Vazio

21 de fevereiro de 2009   —   02:32:28

Você pode ter sido o dia mais produtivo no mundo no trabalho,
pode ter tirado uma nota enorme naquela prova foda da faculdade,
pode ter visto aqueles seus amigos que não via faz tempo,
pode ter arrumado aquele trabalho legal,
pode ter ouvido a música certa na hora certa no rádio,
pode ter visto seu filme favorito começando na tevê,
pode ter comprado aquela roupa que você paquerava há tempo na vitrine,

mas não adianta.

O fim do dia sempre vai trazer aquele vazio arrebatador,
aquela sensação de um must have que está ausente,
aquele sentimento de quem está saindo de casa esquecendo algo.

 

Doritos

 

 

PUTA MERDA.
ACABOU O DORITOS DE NOVO.

Respostas curtas

3 de dezembro de 2008   —   20:22:28
Eu juro que tento me conter sobre o assunto, mas meus amigos (e leitores) não devem mais me aguentar falando sobre bicicletas. Mas pedalar, amigos, é um tipo de terapia.

Dia desses, num dos dias de pedalada em grupo, durante uma parada num semáforo, uma colega iniciante perguntou por que eu pedalava tanto. Uma pergunta inocente e que esperava uma resposta curta.

Vi várias coisas passando na minha mente, por dois segundos.


Meses atrás, durante uma viagem para São Paulo, li Cartas a um jovem poeta, livro pequeno de Rainer Maria Rilke, mas grandioso em conteúdo. Há uma citação fabulosa no meio do livro:

“(…) No fundo, e justamente quanto aos assuntos mais profundos e importantes, estamos indizivelmente sozinhos, de modo que muita coisa precisa acontecer para que um de nós seja capaz de aconselhar ou mesmo ajudar o outro, muitos êxitos são necessários, toda uma constelação de acontecimentos têm que se alinhar para que isso dê certo alguma vez.”

A compreensão entre pessoas é algo complicado e, no fim das contas, cada pessoa está só, com sua história, suas motivações, seus dilemas. Podemos sentir compaixão pelo próximo e tentar entendê-lo nos colocando em seu lugar, recomendação típica da prática budista; podemos saber ouvir; mas o real entendimento depende de um longo caminho.


No primeiro episódio da segunda temporada de Lost, Desmond (em uma de suas primeiras aparições na série), encontra Jack num tour de stade (prática que consiste, resumidamente, em correr pelas escadas dum estádio). Jack, médico obstinado em resolver todos os males dos pacientes, se machuca, e Desmond, que tem problemas amorosos, tenta ajudá-lo. Na minha opinião, é um dos melhores diálogos de Lost.

– So what’s your excuse?
– Excuse?
– To run like the devil’s chasing you.
 
Desmond e Jack

Em português, seria algo como:

– Então, qual é sua desculpa?
– Desculpa?
– Pra correr como se o diabo perseguisse você.

A pergunta da minha colega não tinha uma resposta curta. Demorei uns 2 segundos, suspirando, pensando numa resposta. Dei alguma resposta técnica, do tipo “pedalar na frente cansa menos e mantém o ritmo”, e sua dúvida foi satisfeita.

Garota, você nunca entenderia.

Eu não gosto de futebol

24 de outubro de 2008   —   00:42:05
Na verdade, odeio futebol. Não coloquei “odeio” no título pra não soar grosseiro logo de início, ou pra não parecer nome de comunidade do orkut. Inclusive não é de hoje essa minha despredileção pelo esporte favorito das terras canarinhas.

Já tentei gostar de futebol quando era criança, torcia por um time e tal, mas o gosto logo passou quando meu time perdeu o Campeonato Brasileiro. É, pulei fora do barco na primeira derrota do time. Definitivamente, eu não tinha determinação pra coisa.

Na escola, eu não suportava os dias posteriores aos dias de jogos de futebol na TV, quando, nos minutos antes das aulas começarem, enquanto os alunos se acumulavam na sala, algum colega já passava pela porta gritando com outro, porque o time do outro havia perdido. Tudo isso acompanhado de gritos trogloditas e selvagens do tipo “Chuuuuupa, tricolor” ou “Toooooma, vozão”.

E toda a comoção durante campeonatos, os comentários em todos os lugares, toda a pressão por você estar na torcida, estar acompanhando os jogos, a pergunta “por qual time você torce?”, os gritos em restaurantes quando tudo que eu queria era comer sossegado acabaram transformando meu não-gostar de futebol por um tremendo abuso.

Já joguei vôlei em 1992, fiz natação durante uns cinco anos, joguei basquete em 1999 e hoje banco o ciclista, mas se tem algo por que não consigo ter apreço é futebol. Minha única aproximação do futebol foi um campeonato durante a primeira série do primeiro grau (como chamam primeiro grau hoje?) onde o único esporte disponível era futebol, no qual certamente contribuí para a derrota de meu time.

Me perdoem, amigos, mas não gosto de futebol, não gosto de racha e vou recusar o convite pra ver o jogo do Brasil no telão de alguma churrascaria.

Pronto, falei.

New Year’s Day

4 de setembro de 2008   —   21:29:31
All is quiet on New Year’s Day
A world in white gets underway
I want to be with you, be with you night and day.
Nothing changes on New Year’s Day.
On New Year’s Day.

Chovia forte, uma daquelas chuvas que a gente não sabe de onde vêm. Não lembro exatamente que horas eram, mas a maioria das pessoas já tinha ido pra casa. Chovia pra caramba, chovia pesado, chovia muito. Hoje, talvez, pareça ter chovido mais do que realmente choveu, os anos passam e aumentam a intensidade das coisas na memória, acho, mas tenho quase certeza que foi um dilúvio.

I… I will begin again
I… I will begin again.

A gente começou a correr, no meio da chuva, em direção ao carro. Ríamos, ríamos alto, gritávamos e falávamos palavrões, vibrando com aquilo tudo. Completamente encharcados, a água escorrendo dos cabelos vermelhos, as roupas pesadas, e algumas pessoas olhavam pra nós estranhando aquela cena. Talvez tenha sido uma das trocentas vezes, na minha vida, em que as pessoas achavam que eu estava bêbado e eu não estava. A gente não se importava. A gente ria e curtia aquele momento.

Oh, maybe the time is right.
Oh, maybe tonight.
I will be with you again.
I will be with you again.

Tudo tinha uma sensação boa e estranha de recomeço. Entramos no carro, e, ao ligarmos o rádio, tocava New Year’s Day, do U2. E a gente ainda gritava, naquele momento de euforia que eu nunca vou esquecer, como eu sempre vou lembrar daquela noite .

Nothing changes
On New Year’s Day
On New Year’s Day
On New Year’s Day

E eu queria sentir de novo a sensação que senti naquela noite de sábado, provar de novo da leveza e do desprendimento que eu descobri naquele momento, ser de novo quem eu fui naquele dia. Que não tarde, meu Deus, que não tarde.

Teste de atenção

27 de julho de 2008   —   15:33:48
Sensacional. A idéia é contar quantos passes o time de branco faz…

Tradução livre das últimas frases: é fácil não perceber algo por que você não está esperando. Preste atenção nos ciclistas. Merece a divulgação não apenas pela tirada do vídeo que é muito boa, como pelo fato de que há alguns meses venho me aproximando do ciclismo. :)