o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
16 de julho de 2009

Altos feitiços e muita azaração

harrypotter

O que você acha que eles estão dizendo?
Ponha nos comentários…

 

“Alem dos perigos que rondam a escola, os adolescentes estao com os hormonios a flor da pele, o que promete muito romance no ar.”

 

Malhação? Não, é um trecho da sinopse de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, direto do site do UCI.

30 de abril de 2006

No alarms and no surprises

Trilha sonora recomendada:
Radiohead – No surprises
Muse – Hysteria
Chico Buarque – O que será
Eu prefiro chuva ao sol, sabe? na verdade, não precisa nem da chuva, o que não aguento é o calor. Dia bom pra estar numa praia mais vazia, sentado na areia. ainda que com a chuva. Mas isso que tenho talvez seja porque tempo frio e praia lembre de quando tive em Florianópolis, não apenas pelo fato de eu realmente gostar. Passei um tempo sentado numa duna lá, sozinho, pensando como eu estava bem, e estava “limpo”, porque tinha tirado da cabeça um monte de problemas e tava meio que recomeçando do zero comigo mesmo. Ali, nada importava, mas eu sentia algo que deve ser o que chamam por aí de paz de espírito.

Meses atrás, num desses dias chatos em que a vida não parece tomar rumo nenhum, um amigo meu – Alex, cadê você? – disse que eu precisava ver um pôr-do-sol. E lá fora tá caindo uma chuva grossa daquelas, não dá pra ver direito os prédios a dois quarteirões daqui, e algo me faz falta e eu não sei o que é, sei que está numa duna distante duma praia do sul e eu queria agora. Mas como disse a Joana agora há pouco, momentos como esses parecem valer pra vida toda; a gente sente falta deles, mas eles vêm sozinhos, na hora certa… sabem o caminho.

E você quer ler um livro, quer ver os amigos, ou simplesmente ficar na sua sem pensar em nada, mas tem 472 milhões de coisas na sua cabeça te consumindo e você não sabe o que fazer com elas. A chuva tá caindo mais grossa ainda lá fora, você – eu – solta uma risadinha forçada pensando quando vai cair a primeira pedra de granizo na sua janela… mas você tá suando dentro do quarto, dá pra sentir o coração batendo pesado e o peito oscilando, tá passando alguma coisa sem graça na TV, você quer sair dali mas não sabe pra onde nem como, tem outras coisas pra fazer e não há um pingo de disposição batendo no vidro.

No meu minúsculo tempo livre, tô tentando ler os livros que estão pela metade. Uns eu nem sei por que parei de ler, outros me lembram alguma época chata por que passei quando estava lendo e me causam alguma repugnância. Livros pela metade numa prateleira são pendências e pendências – livros abertos esperando duma conclusão – não me fazem bem.

Ê domingo chato.

26 de abril de 2006

Yes stress
É mais fácil achar um político honesto em Brasília que tempo livre na minha agenda. Tem sido assim nos últimos meses, e o amigo leitor já deve ter percebido. Meus amigos perceberam e constantemente escuto pessoas dizendo que estou sumido.

Não é por menos, vejam só que maravilha meu cotidiano: da casa pra faculdade, da faculdade pro inglês, aí engulo alguma coisa que deveria se chamar almoço, corro pro estágio e, umas sete da noite, volto pra casa devidamente moído. Aí não aguento mais olhar pra computadores, quero comer, deitar, tomar um banho… aí tenho que estudar também, e resolver alguma coisa que tenha ficado pendente durante o dia.

Aí chegam os fins de semana, certo? Errado. Alguns sábados de manhã acabam indo parar em horas extras do estágio pra faturar algum dinheiro extra. Aliás, dinheiro é um treco que vicia. Quanto mais você ganha, mais você quer ganhar. Quando você percebe, está engrossando as fileiras das pessoas que estão perdendo saúde pra ganhar dinheiro, e que daqui a uns anos estarão perdendo dinheiro pra ganhar saúde.

No sábado à tarde, até meados de julho ou agosto, estarei ocupado com um curso. Sim, curso sábado à tarde, pra ter um item a mais no currículo e um emprego melhor daqui a um tempo. Sacrifício, investimento, loucura, tem vários nomes. Quando penso no horário e no cansaço, é sacrifício. Quando penso no emprego que posso ter daqui a um tempo, é investimento. Quando lembro que tenho hobbies, amigos e sono, eu chamo de loucura.

