A questão é que parece que os eletrodomésticos, eletrônicos e qualquer coisa com um circuito que eu compre também tem fator de cura. Um fator de cura meio chato pra mim, por sinal. Já aconteceu várias vezes comigo: algo que comprei fica com defeito, e quando levo pro lugar onde comprei ou pra assistência técnica, o objeto quebrado funciona perfeitamente e o funcionário olha pra mim com uma cara daquelas. Minha teoria maluca é que objetos eletrônicos, como os cães, gostam de passear.
A primeira vez foi quando comprei um pedal usado pra guitarra, o que se tornou A Saga do Pedal Possuído. Por várias vezes fui e voltei pra loja onde comprei o pedal ou prum conserto de eletrônicos aqui perto de casa. O pedal sempre funcionava nos cantos, mas não funcionava aqui em casa. Isso me custou várias caminhadas e idas ao Centro. Nunca vou esquecer do vendedor da loja olhando pra mim com cara de “Sim, qual o problema?”
Depois teve meu computador, que começou a reiniciar sozinho. Levei no lugar onde comprei as peças e o problema era simplesmente um cabo da fonte mal encaixado, que quando perdia contato com a placa-mãe fazia o computador reiniciar. Também teve um mouse que comprei e não funciona aqui em casa nem com reza braba, mas funciona supimpa na loja.
Agora foi a vez da minha televisão, que comprei há 4 meses. É uma TV Samsung tradicional, de tubo, nada dessas LCDs e TVs de plasma que ainda não posso comprar. Ontem à noite e hoje de manhã ela apareceu com manchas chatas na tela, e não, não tem nenhum outro aparelho ou ímã por perto. Levei na assistência técnica e, quando chego lá, a televisão funciona que é uma beleza.
Aproveitando a deixa, um aviso de utilidade pública é que, segundo o manual da minha TV, o tubo da TV é feito para projetar imagens não-estáticas e em formato tela cheia 4:3. Imagens que sejam paradas ou tenham parte da imagem parada, como aquelas barras pretas de filmes widescreen, podem danificar o tubo da TV se exibidas por mais de 15% do tempo que a TV é usada por semana.
A TV funciona bem até agora, tenho 8 meses de garantia pela frente e a assistência autorizada é aqui perto (lembre de levar isso em conta quando for comprar algo). Mas a parte mais chata de não ter uma TV LCD (ou um prédio com elevador) ainda foi subir três andares de escada segurando o aparelho.
Quando fazemos compras no cartão de crédito, as maquininhas de cartão sempre imprimem 2 comprovantes: um para a loja, outro para o cliente – a famigerada segunda via. Eu sempre jogo aquele troço fora, ou então esqueço ele na carteira e quando vejo já tem uma pilha de papéis acumulando (e faz algumas pessoas pensarem até que minha carteira está cheia de dinheiro, quem dera).
Quando as maquininhas infernais vão imprimir a segunda via aparece a confirmação no display: “Imprimir 2ª via?”. Nessa hora eu peço pra recusar a segunda via, e é aí que a dor de cabeça começa.
As pessoas são treinadas para obedecer uma sequência de passos na hora de passar o cartão, e se você recusa sua 2ª via estará fugindo do comportamento-padrão esperado (em programação, isso se chama “disparar uma exceção”). Já teve casos de me dizerem que não posso recusar minha via, ou do caixa dizer “tá ok!” e então imprimi-la e jogá-la fora, ou até mesmo do caixa ficar olhando pra mim, parado, sem saber o que eu queria dizer.
Entrei em contato com a Visa pra me informar melhor sobre como proceder pra recusar a segunda via. Estou pensando em tomar medidas extremas, como roubar a máquina da mão do caixa e apertar o botão vermelho. Tudo para poupar as pobres árvores.
Se você pegar o encarte do disco As Quatro Estações, da Legião Urbana, vai ler na última página:
O texto citado no encarte do disco da Legião Urbana nada mais é que Desiderata, um texto que gosto bastante e que faço questão de divulgar através do link que fica no menu ali em cima (e também está disponível na forma de livro). Desiderata significa “aquilo que se deseja”, e foi escrito pelo filósofo Max Ehrmann em 1927. O texto foi distribuído numa igreja fundada em 1692, daí a confusão, e até algum tempo atrás foi divulgado sem indicar seu verdadeiro autor.
Há quatro anos, também pus no blog um texto fabuloso que rodava por aí e diziam que era de autoria do Arnaldo Jabor (e que merece ser comentado novamente por aqui), mas fui atrás de verificar a autoria e era, na verdade, da escritora Mônica Montone.
Mas essa ladainha toda é pra falar dum artigo do blog do Alessandro Martins onde ele divulga o link de outro blog, o Autor Desconhecido, que se dedica apenas a divulgar textos que circulam pela internet. Afinal, não bastasse receber o mesmo texto por e-mail várias vezes (e com dezenas de “>” em cada linha!), ele ainda vem com um autor diferente cada vez - Jabor, Drummond, Veríssimo.
Então, se você for do tipo que recebe um texto bonitinho por e-mail e sai logo divulgando, por favor: seja legal com o autor do texto e verifique a autoria.
Na semana passada, a revista Veja fez uma matéria de capa sobre Diabetes, que reproduzo ao lado. Sou portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos, e alguns amigos meus prontamente me falaram da reportagem. Só tem um problema: a reportagem só servia para pacientes de Diabetes Mellitus tipo II, que não é o meu. Mas não é isso o que tem na capa.
Imagine, então, um paciente de Diabetes tipo I vendo a matéria de capa, morto de feliz achando que vai se livrar das várias injeções diárias de insulina e deixar de ser uma peneira humana ao ler a capa da Veja, e em seguida se decepcionando ao ler o conteúdo da matéria. É o que teria acontecido comigo, se o Cassiano (do Eu Podia Tá Matando), o primeiro a me falar da reportagem, não me fizesse um resumo da matéria antes que eu mesmo visse a revista nas bancas. Imagine se você tem um câncer de pulmão, vê uma capa de revista falando sobre “A cura do câncer” e quando abre a revista descobre que a cura noticiada só envolve câncer de esôfago…
Não pude, porém, deixar de enviar um e-mail à Veja falando do assunto:
Como qualquer pessoa, fico feliz pela reportagem sobre Diabetes da edição 2.032 de Veja. No entanto, ocorreu uma falha de comunicação absurda na capa: esqueceram de comunicar que a reportagem era sobre diabetes tipo II. Pessoas como eu, que sou portador de diabetes tipo I, tiveram uma grande alegria ao ver a capa, seguida por imensa decepção ao ler a reportagem e descobrir que a “esperança” noticiada simplesmente não servia para nós.
Fica, portanto, meu apelo de que, quando forem colocar reportagens desse gênero na capa - seja sobre diabetes, seja sobre qualquer doença -, ponham lá também a que segmento dos portadores a reportagem se refere.
Aguardo um retorno dos senhores.
Esdras Beleza de Noronha,
portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos
Pra piorar mais ainda, a maneira como a notícia foi feita acaba levando várias pessoas, principalmente as menos informadas, a crer que a cura está disponível a partir de hoje, e elas então vão desesperadamente atrás de médicos e hospitais querendo ser curadas. Isso acabou levando a um comunicado oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes: “(…) Esperamos que a divulgação precoce,a um público leigo, de um procedimento ainda em fase experimental não estimule cirurgias desnecessárias e mal indicadas sob a expectativa de um milagre. (…)”
De tudo, fica apenas uma esperança: a de que os jornalistas tenham mais respeito aos portadores de doenças, em detrimento da vontade de vender revistas.
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