o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
15 de março de 2008

2008

Sim, eu sei que já estamos em março. Mas o ano começa depois do Carnaval, não é? Bem, já estamos quase na Semana Santa e, pouco a pouco, vou tentando traçar planos pra um 2008 leve.

  • Me alimentar melhor. Nos últimos dias venho tentando me educar pra comer salada e evitar refrigerantes. Tenho tido algum sucesso, e uma vez por semana me permito fugir da regra e até almoçar um sanduíche.
  • Fazer atividade física. Sedentarismo não faz bem pra ninguém e pra diabéticos faz menos ainda. Fazer atividade física é uma maneira saudável de produzir endorfina. Estou pensando em pedalar, que é um hobby saudável. Jogar FarCry é um hobby, mas não é saudável.
  • Mais tempo com as pessoas queridas. É o que alivia a barra nos fins de semana e em alguns intervalos de tempo durante a semana. E é uma parte difícil.
  • Tentar levar a faculdade de maneira equilibrada. Preciso me organizar e me deixar abater menos por essa cruz que carrego e que é fonte de 90% das minhas lamentações diárias.
  • Juntar dinheiro. Pra isso vou tentando ser mais econômico. Quero comprar meu notebook entre o fim de 2008 e metade de 2009.
  • Ler mais livros. E quando falo ler livros, são coisas que não estejam relacionadas a trabalho e faculdade.
26 de fevereiro de 2008

1984

Fazia um tempão que eu queria ler 1984, de George Orwell. Há algumas semanas, a Cocota me deu o livro de presente. O veredito: simplesmente sensacional.

1984 Escrito em 1948, o livro trata dum futurista ano de 1984 onde a sociedade foi arrasada por guerras, o mundo foi redividido em três grandes potências e o Estado domina a vida individual de cada habitante. As pessoas são vigiadas dia e noite pelas câmeras do governo, cujo mentor é o Grande Irmão (tadááá! Daí o nome do reality show Big Brother, pra quem ainda não sabia). Até mesmo o passado é alterado pelos órgãos oficiais do governo, e assim a história é modificada.

Orwell era um escritor a frente de seu tempo. Mostrou a todos de sua época uma sociedade onde não havia liberdade de pensamento ou expressão, onde as pessoas seriam vigiadas dia e noite e onde não há opiniões contrárias ao do governo. Melhor que formular toda essa sociedade fictícia, fez disso uma grande história. E não há como negar que alguma coisa dali, de um jeito ou de outro, virou realidade.

1984 vale a leitura, e entrou para a lista de meus livros favoritos.

23 de janeiro de 2008

The Guerilla Art Kit

Aproveitei as férias para retomar um antigo hábito, ou melhor, um gosto: a leitura. Como a faculdade e suas leituras alienantes me deram uma trégua, pude ler novos e antigos livros que aguardavam alguma atenção minha na prateleira. Pois bem.

Em novembro, li o artigo “Guerrilha urbana”, de Denis Russo Burgierman, na revista Vida Simples do mesmo mês. No artigo, Denis falava da retomada da cidade pelos seus moradores, como podemos intervir no cenário urbano com pequenas intervenções artísticas e citava um livro, The Guerilla Art Kit, da canadense Keri Smith, que infelizmente ainda não tem tradução para o português.


The Guerilla Art Kit

Sensacional!

Acabei comprando o livro na Amazon, pelo precinho camarada de pouco mais de 12 dólares (menos que 25 reais) mais frete. Um livro assim no Brasil não sairia por menos de cinquenta reais (colorido, capa dura, espiral coberta pela capa). Como optei pelo frete mais barato, ele levou algumas semanas para chegar.

O livro sugere pequenas e grandes intervenções para tornar sua cidade um lugar mais sociável: pregar cartazes indicando cantos que raramente são notados, “esquecer” livros em locais para que outras pessoas os leiam, decorar objetos como hidrantes e placas.

