Altos feitiços e muita azaração
Ponha nos comentários…
Malhação? Não, é um trecho da sinopse de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, direto do site do UCI.
Malhação? Não, é um trecho da sinopse de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, direto do site do UCI.
Faz tempo que tenho algo pra escrever e não consigo. São aquelas idéias ligadas de algum jeito, mas que não dá pra saber qual é a primeira e qual a última. E esse texto já foi escrito, apagado e reescrito algumas vezes. Ah, sei lá.Só sei que as coisas mudam. E que a gente muda. E que é curioso. Volta e meia me pego pensando num dia aí, pra ser mais exato 11 de junho do ano passado. Eu tava voltando do aniversário duma amiga minha no Cumbuco (pônei!), quando meu amigo que ia dirigindo falava das pessoas que moravam perto de Fortaleza mas trabalhavam na cidade, ou algo do gênero, e falou que podia pensar em fazer algo do gênero quando fosse mais velho, tivesse uma vida financeira estável e coisas como sair à noite todo sábado pro nosso mesmo canto de sempre e que estava em alta entre a gente perdessem a importância.
Na minha cabeça, aquilo não desceu. Soou tão chato pensar numa época dessas, quando ficaríamos em casa, ou tentaríamos algum programa mais light. Naquela época eu havia me surpreendido com um 2 na casa das dezenas da minha idade, eu saía toda sexta e sábado à noite, pedindo dez reais pro meus pais, e coisas como trabalho e um futuro digno não estavam em primeiro plano. Confesso, meio envergonhado.
Mas se a gente não toma jeito, a vida dá lá seus jeitos nisso, e ainda que a gente não perceba, a gente vai evoluindo (felizmente, porque tem gente que caminha pra trás…). Meu rumo na faculdade ficou mais sólido, antes tarde do que nunca, e comecei a trabalhar. Num canto chato pra caralho, mas era trabalho, era dinheiro, era do meu suor. E que suor, porque naquela birosca não tinha nem ar-condicionado.
Ao mesmo tempo, a gente fica meio cansado, e aquela putaria de todo santo sábado perde a graça. A gente começa a olhar até mesmo pro ambiente em que estamos com olhos de estrangeiro, e pensar se é aquilo que queremos a vida toda. E, se a gente não se manca e se esforça pra mudar, não há pai, mãe ou Deus que mude. Aí a gente parte pra outra.
Tem coisa que não dá mais, que vira sacrifício, que a gente tem que abstrair pra não morrer de desgosto. Que, por mais que a gente nunca tenha estado dentro, parece melhorar estar do lado de fora. E fica chato conviver com quem faz da bebida muleta, ou não tem diversão; com quem tem que beijar, senão não é festa; com revolucionários de mesa de bar e com quem apela pras drogas como forma de alívio pra tudo que nunca vai acabar. Tão preciosos alívios nunca vão acalmar nossa angústia interior, não vão resolver problemas, não vão preencher nossos vazios, não vão nos fazer realmente felizes e não vão trazer a paz que cada um de nós procura e que a gente transfere pra tanta coisa volátil e desnecessária.
O que resolve problema, o que alivia, o que muda situação é se mexer. Virei alguém que cansou de apenas sonhar pra começar a brigar pelos sonhos, e que quando tava no vale da sombra e da morte aprendeu a ser otimista, ainda que sem motivos (e não é aí que está o otimismo?). E percebi, ainda que devagar, se a gente brigar um pouquinho por nós todo dia, as coisas vão se encaixando.
São essas as coisas que a gente aprende, às vezes sendo necessárias algumas perdas para tanto. Tenho uma alma que já levou muita porrada, e que talvez ainda vai levar muitas. Mas que cresceu, e aprende cada dia melhor onde se meter e onde não, que sabe onde mora comodismo, conformismo e armadilhas, e qual caminho leva adiante.
Tô em outra.
No alarms and no surprises
| Trilha sonora recomendada: Radiohead – No surprises Muse – Hysteria Chico Buarque – O que será |
Meses atrás, num desses dias chatos em que a vida não parece tomar rumo nenhum, um amigo meu – Alex, cadê você? – disse que eu precisava ver um pôr-do-sol. E lá fora tá caindo uma chuva grossa daquelas, não dá pra ver direito os prédios a dois quarteirões daqui, e algo me faz falta e eu não sei o que é, sei que está numa duna distante duma praia do sul e eu queria agora. Mas como disse a Joana agora há pouco, momentos como esses parecem valer pra vida toda; a gente sente falta deles, mas eles vêm sozinhos, na hora certa… sabem o caminho.
E você quer ler um livro, quer ver os amigos, ou simplesmente ficar na sua sem pensar em nada, mas tem 472 milhões de coisas na sua cabeça te consumindo e você não sabe o que fazer com elas. A chuva tá caindo mais grossa ainda lá fora, você – eu – solta uma risadinha forçada pensando quando vai cair a primeira pedra de granizo na sua janela… mas você tá suando dentro do quarto, dá pra sentir o coração batendo pesado e o peito oscilando, tá passando alguma coisa sem graça na TV, você quer sair dali mas não sabe pra onde nem como, tem outras coisas pra fazer e não há um pingo de disposição batendo no vidro.
