É o nome do filme de que vou falar agora. Sinopse, produtor, diretor, essa coisa toda de ficha técnica você procura no Google, porque eu preciso falar da minha história com o filme.

Foi minha namorada quem me alertou pela primeira vez que esse filme devia ser bom, que já conhecia a história e devia ser legal. Aí vi no site do UCI que havia estreado, em 15 de janeiro, e fui atrás das sessões. Mas… nada de Fortaleza. Só São Paulo e Rio. Me indignei, fiquei puto, soltei as cobras no twitter e ainda aguentei amigos que moravam nos estados citados ou que viajaram pra lá elogiando o filme. E toda semana ia lá eu, no site do UCI, ver a droga do filme dar a volta no Brasil sem nunca chegar em Fortaleza. Acabei deixando pra lá e desisti de ficar puto toda sexta-feira, ao ver que o filme nunca chegaria aqui.
Alguns amigos baixaram o filme da internet e me ofereceram. Eu ainda me senti tentado, pensando que iria passar em Fortaleza no Dia de São Nunca, mas a Carol, minha namorada, me convenceu a esperar sair no cinema. Tem filme que é pra ver no cinema, né, pelo menos a primeira vez. Esse é um deles. Resisti à pirataria, firme e forte.
Foi o Paulo André quem primeiro me deu o toque que o filme estava chegando, há alguns dias. Já a Natalia mandou pro Danilo a página de cinema do site do jornal O Povo com os horários do filme. Reproduzo abaixo, em formato de figura, a tabela de horários do filme copiada do site citado:

Sim, seus olhos não estão mentindo: sexta, 9 de abril (lembra que em São Paulo e Rio foi 15 de janeiro?), dia da estreia em Fortaleza, às 21:50. No dia seguinte, às 10:45 da manhã. Domingo? 12:10. E de segunda em diante, 19:30. Mas só até quinta. Depois, espere sair na locadora. Troféu Joinha pro UCI Multiplex de Fortaleza! Pior horário de todos os tempos!
Me deu vergonha de morar em Fortaleza (é um evento pelo menos diário). Eu sabia que era um bom filme… Quantas semanas passei indo no site do UCI, só pra ver que Xuxa em O Mistério de Feiurinha estava há dois ou três meses em cartaz, e nada de Onde vivem os monstros estrear? E, quando estreia, ainda é nesse horário merda, inviável pra muita gente. Mas enfim, não dá pra comparar com a Xuxa. Em Fortaleza, o filme recebeu tratamento de Cinema de Arte: poucas sessões, para público selecionado/seletivo/whatever. Bom pro filme (será?), péssimo pro público.

Mas sexta-feira, dia 9, e lá estávamos eu – ainda me recuperando de uma semana doente – e Carol, às 21:30, chegando ao cinema. Sala ainda vazia, mas bem cheia em alguns minutos. Eu estava cheio de expectativas e pronto pra quebrar a cara, porque é isso que acontece quando se vai com muita sede ao pote. Mas, em uma palavra, eu vos digo:
FILMÃO.
Não quebrei a cara. Correspondeu às minhas expectativas. Um puta dum filme, trabalhado nos mínimos detalhes, cheio de sutilezas. História, cenários, trilha sonora, tudo em equilíbrio. Impecável. Se você nasceu com menos de 20 anos e tem algum coração, você será tocado. Foi impossível, durante o filme, não abrir o baú e lembrar de alguns eventos da minha infância com o desenrolar da história. E não, não é um filme infantil.

