
Conheci Cartas a um jovem poeta durante uma viagem pra São Paulo, em maio. É um livro curtinho, com cartas do escritor Rainer Maria Rilke destinadas ao então iniciante Franz Kappus. Conheço duas traduções, uma versão baratinha de bolso, com preço sugerido de 8 dinheiros, da L&PM, e outra mais cara, da Ed. Globo.
Os temas principais do livro, na minha percepção, são arte, solidão e paciência. Embora curto, alguns parágrafos são tão impressionantes que você volta e lê de novo e de novo e de novo. Posso citar, por exemplo, sobre paciência e persistência:
Você já se atormentou por questionamentos para os quais não tinha respostas? O Rilke vem e solta:
Não adianta procurar respostas desesperadamente para perguntas, elas surgem naturalmente.
E o Rilke também solta trechos sobre solidão e sobre como lidar com ela:
Esse último trecho, aparentemente melancólico, pra mim tem uma conotação positiva. Quando ele fala que a solidão é necessária e que é necessário entrar em si mesmo e não encontrar ninguém durante horas, interpreto isso como conhecer-se melhor e aprender a viver bem consigo mesmo. Penso em usar essa citação do Rilke num texto posterior.
Portanto, fica a dica: por míseros R$ 8, você pode ter na sua prateleira um livro que vai dar para seu lápis ou lapiseira muito trabalho selecionando os melhores trechos.
Quanto a mim, vamos lá:
Wall-E
Devo ter sido a última pessoa a assistir Wall-E. É menos dramático do que os comentários que ouvi sobre o filme me fizeram imaginar, e é melhor do que imaginei que fosse. E a velha fórmula do desenho animado com lição de moral ainda funciona.
Transiberiana
Casal de turistas americanos americanos decide viajar na maior ferrovia do mundo (não confundir com o Metrofor, que será o maior ferrorama do mundo). Deve ser uma adaptação de Turistas: a maioria dos russos do filme são pobres, ranzinzas, violentos ou corruptos. Lendo fóruns sobre o filme depois, descobri que os russos não curtiram muito isso, além do fato dos russos serem interpretados por albaneses. Mesmo assim, gostei do filme: vale pela agonia de saber como diabos a história vai chegar ao fim. Vou evitar mais comentários pra evitar spoilers.
O procurado
Blockbuster tremendo onde é impossível não ter a sensação de eu-já-vi-isso-em-Matrix: efeitos especiais parecidos, aquele lance todo de existe-uma-sociedade-secreta-antigona-da-qual-fazemos-parte-e-nós-mandamos-uma-gostosa-lhe-chamar-pra-nos-salvar e um predestinado aprendendo novas habilidades. Muito bom se você quer um filme onde a ação não para.
Napoleão Dinamite
Devia ser uma comédia, mas achei idiota… e olha que eu gosto de comédias idiotas. Tem três cenas boas: a morte da vaca ao lado do ônibus escolar, o baile da escola e o número de dança do protagonista no final. Se você for preso numa ilha deserta onde só tenha esse filme, veja.
Queime depois de ler
Arre. Vi uma série de elogios a esse filme (como no blog do Robson), mas não consegui gostar. Não adianta assistir se você estiver sob efeito de analgésicos pra dor nos ossos: você dorme mesmo.
Sete vidas
Eu não botava a menor fé no Will Smith: detestei Eu sou a lenda e nem cheguei perto de Hancock (dizem que fiz bem). Juro que assisti Sete vidas sem querer (sério, foi sem querer), e é muito bom. Dramão. O Will Smith se redimiu.
(Mário Quintana)
Todo fim de ano e ano novo é a mesma coisa: planos, resoluções de ano novo, uma lista de coisas que a gente promete pra si mesmo. E desde 31 de dezembro de 2008 penso sobre como estou começando 2009 dum jeito completamente despretensioso.
Nada de grandes idéias ou metas enormes. Apesar dos pesares, 2008 foi um ano bom. Pra 2009, apenas uma idéia de continuidade: seguir com as coisas que já estão bem em seu caminho. Continuar trabalhando em tudo que está bom e deixar as coisas fluirem…
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