Sim, esse título é mentiroso e sensacionalista. A Luana Piovani nunca esteve na minha cama. Nem sequer vi a moça pessoalmente, em algum ponto turístico ou aeroporto. Então, como eu inventei esse título? Acredite, eu também gostaria de saber de onde tiraram esse título.

Essa é a Luana Piovani. E essa não é a minha cama.
Quando eu tinha 13 ou 14 anos, em 1999, eu fazia a oitava série. A atuação dos hormônios gerava certos tipos de conversas e debates entre meus colegas do sexo masculino nos corredores do colégio, na hora do recreio. Eles precisavam falar das mulheres que achavam gostosas e que gostariam de pegar, de alguma atriz gostosa, qualquer coisa que envolvesse o objeto mulher, e de coisas impublicáveis aqui.
Sabe mulher, aquela fabulosa coisa estranha que parecia ter uma vagina (chamar dessa maneira sempre me dá a impressão de que tô escrevendo um livro de Ciências), bunda, dois peitos e nenhum sentimento ou pensamento? Cuja razão de existir é propiciar prazer aos homens? Falava-se dela todo dia.
Se a atriz dum filme ou uma colega de turma eram gostosas, eu preferia guardar minha opinião pra mim. Nunca vi motivo pra dividir esse tipo de pensamento. Mas um dia meu silêncio foi percebido, eu nunca falava nada e isso se tornou suspeito. E começaram a fazer uma série de perguntas, a fim de atestar minha masculinidade. E veio a pérola que jamais esqueci:
— E o que você faria se chegasse no quarto e visse a Luana Piovani pelada na sua cama?
Não lembro que resposta dei, acho que falei alguma coisa óbvia pra voltar à minha zona de conforto, enquanto meus colegas discutiam se eu era gay.
Já faz mais de dez anos desde a minha oitava série, nem sei onde alguns dos meus antigos colegas de colégio andam, mas volta e meia eu escuto os mesmos sermões repetidos à exaustão. Os adoradores da Luana Piovani ainda esperam ansiosos pela sua vinda como um religioso espera seu messias. São rituais sagrados de auto-afirmação que acontecem sempre, em reuniões sem hora pra começar ou acabar, e onde mulher não entra. Ah, em algumas vertentes dessa religião fidelidade e monogamia são pecado.
Um antigo texto que rodava por aí via e-mail dizia que 10% da graça de transar com a Sharon Stone (mal se fala na Sharon Stone hoje) estaria no ato em si, os outros 90% estariam em contar pros amigos. Tem quem pense que libido é como fofoca, se alimenta de divulgação: se você não falar da sua vida sexual pra outros homens você pode acabar broxa. E alguns homens vão pensar que você é gay.
Ainda bem que as mulheres não.
Já ouvi essa música muitas vezes, mas sem nunca dar a devida atenção ao trecho. Diabos. O “e se” é a melhor maneira possível de torturar a própria mente, e não é de hoje que sei que “se” é a palavra mais destruidora da nossa língua.
Olhar pra trás e lamentar minhas escolhas não adianta. Olhar pra frente, além de ser solução, é a única opção viável. É usar os limões que a gente tem hoje pra fazer a limonada, ainda que amargados pelo tempo.
Você pode ter sido o dia mais produtivo no mundo no trabalho,
pode ter tirado uma nota enorme naquela prova foda da faculdade,
pode ter visto aqueles seus amigos que não via faz tempo,
pode ter arrumado aquele trabalho legal,
pode ter ouvido a música certa na hora certa no rádio,
pode ter visto seu filme favorito começando na tevê,
pode ter comprado aquela roupa que você paquerava há tempo na vitrine,
mas não adianta.
O fim do dia sempre vai trazer aquele vazio arrebatador,
aquela sensação de um must have que está ausente,
aquele sentimento de quem está saindo de casa esquecendo algo.
PUTA MERDA.
ACABOU O DORITOS DE NOVO.
Já tentei gostar de futebol quando era criança, torcia por um time e tal, mas o gosto logo passou quando meu time perdeu o Campeonato Brasileiro. É, pulei fora do barco na primeira derrota do time. Definitivamente, eu não tinha determinação pra coisa.
Na escola, eu não suportava os dias posteriores aos dias de jogos de futebol na TV, quando, nos minutos antes das aulas começarem, enquanto os alunos se acumulavam na sala, algum colega já passava pela porta gritando com outro, porque o time do outro havia perdido. Tudo isso acompanhado de gritos trogloditas e selvagens do tipo “Chuuuuupa, tricolor” ou “Toooooma, vozão”.
E toda a comoção durante campeonatos, os comentários em todos os lugares, toda a pressão por você estar na torcida, estar acompanhando os jogos, a pergunta “por qual time você torce?”, os gritos em restaurantes quando tudo que eu queria era comer sossegado acabaram transformando meu não-gostar de futebol por um tremendo abuso.
Já joguei vôlei em 1992, fiz natação durante uns cinco anos, joguei basquete em 1999 e hoje banco o ciclista, mas se tem algo por que não consigo ter apreço é futebol. Minha única aproximação do futebol foi um campeonato durante a primeira série do primeiro grau (como chamam primeiro grau hoje?) onde o único esporte disponível era futebol, no qual certamente contribuí para a derrota de meu time.
Me perdoem, amigos, mas não gosto de futebol, não gosto de racha e vou recusar o convite pra ver o jogo do Brasil no telão de alguma churrascaria.
Pronto, falei.
Numa dessas noites, antes de dormir, comecei a elaborar a lista mental de chatices de fim de ano:
E se você não pode vencer o inimigo, junte-se a eles: de olho nesse mercado, decidi colocar algumas imagens para você avacalhar o orkut alheio. De brinde, ainda vou atrair centenas de pessoas que vão procurar no Google "imagens pro orkut", ganhar acessos e comentários e virar um blog de sucesso.
Para mandar uma das imagens, é fácil: basta copiar o texto que está abaixo de cada figura e colar no scrapbook do amigo que vai te achar um mala.


Minhas únicas férias foram uma semana entre uma prova e o resultado dela, quando um professor resolveu marcar mais uma prova pra dar mais uma chance – chance essa que eu precisei.
E tudo que sinto agora é um desejo enorme de vagabundar, de fazer nada sério e esquecer os problemas e obrigações. Mas o segundo semestre letivo já começou, então vou ter que esperar até dezembro pra respirar.
"Esdras Beleza de Noronha muere el 11 / 05 / 2059 a la edad de 73 años."
Acho que não dá tempo de virar um velho gagá.
Dia desses tava no telefone acertando umas coisas via telemarketing com uma empresa de São Paulo e atendente me perguntou se aqui tava fazendo sol, porque lá tava frio e ela vinha pra cá. Deus, tem gente que não sabe o que é bom.
Pra piorar, hoje recebi certas notícias que eu preferia nunca ficar sabendo. Uma imagem vale mais que mil palavras:
(Nesse exato momento, Tony Martelo e Joe Faca Fina estão preparando o sapatinho de cimento pra Samantha, que me passou essa notícia e vai praticar mergulho de cima da ponte Hercílio Luz, em Floripa.)
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