O que eu lembrei, enquanto via esse vídeo, foi duma enorme tosqueira que passava no SBT pelos idos de 1995. Alguém lembra, vejam só, dum seriado horrível chamado Os Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills? Não lembra? E se eu mostrar as fotos?


Dei até uma pesquida no Google. O seriado era uma porcaria produzida pela USA Network pra competir com os Power Rangers. Um alienígena melequento chamado Nimbar convoca quatro jovens e dá pra eles superpoderes pra combater o diabólico imperador Gorganus. Até aí, é igual a qualquer outro seriado do gênero super-esquadrão-japonês, ainda que produzido nos Istêites. O grande diferencial, mesmo, está na produção dos fabulosos Jovens Guerreiros Tat… cansei. Uma tosqueira horrorosa.
Deixo com vocês um vídeo do Youtube com a abertura de tão fabuloso seriado. Só o SBT mesmo pra mostrar tamanha porcaria.
Tem toda uma turma de gosto duvidoso, em especial pela Sandy:

Tem também a turma procurando coisas sobre Arquitetura:
A turma desesperada pra tirar carteira de motorista não fica atrás, e é campeã do Google:

Também tem gente querendo ajuda, terapia ou procurando belas mensagens:
E a moda havaiana? Será que acham que meu blog é do Jack Johnson?
Temos também os tarados de plantão, ávidos por pornografia:
E enquanto isso, o chifre tá freqüente no Google:
Temos também futilidades em geral:

