Um dia ainda vou escrever um livro chamado Arquitetura para não-arquitetos - Relatos da convivência com profissionais notívagos esquisitos. Por enquanto, seguem meus esboços iniciais.
Antes de qualquer coisa, admita que tudo que você pensava que sabia está errado. E aquela coisinha entre o corrimão da sua escada e a escada propriamente dita que você nem percebia que existia tem nome.
Mão francesa: Pelo que entendi, é um treco inclinado que serve pra segurar uma estrutura. Onde viram uma mão francesa, Deus sabe.
Planta baixa: representação num plano de uma construção vista de cima, sem o telhado. Lembra do filme Dogville e dos apartamentos nos classificados? Pois é.
Pé direito: pé direito é a altura entre o piso e o teto. Não me pergunte por que é direito e não esquerdo.
Pergolado, também conhecido como pergo-o-quê?: é uma estrutura apoiada em colunas, feita de elementos paralelos, tipo umas tábuas de madeira, alvenaria, concreto.
Pivotante e basculante: uma porta, portão ou qualquer coisa que gire ao redor dum eixo vertical é pivotante. Tipo 98,7% das portas que se vêem por aí e algum arquiteto desocupado (se é que existe um) decidiu classificar. Quando gira ao redor dum eixo horizontal, é basculante.
Guarda-corpo: não é um caixão. Acredite, guarda-corpo é uma grade de proteção usada em escadas, balcões… Se tivesse uma na escada daqui de casa há uns anos, uma empregada nunca teria ficado entalada entre a parede e a escada. Mas isso é outra história.
Vigas e pilares (essa é fabulosa e guardei pro final!) : todo mundo pensa que são a mesma coisa, mas em resumo, vigas são horizontais e pilares são verticais! Um pilar redondo é uma coluna! (o trecho riscado gerou polêmica e falta de consenso) E não confunda os dois perto dum arquiteto. Eles vão fazer careta e se sentir superiores.
A partir de agora, você não precisará chamar essas fabulosas estruturas de “aquele troço ali, ó!”, porque eu tive o trabalho de descobrir o nome (enquanto alguém devia pensar “que burro, não sabe o que é um pergolado…” e ria por dentro).
E por favor, estou aberto a sugestões, adições e correções.
Para todos aqueles que oferecem a alguém perdido um ombro.
Para aqueles que ofereceram.
A primeira manhã de um homem sozinho
|
“Você chorará; a seus lábios virá o nome da amiga que você deixa, e às vezes seu pé se deterá no meio do caminho. Mas quanto menos você tiver vontade de partir, mais você deve pensar em partir. Persista e force seus pés a correr, apesar de não quererem. (…) Não pergunte quantas milhas você percorreu, mas quantas faltam a percorrer”
Ovídio, em A Arte de Amar
|
Sentia frio. Fazia um pouco de sol, é verdade, não era o dia mais quente, naturalmente não haveria razão para tanto. Mas sentia frio. Um frio que vinha de dentro pra fora, um frio que algumas pessoas conhecem muito bem. Olhou para o céu, e viu as nuvens. As nuvens o deixaram com medo, muito medo. Elas faziam parte de um sonho, um sonho desfeito. Como a chuva. Um banho de chuva. E teve pânico quando pensou na chuva. Imaginou-se sob a chuva, caso ela viesse. Ela seria ácida, e viria corroendo sua pele e seus ossos, desgastando seu corpo, que se derreteria, se dissolveria.
Lembrava o tempo todo das palavras que ela dissera há cerca de doze horas, de como elas pareciam sem sentido e de como as coisas perderam o sentido após ouvi-las. Aquilo apertava-lhe o coração, sentia uma angústia, uma dor. Só ele e Deus sabiam o que acontecia dentro dele agora. Era uma dor que não cabia em si, que não cabia nele, como algo que se guarda em um recipiente incompatível, insuficiente, apertado, pequeno, mas que mesmo assim era guardado. E era fabuloso como era necessário tanto espaço… apenas pra comportar um grande vazio.