Há alguns dias eu tinha comentado com a Carol que eu estava sentindo falta de algum filme que desse aquele cutucão em você, que você passasse um tempão depois pensando nele. Achei, é esse filme aí. Fodíssimo.
Só me dá pena dizer pros amigos “vão lá e vejam!”, e depois fornecer essa pobre grade de horários vergonhosa do UCI fortalezense. Mas enfim: vão lá e vejam. Vou aqui sentir vergonha pelo cinema, e dormir pensando no filme.
Vou concluir meu texto com um pedacinho da conclusão de outro texto sobre o filme, do blog Antigravidade: “É um filme bonito e até tocante que será admirado nos anos futuros e provavelmente será analisado em cursos de cinema ao redor do mundo até o fim dos tempos”.
Séries são como a Hidra, o monstro mitológico: pra cada série que você acaba de assistir até a última temporada, surgem duas no lugar. E nesses dias eu descobri mais uma: The Office. Minha namorada já me sugeria a série há um tempão, mas só no Carnaval parei pra assistir, emprestada pelo Silveira. Em poucos dias vimos da primeira temporada até o começo da terceira (a série já está na sexta temporada).

Originalmente uma série britânica, The Office foi levada aos Estados Unidos e fala do dia-a-dia num escritório duma filial duma distribuidora de papel. A série aborda as tarefas cotidianas dum escritório: trabalhar para um chefe que sabe menos que os funcionários, mas que se considera uma grande liderança; ter um colega de trabalho difícil de lidar; romances no ambiente de trabalho; preconceito racial; puxação de saco e de tapete. Tudo isso é abordado em forma de comédia, mas de maneira inteligente e sem forçar a barra com risadas ao fundo, comuns em séries de comédia (odeio as malditas risadas ao fundo).
Além do mais, quem já trabalhou num escritório de qualquer coisa ou já estudou algo de Administração sabe o quão real a série é. Mais do que uma comédia, a série satiriza os ambientes de trabalho, unindo todas as características e problemas comuns no mesmo escritório.
Michael Scott é o chefe do escritório, interpretado por Steve Carell, que já atuou em filmes como Pequena Miss Sunshine, O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O personagem se julga um grande chefe e um grande líder, e em algumas horas, principalmente na primeira temporada, dá vontade de bater nele. Provavelmente ele é o personagem de série com quem mais desenvolvi antipatia. E essa é a função dele como personagem: despertar antipatia, desconforto e vergonha alheia.

Outro personagem memorável é Dwight Schrute, um completo imbecil, daqueles que você olha e pensa “como um idiota desses arranjou um emprego?”. Assim como Michael, é um dos personagens que você adora odiar.

Também temos o casal Jim e Pam, um dos casais mais legais que já vi em séries. Jim é um dos funcionários do escritório e seu trabalho é vender papel. É atormentado por Dwight, que senta na mesa ao lado. Pam é a recepcionista do escritório. Apesar dos dois serem apenas colegas de trabalho, não tem como não torcer pra que eles fiquem juntos.

Cada episódio da série é curto, com cerca de 20 minutos. A primeira temporada tem apenas seis episódios, e compartilho da opinião de alguns que é a mais sem graça. Chegando na segunda, acabei me viciando na série e foi um caminho sem volta.
Agora me digam como arrumo tempo pra tudo isso, sim? Por mais apertado que pareça, porém, a perspectiva é otimista.
Lá vai:
500 dias com ela
Comédia romântica envolvendo cara legal e uma menina nem tão legal assim, com direito às coisas bregas-mas-bonitas do gênero. O filme fica melhor ainda se você tiver bom gosto musical. Vale a pena.
Arrasta-me para o inferno
Deveria ser uma comédia satirizando filmes de terror, com direito a alguns sustos. Os sustos existem e são poucos. A comédia é fraquíssima. O filme é cansativo e você implora pra que acabe logo. Não vejam.
Atividade Paranormal
“Veja, vamos fazer mais um filme de suspense/terror aparentemente filmado por pessoas comuns”. Essa fórmula já está manjada e passei o filme esperando sustos que não vieram. Dá pra passar o tempo.
Avatar
Uns odiaram, outros gostaram, alguns se recusaram a ver só pra bancar o cult e dizer “não vejo filme de muita bilheteria”. Gostei de Avatar, acho que cumpre sua função. Apesar da manjada porém válida fórmula de veja-como-a-ambição-humana-destrói-a-natureza, é um bom filme de aventura.
Contatos de 4º Grau
O filme já começa com uma cena apelativa dizendo “blá blá blá, isso aqui é real, meu filho, acredite se quiser!”. A única coisa que tornaria o filme assustador é a possibilidade de ser real, já que não aparece nem sequer um ETzinho pra dar um susto. O Internet Movie Database diz que não é e que a personagem central nunca existiu. Chatinho.
Eurotrip
Como diabos eu nunca tinha visto esse filme antes? Comédia entupida de besteiras e situações impossíveis, mas sem cair na idiotice. Vale a pena.
Sherlock Holmes
Pegaram o antigo personagem de Conan Doyle, mantiveram sua inteligência e adicionaram uma pitada de carisma e bom humor. Talvez não agrade os fãs mais fieis do detetive (eu sempre me irrito com as adaptações de heróis da Marvel), mas pra mim, que li apenas dois livros com Sherlock Holmes, pareceu ótimo.
O primeiro é A Mulher Invisível. Eu não dava nada pelo trailer, mas comecei a ver pessoas elogiando por aí e, na falta de opção que é o cinema nas férias, acabei arriscando. Bom mesmo, engraçado, boas tiradas, e quem for pouco atencioso nem vai perceber o merchandising da Chevrolet. Achei que era mais uma comédia romântica qualquer, mas gostei pra caramba.

