Mais: tenho a impressão de que há muito o que se fazer e muito pouco tempo.
Há muito pra ler,
muito pra assistir,
muito pra escrever,
muito pra ouvir,
muito pra conversar,
muito pra conhecer…
E pensar que na adolescência eu reclamava tanto de tédio.
Levei a uma oficina especializada em portas, e aproveitei pra resolver o problema de uma outra peça da porta que havia quebrado há um tempão, mas nada tão urgente quanto o problema da janela. Ao desmontar a porta, o problema do vidro foi resolvido só com uma pancadinha numa peça. Já o conserto da outra peça quebrada foi mais complicado.
No entanto, vendo o problema do vidro ser resolvido facilmente, o mecânico veio com um papo de que era importante abrir a peça onde ele tinha só dado uma batidinha com a mão, dizendo que precisava duma limpeza, que o problema do vidro tanto poderia acontecer de novo em breve, ou podia acontecer nunca, e que limpar a tal da peça era a garantia de não acontecer.
Achei a conversa florida demais, meu tapeômetro interior disparou e achei melhor recusar a limpeza da peça. Ele repete a história do talvez dê problema de novo, ou não, e recuso novamente. Aí vem o dono da oficina, ao qual o mecânico diz que eu recusei a limpeza, e o dono me conta, de novo, que a peça poderia voltar a dar problema… ou não.
Eu estava quase dizendo o que eles deviam fazer com a tal peça, mas acordei de ótimo humor e preferi apenas pagar pela outra peça quebrada. Ao receber o recibo do serviço, eis que o mecânico olha pra mim e fala baixinho: “Ó, isso aqui vai funcionar um tempão. Tome o cuidado de subir e descer o vidro sempre, pra não acumular sujeira nas peças.”
O questionamento até agora é se o dono da oficina e os mecânicos têm algum protocolo pra tapear clientes com serviços desnecessários. Me senti como quem escapa duma pegadinha ao recusar o serviço e, ao final, descobrir que nem precisava.
E assim eu economizei 35 reais.
Pensei, então, em pedalar. Mas pedalar numa bicicleta normal, nada de bicicleta ergométrica, que você pedala e não sai do canto. Só tem um problema: no auge dos meus 22 anos, quase 23, eu nunca havia aprendido a andar de bicicleta.
O que você não imagina é que, quando você chega numa roda de pessoas e fala que não sabe andar de bicicleta, aparece um monte que também não sabe, só que elas têm vergonha de admitir até que alguém o faça. Como ando numa fase de renovação e desafios, encarei.
Bem, pensei em conseguir uma bicicleta emprestada pra aprender. Procurei, procurei, e nada. Ninguém tem uma bicicleta encostada pra emprestar. Quando se passa o dia com estudantes de Computação e a noite com pessoas que escutam rock alternativo, você só tem amigos sedentários. Minha mãe, a Cocota e a psicóloga deram o apoio, e eu já tava pesquisando preços de bicicleta quando meu pai decidiu comprar minha idéia e me deu uma de presente.
A escolhida foi uma Caloi Aluminum, uma mountain bike boa pra iniciantes e que anda com dignidade em vários terrenos. Pra escolha contei com auxílio do site Escola de Bicicleta e da comunidade do orkut Bicicleta: o melhor transporte. Se você for comprar uma bicicleta, evite as marcas estranhas e as bicicletas muito baratas da TV e supermercados: elas são pouco resistentes e, segundo a mulher da loja onde montei minha bicicleta, muitas delas já vêm com defeito.
Acabei aprendendo a andar no quintal de casa mesmo (e apesar da insistência de alguns amigos, sem rodinhas). O quintal não é muito grande, mas é o suficiente pra aprender a se equilibrar e pedalar uns poucos metros. Treinando uns 10 minutos por dia, a façanha se deu em poucos dias. Eu imaginei que ia cair e me quebrar, mas ao perder o equilíbrio é só encostar o pé no chão.
Se você também for um adulto que não aprendeu a andar de bicicleta, a dica: não adianta insistir se você está sem paciência, mas tente um pouco todo dia. Tente pegar impulso no chão, pedalar e confiar na Física, se a bicicleta entrar em movimento você não cai. Num belo dia, duma hora pra outra a mágica acontece e você está se equilibrando. Quando as coisas vão começando a melhorar e você vai se sentindo mais leve e relaxado, é uma alegria praticamente infantil.
Já consigo me equilibrar direito, só preciso pegar uma prática melhor com os freios e as marchas. Falta agora achar outros não-sedentários (ou aspirantes a não-sedentários) dispostos a participar da empreitada e pedalar em grupo. Alguém topa?
Três horas vagas.
