1984

26 de fevereiro de 2008   —   13:13:36
Fazia um tempão que eu queria ler 1984, de George Orwell. Há algumas semanas, ganhei o livro de presente. O veredito: simplesmente sensacional.

1984 Escrito em 1948, o livro trata dum futurista ano de 1984 onde a sociedade foi arrasada por guerras, o mundo foi redividido em três grandes potências e o Estado domina a vida individual de cada habitante. As pessoas são vigiadas dia e noite pelas câmeras do governo, cujo mentor é o Grande Irmão (tadááá! Daí o nome do reality show Big Brother, pra quem ainda não sabia). Até mesmo o passado é alterado pelos órgãos oficiais do governo, e assim a história é modificada.

Orwell era um escritor a frente de seu tempo. Mostrou a todos de sua época uma sociedade onde não havia liberdade de pensamento ou expressão, onde as pessoas seriam vigiadas dia e noite e onde não há opiniões contrárias ao do governo. Melhor que formular toda essa sociedade fictícia, fez disso uma grande história. E não há como negar que alguma coisa dali, de um jeito ou de outro, virou realidade.

1984 vale a leitura, e entrou para a lista de meus livros favoritos.

Mamãe, eu tô no jornal!

24 de fevereiro de 2008   —   13:37:28
Apesar de não ser político corrupto, ator global, cantor de axé, assassino serial ou blogueiro de sucesso, volta e meia consigo dar uma aparecida pelo jornal. Já tinha feito isso ano passado e na época do colégio alguma professora sempre achava alguma redação troncha minha um negócio fabuloso, e elas acabavam indo parar nos cadernos infantis dos jornais.

Essa semana foi a vez da amicíssima Alinne Rodrigues, vocalista da Telerama e jornalista, me pedir uma sugestão sobre algum lugar que eu indicasse pra ir em Fortaleza. Como Fortaleza já tem poucos cantos pra ir e eu ainda por cima só ando nos mais baratos, não foi difícil sugerir um dos poucos lugares dignos de minha sublime presença: a boate Music Box, no Dragão do Mar, um dos pouquíssimos cantos onde se toca música decente e talvez o único aos sábados, quando tem a discotecagem do amicíssimo Dado e volta e meia tem alguma banda.

Minha sugestão saiu no caderno Buchicho, do jornal O Povo da última sexta-feira, dia 22. Segue a foto do jornal (foto mesmo, porque o scanner ainda está desligado por causa da mudança):


Buchicho

O princípio da impermanência

15 de fevereiro de 2008   —   03:02:02
Se mudar, sem dúvida e com o perdão pela próclise no início da frase, é uma grande experiência. Estou me mudando pela primeira vez em 22 anos, ou seja, estou mexendo em cacarecos acumulados por 22 anos. E quando falo grande experiência, posso dizer que é igualmente chata; quando falo grande experiência, posso dizer que é grande por também ser duradoura: está demorando semanas. Mas aos poucos vamos voltando à zona de conforto.


Quarto antigo

Meu antigo quarto, durante a grande bagunça da mudança.
Patifaria, video games, ventilador, computador,
Alexandre Frota, Rita Cadillac…

Se mudar traz alguma coisa de maturidade. Você inevitavelmente vai se desfazer de alguma coisa, se quiser ter menos trabalho para levar as coisas para seu novo destino. Isso também vai acontecer se você tiver menos espaço em sua nova morada. Isso traz algum trabalho de escolha e desapego. Hoje me peguei olhando para coisas antigas, como brinquedos e papéis, até mesmo antigas tampinhas do adorado Guaraná Brahma que guardei sabe Deus a razão e que devem ter feito parte de algum recreio feliz entre 90 e 92 com um salgado de presunto e queijo ou uma mini-pizza, e pensei em como eu ia conseguir me livrar daquilo; na verdade, pensei em como eu não ia conseguir. Lembrei do budismo e de todas as lições sobre desapego e impermanência. Lembrei de Roberto Carlos, e cantarolei um de meus refrões favoritos do Rei: essas recordações me matam.

Se mudar traz alguma coisa de experiência de vida. A menos que você tenha quem o faça por você ou quem se preocupe com você, você vai lidar com experiências totalmente novas: instalações elétricas, pinturas de cômodos, instalações hidráulicas, e por aí vai. É algo que te aproxima do mundo adulto e te afasta da infância, quando você não se preocupava com nada porque você só precisava viver enquanto os outros ajeitavam o mundo pra você.

O que é não é destino é passagem, e nessa viagem que é a vida ninguém sabe onde vai chegar. No fim das contas, a gente está sempre indo pra algum canto novo, batalhando algo novo, planejando uma mudança. E se não há um destino, um local de chegada, bem, por eliminação da disjunção então só há passagem. Assim provamos o princípio da impermanência, CQD.


Quarto novo

Esse é meu quarto novo, dias atrás, ainda sem colchão na cama.
Pra que dormir quando se tem computador?
E sim, eu agora tenho uma parede verde

Moro em outro canto diferente do que morei em 22 anos. Estou indo trabalhar num canto diferente de onde trabalhei durante um ano e pouco. Mudaram também algumas coisas que não deviam ser citadas aqui, mas são mudanças grandes. Aprendi, em outras mudanças de outros carnavais, que a vida não nos dá a opção de parar um pouco as coisas enquanto você se acostuma com algo, e esse aprendizado me rendeu alguma tranquilidade nas últimas semanas.

Às vezes eu me pego pensando em algo, algo que o Villar soube descrever bem num texto dele: é interessante como há uns anos a gente nunca imaginou estar onde estamos hoje. Imprevistos chatos ou oportunidades melhores surgem a todo tempo e mudam nossos planos e até nossos sonhos. É… nada permanece.

E assim a vida segue seu curso, nos trazendo mudanças. E ou você vive com elas, ou vive com elas. E quando você menos perceber, até você mudou.