Altos feitiços e muita azaração

16 de julho de 2009   —   18:45:29
harrypotter

O que você acha que eles estão dizendo?
Ponha nos comentários…

 

“Alem dos perigos que rondam a escola, os adolescentes estao com os hormonios a flor da pele, o que promete muito romance no ar.”

 

Malhação? Não, é um trecho da sinopse de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, direto do site do UCI.

30 de abril de 2006   —   11:56:37

No alarms and no surprises

Trilha sonora recomendada:
Radiohead – No surprises
Muse – Hysteria
Chico Buarque – O que será
Eu prefiro chuva ao sol, sabe? na verdade, não precisa nem da chuva, o que não aguento é o calor. Dia bom pra estar numa praia mais vazia, sentado na areia. ainda que com a chuva. Mas isso que tenho talvez seja porque tempo frio e praia lembre de quando tive em Florianópolis, não apenas pelo fato de eu realmente gostar. Passei um tempo sentado numa duna lá, sozinho, pensando como eu estava bem, e estava “limpo”, porque tinha tirado da cabeça um monte de problemas e tava meio que recomeçando do zero comigo mesmo. Ali, nada importava, mas eu sentia algo que deve ser o que chamam por aí de paz de espírito.

Meses atrás, num desses dias chatos em que a vida não parece tomar rumo nenhum, um amigo meu – Alex, cadê você? – disse que eu precisava ver um pôr-do-sol. E lá fora tá caindo uma chuva grossa daquelas, não dá pra ver direito os prédios a dois quarteirões daqui, e algo me faz falta e eu não sei o que é, sei que está numa duna distante duma praia do sul e eu queria agora. Mas como disse a Joana agora há pouco, momentos como esses parecem valer pra vida toda; a gente sente falta deles, mas eles vêm sozinhos, na hora certa… sabem o caminho.

E você quer ler um livro, quer ver os amigos, ou simplesmente ficar na sua sem pensar em nada, mas tem 472 milhões de coisas na sua cabeça te consumindo e você não sabe o que fazer com elas. A chuva tá caindo mais grossa ainda lá fora, você – eu – solta uma risadinha forçada pensando quando vai cair a primeira pedra de granizo na sua janela… mas você tá suando dentro do quarto, dá pra sentir o coração batendo pesado e o peito oscilando, tá passando alguma coisa sem graça na TV, você quer sair dali mas não sabe pra onde nem como, tem outras coisas pra fazer e não há um pingo de disposição batendo no vidro.

No meu minúsculo tempo livre, tô tentando ler os livros que estão pela metade. Uns eu nem sei por que parei de ler, outros me lembram alguma época chata por que passei quando estava lendo e me causam alguma repugnância. Livros pela metade numa prateleira são pendências e pendências – livros abertos esperando duma conclusão – não me fazem bem.

Ê domingo chato.

26 de abril de 2006   —   12:31:41

Yes stress
É mais fácil achar um político honesto em Brasília que tempo livre na minha agenda. Tem sido assim nos últimos meses, e o amigo leitor já deve ter percebido. Meus amigos perceberam e constantemente escuto pessoas dizendo que estou sumido.

Não é por menos, vejam só que maravilha meu cotidiano: da casa pra faculdade, da faculdade pro inglês, aí engulo alguma coisa que deveria se chamar almoço, corro pro estágio e, umas sete da noite, volto pra casa devidamente moído. Aí não aguento mais olhar pra computadores, quero comer, deitar, tomar um banho… aí tenho que estudar também, e resolver alguma coisa que tenha ficado pendente durante o dia.

Aí chegam os fins de semana, certo? Errado. Alguns sábados de manhã acabam indo parar em horas extras do estágio pra faturar algum dinheiro extra. Aliás, dinheiro é um treco que vicia. Quanto mais você ganha, mais você quer ganhar. Quando você percebe, está engrossando as fileiras das pessoas que estão perdendo saúde pra ganhar dinheiro, e que daqui a uns anos estarão perdendo dinheiro pra ganhar saúde.

No sábado à tarde, até meados de julho ou agosto, estarei ocupado com um curso. Sim, curso sábado à tarde, pra ter um item a mais no currículo e um emprego melhor daqui a um tempo. Sacrifício, investimento, loucura, tem vários nomes. Quando penso no horário e no cansaço, é sacrifício. Quando penso no emprego que posso ter daqui a um tempo, é investimento. Quando lembro que tenho hobbies, amigos e sono, eu chamo de loucura.

Como se não bastasse, parece que mexer mais com computadores acaba diminuindo a inspiração da gente. Deve ser por isso que a maioria da turma da faculdade não escreve bem e assassina a língua-mãe, mas faz conta que é uma beleza.

E assim, pouco a pouco, a gente vai pirando. Mas qualquer dia escrevo mais alguma coisa aqui.

Atenção, cocotas!

30 de março de 2006   —   11:22:28


Esse é o tipo de homem delicado que
minhas amigas andam namorando

É um hábito meu há anos servir de conselheiro amoroso para várias amigas minhas. Algumas chegam pra mim com as queixas mais absurdas possíveis. Tem namorado que não liga todo dia, que prefere sair com os amigos na maioria das vezes, que não dá notícia nem quer notícia, que não lembra que tem namorada e continua atrás de mulheres, mas que se a mulher der um telefonema prum amigo o cara se morde todo. Outros até se esforçam, mas o cérebro masculino às vezes tem seu intelecto limitado. O que fazer?