Como se não bastasse, parece que mexer mais com computadores acaba diminuindo a inspiração da gente. Deve ser por isso que a maioria da turma da faculdade não escreve bem e assassina a língua-mãe, mas faz conta que é uma beleza.

E assim, pouco a pouco, a gente vai pirando. Mas qualquer dia escrevo mais alguma coisa aqui.

30 de março de 2006

Atenção, cocotas!


Esse é o tipo de homem delicado que
minhas amigas andam namorando

É um hábito meu há anos servir de conselheiro amoroso para várias amigas minhas. Algumas chegam pra mim com as queixas mais absurdas possíveis. Tem namorado que não liga todo dia, que prefere sair com os amigos na maioria das vezes, que não dá notícia nem quer notícia, que não lembra que tem namorada e continua atrás de mulheres, mas que se a mulher der um telefonema prum amigo o cara se morde todo. Outros até se esforçam, mas o cérebro masculino às vezes tem seu intelecto limitado. O que fazer?

Pensando na minha experiência de ouvinte, em algumas habilidades pessoais e em ganhar uma grana extra, decidi salvar minhas amigas através do fabuloso

Workshop de Capacitação de Namorados:
otimizando o cromossomo Y

Aula 1: Lugar de cachorro é na carrocinha
Essa aula ensina princípios de como tornar-se um homem de boa conduta moral, deixando de ser galinha. Aplica-se a homens solteiros ou não e é praticamente um pré-requisito para todas as outras aulas. Aqui aprende-se a parar de mentir pra cocota e de tratar seres humanos como objetos. Quem não gostar dessa aula, desista das outras.

Aula 2: Aprendendo a ter coragem
Coragem não se resume a não ter medo de barata, o homem frouxo é a versão masculina da mulher cu doce e é uma tragédia (você não imagina o que já tive de ouvir por causa deles). O homem deve saber o que quer e ser decidido, ou então ficar em casa brincando de Comandos em Ação.

Aula 3: Quem não dá assistência abre concorrência
Alguns amigos meus preferem deixar a namorada em casa e ir sair com os amigos. Nada contra sair com os amigos, mas a partir do momento que isso se torna constante, temos um problema, e o sujeito acaba perigando levar um belo dum chifre. Ah, quem mandou ir jogar beber cerveja assistindo futebol com os amigos?

Aula 4: Presentes: como escolhê-los e embalá-los?
Módulo extra: Oficina de embalagens
Homens são péssimos em escolher presentes e isso é um fato, principalmente quando se trata de jóias, acessórios, sapatos… Fora que embora seja algo básico, algumas pessoas esquecem que presente exige embalagem e dão o presente parecendo algo que eles compraram pra si mesmos. Tsc tsc.

Aula 5: Como fugir dos sogros
Boa parte dos casais tem aquele famoso horário proibido, onde ele não pode pisar na casa dela. Esse horário às vezes é burlado, e este módulo prima em treinar o namorado para manter a calma e fugir, sem que seu sogro ou sogra o faça virar um eunuco.

Aula 6: Tornando-se um discípulo do Mestre Wando
Dispensa explicações: uma pitada de safadeza é fundamental.

Aula 7: Superando a dor da perda
Elas reclamam, levam chifre, pé na bunda, ouvem desaforo, mas no fim das contas algumas mulheres não suportam ser bem tratadas e, após você aplicar os princípios aprendidos nas aulas anteriores, provavelmente vão trocar você por um brutamonte com QI menor que um smurf. Não, não é hora de virar um homem cachorro. A esperança é a última que morre e essa aula tenta manter acesa a chama da esperança em seu coração. (que lindo)

Aula 8: Considerações finais
Revisa as aulas passadas e pontos importantes. Além de evitar futuros chifres, você ainda ganha um diploma.

O currículo é esse e está devidamente preparado. Caso alguma amiga minha queira patrocinar e dar sugestões, por favor, entre em contato!



