É hoje o dia

11 de outubro de 2017   —   07:31:01

Era o fim de agosto de 2008. Eu estava caminhando em direção ao meu carro após um encontro amargo, mas necessário. Estava meio perdido, mas ao mesmo tempo com uma sensação de fechamento. Um estabelecimento no caminho sediava o ensaio de uma escola de samba local.

Eu tinha acabado de sair de uma daquelas conversas em que depois só há uma direção a ser tomada, que convencionamos chamar de seguir em frente para que tenhamos algum conforto psicológico. A falta de escolha às vezes pode ser uma bênção e, uma vez azedamente laureado por ela, eu sabia que a partir dali não haveria mais retorno para o que existia antes. O que estava morto continuaria morto, mas o corpo do que um dia tivemos havia sido exumado e a causa mortis finalmente exposta. Talvez estivéssemos tentando um enterro digno ali, mas não, não funcionou muito bem. Pelo menos pra mim.

A conversa havia terminado, eu precisava sair dali e, enquanto eu seguia pro carro, ouvi um samba tocando alto e alegre:

“É hoje o dia da alegria
E a tristeza nem pode pensar em chegar”

Três meses antes eu teria apressado o passo pra sair de perto, mas tudo estava mudando. Um amigo havia me hospedado em sua casa enquanto eu tentava voltar pros trilhos, me apresentou a uns sambas e me curou do preconceito com o gênero.

“É hoje o dia da alegria
E a tristeza nem pode pensar em chegar”,

o refrão do samba-enredo de 1982 da União da Ilha do Governador insistia.

Eu estava ferido e cansado com as informações que havia recebido minutos antes. Por um momento degustei a ironia daquela música tocando justo naquele instante, pensei como o destino às vezes me sacaneia na trilha sonora, mas abracei o momento: talvez não houvesse sacanagem nenhuma, talvez ali fosse realmente o dia da alegria e a tristeza já havia tido sua cota.

Toda vez que tropeço nessa canção eu lembro daquele momento com um sorriso: ela se tornou um lugar seguro no meio dum sábado ruim, uma voz que dizia que as coisas ficariam bem de novo de algum jeito, um dia por vez. E talvez eu a escute hoje buscando sentir de novo o otimismo que senti naquele dia.

A Mudança

2 de janeiro de 2017   —   20:53:44

Há alguns dias saiu o resultado da aplicação para meu visto na Inglaterra e, nesse momento, estou a menos de uma semana do meu embarque. Estou com o corpo cansado, a cabeça perdida e o coração moído, mas feliz por estar realizando um sonho.

Eu tento entender o tempo inteiro o que está me trouxe a esse estado: consegui um bom trabalho e estou realizando um sonho que tenho há mais de dez anos. A verdade é que nada é 100% bom ou 100% ruim, certo? E esse processo de transição dum país para o outro pode ser absurdamente estressante.

Tem muita coisa que eu queria poder voltar um ano na vida e dizer pra mim mesmo. Esse texto é o resultado de pequenos intervalos de escrita que ocorreram ao longo dos últimos dias, porque tempo é tudo que eu não tenho. Às vezes eu parava meia hora e começava a escrever isso aqui pra eu mesmo entender o que estava pensando e sentindo.

Um pouco de história: 2003 a 2016

Ir pra Londres é uma vontade antiga, do tempo que eu fazia curso de inglês e ouvia a professora falar de lá. Era difícil pra mim levar o sonho a sério: era estudante e a cotação real-libra nunca foi amigável pra nós. Era algo que eu tinha vontade, mas achava difícil, beirando o impossível.

Fiz uma comunidade no orkut há dez anos que deveria ser pra levar o tema na piada, mas acabou juntando pessoas que estavam indo de verdade. Só em 2013 consegui viajar pra lá a turismo. Saí de lá com vontade de voltar permanentemente.

Foto minha de 2013. Eu a chamo de "três clichês numa foto só"

Foto minha de 2013. Eu a chamo de “três clichês numa foto só”

Minha namorada se mudou para os EUA e, enquanto ela se preparava, eu tentei aplicar para empregos por lá ou pelo Canadá para ficar mais próximo dela. O processo de visto dos EUA é estúpido e quase ninguém contrata gente de fora; também não consegui nada no Canadá, apesar de todo o hype sensacionalista em cima do Canadá precisar de mão-de-obra estrangeira. Ironicamente, no meio da minha busca consegui um trabalho remoto para uma empresa em Londres.

