E as eleições vêm aí…

28 de setembro de 2008   —   14:29:30
Estranho voltar ao blog, que anda tão parado, para falar logo sobre política. Sinto saudades das eleições de 2002, aquela em que o Lula foi eleito pela primeira vez, e que também foram as primeiras eleições em que votei, aos 17 anos. O problema é que cada vez mais sinto um sentimento de descrença nos políticos, e me distancio cada vez mais do sentimento revolucionário de 2002: talvez falte uma grande campanha marqueteira mobilizando o Brasil em torno de um grande sentimento de esperança, talvez simplesmente seja a ausência dos meus hormônios adolescentes.

Depois de cinco anos na universidade, convivendo com pessoas que se dizem militantes de esquerda, as palavras “militantes” e “esquerda” me assustam (e olha que entrei na universidade me dizendo petista e esquerdista, na época em que o PT era esquerda).

Confesso que, depois de pegar gosto pelo ciclismo e de ler mais sobre temas como ecologia e sustentabilidade, fiquei impressionado com a cicleata de Renato Roseno, candidato a prefeito pelo PSOL. Apesar da antiga campanha de Luizianne Lins para fazer uma cidade mais bonita, proposta de Roseno foi a mais clara que já vi numa campanha de tentar criar alternativas para o uso do automóvel. Definitivamente, pelas terras alencarinas não há grande mobilização em torno de temas ecológicos. E, segundo as pesquisas, Renato Roseno conta com 3% dos eleitores.

Em São Paulo, ao invés de criar alternativas para o automóvel, como melhorar o transporte coletivo e incentivar o rodízio (a Lei Seca já nos mostrou que o brasileiro sabe fazer rodízio e dividir seu carro com caronas…), Paulo Maluf tem como proposta criar freeways para desafogar o trânsito de São Paulo. Maluf, segundo as pesquisas, também perderia feio.

Por falar em desafogar o trânsito, hoje mesmo fui acordado por uma carreata barulhenta perto de casa, dum tal Paulo Facó, candidato a vereador. Em seguida fui ao supermercado e o trânsito nas proximidades estava uma porcaria, por causa da mesma carreata. Até motorista segurando bandeira com uma das mãos eu vi. Se ele acha que esse tumulto todo gera votos, o meu ele nunca vai ganhar.

Falta só uma semana. O que serão dos próximos 4 anos, Deus sabe.

New Year’s Day

4 de setembro de 2008   —   21:29:31
All is quiet on New Year’s Day
A world in white gets underway
I want to be with you, be with you night and day.
Nothing changes on New Year’s Day.
On New Year’s Day.

Chovia forte, uma daquelas chuvas que a gente não sabe de onde vêm. Não lembro exatamente que horas eram, mas a maioria das pessoas já tinha ido pra casa. Chovia pra caramba, chovia pesado, chovia muito. Hoje, talvez, pareça ter chovido mais do que realmente choveu, os anos passam e aumentam a intensidade das coisas na memória, acho, mas tenho quase certeza que foi um dilúvio.

I… I will begin again
I… I will begin again.

A gente começou a correr, no meio da chuva, em direção ao carro. Ríamos, ríamos alto, gritávamos e falávamos palavrões, vibrando com aquilo tudo. Completamente encharcados, a água escorrendo dos cabelos vermelhos, as roupas pesadas, e algumas pessoas olhavam pra nós estranhando aquela cena. Talvez tenha sido uma das trocentas vezes, na minha vida, em que as pessoas achavam que eu estava bêbado e eu não estava. A gente não se importava. A gente ria e curtia aquele momento.

Oh, maybe the time is right.
Oh, maybe tonight.
I will be with you again.
I will be with you again.

Tudo tinha uma sensação boa e estranha de recomeço. Entramos no carro, e, ao ligarmos o rádio, tocava New Year’s Day, do U2. E a gente ainda gritava, naquele momento de euforia que eu nunca vou esquecer, como eu sempre vou lembrar daquela noite .

Nothing changes
On New Year’s Day
On New Year’s Day
On New Year’s Day

E eu queria sentir de novo a sensação que senti naquela noite de sábado, provar de novo da leveza e do desprendimento que eu descobri naquele momento, ser de novo quem eu fui naquele dia. Que não tarde, meu Deus, que não tarde.