8 de janeiro de 2006

Vivendo e aprendendo: glossário de Arquitetura para não-arquitetos

Andar com estudantes de Arquitetura é um negócio complicado. Ainda mais quando você é dum curso de Exatas. Os arquitetos, provavelmente revoltados no meio de sua eterna crise de identidade por não serem nem do Estilismo nem da Engenharia (eu tinha que usar essa piada aqui), desenvolveram todo um vocabulário próprio. Eles pegaram coisas simples, complicaram e deram um nome enfeitado, afinal de enfeitar eles entendem. Convivendo com meus amigos da Arquitetura, ouvindo suas conversas estranhas e vendo seus projetos insólitos, acabei conhecendo um pouco da língua dessas pessoas.

Um dia ainda vou escrever um livro chamado Arquitetura para não-arquitetos – Relatos da convivência com profissionais notívagos esquisitos. Por enquanto, seguem meus esboços iniciais.

Antes de qualquer coisa, admita que tudo que você pensava que sabia está errado. E aquela coisinha entre o corrimão da sua escada e a escada propriamente dita que você nem percebia que existia tem nome.

Mão francesa: Pelo que entendi, é um treco inclinado que serve pra segurar uma estrutura. Onde viram uma mão francesa, Deus sabe.

Planta baixa: representação num plano de uma construção vista de cima, sem o telhado. Lembra do filme Dogville e dos apartamentos nos classificados? Pois é.

Pé direito: pé direito é a altura entre o piso e o teto. Não me pergunte por que é direito e não esquerdo.

Pergolado, também conhecido como pergo-o-quê?: é uma estrutura apoiada em colunas, feita de elementos paralelos, tipo umas tábuas de madeira, alvenaria, concreto.

Pivotante e basculante: uma porta, portão ou qualquer coisa que gire ao redor dum eixo vertical é pivotante. Tipo 98,7% das portas que se vêem por aí e algum arquiteto desocupado (se é que existe um) decidiu classificar. Quando gira ao redor dum eixo horizontal, é basculante.

Guarda-corpo: não é um caixão. Acredite, guarda-corpo é uma grade de proteção usada em escadas, balcões… Se tivesse uma na escada daqui de casa há uns anos, uma empregada nunca teria ficado entalada entre a parede e a escada. Mas isso é outra história.

Vigas e pilares (essa é fabulosa e guardei pro final!) : todo mundo pensa que são a mesma coisa, mas em resumo, vigas são horizontais e pilares são verticais! Um pilar redondo é uma coluna! (o trecho riscado gerou polêmica e falta de consenso) E não confunda os dois perto dum arquiteto. Eles vão fazer careta e se sentir superiores.

A partir de agora, você não precisará chamar essas fabulosas estruturas de “aquele troço ali, ó!”, porque eu tive o trabalho de descobrir o nome (enquanto alguém devia pensar “que burro, não sabe o que é um pergolado…” e ria por dentro).

E por favor, estou aberto a sugestões, adições e correções.

20 de setembro de 2005

Este texto é a história duma pessoa que brigou com o tempo, com a dor, consigo mesmo.
É o primeiro dia da história de alguém que reaprendeu a viver, a sorrir, a lidar com as coisas, a gostar de si.
Leiam ele com carinho, levou tempo pra escrevê-lo, pra ter coragem pra tanto.

Para todos aqueles que oferecem a alguém perdido um ombro.
Para aqueles que ofereceram.

A primeira manhã de um homem sozinho

“Você chorará; a seus lábios virá o nome da amiga que você deixa, e às vezes seu pé se deterá no meio do caminho. Mas quanto menos você tiver vontade de partir, mais você deve pensar em partir. Persista e force seus pés a correr, apesar de não quererem. (…) Não pergunte quantas milhas você percorreu, mas quantas faltam a percorrer”
Ovídio, em A Arte de Amar

 

Ele andava por uma calçada irregular, a passos lentos. Sentia alguma fraqueza, parecia ter perdido a força vital de que os cientistas de antigamente falavam, e carregava nas órbitas oculares um olhar fosco. Os olhos perderam o brilho não fazia muito tempo, e agora estavam direcionados para o céu, como quem busca uma resposta divina, ou talvez olhassem para cima por acaso. Não importava. Nada mais importava.