(esse é o resumo do resumo. A história toda inclui entrevistas, estudos, terceiro turno, fins de semana, testes de programação, certificações de idioma, e-mails de recusa, gente ajudando, gente atrapalhando e MUITAS noites mal dormidas)

Um ano e meio trabalhando de casa e, no fim do sombrio 2016, após alguns meses de processo, finalmente consegui com o pessoal da empresa um visto de trabalho.

A relação com as coisas

A primeira mudança foi minha relação com as coisas que possuo. Sempre fui um acumulador. Guardo coisas desde minha infância. Revistas em quadrinhos, livros, brinquedos, muita tralha. Nos últimos anos venho tentando trabalhar isso e me desapegando aos poucos, vendendo e doando objetos, infelizmente em velocidade insuficiente para estar confortável para a mudança que se aproxima.

Pretendo levar apenas duas malas e uma mochila, deixando o mínimo psicologicamente e fisicamente possível na casa da minha mãe, onde ainda moro. Apesar de existir espaço aqui, não quero dar trabalho para as próximas mudanças da minha mãe ou ficar pensando se tudo meu está inteiro e no lugar. Os objetos não ocupam só espaço físico, eles ocupam também uma lacuna na cabeça da gente.

Isso tem me dado um trabalho chatíssimo de muitas horas por dias. Para vender minhas revistas em quadrinhos, por exemplo, preciso organizá-las e catalogá-las. O plano de sair do país é antigo e comecei a organizar minhas revistas para vendê-las faz tempo, mas o fiz tão lentamente que o arquivo em que estava catalogando não era atualizado desde 2014!

Eu queria estar com pessoas, mas estou ocupado vendendo, doando e guardando objetos. Enquanto arrumo minhas coisas, o celular toca e os amigos me chamam pra sair. Atendo os chamados e depois vou dormir pensando nas coisas pendentes para arrumar, ou recuso chamados porque tenho que arrumar coisas. Já quase cochilei no cinema e às vezes saio e não aproveito tanto porque estou pensando na pilha de coisas esperando arrumação. Meu aprendizado mais sagrado merece um parágrafo isolado:

As coisas que você possui um dia se voltarão contra você. 

Você vai se mudar e vai perder um pequeno item de muito valor sentimental porque vai perder tempo e atenção com alguma tranqueira gigante. Você vai querer passar seu tempo com as pessoas que você gosta, mas estará ocupado arrumando coisas. Nesse cenário, você vai começar a odiar coisas que achava que não conseguiria se desprender, porque o papel delas, em vez de te dar boas lembranças, é privar você de viver o presente e o futuro.

Livre-se das suas coisas inúteis enquanto pode. Pense bem antes de fazer compras, durma pensando se o que você vai adquirir é realmente necessário. Seus objetos pessoais podem se tornar uma âncora física e mental, eles estão só esperando a hora pra dar o bote.

Compre uma máquina de picotar papel. É como um video game, só que não precisa ligar na TV.

Venda suas coisas. Doe o que puder. Dê suas coisas pros seus amigos, elas poderão ganhar novos significados na prateleira deles e se tornar boas lembranças. Pessoas necessitadas ou instituições que cuidam delas farão bom uso de livros, roupas e instrumentos musicais. Liberte-se das tralhas enquanto é opção e não necessidade.

A relação com as pessoas

Eu tenho amigos que passo meses ou anos sem ver, pois eu sei que eles estão aqui a alguns quilômetros de distância. Quando uma mudança para outro lado do oceano tornou-se iminente, bateu uma vontade de ver todo mundo, sair pegando o telefone e mandando mensagem pra uma lista enorme de gente marcando cafés suficientes para deixar uma pequena cidade de meio milhão de habitantes sem dormir, ou cervejas suficientes para fazer a mesma cidade dormir por horas.

No sentido oposto, aqueles amigos que nunca marcam nada e/ou que deixaram de sair de casa após os trinta anos começam a aceitar seus convites e propor outros, porque você também será dificilmente visto daqui a uns meses.

Em qualquer relação, o conforto (saber que estamos próximos) leva à preguiça (“vamos marcar alguma coisa algum dia!” e nunca acontece). Isso mudou imediatamente com a proximidade da data de ir embora. Passei a ir pra bares e festas de que não gostava só pra não perder a chance de ver algumas pessoas. Fiquei estranhamente sentimental e em algumas horas virei aquele bêbado chato que abraça todo mundo. Mesmo não gostando muito de aparecer em fotos, bateu a vontade de fazer foto de todo mundo e com todo mundo.

