certa. Não faço idéia de como 2005 vai acabar, queria de coração que fosse diferente de como as coisas estão, mas pelo visto não muda mais e essa possibilidade me assusta. Então a gente comemora a faculdade que deu uma caminhada, apesar da greve, os amigos conquistados no ano que passou. E se conforma. Ah, como eu queria errar pressentimentos e impressões…

Eu queria fazer uma viagem pra acalmar os ânimos, limpar o organismo, tirar coisas da cabeça nem que seja por decreto. A gente deixa pedaços nossos por aí e não dá pra pegar de volta, então fica aquele vazio que a gente tem que deixar fechar como um ferimento profundo.

O biscoito da sorte disse uma vez que cada etapa alcançada é uma preparação pra uma próxima. Meu sábio amigo Germano comentou que a próxima parece ser pior, como um video game, e temo que seja verdade. Mas deve haver algum sentido em tudo que aconteceu e acontece, baseado nisso eu acordo todo dia de manhã e espero que algo bom vá acontecer, com a paciência que tem quem apanhou demais.

Um dia eu vou descansar, tudo vai estar em paz.