o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
27 de junho de 2008

Protocolo

Ontem, ao baixar o vidro do carro pra pegar um daqueles tíquetes de estacionamento num shopping, fui surpreendido: o vidro recusou-se a subir de volta. Acabei tendo de levá-lo pra consertar bem cedo, afinal não dá pra deixar o carro de janela aberta por aí. E ainda bem que não choveu…

Levei a uma oficina especializada em portas, e aproveitei pra resolver o problema de uma outra peça da porta que havia quebrado há um tempão, mas nada tão urgente quanto o problema da janela. Ao desmontar a porta, o problema do vidro foi resolvido só com uma pancadinha numa peça. Já o conserto da outra peça quebrada foi mais complicado.

No entanto, vendo o problema do vidro ser resolvido facilmente, o mecânico veio com um papo de que era importante abrir a peça onde ele tinha só dado uma batidinha com a mão, dizendo que precisava duma limpeza, que o problema do vidro tanto poderia acontecer de novo em breve, ou podia acontecer nunca, e que limpar a tal da peça era a garantia de não acontecer.

Achei a conversa florida demais, meu tapeômetro interior disparou e achei melhor recusar a limpeza da peça. Ele repete a história do talvez dê problema de novo, ou não, e recuso novamente. Aí vem o dono da oficina, ao qual o mecânico diz que eu recusei a limpeza, e o dono me conta, de novo, que a peça poderia voltar a dar problema… ou não.

Eu estava quase dizendo o que eles deviam fazer com a tal peça, mas acordei de ótimo humor e preferi apenas pagar pela outra peça quebrada. Ao receber o recibo do serviço, eis que o mecânico olha pra mim e fala baixinho: “Ó, isso aqui vai funcionar um tempão. Tome o cuidado de subir e descer o vidro sempre, pra não acumular sujeira nas peças.”

O questionamento até agora é se o dono da oficina e os mecânicos têm algum protocolo pra tapear clientes com serviços desnecessários. Me senti como quem escapa duma pegadinha ao recusar o serviço e, ao final, descobrir que nem precisava.

E assim eu economizei 35 reais.

2 comentários

  1. lara disse:

    olá esdras! valeu pelo comentário no meu blog!
    e realmente aquele trecho do livro sobre Tao Te Ching que vc escreveu é muito legal..gostei bastante!
    como vc achou meu blog? o bixinho tava tao parado..


  2. Débora Medeiros disse:

    Pois é, conhecimento especializado é uma arma na mão de gente mal-intencionada, seja um médico, um mecânico ou um tradutor de bielo-russo… Quando a pessoa percebe que você não domina aquela área, já acha que pode tirar vantagem.


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Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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