Essa mudança grande e próxima me fez botar uma pedra em cima do botão do carpe diem. Gostaria de ter vivido dessa forma por alguns anos, mas faltava algo pra impulsionar, em mim e nos outros, essa motivação e essa adrenalina.

Pela primeira vez, pedi pra fazer uma foto com minha psicóloga que me acompanhava há 11 anos. Pedi pra fazer uma foto com minha médica que me acompanhava há 19 anos. Pessoas com quem minha relação teoricamente era de cuidador-paciente, mas que a proximidade de sair daqui me fez perceber a importância que tiveram e que eu gostaria de ter uma lembrança delas. Por que eu nunca quebrei o protocolo e mantive formalidade besta com pessoas que cuidaram de mim por anos?

E, olha, cada abraço acompanhado de “não sei quando te vejo de novo, mas boa sorte” é muito, muito difícil.

O medo

Não sou apegado à minha cidade e por motivos diversos não me sinto como se pertencesse a ela. É bem pessoal, sempre tem quem tente me mostrar um motivo pra gostar daqui, mas não cola. Quase sempre que viajo, volto reclamando. Sair do país é algo também que quero há anos, por motivos pessoais, profissionais, sociais e políticos que não são o foco desse texto.

Mesmo assim, depois de uma boa saída com os amigos que me restaram aqui — muitos já foram embora —, volto pra casa assustado com a mudança que vem por aí. Já me peguei pensando várias vezes nos últimos dias “que porra eu tô fazendo com minha vida?!”: mesmo não gostando da cidade em que moro, eu nasci e cresci aqui, é minha referência geográfica e cultural. É difícil admitir, mas é minha zona de conforto. Conforto não quer dizer que é algo bom, mas que é algo a que você é acostumado. É como aquela pessoa que não se divorcia porque, mesmo tendo um casamento ruim, já está habituada aos problemas. Já sei as qualidades e defeitos daqui e, como todo ser humano, tenho medo de mudança.

Alguns amigos tiveram a sorte de viver em outros países na infância. Isso me dá a impressão de que são pessoas muito mais desprendidas, isentas de raízes. Talvez elas realmente sejam, talvez seja só o hábito de achar que os outros são mais corajosos que a gente. Essa será minha primeira experiência fora da cidade em 31 anos de vida e, puta merda, em alguns dias (e especialmente noites), isso assusta pra cacete.

Tento pensar, como falei lá em cima, que o conforto leva à preguiça e que o melhor a fazer é correr em direção a isso que me assusta agora. O que será das nossas histórias se a gente não fizer algo grande que nos assusta uma vez na vida?

O último filme que assisti em 2013 foi A Vida Secreta de Walter Mitty. Pra quem gosta de viagens, fotografia e boa música, é um ótimo filme. Minha opinião, claro.

Walter Mitty é um cara que quer impressionar uma garota, mas tem um conflito: ele não tem nada interessante pra contar. Ele trabalha numa sala escondida da redação da revista Life, coleciona coisas que queria fazer, mas não fez, como muitos de nós, e sonha acordado com realidades mais interessantes. E o resto da história, bem, é o filme.

Um dia fui surpreendido por um tio meu com histórias de quando ele era mais novo e passou anos conhecendo vários países. Eu teria que correr muito pra me aproximar das histórias que ele me contou, mas quando o meu quarto, minha cama, meu sofá e minha cidade parecem tentadores, lembro da minha reação ouvindo as histórias e como eu precisava levantar âncora e partir.

Junto todas essas histórias e penso que esse é o espírito: a zona de conforto é quentinha e sair dela é assustador, mas ficar nela jamais renderá boas histórias para sobrinhos, netos ou nosso eu do futuro.

Quando um amigo meu foi embora pra Califórnia há uns dois anos com sua esposa, ela sabia dos meus planos similares e perguntou se, quando chegasse meu dia, se eu “ficaria com medo de sair de perto da mamãe”. Falei, seguro, que não ficaria. Como diria o finado George Michael, tudo que temos que fazer agora é pegar essas mentiras e transformá-las em verdade de algum jeito.

A realização (e os agradecimentos)

Aos 29 anos e 11 meses, eu estava numa crise dos 30 absurda. Eu sentia que meu estilo de vida não era o que eu queria: muito trabalho, muito tempo no trânsito, muito stress, pouca diversão. Eu enviava currículos pro exterior e nada acontecia. Minha namorada, médica, estaria indo embora em alguns meses pra residência dela no exterior. Eu sentia que chegava aos 30 anos, levava uma rotina que me matava e que não era nada do que eu havia pensado pra mim aos 18.