Sentia frio. Fazia um pouco de sol, é verdade, não era o dia mais quente, naturalmente não haveria razão para tanto. Mas sentia frio. Um frio que vinha de dentro pra fora, um frio que algumas pessoas conhecem muito bem. Olhou para o céu, e viu as nuvens. As nuvens o deixaram com medo, muito medo. Elas faziam parte de um sonho, um sonho desfeito. Como a chuva. Um banho de chuva. E teve pânico quando pensou na chuva. Imaginou-se sob a chuva, caso ela viesse. Ela seria ácida, e viria corroendo sua pele e seus ossos, desgastando seu corpo, que se derreteria, se dissolveria.

Lembrava o tempo todo das palavras que ela dissera há cerca de doze horas, de como elas pareciam sem sentido e de como as coisas perderam o sentido após ouvi-las. Aquilo apertava-lhe o coração, sentia uma angústia, uma dor. Só ele e Deus sabiam o que acontecia dentro dele agora. Era uma dor que não cabia em si, que não cabia nele, como algo que se guarda em um recipiente incompatível, insuficiente, apertado, pequeno, mas que mesmo assim era guardado. E era fabuloso como era necessário tanto espaço… apenas pra comportar um grande vazio.

Na dinâmica dos fluidos aplicada à vida, quando algo sai do lugar, alguma coisa tem que preencher aquele espaço que estava preenchido anteriormente. O homem mais feliz do mundo não andaria mais em Pasárgada e agora tinha como nova companheira aquela dor enorme, e sabia que ela o seria por um tempo indeterminado. Precisaria matar aquele tempo. Pensava no que faria nas próximas horas, precisava ocupar-se até a hora de dormir, quando enfim seu corpo repousaria. E quando acordasse no dia seguinte, o que faria? E no próximo? E no próximo? A nossa cultura diz que o tempo tudo resolve, mas ninguém nunca disse quanto tempo. Mas sabia que precisava matar o tempo. Quanto tempo? Quanto tempo, meu Deus?

Continuou sua caminhada, parecia competir com o tempo para ver quem andava mais devagar. Pressa pra quê? Mas uma hora chegou na parada do ônibus. Pegou um ônibus, observava as mulheres no ônibus e nas ruas, tentava sentir alguma coisa, mas até as que racionalmente seriam as mais bonitas agora estavam completamente sem graça. Não serviam. Não serviriam. E a cada olhar forçado, sua mente lhe devolvia um nome. É, elas não serviam. E não adiantaria insistir.

Iria pra casa empurrar algo goela abaixo, iria se encontrar com um amigo logo em seguida. Precisava preencher todo seu tempo, sufocar o desespero. Depois, não saberia o que fazer. Pensaria nisso depois. E assim as horas passariam, esperava. Na verdade, nem sabia o que esperar. A pior sensação que existe surge numa sequência de formação a partir da negação dum elemento anterior, da negação da esperança. Estava consumido pela pior sensação de qualquer universo: a desesperança. Na forma dum olhar fosco.

Era a primeira manhã de muitas outras que viriam. Era a primeira manhã do resto da sua vida. Do resto dos restos da sua vida.

31 de julho de 2005


 
All your seasick sailors, they are rowing home.
All your reindeer armies, are all going home.
The lover who just walked out your door
Has taken all his blankets from the floor.
The carpet, too, is moving under you
And it’s all over now, Baby Blue.

(Bob Dylan, em And it’s all over now, Baby Blue)
 
 
E foi então que as férias acabaram. As férias esperadas, as férias desesperadas. Mudanças bruscas de planos, adaptações urgentes, socos na boca do estômago, pauladas no joelho, chutes no rosto e tudo, tudo totalmente diferente do que eu planejava.

Dias cheios. Foi bom conhecer novas pessoas e conhecer melhor as mesmas velhas pessoas, dividir bons e maus momentos, virtudes e problemas. Filmes, livros, amigos, parentes, abraços, ombros, viagens, fotos, areia, mar, insônia, muita insônia, lugares novos, lembranças, despedidas, lágrimas… e por que não falar de alguns risos, como um intervalo de paz num meio duma guerra interminada e interminável? Talvez soldados contem piadas nas trincheiras.