Pensando na minha experiência de ouvinte, em algumas habilidades pessoais e em ganhar uma grana extra, decidi salvar minhas amigas através do fabuloso

Workshop de Capacitação de Namorados:
otimizando o cromossomo Y

Aula 1: Lugar de cachorro é na carrocinha
Essa aula ensina princípios de como tornar-se um homem de boa conduta moral, deixando de ser galinha. Aplica-se a homens solteiros ou não e é praticamente um pré-requisito para todas as outras aulas. Aqui aprende-se a parar de mentir pra cocota e de tratar seres humanos como objetos. Quem não gostar dessa aula, desista das outras.

Aula 2: Aprendendo a ter coragem
Coragem não se resume a não ter medo de barata, o homem frouxo é a versão masculina da mulher cu doce e é uma tragédia (você não imagina o que já tive de ouvir por causa deles). O homem deve saber o que quer e ser decidido, ou então ficar em casa brincando de Comandos em Ação.

Aula 3: Quem não dá assistência abre concorrência
Alguns amigos meus preferem deixar a namorada em casa e ir sair com os amigos. Nada contra sair com os amigos, mas a partir do momento que isso se torna constante, temos um problema, e o sujeito acaba perigando levar um belo dum chifre. Ah, quem mandou ir jogar beber cerveja assistindo futebol com os amigos?

Aula 4: Presentes: como escolhê-los e embalá-los?
Módulo extra: Oficina de embalagens
Homens são péssimos em escolher presentes e isso é um fato, principalmente quando se trata de jóias, acessórios, sapatos… Fora que embora seja algo básico, algumas pessoas esquecem que presente exige embalagem e dão o presente parecendo algo que eles compraram pra si mesmos. Tsc tsc.

Aula 5: Como fugir dos sogros
Boa parte dos casais tem aquele famoso horário proibido, onde ele não pode pisar na casa dela. Esse horário às vezes é burlado, e este módulo prima em treinar o namorado para manter a calma e fugir, sem que seu sogro ou sogra o faça virar um eunuco.

Aula 6: Tornando-se um discípulo do Mestre Wando
Dispensa explicações: uma pitada de safadeza é fundamental.

Aula 7: Superando a dor da perda
Elas reclamam, levam chifre, pé na bunda, ouvem desaforo, mas no fim das contas algumas mulheres não suportam ser bem tratadas e, após você aplicar os princípios aprendidos nas aulas anteriores, provavelmente vão trocar você por um brutamonte com QI menor que um smurf. Não, não é hora de virar um homem cachorro. A esperança é a última que morre e essa aula tenta manter acesa a chama da esperança em seu coração. (que lindo)

Aula 8: Considerações finais
Revisa as aulas passadas e pontos importantes. Além de evitar futuros chifres, você ainda ganha um diploma.

O currículo é esse e está devidamente preparado. Caso alguma amiga minha queira patrocinar e dar sugestões, por favor, entre em contato!

Vivendo e aprendendo: glossário de Arquitetura para não-arquitetos

8 de janeiro de 2006   —   09:40:28
Andar com estudantes de Arquitetura é um negócio complicado. Ainda mais quando você é dum curso de Exatas. Os arquitetos, provavelmente revoltados no meio de sua eterna crise de identidade por não serem nem do Estilismo nem da Engenharia (eu tinha que usar essa piada aqui), desenvolveram todo um vocabulário próprio. Eles pegaram coisas simples, complicaram e deram um nome enfeitado, afinal de enfeitar eles entendem. Convivendo com meus amigos da Arquitetura, ouvindo suas conversas estranhas e vendo seus projetos insólitos, acabei conhecendo um pouco da língua dessas pessoas.

Um dia ainda vou escrever um livro chamado Arquitetura para não-arquitetos – Relatos da convivência com profissionais notívagos esquisitos. Por enquanto, seguem meus esboços iniciais.

Antes de qualquer coisa, admita que tudo que você pensava que sabia está errado. E aquela coisinha entre o corrimão da sua escada e a escada propriamente dita que você nem percebia que existia tem nome.

Mão francesa: Pelo que entendi, é um treco inclinado que serve pra segurar uma estrutura. Onde viram uma mão francesa, Deus sabe.

Planta baixa: representação num plano de uma construção vista de cima, sem o telhado. Lembra do filme Dogville e dos apartamentos nos classificados? Pois é.

Pé direito: pé direito é a altura entre o piso e o teto. Não me pergunte por que é direito e não esquerdo.

Pergolado, também conhecido como pergo-o-quê?: é uma estrutura apoiada em colunas, feita de elementos paralelos, tipo umas tábuas de madeira, alvenaria, concreto.

Pivotante e basculante: uma porta, portão ou qualquer coisa que gire ao redor dum eixo vertical é pivotante. Tipo 98,7% das portas que se vêem por aí e algum arquiteto desocupado (se é que existe um) decidiu classificar. Quando gira ao redor dum eixo horizontal, é basculante.

Guarda-corpo: não é um caixão. Acredite, guarda-corpo é uma grade de proteção usada em escadas, balcões… Se tivesse uma na escada daqui de casa há uns anos, uma empregada nunca teria ficado entalada entre a parede e a escada. Mas isso é outra história.

Vigas e pilares (essa é fabulosa e guardei pro final!) : todo mundo pensa que são a mesma coisa, mas em resumo, vigas são horizontais e pilares são verticais! Um pilar redondo é uma coluna! (o trecho riscado gerou polêmica e falta de consenso) E não confunda os dois perto dum arquiteto. Eles vão fazer careta e se sentir superiores.

A partir de agora, você não precisará chamar essas fabulosas estruturas de “aquele troço ali, ó!”, porque eu tive o trabalho de descobrir o nome (enquanto alguém devia pensar “que burro, não sabe o que é um pergolado…” e ria por dentro).

E por favor, estou aberto a sugestões, adições e correções.