Três horas entre uma aula e outra. Eu devia estudar, se não tivesse esquecido o livro em casa. Ao invés disso, vou comer alguma coisa, e penso em como vou preencher as próximas horas. Comecei comprando uma caneta. Minha antiga caneta azul acabou a tinta, após anos de bom trabalho. Ela exercia sua função com maestria desde agosto de 2005.
Saio do shopping rumo ao CH. O Centro de Humanidades é o setor da universidade onde ficam as Casas de Cultura Estrangeira. Muito ali mudou, foi reformado. Mas não tarda para acontecer tudo mais uma vez, e as pessoas começam a surgir. Fazia dois anos que eu não andava ali àquela hora, mas acontece tudo de novo: eu encontrando vários amigos no ponto de encontro de anos atrás.
Parece que tenho 17, 18, 19 ou 20 anos de novo. Lembro como era bom encontrar os amigos ali, numa época que eu tinha menos preocupações. Alguns problemas de hoje até já existiam, mas eu me preocupava menos com eles. O tempo passa e a gente fica adulto e preocupado.
“Preciso de um ano sabático”, eu falei mais cedo pra uma amiga minha. 22 anos, quase 23, e o jovem de poucos anos atrás se sente velho e cansado. Faltou descanso e tempo pras coisas do coração. No fim das contas, não importa dinheiro e diploma, o mais importante da vida são as pessoas. Todo dia eu tento me convencer disso, enquanto a faculdade tenta me convencer do contrário.
Minha amiga respondeu dizendo que eu podia levar uma vida mais sabática ou coisa do tipo. E eu soube o que ela quis dizer.
Eu preciso aprender a conciliar as coisas. Não sei se isso me levou a escolher minha carreira profissional ou se foi o contrário, mas me tornei um homem de zeros e uns, de intervalos discretos bem-divididos – um homem de extremos. Quando me dedico a algo, esqueço o resto do mundo. Ou sou um vagabundo, ou sou um workaholic. Preciso descobrir o caminho do meio.
Ando com alguns planos pra tentar levar uma vida mais equilibrada, fazer coisas simples pra relaxar e aliviar a tensão. Por enquanto, hoje vou dormir feliz. Nada como as surpresas: um intervalo de três horas que tinha tudo para ser chato foi simplesmente espetacular e valeu o dia.
Se mudar traz alguma coisa de maturidade. Você inevitavelmente vai se desfazer de alguma coisa, se quiser ter menos trabalho para levar as coisas para seu novo destino. Isso também vai acontecer se você tiver menos espaço em sua nova morada. Isso traz algum trabalho de escolha e desapego. Hoje me peguei olhando para coisas antigas, como brinquedos e papéis, até mesmo antigas tampinhas do adorado Guaraná Brahma que guardei sabe Deus a razão e que devem ter feito parte de algum recreio feliz entre 90 e 92 com um salgado de presunto e queijo ou uma mini-pizza, e pensei em como eu ia conseguir me livrar daquilo; na verdade, pensei em como eu não ia conseguir. Lembrei do budismo e de todas as lições sobre desapego e impermanência. Lembrei de Roberto Carlos, e cantarolei um de meus refrões favoritos do Rei: essas recordações me matam.
Se mudar traz alguma coisa de experiência de vida. A menos que você tenha quem o faça por você ou quem se preocupe com você, você vai lidar com experiências totalmente novas: instalações elétricas, pinturas de cômodos, instalações hidráulicas, e por aí vai. É algo que te aproxima do mundo adulto e te afasta da infância, quando você não se preocupava com nada porque você só precisava viver enquanto os outros ajeitavam o mundo pra você.
O que é não é destino é passagem, e nessa viagem que é a vida ninguém sabe onde vai chegar. No fim das contas, a gente está sempre indo pra algum canto novo, batalhando algo novo, planejando uma mudança. E se não há um destino, um local de chegada, bem, por eliminação da disjunção então só há passagem. Assim provamos o princípio da impermanência, CQD.
Moro em outro canto diferente do que morei em 22 anos. Estou indo trabalhar num canto diferente de onde trabalhei durante um ano e pouco. A Cocota foi estudar uns meses na Espanha e só volta em agosto. Mudaram também algumas coisas que não deviam ser citadas aqui, mas são mudanças grandes. Aprendi, em outras mudanças de outros carnavais, que a vida não nos dá a opção de parar um pouco as coisas enquanto você se acostuma com algo, e esse aprendizado me rendeu alguma tranquilidade nas últimas semanas.
Às vezes eu me pego pensando em algo, algo que o Villar soube descrever bem num texto dele: é interessante como há uns anos a gente nunca imaginou estar onde estamos hoje. Imprevistos chatos ou oportunidades melhores surgem a todo tempo e mudam nossos planos e até nossos sonhos. É… nada permanece.
E assim a vida segue seu curso, nos trazendo mudanças. E ou você vive com elas, ou vive com elas. E quando você menos perceber, até você mudou.
