Janeiros

16 de janeiro de 2013   —   21:17:24

Janeiro costuma ser um mês um pouco chuvoso aqui em Fortaleza, e é engraçado como isso acaba levantando algumas recordações. Janeiro quase sempre foi de férias, quase sempre com coisas legais para lembrar. Ah, bons tempos em que janeiro tinha férias garantidas.

As mais remotas datam de janeiro de 1994. Lembro eu voltando da banca de revistas com Homem-Aranha Nº121 e de What’s Up, da banda Four Non-Blondes, tocando no rádio. Lembro eu lendo a revista na poltrona larga da sala de casa, poderia até falar das histórias daquela edição. Naquele mesmo mês meus tios e primos de Ribeirão Preto visitavam Fortaleza e fiquei no quarto no dia em que eles foram embora, pois não queria me despedir.

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Pulo alguns anos e chego em janeiro de 1997. Eu tinha descoberto a diabetes há poucos meses, ainda tinha onze anos e viajava com meus pais e dois dos meus irmãos para alguma cidade da serra que não lembro qual era. Lembro de tentar jogar uma partida de Yo!Noid pouco antes de sairmos pra viagem, lembro das formigas que comeram o pacote de pão que ficou pendurado num saco na janela do hotel e do meu irmão tocando Esporrei na manivela no violão.

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De janeiro de 1998 tenho alguma recordação de jogar Donkey Kong Land no Game Boy Pocket que eu havia ganhado no Natal de 1997. Eu tinha 12 anos e surgiu, por ali, meu primeiro aparelho de barbear, um Gilette Sensor Excel. Ele vinha com um radinho a pilha de brinde, que eu ouvia antes de dormir toda noite. Lembro que na época estavam na moda Palpite, da Vanessa Rangel, e Dois, do Paulo Ricardo, ambos hits de novelas. No fim do mês, na véspera do primeiro dia de aula da sétima série, fiz a barba — na verdade só o bigode, era o que eu tinha — pela primeira vez.

Pulo para janeiro de 1999. Lembro eu jogando The Legend of Zelda: A Link to The Past para Super Nintendo usando algum emulador no computador que havíamos comprado há poucos dias, além de Super Mario Kart 64 (os jogos sempre marcam alguma época, não é?) no Nintendo 64 que eu havia ganhado no Natal de 1998. Lembro de uma antiga amiga louca da família visitando a gente de surpresa, levando seu filho pequeno e sendo tremendamente inconveniente. Lembro de ir jantar um sanduíche no Babagula, na Beira-Mar de Fortaleza, e me questiono como é possível já fazer tanto tempo.

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Janeiro de 2000 foi especial. Eu tinha 14 anos e comecei a sair à noite, sendo a primeira vez para a Ponte Metálica. Alguns dos meus amigos da época são presentes até hoje. Na primeira saída lembro que meu irmão, que já dirigia e normalmente me pegava e deixava nos cantos, estava viajando e meu pai teve que me pegar cedo. Será que hoje, 13 anos depois, os adolescentes ainda podem sair tão novos? Lembro de algumas idas ao dentista naquele mês (acho que eu devia ter algumas cáries!) e de idas ao colégio não pela recuperação, mas porque eu estava envolvido em algum projeto pra web — na época em que internet era coisa de nerd — do laboratório de Física da escola. 2000 foi um ano legal.

Em janeiro de 2002 fui pra Ubajara com minha primeira namorada. No mesmo mês, com o que sobrou da grana que meus pais me deram pra viagem e da qual gastei muito pouco, fui ao centro da cidade e comprei o A Link to The Past para Super Nintendo que eu jogava três anos antes no emulador. Na época ele já era antigo e eu até tinha um Nintendo 64, mas jogos bons não envelhecem.

Em janeiro de 2003 eu pintei o cabelo de vermelho na véspera da segunda fase do vestibular, já seguro de que rasparia o cabelo (isso que é autoconfiança!). Lembro de ter ido a uma rave qualquer e acho que foi a última das duas em que fui. Dois meses depois eu começaria a faculdade, que eu ainda tinha esperança de que seria legal. Que engano.

Em janeiro de 2005 eu estava saindo pra caramba. Tinha conseguido permissão para dirigir há poucas semanas, Fortaleza tinha o Noise3D Club há dois meses e eu estava fazendo mais e mais amizades. Em 12 de janeiro de 2005 eu ataquei de DJ no Noise3D Club. Eu estava um pouco nervoso mas deu tudo certo, especialmente ao tocar Wouldn’t it be nice, dos Beach Boys.

Todo mundo já foi DJ um dia, né?

Todo mundo já foi DJ um dia, né?

2005 teve meu último janeiro de vagabundagem: em janeiro de 2006 eu começava no meu primeiro estágio, do qual não sou muito saudoso, mas foi o começo formal da minha vida profissional. Estagiar foi o que me mostrou que eu gostava da minha profissão, apesar de não gostar da faculdade, e foi meu estímulo para alcançar a formatura.

Em janeiro de 2008 meus pais haviam se separado há poucos meses e eu me mudava pela primeira vez na vida. Foi a primeira de várias mudanças de 2008, um ano que me quebrou de inúmeras formas, do coração à clavícula, mas do qual foi impossível não sair melhor e mais maduro.

Em janeiro de 2010 eu estava recém-formado e desempregado. Foi um alívio ter me livrado da faculdade, e a sensação de liberdade misturada à incerteza daquela época é inesquecível. Era como se sentir a leveza da juventude outra vez.

Em janeiro de 2012, vejam só, eu estava desempregado de novo, e tentando oportunidades que me fizeram bater a cara na porta algumas vezes, ao tentar dar passos maiores que minhas pernas permitiam na época. Engraçado como isso não ficou marcado como um trauma, mas como uma experiência engrandecedora.

E estamos aqui, em 2013. Os dias nublados de janeiro, uma marca desse mês após o calor de dezembro, sempre conjuram os bons fantasmas de janeiros passados. Vi em alguma manchete de jornal que iria chover 40% menos em janeiro de 2013. Uma pena. Mas, por via das dúvidas, escrevo tudo aqui para que eu possa relembrar um dia, tropeçando nos textos do meu blog, desses meses marcantes.