
“Meus amigos acham que o pior da Internet são spam, junk mail, as salas de bate-papo. Para mim, o pior da Internet é o que ela me faz perder como ser humano”
Clifford Stoll
Aos 14 anos, comprei uma revista chamada Magnet que tinha uma matéria sobre um tal de Clifford Stoll. Cliff é astrofísico e já foi administrador de redes há muitos anos, e foi responsável por descobrir um cracker que estava invadindo redes norte-americanas. Na época, quando eu adorava passar horas em bate-papo, me pareceu um maluco revolucionário, assim como qualquer pessoa que tentasse alegar a existência dum mundo real além do vício dos computadores.
Ele também falava sobre a qualidade da informação achada na internet. Ao mesmo tempo que a internet possibilita que qualquer um divulgue suas idéias, isso também permite a divulgação de qualquer tosqueira. Já publicar um livro exige mais conteúdo, uma aprovação editorial, essas coisas. Ele cita um triângulo qualidade-facilidade-preço, de várias aplicações, onde é impossível satisfazer as três condições.
Bem, a internet me humanizou mais que me transformou num tímido gordo e branquelo cheio de espinhas vendo sites de pornografia, secando gostosas em fotologs e lendo contos eróticos. Minhas primeiras amizades de carne e osso, em 1999, eu devo à internet e esse é o lado bom dela, afinal não estou aqui apenas para atirar pedras. Mas vamos caminhar no tempo até 2005.
Em 2005, eu, meu pai e meu irmão tínhamos cada um seu computador. O meu não era lá uma Brastemp, mas era meu (já viu aqueles carros antigões com adesivos “É feio, mas tá pago”?). Numa bela manhã, quando levantei da cama e liguei meu computador antes da primeira ida ao banheiro, bem… ele não ligou.
O que pensei que ia ser um inferno foi bacana. Passei a estudar mais, ler mais, comer melhor, até tomar banho melhor. Hoje sinto falta do computador só pra fazer algum trabalho. Depois disso, comecei a usar os computadores do meu pai e do meu irmão.
E aí veio setembro, quando o prédio da Telemar pegou fogo e me deixou longos 9 dias sem internet. Só fez falta falar com minha namorada, que na época não era namorada, mas isso é outra história. Aí percebi que, tirando o fato citado, dava pra viver sem internet. Depois dos 9 dias, percebi que nem tinha sido tão ruim, e como algo que parecia fazer tanta falta ficou redundante. Durante o recesso da internet, até retomei meu hábito de ligar pras pessoas, que tinha sido trocado por conversas via mensagens instantâneas.
Aí veio 2006, e comecei a estagiar. Hoje, depois de ir pra faculdade, depois ir pro estágio e passar quatro horas na frente dum computador torcendo meu cérebro pra sair alguma coisa, a última coisa que quero fazer quando chego em casa é ir pro computador. Vou dormir, estudar, ler um livro, e só encosto no computador quando é necessário: quando preciso escrever um e-mail ou estou esperando um e-mail, quando bate a inspiração pra escrever algo (como agora), ou qualquer outro fim determinado.
Li num livro, uma vez, uma recomendação que dizia para você só ver televisão quando soubesse o que vai assistir. Se você não sabe o que vai assistir, e vai ficar só passando canais (o zapping, que carinhosamente chamo de Síndrome da TV a Cabo), não vá, vá ler um livro ou brincar com sua cadelinha. Adaptando isso pra internet, hoje só uso computador quando tenho algo pra fazer. Ligo, faço e desligo.
Foi aí que lembrei do artigo do tal Clifford Stoll, e percebi como ele estava certo: ao fim de horas no computador, gastamos horas e dificilmente temos algum retorno. Parece até irônico chegar aqui e ler um texto dum aluno de Ciências da Computação sobre o mau hábito que é o uso desnecessário do computador, mas eu, eterno amante das causas perdidas, começo agora a incentivar o uso racional de computadores.
E os colegas que não gostarem que me perdoem (ou não).
PS: mamãe, já tô indo dormir.

Começou hoje de manhã, enquanto eu andava de carona com dois colegas meus da faculdade. O assunto não foi outro: seqüestros, assaltos, etc. E eu falei que o jeito era ir embora, e o último a sair de Fortaleza apague a luz e feche a porta. Ora, mas o Brasil todo tá ferrado! Então, começou-se a falar sobre a situação de países estrangeiros.
Meus amigos falaram que as melhores cidades do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, eram Vancouver e Toronto, no Canadá. Não consegui confirmar essa informação, mas descobri que o maior IDH dentre os países (não entre as cidades, veja bem) é o da Noruega.
Só que tem uma coisa que me prende à Fortaleza: amigos e entes queridos. Então, o jeito é convencê-los a irem juntos. E tem a cocota, que eu não deixaria aqui, e por sua vez os amigos da cocota, dos quais provavelmente ela sentiria falta.
Então, o que a gente faz? Propaga essa idéia entre os amigos e parentes, e vamos todos para a Noruega. Se a gente reúne umas 150 pessoas, já dá pra fazer uma colônia de brasileiros na Noruega que foram sonhando com uma vida melhor e vão afundar no desemprego e na falta de moradia ou seja, uma grande favela. 150 pessoas dá um puta sambão. E deve dar até pra baixar o IDH da Noruega.
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