7 de outubro de 2005   —   12:26:53
Autobiografia de uma vida bandida
Capítulo de hoje: “Quem planta sacanagem colhe solidão”

“foi irracional o que ela fez
mas vou deletar sua insensatez”

Latino, em Renata

“Queria testar sua sinceridade.
Se me amasse realmente,
não olharia para trás”

Prova de amor, cujo autor desconheço

E se passaram meses desde a Duculina. Era fim de 2000 e, na minha vida nerd de passar tardes no IRC, eis que surge, num dos canais que eu frequentava (se você não sabe o que é um canal de IRC, veja como uma sala de bate-papo), uma dona aí, ex-namorada dum amigo dum amigo meu. Passou despercebida por quase todo mundo, mas não por mim. Chamarei-a pelo nome fictício de Jucyllene.

Eu tinha 15 anos e ela tinha 16 ou 17. A Jucyllene tinha um papo legal, e fomos nos aproximando. Ela é frequentadora assídua do Mais ou Menos Bar até hoje (sim, eu tenho notícias dela), o que causou alguma divergência inicial. Até mp3 de pagode ela quis mandar. Mas ela conseguia causar alguma atração, parecia bem informada e prendada, e uma vez liguei pra ela e ela não pôde atender, pois estava pintando um quadro, veja que chique (grande coisa, podia ser um borrão no meio da tela).

Mas a coisa foi além. A Jucyllene falava dos homens que viviam atrás dela, que no Dia dos Namorados recebeu 3 propostas, que um amigo dela a pediu em namoro e, caso ela aceitasse, ele largaria a namorada pra ficar com ela. Uma vez, por telefone, ela disse que o maior medo dela era perder a bunda e que tinha perdido 8 quilos num período de semanas só dançando pagode. Ou seja: ela também deu uma de gostosa.

Nos encontramos um dia no Iguatemi. Eu usava uma camisa pólo branca, uma calça preta e um sapato preto de camurça (meu passado me condena). Ela usava uma blusa azul e me esperava em frente às Americanas. Conversamos um bocado e dei pra ela um cartão de Natal com palavras que não lembro mais.

A Jucyllene tinha pontos baixos na história dela: ela tinha passado um chifre no ex. Mas eu estava caindo na história dela. Ela era mais velha, parecia mais madura, se dizia gostosa e tava dando bola pra mim. Eu me sentia o rei da cocada preta por tudo isso. Lembro dela me chamando pra “dar uma volta no Iguatemi, namorar um pouquinho”. Como quando a esmola é demais o santo desconfia, eu esperei.

Na época da virada do ano, ela viajou pra praia de Flexeiras. Seria a oportunidade para testá-la, e não deu outra. A Jucyllene tinha uma melhor amiga, a Glaucileide (nome fictício). A Glaucileide tinha namorado, mas também curtia passar um chifre nele. E as duas ficaram na praia competindo pra ver quem ficava com um cara lá. E a Jucyllene ficou.

Quando a Jucy veio pra Fortaleza, me contou a história. Ué, não era de mim que ela gostava? Dei-lhe um pé na bunda, tchau e bênção. Ela tentou ajeitar, disse que eu era alguém com quem ela gostaria de passar “um bom tempo da vida dela”. Pareceu que ela pensava em mim como alguém com quem ela pudesse ficar uns meses e depois dar tchau. Não teve volta. Meses depois, veio a notícia não comprovada de que ela se apaixonou por um gay.

A última vez que tive contato com ela vai fazer uns 2 anos. Mandei meu e-mail anual de Natal para minha lista de pessoas que já passaram pela minha vida, e ela respondeu me chamando de tudo menos de gente. Eu só pude rir.

2 de outubro de 2005   —   12:23:16
Depois de um ano e meio, a série está de volta:

Autobiografia de uma vida bandida
Capítulo de hoje: Sunday bloody sunday

“eu não sei por que
eu teimo em dizer
que amo você
se eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer?”

Zeca Baleiro, em Lenha

Algumas histórias não deveriam ser contadas em público e essa é uma delas. Mas as histórias mais secretas tornam-se um segredo sem valor com o tempo. Trata-se do dia em que levei meu primeiro pé na bunda duma pessoa que gostei de verdade. A fim de preservar sua identidade, darei a ela o nome fictício de Duculina e espero que, se um dia ela ler isso aqui, ela não fique com raiva.

Eu tinha 14 anos quando gostei da Duculina. Era aquele negócio meio distante, raramente a gente se via. Um belíssimo dia, se não me engano era 23 abril de 2000, marcamos eu, ela e uns amigos de dar uma volta no Iguatemi (típica diversão adolescente).

Cheguei lá, e nada de ninguém aparecer. Eis que ela aparece. Eu estava tão completamente desajeitado pela situação que sequer consegui cumprimentá-la nesse dia. Ficamos em pé inventando assunto, e eu pensava em como estava com sorte: todos os nossos amigos deram o cano. Enfim sós!

Mas minha alegria durou pouco. Do nada, surge ninguém menos que a mãe da Duculina. Somos apresentados, a mãe dela olha pra mim com cara de “Se você pensa que vai pegar minha filha, está muito enganado!” e diz: “Bem, já são 15 pras 5. Se só veio ele, é melhor a gente ir embora”. E assim o chão ruiu sob meus pés.

Fui dar uma volta pelo Iguatemi. Comprei duas folhas de papel que meu irmão queria e fui parar na sessão de CDs do Extra, quando escutei a música do Zeca Baleiro citada acima que até hoje me lembra o fatídico dia.

Ao chegar em casa, entro na internet e vejo a Duculina online no IRC. Vou levar um papo com ela, que pede desculpas. Eu disse que não precisava pedir desculpas, que entendia a situação, tá beleza… Então, desconfiada do meu excesso de bondade, ela pergunta o que eu queria com aquilo tudo. Eu disse.

Veio então um fora, toda uma conversa de “eu não posso namorar” e “minha mãe não deixa”, tudo isso via internet.

E, dois meses depois, a Duculina começa a namorar um vizinho.

Durou umas duas semanas, quando ela ouviu falar de outra…

Leia também:
Meu primeiro pé na bunda
A mola
O dia da pedrada