16 de dezembro de 2005   —   02:08:36

Pensamentos perdidos, ou não

Eu queria escrever mais, desenhar mais, fotografar mais…
Eu queria fazer menos conta.


“Hum! Até num dia calmo como hoje
Pode haver surpresa
Eu ouço os pingos na janela
Quem me dera não ter nada pra fazer…”

(Paralamas, em Impressão)

O tempo meio nublado, um pouco quente, com ameaça de chuva, dá uma certa sensação de tranquilidade. Eu quase esqueço minhas obrigações. Volta e meia arrisco dar uma volta por aí sozinho, sem rumo, como há muito tempo não fazia. Cada novo dia me mostra que estou em paz com o passado. Não é alegria nem tristeza, mas uma certa indiferença. Agora tanto faz.

As feridas estão devidamente fechadas.


Dezembro não consegue ser um mês como qualquer outro. Fica aquele negócio de retrospectiva, expectativas pro próximo ano, luzes em todos os lugares…

De 2005 não quero levar nenhum sentimento ruim.
Minha primeira (e única, até agora) meta pra 2006 é me maltratar menos.
E decidi não esperar 2006. Começo ela ontem.

Todo o resto vai acontecer naturalmente.


“I don’t believe in magic
I don’t believe in I-ching
I don’t believe in Bible
I don’t believe in Tarot
I don’t believe in Hitler
I don’t believe in Jesus
I don’t believe in Kennedy
I don’t believe in Buddha
I don’t believe in Mantra
I don’t believe in Gita
I don’t believe in Yoga
I don’t believe in Kings
I don’t believe in Elvis
I don’t believe in Zimmerman
I don’t believe in Beatles
I just believe in me (…)
and that’s reality.

The dream is over”

(John Lennon, em God)

11 de dezembro de 2005   —   01:05:13
Introspecção

“Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim”

(Paralamas, em Tendo a lua)

De uns tempos pra cá ando me desfazendo de algumas coisas. Roupas, brinquedos, livros… Pouco a pouco, bem lentamente, o quarto vai esvaziando, o guarda-roupa vai folgando, as prateleiras reaparecendo. Ando conseguindo me livrar dum materialismo que foi minha característica por um bom tempo.

A regra é simples: o que não me faz sorrir e ainda pode fazer alguém sorrir tá indo embora.


Também ando ouvindo mais meus discos antigos, alguns estavam intocados há anos. Curiosamente, também ando numa fase meio doméstica. Meu apetite por destruição anda mais brando.


2005 vai chegando ao seu fim. Apesar dos pesares, sei que chego ao final dele bem mais maduro do que comecei. Saio desse ano menos animado do que saí de 2004, mas saio com menos traumas. Foi um ano de poucas vitórias e conquistas, muitas derrotas, muitas coisas de que tive de abrir mão, mas muito crescimento e superação.

É meu único consolo.

Chico Moura

1 de dezembro de 2005   —   01:14:25
Faz uns 3 meses que me ligam de Mossoró atrás do Chico Moura. Já teve dias de receber telefonemas estranhos, na hora da aula:

Alô?! Chico?! Tô dentro do ônibus já!

Quase respondo “Pois tô esperando você na parada!” só por vingança por me ligarem errado direto. Mas disse que não era o Chico.

Ontem foi de lascar. Cerca de meia-noite, eu fazendo um trabalho da faculdade, e me ligaram seis ou sete vezes atrás do Chico. Cinco vezes do mesmo telefone, que inclusive era um celular, cuja dona é uma mulher histérica que pelo visto não sabe ver no visor o número pro qual tá ligando.

Alô?! Chico?!
Não, esse telefone não é do Chico.
*clic*

Alô?! Chico?!
Não, esse telefone não é do Chico.
De quem é então?!
diz a mulher, num tom como se eu tivesse mentindo, ou escondendo o Chico.
Olha, tão me ligando há três meses daí atrás do Chico, esse telefone não é d…*clic*

Alô, é o Chico?!
Não, aqui não é o Chico!
E EU GASTANDO MEUS CRÉDIT*clic*

É cada coisa…