Divórcio

28 de dezembro de 2009   —   00:56:01
Fui embora sem sentir desgosto pela partida, sem olhar pra trás, sem sentir saudades. Já sabia eu, após alguns meses de nossa relação, que ela não seria pacífica. A paixão durou pouco tempo, acabou assim que vieram as exigências. Eu queria que fosse leve, espontâneo e de coração, mas você queria saber tudo que se passava na minha cabeça, que eu provasse tudo.

Você queria mudar minha personalidade, isso é besteira, esqueça isso, é bom que você comece a gostar disso e daquilo. E lá fui eu, sem coragem para largar aquilo tudo, pensando até quando eu conseguiria aguentar nossa desarmoniosa convivência. Por quantas vezes me escondi de você, de cabeça baixa, pensando até quando, meu Deus, até quando. Adiei meus planos, perdi parte da minha juventude; por vezes olhei pros lados, pensando em outra vida que eu poderia ter longe de você. Mas lá estávamos nós, no dia seguinte, travando nossa batalha. Juntos? Eu diria que um contra o outro.

Mas acabou.

Eu bem aprendi que todo final é feito de um que se alivia e um que sente saudades. E se não sinto saudades, só me resta sentir o alívio e o gosto doce dos novos planos para recuperar nosso tempo perdido. É difícil acreditar nesse sabor de coisa nova que sinto todo dia de manhã, mas eu provarei dele pelo resto da minha vida, enquanto tento esquecer daqueles dias sombrios e retomar a auto-estima que você me tirou.

Só eu e Deus sabemos a medida da dor que me abateu por esses anos, da mesma forma que somente eu e Ele sabemos da felicidade e vontade de viver que se apossam de mim agora. De você, só espero que seja algo melhor de hoje em diante, embora eu prefira não alimentar essa esperança. Me despeço sem saudades.

 

Dedico esse post à minha faculdade, da qual me despeço após anos de calvário, com muita alegria. Por favor, não venham com aquela ladainha de “você vai sentir falta da faculdade”, porque eu não vou!

Em versos

25 de novembro de 2009   —   21:09:05
porto_das_dunas

I don’t wanna be like other people are
Don’t wanna own a key, don’t wanna wash my car
Don’t wanna have to work like other people do
I want it to be free, I want it to be true

 
– New Order, Turn my way

Futuro do pretérito

19 de setembro de 2009   —   17:36:33
Eu estava conversando com um colega do trabalho sobre coisas que eu devia ter feito há anos, mas eu não tinha nem a coragem nem a maturidade de hoje para tanto. E a resposta dele foi “Isso é uma música do Los Hermanos, ‘O velho e o moço’.”, e citou o trecho:

“E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?”

Já ouvi essa música muitas vezes, mas sem nunca dar a devida atenção ao trecho. Diabos. O “e se” é a melhor maneira possível de torturar a própria mente, e não é de hoje que sei que “se” é a palavra mais destruidora da nossa língua.

Olhar pra trás e lamentar minhas escolhas não adianta. Olhar pra frente, além de ser solução, é a única opção viável. É usar os limões que a gente tem hoje pra fazer a limonada, ainda que amargados pelo tempo.

O cunho vernáculo de um vocábulo

16 de abril de 2009   —   23:37:26
Do Moderníssimo Dicionário Esdras Beleza de Noronha:
 

va.ga.bun.do adj Aquele que faz o que você gostaria de estar fazendo agora.

A Vida segundo Lennon

21 de março de 2009   —   14:59:03
Eu estava na casa do amicíssimo Pazzo, em 2007, indo estudar alguma coisa complicada, quando decidi folhear as revistas da sala dele. A sala da casa do Pazzo é tipo consultório de dentista: você acha revistas antigas dos últimos 10 anos e faz uma retrospectiva que vai desde as guerras dos últimos anos, passando pelo fim do governo FHC e pela CPI do Mensalão, até chegar nos casamentos da Adriane Galisteu.

Numa dessas folheadas, vendo aquela seção de citações que tem em toda revista tipo Veja/Época/IstoÉ/CartaCapital, achei a citação foda do John Lennon, na edição de Nº161 da revista Época, datada de 18 de junho de 2001 (e cuja capa era sobre a doação de órgãos de Marcelo Fromer, guitarrista dos Titãs, morto dias antes num acidente com um motoqueiro, lembra?).



Na época eu estava na fase mais workaholic dos últimos anos, estudando muito, trabalhando com dois meses de pagamento atrasado e saindo pouco. Ver a frase do John Lennon – tradução dos versos “Life is just what happens to you/While you’re busy making other plans”, da música Beautiful boy (Darling Boy), escrita para seu filho Sean – naquele dia foi uma porrada. Pedi para ficar com a revista, que achei dia desses, enquanto arrumava meu quarto.

Já fui muito relaxado e já fui maníaco por resultados e cumprir objetivos. Nenhum dos lados vale a pena: em ambos você não vive, vegeta. Num lado você espera as coisas caírem do céu, no outro você acaba cansado demais para alcançar qualquer coisa. Nessa época onde a faculdade quer sugar cada gota de sangue e as ofertas de trabalho andam ótimas, é sempre bom reencontrar a citação do John Lennon, parar um pouco e tentar equilibrar o foco das coisas. E eu tento, todo dia, lembrar das palavras de Buda e Lennon e ter em mente como realmente deve parecer nossas vidas: um caminho equilibrado.