Quando fazemos compras no cartão de crédito, as maquininhas de cartão sempre imprimem 2 comprovantes: um para a loja, outro para o cliente – a famigerada segunda via. Eu sempre jogo aquele troço fora, ou então esqueço ele na carteira e quando vejo já tem uma pilha de papéis acumulando (e faz algumas pessoas pensarem até que minha carteira está cheia de dinheiro, quem dera).
Quando as maquininhas infernais vão imprimir a segunda via aparece a confirmação no display: “Imprimir 2ª via?”. Nessa hora eu peço pra recusar a segunda via, e é aí que a dor de cabeça começa.
As pessoas são treinadas para obedecer uma sequência de passos na hora de passar o cartão, e se você recusa sua 2ª via estará fugindo do comportamento-padrão esperado (em programação, isso se chama “disparar uma exceção”). Já teve casos de me dizerem que não posso recusar minha via, ou do caixa dizer “tá ok!” e então imprimi-la e jogá-la fora, ou até mesmo do caixa ficar olhando pra mim, parado, sem saber o que eu queria dizer.
Entrei em contato com a Visa pra me informar melhor sobre como proceder pra recusar a segunda via. Estou pensando em tomar medidas extremas, como roubar a máquina da mão do caixa e apertar o botão vermelho. Tudo para poupar as pobres árvores.
Na semana passada, a revista Veja fez uma matéria de capa sobre Diabetes, que reproduzo ao lado. Sou portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos, e alguns amigos meus prontamente me falaram da reportagem. Só tem um problema: a reportagem só servia para pacientes de Diabetes Mellitus tipo II, que não é o meu. Mas não é isso o que tem na capa.
Imagine, então, um paciente de Diabetes tipo I vendo a matéria de capa, morto de feliz achando que vai se livrar das várias injeções diárias de insulina e deixar de ser uma peneira humana ao ler a capa da Veja, e em seguida se decepcionando ao ler o conteúdo da matéria. É o que teria acontecido comigo, se o Cassiano (do Eu Podia Tá Matando), o primeiro a me falar da reportagem, não me fizesse um resumo da matéria antes que eu mesmo visse a revista nas bancas. Imagine se você tem um câncer de pulmão, vê uma capa de revista falando sobre “A cura do câncer” e quando abre a revista descobre que a cura noticiada só envolve câncer de esôfago…
Não pude, porém, deixar de enviar um e-mail à Veja falando do assunto:
Como qualquer pessoa, fico feliz pela reportagem sobre Diabetes da edição 2.032 de Veja. No entanto, ocorreu uma falha de comunicação absurda na capa: esqueceram de comunicar que a reportagem era sobre diabetes tipo II. Pessoas como eu, que sou portador de diabetes tipo I, tiveram uma grande alegria ao ver a capa, seguida por imensa decepção ao ler a reportagem e descobrir que a “esperança” noticiada simplesmente não servia para nós.
Fica, portanto, meu apelo de que, quando forem colocar reportagens desse gênero na capa - seja sobre diabetes, seja sobre qualquer doença -, ponham lá também a que segmento dos portadores a reportagem se refere.
Aguardo um retorno dos senhores.
Esdras Beleza de Noronha,
portador de Diabetes Mellitus tipo I há 11 anos
Pra piorar mais ainda, a maneira como a notícia foi feita acaba levando várias pessoas, principalmente as menos informadas, a crer que a cura está disponível a partir de hoje, e elas então vão desesperadamente atrás de médicos e hospitais querendo ser curadas. Isso acabou levando a um comunicado oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes: “(…) Esperamos que a divulgação precoce,a um público leigo, de um procedimento ainda em fase experimental não estimule cirurgias desnecessárias e mal indicadas sob a expectativa de um milagre. (…)”
De tudo, fica apenas uma esperança: a de que os jornalistas tenham mais respeito aos portadores de doenças, em detrimento da vontade de vender revistas.
Acontece quando volto para casa de madrugada. Deixo pedaços de mim pelas ruas desertas, nas escadas que subo no escuro, nas escadas que eu subiria sem problemas até de olhos fechados, que tenho subido desde o primeiro dia em que aprendi a usar as pernas. Há o cheiro do cigarro alheio nas roupas, dormência nas pernas, sentida mais ainda em consequência da escalada dos já citados lances de escada, e uma mistura de alma lavada com o vazio de quem quer um pouco mais de tudo que acabou há alguns minutos.
Quanto maior a altura, maior a queda. Li em algum canto, já faz algum tempo, um depoimento duma artista que não lembro o nome – minha memória está ocupada por coisas que, francamente, não me servem – onde ela dizia que o complicado de sair do palco era que você num minuto estava interagindo com não sei quantas mil pessoas e pouco depois estava num quarto de hotel ou camarim vazio. Oh, alguém me entende.