Depois veio Jean Charles, baseado na história do brasileiro morto no metrô de Londres em 2005. O filme (que achei um pouco entediante) tem um quê de documentário e fala dos brasileiros se virando pra ganhar uma grana no exterior, com foco na prima de Jean. Alguns fatos reais da história de Jean foram alterados no filme, mas o final todo mundo sabe. Vale como protesto.

Depois aproveitei pra assistir Meu nome não é Johnny, do ano passado. Mais uma ficção baseada em personagem real, dessa vez o Selton Mello faz o papel dum traficante carioca de classe média. Tem até uma aparição rápida do Rodrigo Amarante, do Los Hermanos. Filme bacana, prende a atenção.

E já que o assunto é a carreira do Selton Mello: alguém lembra de quando o Selton Mello fazia o Emanuel na novela de 1997 A Indomada, que namorava a ruiva Grampola?
Quanto a mim, vamos lá:
Wall-E
Devo ter sido a última pessoa a assistir Wall-E. É menos dramático do que os comentários que ouvi sobre o filme me fizeram imaginar, e é melhor do que imaginei que fosse. E a velha fórmula do desenho animado com lição de moral ainda funciona.
Transiberiana
Casal de turistas americanos americanos decide viajar na maior ferrovia do mundo (não confundir com o Metrofor, que será o maior ferrorama do mundo). Deve ser uma adaptação de Turistas: a maioria dos russos do filme são pobres, ranzinzas, violentos ou corruptos. Lendo fóruns sobre o filme depois, descobri que os russos não curtiram muito isso, além do fato dos russos serem interpretados por albaneses. Mesmo assim, gostei do filme: vale pela agonia de saber como diabos a história vai chegar ao fim. Vou evitar mais comentários pra evitar spoilers.
O procurado
Blockbuster tremendo onde é impossível não ter a sensação de eu-já-vi-isso-em-Matrix: efeitos especiais parecidos, aquele lance todo de existe-uma-sociedade-secreta-antigona-da-qual-fazemos-parte-e-nós-mandamos-uma-gostosa-lhe-chamar-pra-nos-salvar e um predestinado aprendendo novas habilidades. Muito bom se você quer um filme onde a ação não para.
Napoleão Dinamite
Devia ser uma comédia, mas achei idiota… e olha que eu gosto de comédias idiotas. Tem três cenas boas: a morte da vaca ao lado do ônibus escolar, o baile da escola e o número de dança do protagonista no final. Se você for preso numa ilha deserta onde só tenha esse filme, veja.
Queime depois de ler
Arre. Vi uma série de elogios a esse filme (como no blog do Robson), mas não consegui gostar. Não adianta assistir se você estiver sob efeito de analgésicos pra dor nos ossos: você dorme mesmo.
Sete vidas
Eu não botava a menor fé no Will Smith: detestei Eu sou a lenda e nem cheguei perto de Hancock (dizem que fiz bem). Juro que assisti Sete vidas sem querer (sério, foi sem querer), e é muito bom. Dramão. O Will Smith se redimiu.