Arrumei o trabalho remoto pra empresa onde estou atualmente, passei a trabalhar de casa e viajar mais, afinal eu podia trabalhar de qualquer canto. Passei uma temporada na casa do meu irmão e minha cunhada, que moram em Portugal. Passei uma temporada na casa da minha namorada quando ela se mudou. Essa fase entre o meio 2015 e o fim de 2016 foi a primeira vez que bateu aquela realização profissional de estar colhendo o fruto de tanto esforço.

Agora eu estou indo morar onde eu sonhei por anos. Se vai ser bom como no sonho, eu ainda vou descobrir. Mas é absurdamente feliz realizar algo desse porte, saber que algo tão antigo está se tornando real.

Trabalhei muito pra isso, mas eu mentiria se dissesse que o mérito é só meu. Agradeço aos meus pais, tios e avós pelo luxo de ter tido educação e saúde no Brasil. A Carol, minha namorada, me apoiou muito quando eu estava triste e cansado da busca, e dizia “tenta de novo, o ‘não’ você já tem”. Muitos amigos me ajudaram na vida profissional que me trouxe até aqui, e um amigo me indicou pra empresa. Minha psicóloga me aguentou e aconselhou por onze anos. Tudo isso é que me deu uma base pra realizar esse próximo passo.

E agora?

Resposta curta: não sei!

Hoje é segunda e vou embora na próxima madrugada de sábado pra domingo. Estou ainda tentando vender coisas. Espero vender meu carro amanhã. Quero encontrar e abraçar amigos e familiares e minha agenda está cheia. Vai ter gente que não vai dar tempo de ver e ainda tem um monte de coisa entulhando aqui. É desesperador, repito.

Não tenho medo do que me espera lá. Imagino que vá ser incrível desbravar uma cidade nova, viver em outro clima (apesar de saber que o frio às vezes pode ser chato também), fazer novos amigos. Sei que procurar apartamento vai dar trabalho. Apesar de alguns pesares (porque nem tudo é 100% bom!), estou indo pra uma cidade incrível que visitei duas vezes e que me encantou. Me sinto otimista e acho que valerá a pena, mas esse estresse da última semana, até pisar no avião e pensar “está feito”, porra, é complicado.

Às vezes eu lembro do Superman, ainda bebê, saindo de Krypton num foguete enquanto seu planeta explodia, porque às vezes eu ajo como se tudo aqui fosse desaparecer quando eu saísse. Eu converso com os amigos que já saíram daqui e tento me convencer, calma e racionalmente, que Krypton não vai explodir dessa vez, que teremos a tecnologia para diminuir a distância e aviões pra resolvê-la temporariamente.

Krypton

Krypton explodindo, por John Byrne

Muita coisa ainda virá nessa semana. Meu quarto ainda está cheio de tralhas, alguns anúncios meus esperam respostas, tenho abraços pra distribuir e pouquíssimo tempo. Em alguns dias eu vou entrar num avião, realizar um sonho antigo, descobrir um país novo, um povo novo, um clima novo, levar uma vida com novos prazeres e — é sempre bom gerenciar a expectativa — novos problemas.

Eu vou revisitar esse texto muitas vezes, eu sei. Fico pensando se eu vou rir de como estava desesperado, se eu vou chorar de saudades dessa época. Só o tempo vai me dizer. Esse é um texto que acaba, mas não acaba.

Memória afetiva, condicionamento e a saudade de ficar puto

6 de novembro de 2016   —   14:51:43

Numa manhã entre o fim de 1998 e o começo de 1999, nas minhas férias entre a sétima e a oitava série, fui arrastado para a praia por minha família. Para tornar aquela ida menos dolorosa — meu bronzeado inexistente e a cartela de vitamina D na minha mesa denunciam o tamanho do meu apreço por mar, areia e sol —, minha família passou numa banca de revistas. Durante muitos anos, idas patrocinadas a bancas de revistas compravam o silenciamento da minha participação em eventos que não pareciam nada comigo.

Naquele dia comprei uma revista Showbizz sobre a volta do rock brasileiro dos anos 80. Repare que estamos falando de 1998, os anos 80 estavam mais próximos daquele dia do que estamos de 1998 agora. Hoje as pessoas de 1998 já podem dirigir, beber (espero que não ao mesmo tempo) e ir para festas ouvir bandas dos anos 90 onde vão se perguntar “que banda é essa?!” para coisas que ouvimos serem lançadas no rádio.

