o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
23 de janeiro de 2008

The Guerilla Art Kit

Aproveitei as férias para retomar um antigo hábito, ou melhor, um gosto: a leitura. Como a faculdade e suas leituras alienantes me deram uma trégua, pude ler novos e antigos livros que aguardavam alguma atenção minha na prateleira. Pois bem.

Em novembro, li o artigo “Guerrilha urbana”, de Denis Russo Burgierman, na revista Vida Simples do mesmo mês. No artigo, Denis falava da retomada da cidade pelos seus moradores, como podemos intervir no cenário urbano com pequenas intervenções artísticas e citava um livro, The Guerilla Art Kit, da canadense Keri Smith, que infelizmente ainda não tem tradução para o português.


The Guerilla Art Kit

Sensacional!

Acabei comprando o livro na Amazon, pelo precinho camarada de pouco mais de 12 dólares (menos que 25 reais) mais frete. Um livro assim no Brasil não sairia por menos de cinquenta reais (colorido, capa dura, espiral coberta pela capa). Como optei pelo frete mais barato, ele levou algumas semanas para chegar.

O livro sugere pequenas e grandes intervenções para tornar sua cidade um lugar mais sociável: pregar cartazes indicando cantos que raramente são notados, “esquecer” livros em locais para que outras pessoas os leiam, decorar objetos como hidrantes e placas.

Minhas sugestões favoritas foram a jardinagem de guerrilha (o livro ensina a fazer “bombas de sementes”: sementes com argila para você abandonar nos cantos e fazer surgir novas plantas), a animação de objetos inanimados (algo como pôr “olhos” de papel em hidrantes e deixá-los com aparência humana) e os ambientes em miniatura (fazer bonequinhos de rolha e decorar calçadas, árvores, jardins…). São muitas, muitas sugestões.

Para ver a proporção que uma brincadeira dessas pode tomar, basta lembrar das intervenções feitas ano passado em bueiros de São Paulo, pelos grafiteiros do Projeto 6 e Meia.
 

Trabalho do Projeto 6 e Meia

Trabalho dos grafiteiros do 6 e Meia em São Paulo


 
Mesmo que você não tenha talento (ou coragem, já que você pode acabar como infrator) pra fazer intervenções desse tipo, o livro dá diversas sugestões amigáveis à lei. Sem dúvida, uma grande leitura.
19 de novembro de 2007

Eu odeio a segunda via

De uns tempos pra cá, tenho desenvolvido mais meu espírito ecologista. Em tempos de exagerado aquecimento global qualquer contribuição é bem vinda, e tenho tentado evitar o uso desnecessário de papel. Assim, guardo sempre em meu quarto papéis que usei apenas de um lado, como antigos trabalhos da faculdade, pra poder escrever depois do lado não usado.

Máquina dos infernos!Quando fazemos compras no cartão de crédito, as maquininhas de cartão sempre imprimem 2 comprovantes: um para a loja, outro para o cliente – a famigerada segunda via. Eu sempre jogo aquele troço fora, ou então esqueço ele na carteira e quando vejo já tem uma pilha de papéis acumulando (e faz algumas pessoas pensarem até que minha carteira está cheia de dinheiro, quem dera).

Quando as maquininhas infernais vão imprimir a segunda via aparece a confirmação no display: “Imprimir 2ª via?”. Nessa hora eu peço pra recusar a segunda via, e é aí que a dor de cabeça começa.

As pessoas são treinadas para obedecer uma sequência de passos na hora de passar o cartão, e se você recusa sua 2ª via estará fugindo do comportamento-padrão esperado (em programação, isso se chama “disparar uma exceção”). Já teve casos de me dizerem que não posso recusar minha via, ou do caixa dizer “tá ok!” e então imprimi-la e jogá-la fora, ou até mesmo do caixa ficar olhando pra mim, parado, sem saber o que eu queria dizer.

Entrei em contato com a Visa pra me informar melhor sobre como proceder pra recusar a segunda via. Estou pensando em tomar medidas extremas, como roubar a máquina da mão do caixa e apertar o botão vermelho. Tudo para poupar as pobres árvores.


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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