Escrito em 1948, o livro trata dum futurista ano de 1984 onde a sociedade foi arrasada por guerras, o mundo foi redividido em três grandes potências e o Estado domina a vida individual de cada habitante. As pessoas são vigiadas dia e noite pelas câmeras do governo, cujo mentor é o Grande Irmão (tadááá! Daí o nome do reality show Big Brother, pra quem ainda não sabia). Até mesmo o passado é alterado pelos órgãos oficiais do governo, e assim a história é modificada.
Orwell era um escritor a frente de seu tempo. Mostrou a todos de sua época uma sociedade onde não havia liberdade de pensamento ou expressão, onde as pessoas seriam vigiadas dia e noite e onde não há opiniões contrárias ao do governo. Melhor que formular toda essa sociedade fictícia, fez disso uma grande história. E não há como negar que alguma coisa dali, de um jeito ou de outro, virou realidade.
1984 vale a leitura, e entrou para a lista de meus livros favoritos.
Em novembro, li o artigo “Guerrilha urbana”, de Denis Russo Burgierman, na revista Vida Simples do mesmo mês. No artigo, Denis falava da retomada da cidade pelos seus moradores, como podemos intervir no cenário urbano com pequenas intervenções artísticas e citava um livro, The Guerilla Art Kit, da canadense Keri Smith, que infelizmente ainda não tem tradução para o português.
Acabei comprando o livro na Amazon, pelo precinho camarada de pouco mais de 12 dólares (menos que 25 reais) mais frete. Um livro assim no Brasil não sairia por menos de cinquenta reais (colorido, capa dura, espiral coberta pela capa). Como optei pelo frete mais barato, ele levou algumas semanas para chegar.
O livro sugere pequenas e grandes intervenções para tornar sua cidade um lugar mais sociável: pregar cartazes indicando cantos que raramente são notados, “esquecer” livros em locais para que outras pessoas os leiam, decorar objetos como hidrantes e placas.
Minhas sugestões favoritas foram a jardinagem de guerrilha (o livro ensina a fazer “bombas de sementes”: sementes com argila para você abandonar nos cantos e fazer surgir novas plantas), a animação de objetos inanimados (algo como pôr “olhos” de papel em hidrantes e deixá-los com aparência humana) e os ambientes em miniatura (fazer bonequinhos de rolha e decorar calçadas, árvores, jardins…). São muitas, muitas sugestões.
Para ver a proporção que uma brincadeira dessas pode tomar, basta lembrar das intervenções feitas ano passado em bueiros de São Paulo, pelos grafiteiros do Projeto 6 e Meia.
Se você pegar o encarte do disco As Quatro Estações, da Legião Urbana, vai ler na última página:
O texto citado no encarte do disco da Legião Urbana nada mais é que Desiderata, um texto que gosto bastante e que faço questão de divulgar através do link que fica no menu ali em cima (e também está disponível na forma de livro). Desiderata significa “aquilo que se deseja”, e foi escrito pelo filósofo Max Ehrmann em 1927. O texto foi distribuído numa igreja fundada em 1692, daí a confusão, e até algum tempo atrás foi divulgado sem indicar seu verdadeiro autor.
Há quatro anos, também pus no blog um texto fabuloso que rodava por aí e diziam que era de autoria do Arnaldo Jabor (e que merece ser comentado novamente por aqui), mas fui atrás de verificar a autoria e era, na verdade, da escritora Mônica Montone.
Mas essa ladainha toda é pra falar dum artigo do blog do Alessandro Martins onde ele divulga o link de outro blog, o Autor Desconhecido, que se dedica apenas a divulgar textos que circulam pela internet. Afinal, não bastasse receber o mesmo texto por e-mail várias vezes (e com dezenas de “>” em cada linha!), ele ainda vem com um autor diferente cada vez - Jabor, Drummond, Veríssimo.
Então, se você for do tipo que recebe um texto bonitinho por e-mail e sai logo divulgando, por favor: seja legal com o autor do texto e verifique a autoria.
Temos, aí, dois extremos. Vamos acrescentar mais um: o povo que odeia best sellers, sejam quais forem. Elas têm a idéia que, se o livro vende muito, não pode prestar. Uma vez conversei com uma conhecida minha, muito fã dum diretor aí de cinema. Ela se encontrava chateada porque seu diretor favorito estava concorrendo ao Oscar, e dizia que ele era bom demais pra concorrer ao prêmio, no meio daqueles blockbusters todos. Ou seja, os bons diretores de filmes e os bons autores de livros são aqueles que permanecem consumidos apenas por um pequeno grupinho de gente, que se julga uma elite intelectual e que me mata de abuso.
Nos três exemplos que citei, temos três tipos de pessoas:
Não vou dizer quem está certo ou errado. O erro, para mim, está em se prender apenas a um tipo de leitura e se fechar a todo o resto. Na faculdade de Computação, assim como em boa parte das Ciências Exatas, é raro encontrar uma pessoa que dê ao prazer duma leitura que não seja os livros relacionados a seu curso, e algumas tiveram como último livro extra-faculdade algum livro do vestibular, ou nem isso.
Portanto, meu sincero conselho: esqueça se o livro está ou não na prateleira dos mais vendidos, se o livro é ou não sucesso de crítica (seja lá qual for sua imagem da crítica), se o livro não é relacionado a sua profissão, se parece livro de auto-ajuda, e, enfim, se dê ao luxo de ler algo que você simplesmente vai gostar.
É, gente fresca metida a cult. Que se acha muita coisa por assistir aqueles filmes de arte europeus, geralmente com algumas cenas de sacanagem, de ficar degustando vinho, ouvindo Chico Buarque e Radiohead, falando de poesia. Eu até conheço pessoas bacanas que o fazem, mas tem umas que são muito chatas. Aquelas que se você puxar elas pra assistir um filme que não seja o de arte europeu com pornografia subliminar elas começam a se contorcer, e dentro dum cinema podem chegar até a ter uma convulsão.
Claro, cultura nunca matou ninguém, não estou dizendo que depois que lermos meu blog vamos todos desligar o monitor e correr para comprar CD’s do Harmonia do Samba. Mas me dá um abuso aquelas pessoas recatadas com suas taças de vinho a discutir filmes e poesia, e o que existir além disso (ou “abaixo” disso) chamar-se-á tolice. A essas pessoas eu recomendo terapia de choque, elas devem ser amarradas numa cadeira e assistir Um Morto Muito Louco 2, dar gargalhadas altas com os amigos e ir prum rodízio de pizza, que é pra saber que merda é Carpe Diem, essa frase deturpada pelos cults frescos enquanto bebem do seu vinho e assistem seus filminhos para depois reunirem-se com outros cults frescos e debaterem a profunda análise da alma humana.
Que o povo mala metido a cult seja mais anti-poético e se liberte.
Os versos do começo do texto são um trecho de Desce, de Arnaldo Antunes. Será que foi cult o suficiente?
Esse é um trecho de A Identidade, de Milan Kundera, livro que afanei da prateleira do meu irmão pra ler nas minhas intermináveis viagens de ônibus. Nada mais apropriado para esses dias.
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