Após ler esse texto, desligue seu computador. :)

28 de maio de 2006   —   03:10:10

Clifford Stoll
Clifford Stoll

“Meus amigos acham que o pior da Internet são spam, junk mail, as salas de bate-papo. Para mim, o pior da Internet é o que ela me faz perder como ser humano”
Clifford Stoll

Eu devia ter treze anos quando meu vício por internet chegou ao seu auge. Em 1998, a internet ainda era discada em todos os lares, ninguém tinha internet 24h por dia exceto o amigo do seu irmão cujo pai trabalhava na Telemar e testava conexões fabulosas de 128kbps. Minha maior alegria era passar horas na internet, desde as 14h00 do sábado até a hora em que minha mãe chamava pra dormir no domingo, parando apenas pra dormir. Aliás, só tinha um computador em casa, eu tinha que dividir com meu pai e com meu irmão e isso acabava comigo. Domingo de manhã eu tentava ser mais rápido que meu pai e pegar o computador antes dele. Às 8h00, eu estava lá.

Aos 14 anos, comprei uma revista chamada Magnet que tinha uma matéria sobre um tal de Clifford Stoll. Cliff é astrofísico e já foi administrador de redes há muitos anos, e foi responsável por descobrir um cracker que estava invadindo redes norte-americanas. Na época, quando eu adorava passar horas em bate-papo, me pareceu um maluco revolucionário, assim como qualquer pessoa que tentasse alegar a existência dum mundo real além do vício dos computadores.

Ele também falava sobre a qualidade da informação achada na internet. Ao mesmo tempo que a internet possibilita que qualquer um divulgue suas idéias, isso também permite a divulgação de qualquer tosqueira. Já publicar um livro exige mais conteúdo, uma aprovação editorial, essas coisas. Ele cita um triângulo qualidade-facilidade-preço, de várias aplicações, onde é impossível satisfazer as três condições.

Bem, a internet me humanizou mais que me transformou num tímido gordo e branquelo cheio de espinhas vendo sites de pornografia, secando gostosas em fotologs e lendo contos eróticos. Minhas primeiras amizades de carne e osso, em 1999, eu devo à internet e esse é o lado bom dela, afinal não estou aqui apenas para atirar pedras. Mas vamos caminhar no tempo até 2005.

Em 2005, eu, meu pai e meu irmão tínhamos cada um seu computador. O meu não era lá uma Brastemp, mas era meu (já viu aqueles carros antigões com adesivos “É feio, mas tá pago”?). Numa bela manhã, quando levantei da cama e liguei meu computador antes da primeira ida ao banheiro, bem… ele não ligou.

O que pensei que ia ser um inferno foi bacana. Passei a estudar mais, ler mais, comer melhor, até tomar banho melhor. Hoje sinto falta do computador só pra fazer algum trabalho. Depois disso, comecei a usar os computadores do meu pai e do meu irmão.

E aí veio setembro, quando o prédio da Telemar pegou fogo e me deixou longos 9 dias sem internet. Aí percebi que dava pra viver sem internet. Depois dos 9 dias, percebi que nem tinha sido tão ruim, e como algo que parecia fazer tanta falta ficou redundante. Durante o recesso da internet, até retomei meu hábito de ligar pras pessoas, que tinha sido trocado por conversas via mensagens instantâneas.

Aí veio 2006, e comecei a estagiar. Hoje, depois de ir pra faculdade, depois ir pro estágio e passar quatro horas na frente dum computador torcendo meu cérebro pra sair alguma coisa, a última coisa que quero fazer quando chego em casa é ir pro computador. Vou dormir, estudar, ler um livro, e só encosto no computador quando é necessário: quando preciso escrever um e-mail ou estou esperando um e-mail, quando bate a inspiração pra escrever algo (como agora), ou qualquer outro fim determinado.

Li num livro, uma vez, uma recomendação que dizia para você só ver televisão quando soubesse o que vai assistir. Se você não sabe o que vai assistir, e vai ficar só passando canais (o zapping, que carinhosamente chamo de Síndrome da TV a Cabo), não vá, vá ler um livro ou brincar com sua cadelinha. Adaptando isso pra internet, hoje só uso computador quando tenho algo pra fazer. Ligo, faço e desligo.

Foi aí que lembrei do artigo do tal Clifford Stoll, e percebi como ele estava certo: ao fim de horas no computador, gastamos horas e dificilmente temos algum retorno. Parece até irônico chegar aqui e ler um texto dum aluno de Ciências da Computação sobre o mau hábito que é o uso desnecessário do computador, mas eu, eterno amante das causas perdidas, começo agora a incentivar o uso racional de computadores.

E os colegas que não gostarem que me perdoem (ou não).

PS: mamãe, já tô indo dormir.

Da série “Cuidado pra não bater a cabeça nas estrelas”: planos de morar no exterior

12 de maio de 2006   —   10:54:34

 


Lego Viking: treinando pro Norwegian Way of Life

 

Eu ia escrever mais um texto reclamão aqui, mas vou deixá-lo pra depois. Hoje, vou escrever sobre meus planos de ir morar em Vancouver ou Toronto, ou em algum lugar da Noruega.

Começou hoje de manhã, enquanto eu andava de carona com dois colegas meus da faculdade. O assunto não foi outro: seqüestros, assaltos, etc. E eu falei que o jeito era ir embora, e o último a sair de Fortaleza apague a luz e feche a porta. Ora, mas o Brasil todo tá ferrado! Então, começou-se a falar sobre a situação de países estrangeiros.

Meus amigos falaram que as melhores cidades do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, eram Vancouver e Toronto, no Canadá. Não consegui confirmar essa informação, mas descobri que o maior IDH dentre os países (não entre as cidades, veja bem) é o da Noruega.

Só que tem uma coisa que me prende à Fortaleza: amigos e entes queridos. Então, o jeito é convencê-los a irem juntos.

Então, o que a gente faz? Propaga essa idéia entre os amigos e parentes, e vamos todos para a Noruega. Se a gente reúne umas 150 pessoas, já dá pra fazer uma colônia de brasileiros na Noruega que foram sonhando com uma vida melhor e vão afundar no desemprego e na falta de moradia, ou seja, uma grande favela. 150 pessoas dá um puta sambão. E deve dar até pra baixar o IDH da Noruega.