o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
12 de janeiro de 2006

Quase uma bossa nova

Alguma invenção
Que faça o tempo parar esta tarde
Quando se for o sol
Que a luz desse dia nunca acabe…

(Paralamas, em Esta tarde)

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

(Vinicius de Moraes, em Tomara)

Tô cansado. Hoje eu tava no meio do engarrafamento do almoço, cotovelo na porta do carro, mão na cabeça com os dedos enfiados no cabelo, e concluí: tô cansado.

Tô cansado dos monitores, dos cálculos, das abstrações, dos papéis, dos livros que não respondem as minhas perguntas. Tô cansado de andar feito sardinha em ônibus, ou ficar dentro do carro parado no trânsito engarrafado, de esperar o sinal abrir. Tô cansado das músicas amargas e afetadas. Tô cansado de mau olhado, de gente que não sabe ser feliz e não quer deixar os outros serem. Tô cansado das noites mal dormidas, de passar o dia feito zumbi. Tô cansado do que passou e do que acabou, tô cansado dos mortos que querem sair das covas. Tô cansado de pessimismo, de derrotismo, da Lei de Murphy. Tô cansado de frescura, de complicação. Eu cansei dessa vidinha sem graça.

Eu quero derrubar os livros das prateleiras. Eu quero um abraço, eu quero um sorriso, quero que o tempo passe bem devagar. Eu quero não precisar olhar as horas e não ligar se elas passam. Eu quero praia e serra. Eu quero jogar Super Mario. Eu quero não precisar de telefones. Eu quero uma boa conversa, quero entender e ser entendido. Eu quero chuva batendo na janela. Eu quero sentir o chão e olhar pro céu. Eu quero um copo de capuccino. Eu quero um desenho. Eu quero um filme e um cobertor. Minha médica que me perdoe: eu quero um sorvete. Eu quero parar de me preocupar. Eu quero esvaziar a cabeça, rir à vontade e curtir o riso alheio. Eu quero uma música leve e alegre no fundo. Eu quero me sentir vivo. Eu quero fazer valer a pena.

O que eu quero não é muito: eu quero a simplicidade. Apenas.

O autor desse texto, após escrevê-lo, foi estudar coisas abstratas absurdas e correr pra assistir uma aula na qual provavelmente vai chegar atrasado. Ele pode ser avistado por aí pensando no terceiro parágrafo.

13 comentários

  1. Aline disse:

    O que vc quer é o melhor que a vida tem a oferecer. Basta deixar para trás as opiniões, censuras e invasões.

    P.S.: Muito bom seu texto.


  2. Vidah disse:

    Imagine se eu teria a coragem em jogar um tomate em um texto como este?
    Não seria justo! Tenho até vergonha dos meus depois deste.
    +
    Todos querem tantas coisas, mas vc quer a mais difícil… pq nada é simples, ou o q é, a gente faz questão de complicar!


  3. Ana Paula Guedes disse:

    feio.


  4. gauche disse:

    eu joguei o meu tomate com força.

    adorei.

    daqui um tempo ponho entre aspas e posto.

    mwuah!


  5. kataoka disse:

    pois faz o seguinte:
    aqui tem filme, tem Mario, tem abraço e tem sorvete (que sua medica o perdoe). tem frapuccino, conversas simples e pessoas divertidas..

    quer vir pra ca?


  6. Flavinha disse:

    ai um abraço e um sorvete :~

    gostei especialmente do terceiro parágrafo


  7. callen disse:

    Só uma coisa: não canse de escrever! nem de música!
    Ei, curiosidade de anônima, quando tu vai discotecar de novo lá pelo Noise?


  8. Feia disse:

    Tá na hora de atualizar, feio..


  9. kataoka disse:

    como foi de prova?


  10. rebeca disse:

    ja xeguei d viagem! me conte as novas!! =D


  11. sam disse:

    e eu tô com saudade ó. rum!


  12. rebeca disse:

    te achei tao pra baixo terça = qq houve?


  13. Teresa disse:

    eu quero uma casa no campo, ar puro, horizonte, olhar nos olhos das pessoas, fazer algo por elas, cantar, escrever…
    quero não ter medo


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Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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