Na dinâmica dos fluidos aplicada à vida, quando algo sai do lugar, alguma coisa tem que preencher aquele espaço que estava preenchido anteriormente. O homem mais feliz do mundo não andaria mais em Pasárgada e agora tinha como nova companheira aquela dor enorme, e sabia que ela o seria por um tempo indeterminado. Precisaria matar aquele tempo. Pensava no que faria nas próximas horas, precisava ocupar-se até a hora de dormir, quando enfim seu corpo repousaria. E quando acordasse no dia seguinte, o que faria? E no próximo? E no próximo? A nossa cultura diz que o tempo tudo resolve, mas ninguém nunca disse quanto tempo. Mas sabia que precisava matar o tempo. Quanto tempo? Quanto tempo, meu Deus?
Continuou sua caminhada, parecia competir com o tempo para ver quem andava mais devagar. Pressa pra quê? Mas uma hora chegou na parada do ônibus. Pegou um ônibus, observava as mulheres no ônibus e nas ruas, tentava sentir alguma coisa, mas até as que racionalmente seriam as mais bonitas agora estavam completamente sem graça. Não serviam. Não serviriam. E a cada olhar forçado, sua mente lhe devolvia um nome. É, elas não serviam. E não adiantaria insistir.
Iria pra casa empurrar algo goela abaixo, iria se encontrar com um amigo logo em seguida. Precisava preencher todo seu tempo, sufocar o desespero. Depois, não saberia o que fazer. Pensaria nisso depois. E assim as horas passariam, esperava. Na verdade, nem sabia o que esperar. A pior sensação que existe surge numa sequência de formação a partir da negação dum elemento anterior, da negação da esperança. Estava consumido pela pior sensação de qualquer universo: a desesperança. Na forma dum olhar fosco.
Era a primeira manhã de muitas outras que viriam. Era a primeira manhã do resto da sua vida. Do resto dos restos da sua vida.
| “Abra os braços, abrace o que sobrar” (Herbert Vianna, em Não adianta) |
Eu caminhava pela beira da praia, com a espuma branca lambendo meus pés. Meses atrás, uma amiga minha me disse que praia era bacana pra descarregar as energias negativas. E lá estava eu. Pensava nas últimas vezes que havia pisado numa praia, em circunstâncias tão diferentes, junho, setembro. E pensava em quantas vezes eu iria morrer nessa vida, pra tentar nascer do pó depois.
Troquei algumas palavras com um conhecido meu. É sempre bom conversar melhor com aquele conhecido seu de mais de um ano, amigo dos seus amigos, mas que você mal conhece. Você acaba descobrindo pessoas boas que estavam ali e você nem percebia. E enquanto ele cavava um buraco na areia, eu jogava conchas no mar e desabafava um pouco da vida bandida.
A praia pode levar as tais energias negativas, mas a maré não leva as más lembranças, e muito menos as boas, infelizmente. Agora eu estava sentado numa pedra no meio do mar, vendo as ondas indo e voltando, no pseudoautismo que desenvolvi nos últimos tempos. Uma recém-conhecida disse, dois dias atrás, que queria ter esse meu dom de passar horas olhando pro nada, disse que eu era morgado. Pensei: ela não me conheceu antigamente. Mas fiquei calado, agora só falo o suficiente. Ali, nem eu me conhecia. Quem me conhece estranharia minha pele, agora em tom de vermelho, queimada pelo sol. Eu agora disponível em cor vermelha. Quem diria.
Dias antes de pisar ali, devo ter jogado fora mais de 12 quilos de papel do meu quarto. Olhei pra eles e não vi significado. Não há mais passado, só há o agora. O que eu era era, já foi. Do passado, no fim das contas, só sobra o resultado, um maluco numa pedra, um punhado de memórias e traumas. Ah, e algum aprendizado, sim. Não é algo tão grande quanto aquilo que você queria, mas abranda um pouco o prejuízo. O aprendizado sempre vem tarde. Aí você pensa como as coisas teriam sido diferentes se você pensasse antes como pensa agora.