Ó que bonitinhos!
O disco é diferente de todo o resto dos discos dos Paralamas. Os solos de guitarra do disco volta e meia estão acompanhados de algum piano, dividindo espaço até mesmo com instrumentos eletrônicos e samplers em algumas músicas. É um disco de melodias elaboradas e leves, com músicas que servem mais para ouvir em casa, com fones de ouvido, ou no trânsito (como eu), que num show. Tudo no som parece se encaixar: quando a guitarra abaixa ali, entra um piano, um vocal, uma bateria.
As letras também estão diferentes: estão mais adultas, poéticas, intimistas, quase espirituais. O disco parece ter um ar de análise interior, de lembranças e de renovação. Você pode conferir as letras no site dos Paralamas. Se eu fosse citar nomes de músicas, daria quase o disco todo.
Infelizmente, o disco não emplacou muito. Os fãs, acostumados com os trabalhos anteriores da banda, não entenderam aquilo. E o disco foi lançado num mau momento da economia brasileira, quando estava difícil até mesmo para fazer shows. Pouco depois, a banda decidiu partir para o restante do mercado latino-americano, que estava com uma situação financeira mais viável.
Talvez você ache esse CD numas Lojas Americanas da vida por dez ou doze reais. Compre: compensa o investimento.
Pensando nisso, comecei uma campanha chamada Londres 2010. Ela é simples: consiste em juntar um monte de amigos em Londres. Para tanto, é necessário juntar uma quantidade razoável de dinheiro, e por isso a campanha nos dá um prazo razoável: temos até 2010 pra juntar uma graninha e irmos todos para Londres fundar uma colônia de brasileiros.
Já imaginou? Ao invés de acordar com seu vizinho ouvindo forró, você terá problemas com um vizinho ouvindo Beatles. Vai ter shows de bandas de britpop todo fim de semana. Vai andar de ônibus vermelho e tirar fotos com aqueles guardas que parecem a Marge Simpson. Vai comer batata frita enrolada no jornal. Chega de ladrões e sequestradores, lá você vai se preocupar com terroristas. Problemas de gente chique.
A campanha tem uma comunidade no orkut. E quem sabe a gente chegue mesmo a Londres, nem que seja usando uma bóia de câmara de ar de pneu de caminhão pra cruzar o oceano.
Beleza. Cheguei lá, ficaram de montar um computador pra mim. Começou aí todo o embuste burocrático. O computador foi montado logo, mas só pode ser liberado dois dias depois, porque precisava da assinatura de Fulano pra ser liberado. Só que o Fulano ou tinha "acabado de sair", ou "tava chegando". E quando eu subia e descia as escadas atrás do Fulano pra liberar o computador, tinha funcionário que se irritava comigo, porque tinha que me ajudar a achar o cara. Porque eu tava querendo trabalhar e atrapalhando a vagabundagem alheia.
Aí aparece meu computador, beleza! Vamos começar a trabalhar. Pra começar a trabalhar, tem que esperar Beltrano aparecer. Mas Beltrano não aparece. E marca de aparecer, de fazer reunião, e nada do Beltrano. Aí lá vou eu atrás do telefone do Beltrano, pra ligar pra ele, pedir pra Beltrano aparecer, senão meu trabalho não sai. Aí ele finalmente aparece, uma vezinha, rabisca umas coisas no papel e me dá. Ok. E fica de aparecer depois.
Então eu peço por uma reunião, e felizmente sou prontamente atendido. Mas tem que passar umas coisas pro Sicrano, mas o Sicrano tá de férias. Dias depois o Beltrano me encontra, me pede um retorno, e fica de voltar no dia seguinte pra ir comigo conversar com o Sicrano. Mas o Beltrano não aparece conforme marcado, e então eu vou sozinho falar com o Sicrano. O Sicrano me atende prontamente, trabalha muito bem, mas me dá informações por e-mail pela metade. Quando vou de novo atrás do Sicrano, cadê o Sicrano? A sala do Sicrano tá vazia.
Enquanto isso, na sala vizinha à minha, tem um povo que passa o dia coçando e ganhando pra isso. Levam os filhos direto, que ficam brincando nos computadores, organizam altos piqueniques, passam o dia conversando. E trabalho que é bom, nada.
Hoje de manhã, na hora do café, antes de ir pra faculdade, liguei a TV. De início, fui caçar algum clip bacana. Na MTV, passava alguma porcaria de hip hop imitando Seven Nation Army, do White Stripes (tadinhos dos irmãos White). Aí botei na TV União. O que passava não era do melhor gosto, mas era pelo menos engraçado: o clip de Não ter, da dupla Sandy & Júnior, lá do meio da década de 90.
Vocês já viram aquelas pessoas que se referem à dupla como uma única pessoa, até mesmo como gafe? Algo como "A Sandijúnior tá sumida"? Engraçado demais. Legal uma vez, quando alguém disse "Ah, a Sandijúnior tá namorando o carinha da família Lima". O Júnior nunca me enganou.
Sem mais delongas, aí vai o fabuloso clipe:
Algumas coisas não poderiam passar batidas:
Mas vamos combinar que a música (versão duma música da Laura Pausini) é bonitinha.
Começo de ano é aquela coisa.
Eu não podia falar de ano novo sem falar dos textos de fim de ano dos blogs da Carol e da Luciana, duas pessoas que estão presentes na minha vida desde 2004 e estarão até o fim dos tempos.
Num momento do réveillon 2005/2006, eu falei pra Carol e ela citou no blog dela: “Vamos deixar o passado em 2005″. Nem eu mais lembrava dessa citação tão enfática, mas que foi bem colocada. 2005 tinha sido complicado. Termino 2006 sem levar grandes porradas, foi quase um ano que tirei pra descansar o espírito.
A Luciana falou de planos no blog dela de maneira espetacular. Engraçado como eu os faço e sempre acontece alguma reviravolta. Já faz uns anos que prometo ao espelho entrar em forma. Já faz uns anos que prometo que vou aprender a tocar violão e guitarra, terminar o ano novo com uma banda e jogar no limbo todas as duplas desde Lennon & McCartney até o Kings of Convenience, passando por Camargo & Camarguim (Haroldo, você ainda lê isso aqui?).
Queria também voltar a desenhar. Era algo que eu fazia com alguma dignidade, desenhando sempre meus super-heróis favoritos, até cerca de 1998. Fiz alguns rabiscos não lembro se no fim de 2005 ou no começo de 2006, mas preciso continuar.
Quero encontrar mais meus amigos. Não estive tão próximo das pessoas quanto gostaria em 2006. Ficam meus pedidos de desculpas.
E preciso manter minha vida universitária na mesma curva que ela vem tendo nos últimos tempos, e o mesmo vale pra minha vida profissional.
…
O problema é esse. Quando a gente percebe, tem planos demais. Aí pra conciliar tudo é uma trabalheira, e quando você percebe, um monte de planos novos caíram do nada, e tomaram o tempo das coisas antigas.
No mais, feliz ano novo para todos nós. E que possamos ser pessoas otimistas e realizadas. E vou terminar o texto com uma citação do Drummond que roubei na cara dura do blog da Luciana (hehehe):
“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”
Amém.
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