Deixo um pedaço meu em cada abraço, talvez por isso às vezes tão forte; deixo ali um pedaço da minha alma que quer ficar sempre um pouco mais com cada pessoa boa presente no meu caminho, deixo uma parte minha que quer saber um pouco da vida de cada um, que quer presentear cada pessoa querida com algo de bom que nossa ciência ocidental jamais entenderá, algo como um desejo sincero de boa sorte.
E eu recebo, eu sei, um pouco disso tudo de volta, e é isso que me faz aguentar o tranco nosso de cada dia. Isso preenche o vazio por um tempo, depois vira um vício que, se não suprido, torna difícil acordar pras coisas sem coração.
A verdade é que me tornei um homem de ciência, e a ciência, amigos, não tem respostas, apenas perguntas. A ciência é como criança, por vezes sequer sabe o que fazer com o que tem nas mãos. E eu estou ali, dia por dia, ignorando o vazio da minha alma enquanto encho a cabeça com coisas que, se você olhar bem, não fazem sentido algum(!), mas você junta todas elas, dá alguma interpretação e toca adiante.
Sei que já fui feliz um dia. Hoje eu só sei que existo, não há tempo para pensar em felicidade enquanto me debruço sobre livros de perguntas que geram e alimentam perguntas. Pouco sei das pessoas que acolhi e me acolheram, porque estou ocupado numa eterna corrida, estou ocupado contando as estrelas que tenho e como fazê-las render.
Dia desses fui dormir pensando em amigos que alcançavam mais estrelas que eu. Hoje, após saciar meu antigo e saudável vício, eu só sei que vou dormir pensando em como tudo que eu cobicei e invejei tão pouco tempo antes era uma grande tolice. Tenho uma verdadeira riqueza comigo, que são as pessoas, talvez a única riqueza que faça sentido. E tive inveja de quem já fui, porque dessa riqueza eu já tive mais.
Mas agora sou, repito, um homem de ciência, de trabalho, de negócios. E eu não pergunto mais como meus amigos estão, eu peço resumos e relatórios, porque o tempo é curto e também é dinheiro. Hoje eu sou aquilo que o mundo quis que eu fosse e quer que eu seja. Na verdade, acho que estou indo além de qualquer cobrança alheia. Mas como disse um antigo professor meu que encontrei um dia no ônibus – outro homem de ciência, embora de outras ciências –, amor não enche barriga. Contemos estrelas, então.
Não há tempo para sentir qualquer coisa, não há tempo para amar, lamentar ou ter saudades, ou eu perco a conta das minhas estrelas. E, no domingo à noite, dispo-me de meus sentimentos para vestir o traje de homem de ciência na segunda de manhã, como uma fantasia dum carnaval de máscaras tristes.
Contemos estrelas, repito.
Contemos estrelas.
Hoje um desses chatos me ligou. Meus conhecimentos budistas dizem pra você se pôr no lugar da pessoa antes de sentir algum sentimento negativo por ela, lembrar que ela também é uma pessoa como você, etc. Não consigo sentir isso por algumas pessoas, e operadores de telemarketing que não sabem o que é um "NÃO!" estão entre elas.
Hoje, pela primeira vez, me livrei de um operador de telemarketing facilmente.

Esse é meu iate. Aí no meio é a Ana Paula tomando banho de sol.
Eu não apareço porque tô no meu helicóptero tirando a foto.
Foi na hora do almoço, péssima hora pra telefonemas. Era pro sr. Êsdras Beleza de Noronha, na verdade.
– Alô? É o sr. Êsdras Beleza de Noronha (sic)?
– Oi. Sou eu.
– O senhor está podendo atender?
– Sim. – Se eu dissesse não, ele ligaria outro dia e aporrinharia do mesmo jeito.
– Senhor, aqui é da Credicard Citi. Tudo bem com o senhor, senhor Êsdras?
– Oi. – Fiz questão de responder a pergunta assim só pra ser chato.
– Que bom, senhor Êsdras! – Acho que minha resposta não tava no script dele, então ele usou a única resposta que tinha.
– Diga.
– Senhor, nós vimos que você tem sido um ótimo cliente do cartão [nome completo do meu cartão de crédito, umas 8 palavras, nem sabia que o cartão tinha um nome tão grande] há quatro anos, e decidimos lhe oferecer um plano de capitalização!
– Não me interessa.
– Mas senhor, você sabe as vantagens do plano de capitalização?
– Não me interessa.
– Senhor, um milhão de reais HOJE mudaria sua vida? – Repare na ênfase no "hoje".
– Um milhão de reais? Eu podia vender meu iate e conseguir isso. – Friamente, como quem não se perturba com um milhão.
– Tudo bem, senhor. Tenha um bom dia.
Fácil, fácil.
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