Não vou comentar as partes que gostei mais ou que gostei menos pra não criar expectativas boas ou ruins. Mas, em uma palavra: vejam.
A atriz principal, Ellen Page, que faz papel da adolescente de 16 anos Juno, na verdade tem 20 anos e já fez outros papéis, como a Kitty Pride do péssimo X-Men 3 e o papel principal da garota do Menina Má.com (pior nome de todos os tempos, mas é um bom suspense e faria mais sucesso se tivesse um nome melhor no Brasil). Ela transa com um colega de escola não muito atraente e acaba engravidando, e daí vem o resto do filme: a conversa com os pais, a dúvida do aborto (sem encher o saco com questões moralistas) e por aí vai.
O filme é curto (96 minutos) e não tem muita enrolação, ou seja, nada de cenas gratuitas que não colaboram muito com a história ou dão sono. Alguns cantos dizem que o filme é uma comédia, outros dizem “comédia/drama”, concordo mais com os últimos. A parte “comédia” não é aquela comédia mais besteirol com que estamos acostumados, de trapalhadas ou situações absurdas, e a parte “drama” é mais interessante.
Veredito final: não é meu filme favorito, mas é um bom filme. Vale a pena.
Tenho me sentido estranho nos últimos dias. Na verdade, tenho tido sensações que há muito tempo não sentia. Começou quando as aulas acabaram e tive férias da faculdade. Depois veio o recesso de fim de ano, e me peguei sem aulas nem trabalho. Deus, há quanto tempo eu não tinha um dia pra ficar em casa, sem pensar em obrigações? Há quanto tempo eu não passava um dia sem me cobrar alguma coisa?
Sei que, nos últimos dias, tenho feito um esforço para cobrar de mim mesmo algum descanso, alguma atenção às coisas que gosto de fazer. Ler os livros atrasados, desenterrar aquele jogo antigo, pôr pra andar a lista de filmes, encontrar os amigos (e amor, vê se volta logo de viagem). Tenho tomado doses maciças de eu-mesmo que têm me feito um bem danado, e tento rejuvenescer hoje os anos que envelheci durante 2007, que já foi tarde.
Penso muito sobre a maneira como levei os últimos tempos, tanto trabalho, tantos estudos e tão pouca distração. Tenho uma preocupação constante sobre como tentar manter a calma quando tudo começar de novo, mas preocupações são algo que minha cabeça está tentando expulsar, eliminar, adiar, então guardo-as para discuti-las depois com quem puder me dar alguma luz.
Mas vamos ao que importa.
Finalizei The Legend of Zelda – Majora’s Mask, pra Nintendo 64, que comprei há mais de 4 anos mas nunca tinha tempo pra jogar direito. Bem, agora preciso dum Nintendo Wii pra continuar jogando o resto da linha Zelda. Alguém me dá R$ 1.700,00?
Depois de assistir todos os episódios disponíveis de Lost e Heroes, fiquei órfão de seriados. Comecei a assistir House e Dexter. House é muito bom, o Silveira havia feito uma descrição básica do que se tratava o seriado e lembrei dela quando fui procurar por um seriado novo (meio estranho, não, procurar por seriados?). Dexter tinha sido uma recomendação do meu antigo professor de guitarra, quando eu fazia aulas.
E tenho tentado pôr pra caminhar minha lista enorme de filmes também, mas House está atrapalhando tudo. E tenho tentado ler um bocadinho também. Como eu estava conversando hoje via MSN, tenho muitos planos pra pouca vida. Se eu somar os livros que existem pra ler, os filmes pra assistir, os lugares pra conhecer, bem, acho que preciso dumas duas vidas.
No mais, tenho conseguido ver bastante as pessoas queridas que não vejo faz tempo. E, quando as aulas voltarem, eu estarei pronto pra outra. Espero.
Powered by WordPress version 2.9.2
100% feito usando software livre