Depois de cinco anos na universidade, convivendo com pessoas que se dizem militantes de esquerda, as palavras “militantes” e “esquerda” me assustam (e olha que entrei na universidade me dizendo petista e esquerdista, na época em que o PT era esquerda).
Confesso que, depois de pegar gosto pelo ciclismo e de ler mais sobre temas como ecologia e sustentabilidade, fiquei impressionado com a cicleata de Renato Roseno, candidato a prefeito pelo PSOL. Apesar da antiga campanha de Luizianne Lins para fazer uma cidade mais bonita, proposta de Roseno foi a mais clara que já vi numa campanha de tentar criar alternativas para o uso do automóvel. Definitivamente, pelas terras alencarinas não há grande mobilização em torno de temas ecológicos. E, segundo as pesquisas, Renato Roseno conta com 3% dos eleitores.
Em São Paulo, ao invés de criar alternativas para o automóvel, como melhorar o transporte coletivo e incentivar o rodízio (a Lei Seca já nos mostrou que o brasileiro sabe fazer rodízio e dividir seu carro com caronas…), Paulo Maluf tem como proposta criar freeways para desafogar o trânsito de São Paulo. Maluf, segundo as pesquisas, também perderia feio.
Por falar em desafogar o trânsito, hoje mesmo fui acordado por uma carreata barulhenta perto de casa, dum tal Paulo Facó, candidato a vereador. Em seguida fui ao supermercado e o trânsito nas proximidades estava uma porcaria, por causa da mesma carreata. Até motorista segurando bandeira com uma das mãos eu vi. Se ele acha que esse tumulto todo gera votos, o meu ele nunca vai ganhar.
Falta só uma semana. O que serão dos próximos 4 anos, Deus sabe.
Já faz alguns meses desde que comecei a pedalar. Não sei até hoje de onde veio essa vontade, talvez pelo fato de ser algo que não fiz durante a infância e que precisei retomar na idade adulta, aos 23 anos. Nunca é tarde pra se descobrir um novo gosto, principalmente quando ele é saudável.
Sendo conciso: pedalar é uma paixão que descobri aos 23 anos, é algo que me dá um tremendo gosto e que já vi que vou levar pro resto da vida.
Prometi a mim mesmo que me juntaria a um desses grupos de passeio noturno de ciclistas durante as férias. Há algumas semanas, descobri no orkut um grupo de ciclistas que sai toda segunda e quarta às 20h da frente da lanchonete Subway da Av. Washington Soares. Cumpri minha promessa, e hoje as segundas e quartas saio correndo do trabalho pra arrumar as coisas pra pedalar.
No início fiquei meio ansioso: nunca havia pedalado na rua, tinha medo dos carros, temia não ter ritmo. Mas se não há razão de existir dos medos senão ser encarados, meti as fuças. Estranhei quando me vi desviando tão fácil dos carros, passando entre eles. E dia após dia a naturalidade aumenta, assim como meu gosto pelo ciclismo.
O grupo, que anda em ritmo moderado justamente para acostumar os iniciantes, é bastante receptivo. Aliás, de todos os círculos sociais de que me considero parte, posso dizer que os ciclistas são o grupo mais receptivo: sempre pacientes com os iniciantes e sempre com uma palavra de incentivo.
Pedalar em grupo pela cidade à noite é fantástico. Ver de perto lugares que de dia passam despercebidos, conhecer lugares novos por onde eu nunca havia passado de carro ou simplesmente sentir o vento nas descidas é algo que devia fazer os portadores de bicicletas ergométricas se arrependerem de não terem optado por uma bicicleta com rodas.
O resultado imediato é que, além da diversão do momento, já me sinto mais disposto, minha diabetes tem estado mais controlada e o mais milagroso: arrumei uma razão pra gostar das segundas…
Tradução livre das últimas frases: é fácil não perceber algo por que você não está esperando. Preste atenção nos ciclistas. Merece a divulgação não apenas pela tirada do vídeo que é muito boa, como pelo fato de que há alguns meses venho me aproximando do ciclismo.
Pensei, então, em pedalar. Mas pedalar numa bicicleta normal, nada de bicicleta ergométrica, que você pedala e não sai do canto. Só tem um problema: no auge dos meus 22 anos, quase 23, eu nunca havia aprendido a andar de bicicleta.
O que você não imagina é que, quando você chega numa roda de pessoas e fala que não sabe andar de bicicleta, aparece um monte que também não sabe, só que elas têm vergonha de admitir até que alguém o faça. Como ando numa fase de renovação e desafios, encarei.
Bem, pensei em conseguir uma bicicleta emprestada pra aprender. Procurei, procurei, e nada. Ninguém tem uma bicicleta encostada pra emprestar. Quando se passa o dia com estudantes de Computação e a noite com pessoas que escutam rock alternativo, você só tem amigos sedentários. Minha mãe, a Cocota e a psicóloga deram o apoio, e eu já tava pesquisando preços de bicicleta quando meu pai decidiu comprar minha idéia e me deu uma de presente.
A escolhida foi uma Caloi Aluminum, uma mountain bike boa pra iniciantes e que anda com dignidade em vários terrenos. Pra escolha contei com auxílio do site Escola de Bicicleta e da comunidade do orkut Bicicleta: o melhor transporte. Se você for comprar uma bicicleta, evite as marcas estranhas e as bicicletas muito baratas da TV e supermercados: elas são pouco resistentes e, segundo a mulher da loja onde montei minha bicicleta, muitas delas já vêm com defeito.
Acabei aprendendo a andar no quintal de casa mesmo (e apesar da insistência de alguns amigos, sem rodinhas). O quintal não é muito grande, mas é o suficiente pra aprender a se equilibrar e pedalar uns poucos metros. Treinando uns 10 minutos por dia, a façanha se deu em poucos dias. Eu imaginei que ia cair e me quebrar, mas ao perder o equilíbrio é só encostar o pé no chão.
Se você também for um adulto que não aprendeu a andar de bicicleta, a dica: não adianta insistir se você está sem paciência, mas tente um pouco todo dia. Tente pegar impulso no chão, pedalar e confiar na Física, se a bicicleta entrar em movimento você não cai. Num belo dia, duma hora pra outra a mágica acontece e você está se equilibrando. Quando as coisas vão começando a melhorar e você vai se sentindo mais leve e relaxado, é uma alegria praticamente infantil.
Já consigo me equilibrar direito, só preciso pegar uma prática melhor com os freios e as marchas. Falta agora achar outros não-sedentários (ou aspirantes a não-sedentários) dispostos a participar da empreitada e pedalar em grupo. Alguém topa?
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