Mas agora é tarde. E vem a culpa. A palavra “culpa” não existe num dialeto tibetano aí. Sentir culpa é inútil. Sabe-se que o português é a única língua que tem a palavra “saudade”. Fabuloso. Imagina uma língua que não tenha “culpa” nem “saudade”! E sabe qual a palavra mais destruidora da nossa língua? Ela é bem curta: “se”. A gente sofre pensando nas possibilidades. Se houvesse uma língua sem “culpa”, “saudade” e “se”, ela seria perfeita.
Portanto, guarde isso: o aprendizado sempre vem tarde. Nunca teremos aprendido o suficiente. Não muda nada, mas consola um pouco a consciência; não muda porra nenhuma, mas é alguma coisa, uma gota positiva no meio do mar, e talvez valha dez minutos a menos de insônia. Como o mar não leva a dor, mas dá alguma tranquilidade ao espírito.
E eu continuava ali, sentado na pedra escura no meio do mar. Quisera eu voltar meses atrás e bater um papo com um cara que estava sentado numa duna em Florianópolis e pensava em como estava feliz apesar das derrotas. Eu o daria um pouco de realidade e maturidade. E ele me daria um pouco de esperança inútil. O duelo do século: o cara da duna contra o cara da pedra.
Não vou fazer planos. Não vou criar falsas esperanças. Seguir em frente às vezes não significa ser forte, é simplesmente não ter opção. A sensação de infinito e esperança que o mar nos passa não consegue mais atravessar meus poros, adentrar minhas narinas, atingir minha retina. Agora é se dar bem na faculdade, arrumar um emprego, comprar um carro, um apartamento com os móveis que eu vou escolher, fazer viagens. Uma vida confortável e conformada, para que possa ser vivida até o fim, sem graça e nada hollywoodiana, a vida não é história bonita de cinema. Sabe o cara que sofre um acidente de carro, se lasca e tem que reestruturar a vida com o que sobrar do corpo? É por aí, mas com a alma. É satisfazer-se com as migalhas do resto do jantar. Após levantar da pedra, o plano é viver de pequenas conquistas, diminutas vitórias, acertar pequenos alvos e satisfazer-se com isso. Subviver.
Atualização, em tempo: exatamente enquanto eu publicava esse texto aqui, o cara do segundo parágrafo começava a namorar uma grande amiga minha. Soube agora, por ela. Tudo de bom pra eles, muita boa sorte e energia positiva. Eles merecem.
Foi simples: uma armadilha, um forte ataque e os muros já não adiantavam de nada. Levaram quase tudo, destruíram o resto. Pouco foi poupado. A frágil moradia sarcasticamente construída entre gigantescas paredes foi abaixo em poucos segundos. Seu único morador, que agora encontrava-se de joelhos observando os restos de sua casa, confiara demais nos seus muros.
Passou dias observando seu terreno e refletindo sobre seus erros, como um sem-teto louco, enquanto sol e chuva atacavam sua pele. Decidiu fazer diferente: sem muros agora. Se não teria tanta proteção, por outro lado isso espantaria curiosos. Passou dias planejando, e, ao final de algumas semanas, ergueu uma casa amigável, de aparência simples e jardim na frente. Não era tão imponente, mas e daí? Era aconchegante, e isso bastava.
Seu dono podia ser visto sempre na porta de sua nova morada, conversando com os que ali passavam. Todos, agora, conheciam o residente daquele espaço, outrora tão reservado e isolado. Passava uma pessoa, passava outra, conversava alguma coisa, trocava alguma palavra, despedia-se e seguia seu rumo. E, ao fim da noite, a casa abrigava seu único morador, que fechava as portas e dormia tranqüilamente. E assim o foi até mais ou menos quatro semanas após o começo do outono. Uma pessoa que ali passava acabou pedindo abrigo naquela casa, e foi pronta e alegremente bem-vinda.
As folhas mudaram de cor.
Aproximava-se o solstício de inverno quando nosso amigo acordou com o barulho de sua porta sendo fechada, causado por uma tentativa mal lograda de fuga em silêncio. Levantou-se devagar e reparou que não havia mais hóspede. Foi até a pequena sala de sua casa, depois na cozinha, e em todos os cubículos de seu domicílio, onde seu resto de sono foi espantado e ele caiu em si. Suas coisas estavam remexidas, algumas quebradas, e deu falta de várias outras. Na mesa de centro, um bilhete com um aviso: fora embora e levara algumas coisas, a fim de proteger-se do frio que se aproximava.