Caberiam muitos meses da minha “vida comum” no mês de julho que se encerra. Outro mês seria necessário, mas a vida não pára e amanhã lá estamos nós de novo.

8 de agosto de 2004

A Saga do Pedal Possuído

Dentre as histórias pra contar, a primeira que me vem em mente é a do pedal possuído. É longa, espero que vocês leiam.

Em junho, consegui realizar um sonho antigo: uma guitarra. Até agora aprendi alguns acordes, ando melhorando as pestanas e começando a treinar solinhos. Mas quando eu cismei de comprar um pedal, começou a confusão.

Na quarta-feira (14 de julho), eu andava pela Feira da Música atrás duma loja que vendesse pedais usados pra guitarra. Me deparo com o stand da Interarte, que vende instrumentos usados, falo com um sujeito que trabalha lá e ele me fala que eles vendem pedais usados, e que os levaria no dia seguinte (quinta).

Na quinta-feira, acordo, junto meus trocados, embrulho num papel e ponho na Zona de Acesso Restrito, afinal eu tava indo de ônibus. Chego na Feira da Música, pago mais 4 reais de entrada e me dirijo ao stand da loja. O cara vai e diz que não levou os pedais, pois o carro já estava lotado com os instrumentos (quem já viu um pedal de guitarra sabe que cabe em qualquer espaço vazio…).

Mas da sexta-feira o pedal não me escaparia. Acordo cedo e me dirijo à loja citada, no Centro. Ponho, enfim, as mãos – e os pés – no pedal: um BOSS SD1 (Super OverDrive). Parecia estar tudo ok, mas era só o começo do pesadelo.

Comprei uma fonte pro pedal, chego em casa, toco um pouco. O pedal funciona, exceto o fato de não acender o led. Ok. Desligo tudo, mais tarde tento tocar e nada do pedal funcionar ou do led acender.

Levo o pedal na casa do amigo Igor para testar na fonte dele, com outros cabos, etc. etc. O pedal funciona que é uma beleza, inclusive o led. Ou seja, o problema é a fonte.

Supondo que o problema fosse minha fonte, levo o pedal e a fonte para a loja onde foi comprada a fonte. Lá trocam minha fonte por várias outras, testa-se o pedal e nada dele acender. Ou seja, o problema é o pedal.

Levo o pedal para a loja em que o comprei, falo que o pedal não está ligando. O cara da loja liga o pedal, o qual funciona calmamente e me deixa com cara de besta na frente do vendedor. Ou seja, o problema é a fonte.

Levo numa loja próxima de venda de fontes, testo uma fonte e nada dele ligar. Ou seja, o problema é o pedal.

Levo em outra loja, também de fontes, testo outra fonte. O pedal liga e compro a fonte. Ou seja, o problema é a fonte.

Volto pra casa feliz, e, quando ligo a fonte no pedal, nada novamente do pedal funcionar. Fico puto e levo o pedal num eletricista aqui perto. Ok. Ele dá uma olhada, testa, testa, testa, e pede pra eu deixar o pedal lá e ligar no dia seguinte.

No dia seguinte, acordo cedo, ligo pra lá e o cara diz que o pedal tá ok e pra eu ir lá pegar de volta. Sigo feliz e triunfante, pensando que vai dar certo. Quando chego lá, ele vai dar um último teste: o pedal falha novamente. Ele pede para que eu volte a ligar após o almoço.

Ligo após o almoço. Ele pede para eu ir lá pegar o pedal. Vou com 10 reais no bolso. Chego lá, o cara vai testar e o pedal funciona. Ele cobra 15 reais pelo serviço. Ok. Pego meu pedal, venho pra casa, ponho mais 5 reais no bolso, volto pro eletricista e pago os 5 reais restantes. Volto para casa e faço um pouco de barulho distorcido, morto de feliz, com o pedal que, até então, funciona. Desligo o pedal e guardo a guitarra.

Cerca de 2 horas depois, minha mãe chega e vou, então, mostrá-la o pedal funcionando. “Olha, mamãe, o pedal”. Piso no pedal. Nada dele funcionar ou do led acender. Piso de novo. E de novo. O pedal falha e, pela segunda vez, me deixa com cara de besta. Agora na frente da minha mãe, que ri da minha cara.

