Boa noite

31 de outubro de 2008   —   00:07:24
Eu gosto dos dias assim: em que você acorda disposto sem saber o motivo, porque dormiu pouco como toda noite. E as coisas se resolvem facilmente, quase por si só e sem intervenção, mesmo aquelas estagnadas há semanas.

Porque os dias assim me fazem lembrar como a vida deve ser: leve, fluida e espontânea.

The neon lights in the night tonight will say
Everything will flow
The stars that shine in the open sky will say
Everything will flow
The lovers kissed with an openness will say
Everything will flow
The cars parked in the hypermarket know
Everything will flow

Eu não gosto de futebol

24 de outubro de 2008   —   00:42:05
Na verdade, odeio futebol. Não coloquei “odeio” no título pra não soar grosseiro logo de início, ou pra não parecer nome de comunidade do orkut. Inclusive não é de hoje essa minha despredileção pelo esporte favorito das terras canarinhas.

Já tentei gostar de futebol quando era criança, torcia por um time e tal, mas o gosto logo passou quando meu time perdeu o Campeonato Brasileiro. É, pulei fora do barco na primeira derrota do time. Definitivamente, eu não tinha determinação pra coisa.

Na escola, eu não suportava os dias posteriores aos dias de jogos de futebol na TV, quando, nos minutos antes das aulas começarem, enquanto os alunos se acumulavam na sala, algum colega já passava pela porta gritando com outro, porque o time do outro havia perdido. Tudo isso acompanhado de gritos trogloditas e selvagens do tipo “Chuuuuupa, tricolor” ou “Toooooma, vozão”.

E toda a comoção durante campeonatos, os comentários em todos os lugares, toda a pressão por você estar na torcida, estar acompanhando os jogos, a pergunta “por qual time você torce?”, os gritos em restaurantes quando tudo que eu queria era comer sossegado acabaram transformando meu não-gostar de futebol por um tremendo abuso.

Já joguei vôlei em 1992, fiz natação durante uns cinco anos, joguei basquete em 1999 e hoje banco o ciclista, mas se tem algo por que não consigo ter apreço é futebol. Minha única aproximação do futebol foi um campeonato durante a primeira série do primeiro grau (como chamam primeiro grau hoje?) onde o único esporte disponível era futebol, no qual certamente contribuí para a derrota de meu time.

Me perdoem, amigos, mas não gosto de futebol, não gosto de racha e vou recusar o convite pra ver o jogo do Brasil no telão de alguma churrascaria.

Pronto, falei.

A insustentável leveza do ser

10 de outubro de 2008   —   02:22:25
Acabei de ler, por esses dias, A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera. Já citei o Kundera por essas bandas, quando li A identidade. Após quase cinco anos parei para ler seu livro mais conhecido, que comprei durante um surto consumista que tive em maio, dentro da fabulosa Livraria Cultura da Av. Paulista, do qual meu cartão de crédito levou tempo pra se recuperar.

Kundera é afiadíssimo e incômodo. Suas reflexões sobre o ser humano, seu comportamento, seu pensamento e sua alma incomodam. A profundidade que ele avança em seus personagens é fabulosa. E ele discorre perigosamente sobre questões essenciais da existência, dos relacionamentos e do pensamento humanos.

Hm, que tal o acaso?

“Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas. Somente o acaso tem voz. Tenta-se ler no acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara os desenhos deixados pela borra do café. (…) O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.”

E as dúvidas?

“Só as perguntas mais ingênuas são realmente perguntas sérias. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é uma cancela além da qual não há mais caminhos. Em outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras da nossa existência.”

E o amor, Kundera?

“(…) E os amores são como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem com ela.”

“(…) O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no instante em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.”

Não há dúvidas: Kundera sabe criar personagens como ninguém, e a partir deles discorrer como ninguém sobre toda as questões da humanidade.