Revoluções pessoais

7 de dezembro de 2006   —   06:13:43
“Só quero saber do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder”

(Titãs, em Go back)

Faz tempo que tenho algo pra escrever e não consigo. São aquelas idéias ligadas de algum jeito, mas que não dá pra saber qual é a primeira e qual a última. E esse texto já foi escrito, apagado e reescrito algumas vezes. Ah, sei lá.Só sei que as coisas mudam. E que a gente muda. E que é curioso. Volta e meia me pego pensando num dia aí, pra ser mais exato 11 de junho do ano passado. Eu tava voltando do aniversário duma amiga minha no Cumbuco (pônei!), quando meu amigo que ia dirigindo falava das pessoas que moravam perto de Fortaleza mas trabalhavam na cidade, ou algo do gênero, e falou que podia pensar em fazer algo do gênero quando fosse mais velho, tivesse uma vida financeira estável e coisas como sair à noite todo sábado pro nosso mesmo canto de sempre e que estava em alta entre a gente perdessem a importância.

Na minha cabeça, aquilo não desceu. Soou tão chato pensar numa época dessas, quando ficaríamos em casa, ou tentaríamos algum programa mais light. Naquela época eu havia me surpreendido com um 2 na casa das dezenas da minha idade, eu saía toda sexta e sábado à noite, pedindo dez reais pro meus pais, e coisas como trabalho e um futuro digno não estavam em primeiro plano. Confesso, meio envergonhado.

Mas se a gente não toma jeito, a vida dá lá seus jeitos nisso, e ainda que a gente não perceba, a gente vai evoluindo (felizmente, porque tem gente que caminha pra trás…). Meu rumo na faculdade ficou mais sólido, antes tarde do que nunca, e comecei a trabalhar. Num canto chato pra caralho, mas era trabalho, era dinheiro, era do meu suor. E que suor, porque naquela birosca não tinha nem ar-condicionado.

Ao mesmo tempo, a gente fica meio cansado, e aquela putaria de todo santo sábado perde a graça. A gente começa a olhar até mesmo pro ambiente em que estamos com olhos de estrangeiro, e pensar se é aquilo que queremos a vida toda. E, se a gente não se manca e se esforça pra mudar, não há pai, mãe ou Deus que mude. Aí a gente parte pra outra.

Tem coisa que não dá mais, que vira sacrifício, que a gente tem que abstrair pra não morrer de desgosto. Que, por mais que a gente nunca tenha estado dentro, parece melhorar estar do lado de fora. E fica chato conviver com quem faz da bebida muleta, ou não tem diversão; com quem tem que beijar, senão não é festa; com revolucionários de mesa de bar e com quem apela pras drogas como forma de alívio pra tudo que nunca vai acabar. Tão preciosos alívios nunca vão acalmar nossa angústia interior, não vão resolver problemas, não vão preencher nossos vazios, não vão nos fazer realmente felizes e não vão trazer a paz que cada um de nós procura e que a gente transfere pra tanta coisa volátil e desnecessária.

O que resolve problema, o que alivia, o que muda situação é se mexer. Virei alguém que cansou de apenas sonhar pra começar a brigar pelos sonhos, e que quando tava no vale da sombra e da morte aprendeu a ser otimista, ainda que sem motivos (e não é aí que está o otimismo?). E percebi, ainda que devagar, se a gente brigar um pouquinho por nós todo dia, as coisas vão se encaixando.

São essas as coisas que a gente aprende, às vezes sendo necessárias algumas perdas para tanto. Tenho uma alma que já levou muita porrada, e que talvez ainda vai levar muitas. Mas que cresceu, e aprende cada dia melhor onde se meter e onde não, que sabe onde mora comodismo, conformismo e armadilhas, e qual caminho leva adiante.

Tô em outra.