No meu minúsculo tempo livre, tô tentando ler os livros que estão pela metade. Uns eu nem sei por que parei de ler, outros me lembram alguma época chata por que passei quando estava lendo e me causam alguma repugnância. Livros pela metade numa prateleira são pendências e pendências – livros abertos esperando duma conclusão – não me fazem bem.
Ê domingo chato.
Não é por menos, vejam só que maravilha meu cotidiano: da casa pra faculdade, da faculdade pro inglês, aí engulo alguma coisa que deveria se chamar almoço, corro pro estágio e, umas sete da noite, volto pra casa devidamente moído. Aí não aguento mais olhar pra computadores, quero comer, deitar, tomar um banho… aí tenho que estudar também, e resolver alguma coisa que tenha ficado pendente durante o dia.
Aí chegam os fins de semana, certo? Errado. Alguns sábados de manhã acabam indo parar em horas extras do estágio pra faturar algum dinheiro extra. Aliás, dinheiro é um treco que vicia. Quanto mais você ganha, mais você quer ganhar. Quando você percebe, está engrossando as fileiras das pessoas que estão perdendo saúde pra ganhar dinheiro, e que daqui a uns anos estarão perdendo dinheiro pra ganhar saúde.
No sábado à tarde, até meados de julho ou agosto, estarei ocupado com um curso. Sim, curso sábado à tarde, pra ter um item a mais no currículo e um emprego melhor daqui a um tempo. Sacrifício, investimento, loucura, tem vários nomes. Quando penso no horário e no cansaço, é sacrifício. Quando penso no emprego que posso ter daqui a um tempo, é investimento. Quando lembro que tenho hobbies, amigos e sono, eu chamo de loucura.
Como se não bastasse, parece que mexer mais com computadores acaba diminuindo a inspiração da gente. Deve ser por isso que a maioria da turma da faculdade não escreve bem e assassina a língua-mãe, mas faz conta que é uma beleza.
E assim, pouco a pouco, a gente vai pirando. Mas qualquer dia escrevo mais alguma coisa aqui.
Pensando na minha experiência de ouvinte, em algumas habilidades pessoais e em ganhar uma grana extra, decidi salvar minhas amigas através do fabuloso
Aula 1: Lugar de cachorro é na carrocinha
Essa aula ensina princípios de como tornar-se um homem de boa conduta moral, deixando de ser galinha. Aplica-se a homens solteiros ou não e é praticamente um pré-requisito para todas as outras aulas. Aqui aprende-se a parar de mentir pra cocota e de tratar seres humanos como objetos. Quem não gostar dessa aula, desista das outras.
Aula 2: Aprendendo a ter coragem
Coragem não se resume a não ter medo de barata, o homem frouxo é a versão masculina da mulher cu doce e é uma tragédia (você não imagina o que já tive de ouvir por causa deles). O homem deve saber o que quer e ser decidido, ou então ficar em casa brincando de Comandos em Ação.
Aula 3: Quem não dá assistência abre concorrência
Alguns amigos meus preferem deixar a namorada em casa e ir sair com os amigos. Nada contra sair com os amigos, mas a partir do momento que isso se torna constante, temos um problema, e o sujeito acaba perigando levar um belo dum chifre. Ah, quem mandou ir jogar beber cerveja assistindo futebol com os amigos?
Aula 4: Presentes: como escolhê-los e embalá-los?
Módulo extra: Oficina de embalagens
Homens são péssimos em escolher presentes e isso é um fato, principalmente quando se trata de jóias, acessórios, sapatos… Fora que embora seja algo básico, algumas pessoas esquecem que presente exige embalagem e dão o presente parecendo algo que eles compraram pra si mesmos. Tsc tsc.
Aula 5: Como fugir dos sogros
Boa parte dos casais tem aquele famoso horário proibido, onde ele não pode pisar na casa dela. Esse horário às vezes é burlado, e este módulo prima em treinar o namorado para manter a calma e fugir, sem que seu sogro ou sogra o faça virar um eunuco.
Aula 6: Tornando-se um discípulo do Mestre Wando
Dispensa explicações: uma pitada de safadeza é fundamental.
Aula 7: Superando a dor da perda
Elas reclamam, levam chifre, pé na bunda, ouvem desaforo, mas no fim das contas algumas mulheres não suportam ser bem tratadas e, após você aplicar os princípios aprendidos nas aulas anteriores, provavelmente vão trocar você por um brutamonte com QI menor que um smurf. Não, não é hora de virar um homem cachorro. A esperança é a última que morre e essa aula tenta manter acesa a chama da esperança em seu coração. (que lindo)
Aula 8: Considerações finais
Revisa as aulas passadas e pontos importantes. Além de evitar futuros chifres, você ainda ganha um diploma.
O currículo é esse e está devidamente preparado. Caso alguma amiga minha queira patrocinar e dar sugestões, por favor, entre em contato!