Minhas sugestões favoritas foram a jardinagem de guerrilha (o livro ensina a fazer “bombas de sementes”: sementes com argila para você abandonar nos cantos e fazer surgir novas plantas), a animação de objetos inanimados (algo como pôr “olhos” de papel em hidrantes e deixá-los com aparência humana) e os ambientes em miniatura (fazer bonequinhos de rolha e decorar calçadas, árvores, jardins…). São muitas, muitas sugestões.

Para ver a proporção que uma brincadeira dessas pode tomar, basta lembrar das intervenções feitas ano passado em bueiros de São Paulo, pelos grafiteiros do Projeto 6 e Meia.
 

Trabalho do Projeto 6 e Meia

Trabalho dos grafiteiros do 6 e Meia em São Paulo


 
Mesmo que você não tenha talento (ou coragem, já que você pode acabar como infrator) pra fazer intervenções desse tipo, o livro dá diversas sugestões amigáveis à lei. Sem dúvida, uma grande leitura.
15 de novembro de 2007

Falsa autoria

“Muitos temores nascem do cansaço e da solidão”
– Legião Urbana, em Há tempos

 

Se você pegar o encarte do disco As Quatro Estações, da Legião Urbana, vai ler na última página:

“O segundo verso de ‘Há tempos’ é de um texto achado numa igreja em 1600 e alguma coisa na Europa e veio por carta (…) Quando minha prima voltou do encontro jovem lá estava a mesma frase, no mesmo texto, dessa vez atribuída a um autor hindu desconhecido, na apostila (…) .”

As Quatro Estações - Legião UrbanaO texto citado no encarte do disco da Legião Urbana nada mais é que Desiderata, um texto que gosto bastante e que faço questão de divulgar através do link que fica no menu ali em cima (e também está disponível na forma de livro). Desiderata significa “aquilo que se deseja”, e foi escrito pelo filósofo Max Ehrmann em 1927. O texto foi distribuído numa igreja fundada em 1692, daí a confusão, e até algum tempo atrás foi divulgado sem indicar seu verdadeiro autor.

Há quatro anos, também pus no blog um texto fabuloso que rodava por aí e diziam que era de autoria do Arnaldo Jabor (e que merece ser comentado novamente por aqui), mas fui atrás de verificar a autoria e era, na verdade, da escritora Mônica Montone.

Mas essa ladainha toda é pra falar dum artigo do blog do Alessandro Martins onde ele divulga o link de outro blog, o Autor Desconhecido, que se dedica apenas a divulgar textos que circulam pela internet. Afinal, não bastasse receber o mesmo texto por e-mail várias vezes (e com dezenas de “>” em cada linha!), ele ainda vem com um autor diferente cada vez - Jabor, Drummond, Veríssimo.

Então, se você for do tipo que recebe um texto bonitinho por e-mail e sai logo divulgando, por favor: seja legal com o autor do texto e verifique a autoria.



9 de outubro de 2007

Best sellers e blockbusters


Bush e seus hábitos peculiares de leitura

Cada um lê como bem entende…
(a bem da verdade, essa imagem é falsa)

 

“Toda generalização é perigosa, inclusive esta”
– Alexandre Dumas, filho

 

Acho que foi semana passada. Eu estava saindo duma sala da faculdade, quando vi a cena: um colega meu de faculdade, segurando algum livro sobre programação de device drivers, apontando pra outra colega, que segurava um exemplar de um dos livros do Harry Potter, dizia algo do tipo “Isso não é livro! Livro é isso aqui!”, apontando para seu livro.

Temos, aí, dois extremos. Vamos acrescentar mais um: o povo que odeia best sellers, sejam quais forem. Elas têm a idéia que, se o livro vende muito, não pode prestar. Uma vez conversei com uma conhecida minha, muito fã dum diretor aí de cinema. Ela se encontrava chateada porque seu diretor favorito estava concorrendo ao Oscar, e dizia que ele era bom demais pra concorrer ao prêmio, no meio daqueles blockbusters todos. Ou seja, os bons diretores de filmes e os bons autores de livros são aqueles que permanecem consumidos apenas por um pequeno grupinho de gente, que se julga uma elite intelectual e que me mata de abuso.

