22 de novembro de 2005   —   08:14:05
De volta à universidade

Pois é… acabou a greve!

Se você mora no interior e não soube a tempo de voltar pra primeira aula, se você precisa do restaurante universitário que continua em greve, se você ia trabalhar ou viajar no fim do ano, ninguém pensou em você, sinto muito.

E eu retomo meu cotidiano. Volto ao Pici-Unifor, ao Siqueira-Papicu, Circular, Parangaba-Náutico, Antônio Bezerra-Papicu e todos os trocentos ônibus que pego pra ir e voltar da faculdade. Vou levando alguma coisa no ônibus pra ler. Tem quem diga que faça mal, já me contaram que sim e que não, mas se eu ficar olhando pela janela fico maluco, reparando nas mudanças do caminho. Se eu tivesse um carro, minha atividade intelectual seria vastamente reduzida.

Vou matar a saudade da cega da flauta, dos vendedores de bala de gengibre, do menino que vende jujuba, dos travecos da Terapia do Riso vendendo cartão, dos ex-viciados do centro de recuperação Manassés… sem falar nos locutores da FM93 e da Liderança FM. Ah, o cambão. Isso sim é lugar democrático.

Vou pegar aquele bronze no Pici, comer de novo a torta de frango da Ilmar Doces da Jovita Feitosa, o PF do Lá em Casa, o sanduíche do Catatau pra matar a gente. Volto a curtir aquele sono cruel antes da aula da tarde.

Me livro de 2 ou 3 cadeiras em dezembro, que furaram a greve, mais 1 em janeiro e 1 em fevereiro. A Cultura vai até Deus sabe quando, talvez coloquem aula nas sextas. E volto aos abraços depois da aula na Cultura, isso fazia falta.

E, enquanto isso, o povo da faculdade se preocupa se vai haver aula durante a copa do mundo.

Citações (II)

20 de novembro de 2005   —   02:49:23
“Que a covardia não me amarre os braços, não me trave a língua, não me faça engolir os beijos que estão pousados em meus lábios. Que a covardia não me vende os olhos, não espalhe monstros, não me sussurre medos. Que a covardia não me descubra pequena e frágil numa caixa de segredos. Que a covardia não me pregue peças, não me tire o nome, não me mate de fome à beira da mesa posta. Que a covardia não encrave as frases na garganta. Que eu seja forte e alta, que eu descubra asas e que ouse usá-las. Que eu esqueça os fundos, os absurdos, os desmundos e faça de mim mesma a flor na água, a prece clara, o céu limpo. Que eu seja capaz de querer o infinito.”

Por Patrícia Antoniete – link

17 de novembro de 2005   —   03:19:48
Citações (I)

“(…) Quando eu era pequeno pensava que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. Por que as nuvens não caem, já que tudo cai? É que a gravidade é menor que a força que as levanta. Inteligente, não é? Sim, mas caem um dia em chuva. É a minha vingança.”

Clarice Lispector, em A hora da estrela

Notas de viagem

14 de novembro de 2005   —   06:03:45
Há quem diga que a primeira impressão é a que fica. Quando vi São Paulo pela janela do avião, fiquei assustado; realmente a selva de concreto me espantou quando andei por ela. Quando chegava em Florianópolis, a cidade parecia o paraíso pela janela e era. Depois de ver o Rio de Janeiro pela janela do avião durante uma escala, só sei que preciso pisar lá.


“Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor”

(Legião Urbana, em O mundo anda tão complicado)

Fui a um casamento pela primeira vez em 20 anos. Hoje eu entendo na prática por que as pessoas choram em casamentos. Toda aquela mistura de sentimentos, é impossível não sentir na hora o nervosismo do casal e a alegria pela realização, principalmente quando você sabe um pouco da história deles e sobre como difícil chegar até ali, não apenas por questões de trabalhar, juntar dinheiro pra ter uma casa, mas por superar durante anos os obstáculos que existem nos relacionamentos, até chegar ali.

Não sou muito religioso e filtro ao máximo intermediários como pastores e padres se os escuto (não curto fé cega, nem seguir uma religião específica). Apesar disso, o discurso do padre sobre fidelidade, diálogo, respeito e cumplicidade foi muito verdadeiro. Ah, as pessoas perderam o senso. Mas ainda tenho fé no amor. Às vezes fé cega, admito, às vezes mantida por momentos de felicidade alheia como esses.


Passar uns dias fora de casa, fora da cidade, me dá uma impressão de recomeço. Às vezes a prendo e levo pra casa, às vezes ela vai embora quando me vejo novamente imerso na minha realidade. Na faxina mental, acaba sobrando algo que a gente quer que vá embora, escondido debaixo do tapete. Mas alguras coisas retomaram seu lugar, vamos pensar positivo.


Você gosta de daruma? Comprei um. Pra quem não sabe, daruma (desse jeito mesmo, não faltou um espaço) é um bonequinho que tem os olhos brancos. Você pinta um olho, faz um pedido, e só pinta o outro olho quando o pedido for realizado. Aí ele funciona como um amuleto da sorte. Eu quero dezenas de coisas, mas na hora de pintar o primeiro olho do daruma não sei que pedido fazer.


Às vezes me passa pela cabeça dizer algumas coisas para algumas pessoas. No momento seguinte, desisto. Às vezes é melhor se calar que defender uma causa morta. Não serei eu o soldado dum país extinto.

7 de novembro de 2005   —   05:41:10

a song for
someone who needs somewhere
to long for

homesick
‘cause I no longer know
where home is

:: Kings of Convenience – Homesick