o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
5 de novembro de 2007

Veja sobre Diabetes

Não sou do tipo de gente que participa de comunidades anti-Veja no orkut e que acha os leitores da Veja medíocres, embora concorde que ela seja composta em sua maioria por anúncios e críticas ácidas.

Veja sobre DiabetesNa semana passada, a revista Veja fez uma matéria de capa sobre Diabetes, que reproduzo ao lado. Sou portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos, e alguns amigos meus prontamente me falaram da reportagem. Só tem um problema: a reportagem só servia para pacientes de Diabetes Mellitus tipo II, que não é o meu. Mas não é isso o que tem na capa.

Imagine, então, um paciente de Diabetes tipo I vendo a matéria de capa, morto de feliz achando que vai se livrar das várias injeções diárias de insulina e deixar de ser uma peneira humana ao ler a capa da Veja, e em seguida se decepcionando ao ler o conteúdo da matéria. É o que teria acontecido comigo, se o Cassiano (do Eu Podia Tá Matando), o primeiro a me falar da reportagem, não me fizesse um resumo da matéria antes que eu mesmo visse a revista nas bancas. Imagine se você tem um câncer de pulmão, vê uma capa de revista falando sobre “A cura do câncer” e quando abre a revista descobre que a cura noticiada só envolve câncer de esôfago…

Não pude, porém, deixar de enviar um e-mail à Veja falando do assunto:

 

Caros amigos da revista Veja,

Como qualquer pessoa, fico feliz pela reportagem sobre Diabetes da edição 2.032 de Veja. No entanto, ocorreu uma falha de comunicação absurda na capa: esqueceram de comunicar que a reportagem era sobre diabetes tipo II. Pessoas como eu, que sou portador de diabetes tipo I, tiveram uma grande alegria ao ver a capa, seguida por imensa decepção ao ler a reportagem e descobrir que a “esperança” noticiada simplesmente não servia para nós.

Fica, portanto, meu apelo de que, quando forem colocar reportagens desse gênero na capa - seja sobre diabetes, seja sobre qualquer doença -, ponham lá também a que segmento dos portadores a reportagem se refere.

Aguardo um retorno dos senhores.

Esdras Beleza de Noronha,
portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos

 

Pra piorar mais ainda, a maneira como a notícia foi feita acaba levando várias pessoas, principalmente as menos informadas, a crer que a cura está disponível a partir de hoje, e elas então vão desesperadamente atrás de médicos e hospitais querendo ser curadas. Isso acabou levando a um comunicado oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes: “(…) Esperamos que a divulgação precoce,a um público leigo, de um procedimento ainda em fase experimental não estimule cirurgias desnecessárias e mal indicadas sob a expectativa de um milagre. (…)”

De tudo, fica apenas uma esperança: a de que os jornalistas tenham mais respeito aos portadores de doenças, em detrimento da vontade de vender revistas.

4 comentários

  1. Ademar zzZZzz disse:

    Fala Esdras !!!!!! tava falando com o Anderson infrared e ele me falou do seu blog, aí passei para deixar um OI ! e não resisti e coloquei o site do pinguim

    abração


  2. Anderson infrared disse:

    Grande Esdras!!! Estamos vivendo tempos nostálgicos com o site do pinguim. Faz tempo, hein? :D

    abraço e fique bem!


  3. Gabriel m' disse:

    imenso esdras!!! Isso mesmo, vamos denunciar a imprensa golpista!
    Abraços.


  4. Leandro disse:

    Esdras,
    É freqüente, também, anunciar drogas já bem conhecidas pela classe médica, e com indicações bem específicas e limitadas, como a nova salvação dos doentes hipertensos, infartados e etc. Responsabilidade zero por parte dessas revistas.


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Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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