Nos três exemplos que citei, temos três tipos de pessoas:

  • Uma leitora de best sellers;
  • Um cara que só lê os livros sobre Computação - minha faculdade - e coisas afins;
  • Uma pessoa que acha que ser culta é consumir apenas literatura e cinema desconhecidos.

Não vou dizer quem está certo ou errado. O erro, para mim, está em se prender apenas a um tipo de leitura e se fechar a todo o resto. Na faculdade de Computação, assim como em boa parte das Ciências Exatas, é raro encontrar uma pessoa que dê ao prazer duma leitura que não seja os livros relacionados a seu curso, e algumas tiveram como último livro extra-faculdade algum livro do vestibular, ou nem isso.

Portanto, meu sincero conselho: esqueça se o livro está ou não na prateleira dos mais vendidos, se o livro é ou não sucesso de crítica (seja lá qual for sua imagem da crítica), se o livro não é relacionado a sua profissão, se parece livro de auto-ajuda, e, enfim, se dê ao luxo de ler algo que você simplesmente vai gostar.

14 de janeiro de 2004

Eu odeio gente metida a cult.


Desce das suas alturas
Desce da nuvem, meu bem
Por que não deixa de tanta frescura
E vem para a rua também?

Nesse fim de semana, eu estava discutindo com a Alinne e com a Thais sobre um dos abusos que tenho: morro de vontade de fazer uma camisa onde tenha escrito “EU ODEIO GENTE METIDA A CULT”.

É, gente fresca metida a cult. Que se acha muita coisa por assistir aqueles filmes de arte europeus, geralmente com algumas cenas de sacanagem, de ficar degustando vinho, ouvindo Chico Buarque e Radiohead, falando de poesia. Eu até conheço pessoas bacanas que o fazem, mas tem umas que são muito chatas. Aquelas que se você puxar elas pra assistir um filme que não seja o de arte europeu com pornografia subliminar elas começam a se contorcer, e dentro dum cinema podem chegar até a ter uma convulsão.

Claro, cultura nunca matou ninguém, não estou dizendo que depois que lermos meu blog vamos todos desligar o monitor e correr para comprar CD’s do Harmonia do Samba. Mas me dá um abuso aquelas pessoas recatadas com suas taças de vinho a discutir filmes e poesia, e o que existir além disso (ou “abaixo” disso) chamar-se-á tolice. A essas pessoas eu recomendo terapia de choque, elas devem ser amarradas numa cadeira e assistir Um Morto Muito Louco 2, dar gargalhadas altas com os amigos e ir prum rodízio de pizza, que é pra saber que merda é Carpe Diem, essa frase deturpada pelos cults frescos enquanto bebem do seu vinho e assistem seus filminhos para depois reunirem-se com outros cults frescos e debaterem a profunda análise da alma humana.

Que o povo mala metido a cult seja mais anti-poético e se liberte.

Os versos do começo do texto são um trecho de Desce, de Arnaldo Antunes. Será que foi cult o suficiente?

25 de outubro de 2003

“A amizade é indispensável ao homem para o bom funcionamento de sua memória. Lembrar-se do passado, carregá-lo sempre consigo, é talvez a condição necessária para conservar, como se diz, a integridade do seu eu. Para que o eu não se encolha, para que guarde seu volume, é preciso regar as lembranças como flores num vaso e essa rega existe num contato regular com as testemunhas do passado, quer dizer, com os amigos. Eles são nosso espelho, são nossa memória; não exigimos nada deles, a não ser que de vez em quando lustrem esse espelho para que possamos nos olhar nele.”

Esse é um trecho de A Identidade, de Milan Kundera, livro que afanei da prateleira do meu irmão pra ler nas minhas intermináveis viagens de ônibus. Nada mais apropriado para esses dias.


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
:: Perfil no orkut
 
 
 
 
Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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