“Algumas coisas” seria apenas modo de falar, um mero eufemismo. Olhando ao seu redor, não entendeu como uma só pessoa poderia carregar tantas coisas. Correu para seu jardim, na esperança de que a pessoa não estivesse longe com seus modestos pertences, mas até onde a vista alcançava não havia sombra dela, nem sequer pegadas. Não entendia como aquilo era possível. Não apenas o rápido sumiço — teria ido voando? — mas também a sua falta de sorte.
Caíra novamente de joelhos. Por uma dessas coincidências do destino, não sabia ele que estava ajoelhado no mesmo lugar de estações atrás. Castelo? Casa? Nada adiantava: no fim das contas, seria tapeado. Ainda que ali estivesse sustentada a mesma estrutura do verão, não era mais a mesma casa. Aliás, havia uma casa, não mais um lar; era, então, como um templo sem fé. E, na frente do amontoado organizado de tijolos, um homem ajoelhado, maldizendo sua sorte.
Permaneceu ali por horas, até finalmente fazer um esforço sobre-humano e levantar-se. Entrou em sua casa pela última vez, pegou algum resto de comida na dispensa saqueada, algum pano para se aquecer e foi embora de vez do amaldiçoado terreno. Cansou de ser seu único habitante e partia sem direção nem objetivo. Que ficasse vazia a casa, seu teto não era mais abrigo! Estava, naquele momento, deixando sua moradia pra trás.
Veio o inverno, depois a primavera, o verão, outro outono. Os ciclos se repetiam; neve, sol e chuva deram cabo da casa e mais tudo que abandonara dentro. Dizem que um dia, durante uma tempestade, a única árvore de seu jardim não resistiu a seu próprio peso, por nunca mais ter sido podada; caiu sobre o telhado da casa, e um raio sobre a mesma tratou de incendiar tudo.
E ninguém nunca mais soube de seu dono.
Seja qual for a crença religiosa do amigo leitor, vamos supor que Deus exista e nos livrar de qualquer discussão religiosa. Li num livro que Deus escreve nossa história melhor do que escreveríamos, se pudéssemos. Naquele instante, eu estava na transição da pior fase da minha vida pra alguma coisa que eu chamaria de maré de sorte, renascimento ou qualquer coisa que o valha. Olhando pra trás, desde a fase ruim, passando pelo momento da duna e chegando ao hoje, vejo que a afirmação do livro faz todo sentido. As vitórias que me foram negadas eram uma esmola perto das conquistas que tive em oito meses. Tivesse eu conseguido o que queria de maneira fácil e apressada, teria caído num buraco maior ainda. Até apanhar no exame do Detran inúmeras vezes faz sentido.
| Tudo | ||
| faz | ||
| sentido. |
Se eu tivesse 15 anos e lesse isso, não acharia que fosse texto meu: arrependo-me, sim, mas não alteraria minha história. E obrigado a todos.
“De cada corte corre sangue
e a vida se renova”
(A Outra Rota, Paralamas do Sucesso)
Em junho, consegui realizar um sonho antigo: uma guitarra. Até agora aprendi alguns acordes, ando melhorando as pestanas e começando a treinar solinhos. Mas quando eu cismei de comprar um pedal, começou a confusão.
Na quarta-feira (14 de julho), eu andava pela Feira da Música atrás duma loja que vendesse pedais usados pra guitarra. Me deparo com o stand da Interarte, que vende instrumentos usados, falo com um sujeito que trabalha lá e ele me fala que eles vendem pedais usados, e que os levaria no dia seguinte (quinta).
Na quinta-feira, acordo, junto meus trocados, embrulho num papel e ponho na Zona de Acesso Restrito, afinal eu tava indo de ônibus. Chego na Feira da Música, pago mais 4 reais de entrada e me dirijo ao stand da loja. O cara vai e diz que não levou os pedais, pois o carro já estava lotado com os instrumentos (quem já viu um pedal de guitarra sabe que cabe em qualquer espaço vazio…).