Capa da revista Showbizz - De volta aos anos 80

Na reportagem de capa da revista tinha um trecho em que Bruno Gouveia, vocalista do Biquíni Cavadão, falou: “Hoje você ouve músicas que odiava na época e lembra com saudade de quanto ficava puto com elas”. Na época em que o Bruno disse isso, ele tinha minha idade de hoje, 31 anos, e eu tinha 13. A afirmação ficou na minha cabeça e sempre a releio quando tropeço na revista em arrumações domésticas.

Outra coisa também marcou aquela época entre 1997 e 1999: eu jogava bastante Super Mario Kart no Super Nintendo com meu irmão Alvaro; enquanto isso, um vizinho que morava na frente do prédio em que morávamos ouvia bandas de forró o dia inteiro nos fins de semana. Éramos obrigados pelo vizinho — que se recusava a usar fones — a ouvir Brucelose, Magníficos e Limão com Mel repetidamente durante nossas partidas. Puta merda, eu detestava aquelas músicas.

Caixa do Super Mario Kart

Corta pra 2016.

Às vezes estou em algum canto e começa a tocar alguma música dessas bandas de forró. Sinto uma pontada de abuso, como eu sentia em 1998, mas imediatamente o condicionamento humano entra em ação, ativa a memória afetiva e bate saudade daquela época. Sou tomado por uma vontade grande de jogar Mario Kart com meu irmão e lembro de um bocado de coisas daquelas férias: outros jogos, meu primeiro aparelho de barbear (de quando eu tinha apenas um bigodinho indecente) e por aí vai.

Um dia tropecei numa playlist de forró no Spotify feita pela Camila e até escutei algumas daquelas músicas rindo um pouco, enquanto elas reativavam partes adormecidas do cérebro. Eu não gostaria de voltar no tempo, sempre prefiro o hoje ao passado, mas algumas lembranças são sempre boas.

Aos 13 anos, achei estranha a frase do Bruno Gouveia. Hoje eu gostaria de dar um tapinha nas costas dele e falar sobre como precisamos de uns anos pra entender algumas coisas. Que sentimento difícil e curioso de entender e definir essa “saudade de ficar puto com algumas coisas”.

Adivinha quem está chegando?

4 de novembro de 2016   —   11:07:45

Um cara decidiu postar no twitter um gráfico sobre a busca por uma canção natalina de Mariah Carey:

Alguém compartilhou no chat do trabalho e pensei como seria para algumas canções natalinas brasileiras. Lembrei da cansadíssima canção de Simone, Então é Natal, e fiz uma busca no Google Trends:

Então é Natal

Acima temos a projeção de buscas por “Simone então é natal” no Google desde 2004.Os picos do gráfico, obviamente, são os meses de fim de ano. O gráfico é relativo: 100% é o ano de 2013, quando as buscas tiveram o seu máximo. Felizmente, nos últimos dois anos, a busca pela música da Simone caiu pra 75% do que era em 2013.

Depois lembrei da música Um Feliz Natal, de Ivan Lins, e a acrescentei:

Agora o Ivan Lins

Nos últimos dois natais, a busca pela canção de Simone foi cerca de 10 vezes maior que a busca por Ivan Lins. Não sei como, pra mim eles sempre aparecem na mesma playlist nos cantos.

Lembrei, depois, da canção Papai Noel filho da puta, dos Garotos Podres, música conhecida por quem não aguenta as outras canções da época. Por ser um título único, acrescentei sem o nome da banda, o que talvez seja um pouco tendencioso em nossa pesquisa.

Pra minha surpresa, eles parecem competir bem com a busca pelo Ivan Lins:

Garotos Podres

O importante é: se precisar resolver algo em lojas de departamento, vá agora. A chance de ouvir Simone e Ivan Lins ainda é relativa baixa no começo de novembro. Corra.

Um muro de Berlim dentro de mim (epa)

11 de abril de 2016   —   19:52:46

Fui ler uma das 472 notícias do dia e, enquanto lia, percebi minha cabeça distante. Imerso em questões pessoais, não consigo resolver nem minhas crises interiores; como me importar nesse momento com crise política?

Num processo de auto-análise que durou alguns segundos, percebi que minha vida, esse duelo profundo e complexo de conflito interno versus conflito político externo, podia muito bem ser alguma letra antiga dos Engenheiros do Hawaii.