Puto, volto novamente pro conserto com o pedal. Rindo da situação, chego lá e informo novamente os eletricistas que o pedal falhou de novo. Deixo o pedal novamente pra consertar, e pedem-me para voltar no dia seguinte.

Volto no dia seguinte e pego o pedal, já pensando se vou precisar levá-lo num pai de santo ou num exorcista. O cara testa o pedal, que enfim dá certo. Trago-o pra casa. Ok.

E até hoje, volta e meia eu ligo o pedal só pra pisar e ver se ele presta, sem nem tocar. Até o fim desse post, ele tava ok. Se eu tiver contado certo, fui 2 vezes ao Centro de Convenções, 2 vezes ao Centro da cidade e 7 vezes na eletrônica perto aqui de casa.

Ah, alguém aí quer comprar a fonte extra que comprei?



21 de novembro de 2003

Saudade é bom sentimento,
Maldade é esquecer.

Nessa foto aí em cima estamos eu e a Lucía, essa pessoa cativante, alegre e cheia de energia positiva. Conheci ela há pouco mais de dois meses, e, dias depois, soube da notícia de que ela iria embora em dois meses. Bem, esse tempo passou depressa e a Lucía vai embora amanhã de volta pra Argentina, de onde saiu há quatro anos.

Poucas vezes a vi pessoalmente, estive ao lado dela não mais que algumas horas. Conversamos pouco também, mas deu pra conhecer alguma coisa dela e saber muita coisa bacana. Talvez ela nem lembre disso, mas ela soube, por vezes, dizer o que eu precisava ouvir sem sequer eu pedir por isso. Foi pouco tempo, sim, mas o suficiente pra se tornar inesquecível.

Escrevi por aqui sobre ela há um tempo, onde inclusive citei os dois versos que hoje servem de título pra esse texto. Saudade é bom sentimento, maldade é esquecer. Não sei se lamento o azar dela já ir embora ou comemoro a sorte de conseguir tê-la conhecido, e acima dessa dúvida boba está a certeza absoluta de que sentirei saudades.

A Lucía conquistou minha amizade e meu respeito. Por aqui ela será sempre bem-vinda e encontrará um lugar seguro no coração de todos nós, e nessa hora não falo apenas por mim, mas assumo o nome de todos que tiveram a oportunidade de ser amigos dela, e sei que essas pessoas vão assinar embaixo.

Quem disse que ia ser fácil? No meio de algumas lágrimas, deixo aqui a minha mensagem de despedida. Tchau Lucía… Tudo de bom daqui pra frente! Qualquer coisa estamos por aqui; longe, mas estamos. E, mais uma vez em nome de todos nós, obrigado por tudo.

6 de novembro de 2003

Here comes the sun, tchutchuru!

Sol visto daqui de casa

Aí em cima está uma foto que tirei da cobertura daqui de casa há umas semanas. Eu acho bonito o tom do céu às 4:30 da manhã, um tempo antes do sol nascer. Tentei tirar uma foto mas como não sou muito bom fotógrafo, o melhor que consegui foi essa foto aí depois das cinco, que não deixa de ser bonito também.

A primeira vez que lembro de ter visto o céu essa hora e ter achado bonito foi uma vez que voltei tarde (ou seria cedo?) pra casa em maio de 2000, quando voltei duma ida à Praia de Iracema. 2000 foi o melhor ano da minha vida e em 2003 eu vou repetir a dose. :)

Se você é como eu e liga pra pieguices como olhar o céu, quando virar a noite não deixe de olhar pra cima às 4 e meia, cinco horas, é bonito e menos banal que ver o sol se pôr, e quem sabe seja até mais romântico?

Bem, taí a dica. :)

Obs. 1: Eu podia citar “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…” mas em todo blog tem isso, já perdeu foi o sentido, nah, não aguento mais…
Obs.: 2: Tirar fotos do sol podem detonar a câmera se você apontar muito tempo. CUIDADO se for fazer o mesmo. Obrigado pro Victor (o do topete) e pro Duílio. :)


 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 24 anos, Fortaleza // bacharel em Computação pela Universidade Federal do Ceará // livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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