Mas da sexta-feira o pedal não me escaparia. Acordo cedo e me dirijo à loja citada, no Centro. Ponho, enfim, as mãos - e os pés - no pedal: um BOSS SD1 (Super OverDrive). Parecia estar tudo ok, mas era só o começo do pesadelo.
Comprei uma fonte pro pedal, chego em casa, toco um pouco. O pedal funciona, exceto o fato de não acender o led. Ok. Desligo tudo, mais tarde tento tocar e nada do pedal funcionar ou do led acender.
Levo o pedal na casa do amigo Igor para testar na fonte dele, com outros cabos, etc. etc. O pedal funciona que é uma beleza, inclusive o led. Ou seja, o problema é a fonte.
Supondo que o problema fosse minha fonte, levo o pedal e a fonte para a loja onde foi comprada a fonte. Lá trocam minha fonte por várias outras, testa-se o pedal e nada dele acender. Ou seja, o problema é o pedal.
Levo o pedal para a loja em que o comprei, falo que o pedal não está ligando. O cara da loja liga o pedal, o qual funciona calmamente e me deixa com cara de besta na frente do vendedor. Ou seja, o problema é a fonte.
Levo numa loja próxima de venda de fontes, testo uma fonte e nada dele ligar. Ou seja, o problema é o pedal.
Levo em outra loja, também de fontes, testo outra fonte. O pedal liga e compro a fonte. Ou seja, o problema é a fonte.
Volto pra casa feliz, e, quando ligo a fonte no pedal, nada novamente do pedal funcionar. Fico puto e levo o pedal num eletricista aqui perto. Ok. Ele dá uma olhada, testa, testa, testa, e pede pra eu deixar o pedal lá e ligar no dia seguinte.
No dia seguinte, acordo cedo, ligo pra lá e o cara diz que o pedal tá ok e pra eu ir lá pegar de volta. Sigo feliz e triunfante, pensando que vai dar certo. Quando chego lá, ele vai dar um último teste: o pedal falha novamente. Ele pede para que eu volte a ligar após o almoço.
Ligo após o almoço. Ele pede para eu ir lá pegar o pedal. Vou com 10 reais no bolso. Chego lá, o cara vai testar e o pedal funciona. Ele cobra 15 reais pelo serviço. Ok. Pego meu pedal, venho pra casa, ponho mais 5 reais no bolso, volto pro eletricista e pago os 5 reais restantes. Volto para casa e faço um pouco de barulho distorcido, morto de feliz, com o pedal que, até então, funciona. Desligo o pedal e guardo a guitarra.
Cerca de 2 horas depois, minha mãe chega e vou, então, mostrá-la o pedal funcionando. “Olha, mamãe, o pedal”. Piso no pedal. Nada dele funcionar ou do led acender. Piso de novo. E de novo. O pedal falha e, pela segunda vez, me deixa com cara de besta. Agora na frente da minha mãe, que ri da minha cara.
Puto, volto novamente pro conserto com o pedal. Rindo da situação, chego lá e informo novamente os eletricistas que o pedal falhou de novo. Deixo o pedal novamente pra consertar, e pedem-me para voltar no dia seguinte.
Volto no dia seguinte e pego o pedal, já pensando se vou precisar levá-lo num pai de santo ou num exorcista. O cara testa o pedal, que enfim dá certo. Trago-o pra casa. Ok.
E até hoje, volta e meia eu ligo o pedal só pra pisar e ver se ele presta, sem nem tocar. Até o fim desse post, ele tava ok. Se eu tiver contado certo, fui 2 vezes ao Centro de Convenções, 2 vezes ao Centro da cidade e 7 vezes na eletrônica perto aqui de casa.
Ah, alguém aí quer comprar a fonte extra que comprei?
Saudade é bom sentimento,
Maldade é esquecer.

Poucas vezes a vi pessoalmente, estive ao lado dela não mais que algumas horas. Conversamos pouco também, mas deu pra conhecer alguma coisa dela e saber muita coisa bacana. Talvez ela nem lembre disso, mas ela soube, por vezes, dizer o que eu precisava ouvir sem sequer eu pedir por isso. Foi pouco tempo, sim, mas o suficiente pra se tornar inesquecível.
Escrevi por aqui sobre ela há um tempo, onde inclusive citei os dois versos que hoje servem de título pra esse texto. Saudade é bom sentimento, maldade é esquecer. Não sei se lamento o azar dela já ir embora ou comemoro a sorte de conseguir tê-la conhecido, e acima dessa dúvida boba está a certeza absoluta de que sentirei saudades.
A Lucía conquistou minha amizade e meu respeito. Por aqui ela será sempre bem-vinda e encontrará um lugar seguro no coração de todos nós, e nessa hora não falo apenas por mim, mas assumo o nome de todos que tiveram a oportunidade de ser amigos dela, e sei que essas pessoas vão assinar embaixo.
Quem disse que ia ser fácil? No meio de algumas lágrimas, deixo aqui a minha mensagem de despedida. Tchau Lucía… Tudo de bom daqui pra frente! Qualquer coisa estamos por aqui; longe, mas estamos. E, mais uma vez em nome de todos nós, obrigado por tudo.

A primeira vez que lembro de ter visto o céu essa hora e ter achado bonito foi uma vez que voltei tarde (ou seria cedo?) pra casa em maio de 2000, quando voltei duma ida à Praia de Iracema. 2000 foi o melhor ano da minha vida e em 2003 eu vou repetir a dose.
Se você é como eu e liga pra pieguices como olhar o céu, quando virar a noite não deixe de olhar pra cima às 4 e meia, cinco horas, é bonito e menos banal que ver o sol se pôr, e quem sabe seja até mais romântico?
Bem, taí a dica.
Obs. 1: Eu podia citar “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…” mas em todo blog tem isso, já perdeu foi o sentido, nah, não aguento mais…
Obs.: 2: Tirar fotos do sol podem detonar a câmera se você apontar muito tempo. CUIDADO se for fazer o mesmo. Obrigado pro Victor (o do topete) e pro Duílio.
As pessoas no elevador sempre tão olhando pra cima, pra baixo, só não olham pros lados. Elas têm medo de ter algum contato social.
As pessoas nos ônibus nunca sentam ao lado de outras se têm um banco vazio. Fora o medo de serem assaltadas, elas têm medo de ter algum contato social.
Algumas pessoas têm medo de retribuir a um abraço. Você vai de braços abertos em direção a elas, e elas ficam paradas. Aí você tenta disfarçar e fica na merda. Algumas acham que abraço é sinal de segundas intenções ou algo do gênero, e preferem não retribuir ao abraço. Mando aqui meu abraço pra Natalia, que sabe dar um abraço reconfortante. E mando um abraço pro Igor também, que em 2000 fez a campanha “Me dê aqui um abraço”, em favor da popularização do abraço.
O beijo no rosto na hora de cumprimentar alguém mais parece beijo na orelha. Você só sabe que o beijo existiu porque escutou o barulho dele. De todas as amigas que tenho, poucas as que realmente dão um beijo no rosto. Quando conheci a Aninha que ela me cumprimentou, a primeira coisa que reparei é que ela realmente beija o rosto, e isso faz a diferença.
Pra vocês que me lêem, um abraço e um beijo. Sem segundas intenções, antes que alguém fique com medo e não retribua…
Há 2 semanas, acabei meu namoro de 1 ano e 10 meses. É uma notícia que certamente impressiona todos que conheceram eu e minha ex-namorada, e que não sabiam o que se passava dentro do meu namoro. Foi um período importante da minha vida, mais
do que digno desta nota que vocês lêem agora, e que infelizmente não pôde ser continuado.
Pra Ruth, com quem obviamente não ando muito bem, desejo tudo de bom. Sucesso pessoal, na vida profissional, no vestibular que se aproxima. Espero que supere este momento difícil.
No mais, a vida continua. Toda história tem dois lados. Vou ser democrático e, se alguém quer saber o outro lado da história, é só ler o blog dela (Eu sou assim).
A quem quiser comentar, ajudar ou me detonar, abaixo está o link dos comentários. E peço a quem vá fazê-lo que o faça sem exaltação.
Powered by WordPress version 2.7-bleeding
100% feito usando software livre