o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
21 de julho de 2008

Sobre as energias

David Cunha, o Espanta

Os amigos leitores hão de me perdoar a falta de exatidão da data, mas foi em agosto ou setembro de 1994, quando este que vos escreve tinha apenas 9 anos, que minha família me levou pela primeira vez a um show do finado humorista Espanta (que na época atendia por Espanta Jesus, pois alegava ser tão feio que espantava o pai, o filho e o Espírito Santo, e reduziu o nome por questões religiosas).

Nunca esqueci do Espanta contando uma piada sobre um casal de velhinhos dormindo, de madrugada, quando a velhinha acorda passando mal:

– Meu véi…
– Quié?
– Tá me dando uma coisa…
– Pois receba.
– Meu véi… É uma coisa ruim!
– Pois devolva.

Talvez o Espanta não soubesse, mas além de humorista ele era um pouco filósofo.


Definição pessoal de Deus: Deus é energia em movimento.


A vida tem lá seu jeito de nos enviar sinais, e algo acima de nós tem lá seu jeito de nos indicar caminhos. Precisamos ter mente e coração abertos pra captá-los.

Nuff said.

26 de março de 2008

Aprendendo a pedalar

Foi num dia desses qualquer que eu pensei que eu precisava dum hobby saudável. Jogar FarCry nos fins de semana é um ótimo hobby, mas não é saudável. E eu também ando tremendamente sedentário e precisava fazer atividade física, mas falta paciência pra malhar. Meu único horário vago pra academia é à noite, quando você pega uma fila com 5 pessoas pra usar o supino e, quando você finalmente consegue, ainda fica um cara mais forte que você (e vestindo o abadá do Fortal passado) esperando na fila com cara de “Esse aparelho é meu!”.


O cruel supino da morte

O cruel supino da morte. Fonte: Wikipedia

Pensei, então, em pedalar. Mas pedalar numa bicicleta normal, nada de bicicleta ergométrica, que você pedala e não sai do canto. Só tem um problema: no auge dos meus 22 anos, quase 23, eu nunca havia aprendido a andar de bicicleta.

(essa é a hora que você, que aprendeu a andar de bicicleta com 7 anos, ri.)

O que você não imagina é que, quando você chega numa roda de pessoas e fala que não sabe andar de bicicleta, aparece um monte que também não sabe, só que elas têm vergonha de admitir até que alguém o faça. Como ando numa fase de renovação e desafios, encarei.

Bem, pensei em conseguir uma bicicleta emprestada pra aprender. Procurei, procurei, e nada. Ninguém tem uma bicicleta encostada pra emprestar. Quando se passa o dia com estudantes de Computação e a noite com pessoas que escutam rock alternativo, você só tem amigos sedentários. Minha mãe, a Cocota e a psicóloga deram o apoio, e eu já tava pesquisando preços de bicicleta quando meu pai decidiu comprar minha idéia e me deu uma de presente.


Caloi Aluminum

Meu brinquedo novo: uma Caloi Aluminum

A escolhida foi uma Caloi Aluminum, uma mountain bike boa pra iniciantes e que anda com dignidade em vários terrenos. Pra escolha contei com auxílio do site Escola de Bicicleta e da comunidade do orkut Bicicleta: o melhor transporte. Se você for comprar uma bicicleta, evite as marcas estranhas e as bicicletas muito baratas da TV e supermercados: elas são pouco resistentes e, segundo a mulher da loja onde montei minha bicicleta, muitas delas já vêm com defeito.

Acabei aprendendo a andar no quintal de casa mesmo (e apesar da insistência de alguns amigos, sem rodinhas). O quintal não é muito grande, mas é o suficiente pra aprender a se equilibrar e pedalar uns poucos metros. Treinando uns 10 minutos por dia, a façanha se deu em poucos dias. Eu imaginei que ia cair e me quebrar, mas ao perder o equilíbrio é só encostar o pé no chão.

Se você também for um adulto que não aprendeu a andar de bicicleta, a dica: não adianta insistir se você está sem paciência, mas tente um pouco todo dia. Tente pegar impulso no chão, pedalar e confiar na Física, se a bicicleta entrar em movimento você não cai. Num belo dia, duma hora pra outra a mágica acontece e você está se equilibrando. Quando as coisas vão começando a melhorar e você vai se sentindo mais leve e relaxado, é uma alegria praticamente infantil.

Já consigo me equilibrar direito, só preciso pegar uma prática melhor com os freios e as marchas. Falta agora achar outros não-sedentários (ou aspirantes a não-sedentários) dispostos a participar da empreitada e pedalar em grupo. Alguém topa?

15 de março de 2008

2008

Sim, eu sei que já estamos em março. Mas o ano começa depois do Carnaval, não é? Bem, já estamos quase na Semana Santa e, pouco a pouco, vou tentando traçar planos pra um 2008 leve.

  • Me alimentar melhor. Nos últimos dias venho tentando me educar pra comer salada e evitar refrigerantes. Tenho tido algum sucesso, e uma vez por semana me permito fugir da regra e até almoçar um sanduíche.
  • Fazer atividade física. Sedentarismo não faz bem pra ninguém e pra diabéticos faz menos ainda. Fazer atividade física é uma maneira saudável de produzir endorfina. Estou pensando em pedalar, que é um hobby saudável. Jogar FarCry é um hobby, mas não é saudável.
  • Mais tempo com as pessoas queridas. É o que alivia a barra nos fins de semana e em alguns intervalos de tempo durante a semana. E é uma parte difícil.
  • Tentar levar a faculdade de maneira equilibrada. Preciso me organizar e me deixar abater menos por essa cruz que carrego e que é fonte de 90% das minhas lamentações diárias.
  • Juntar dinheiro. Pra isso vou tentando ser mais econômico. Quero comprar meu notebook entre o fim de 2008 e metade de 2009.
  • Ler mais livros. E quando falo ler livros, são coisas que não estejam relacionadas a trabalho e faculdade.
4 de março de 2008

As pessoas

ou Momento diarinho: um texto ao vivo

Três horas vagas.

Três horas entre uma aula e outra. Eu devia estudar, se não tivesse esquecido o livro em casa. Ao invés disso, vou comer alguma coisa, e penso em como vou preencher as próximas horas. Comecei comprando uma caneta. Minha antiga caneta azul acabou a tinta, após anos de bom trabalho. Ela exercia sua função com maestria desde agosto de 2005.

Saio do shopping rumo ao CH. O Centro de Humanidades é o setor da universidade onde ficam as Casas de Cultura Estrangeira. Muito ali mudou, foi reformado. Mas não tarda para acontecer tudo mais uma vez, e as pessoas começam a surgir. Fazia dois anos que eu não andava ali àquela hora, mas acontece tudo de novo: eu encontrando vários amigos no ponto de encontro de anos atrás.

Parece que tenho 17, 18, 19 ou 20 anos de novo. Lembro como era bom encontrar os amigos ali, numa época que eu tinha menos preocupações. Alguns problemas de hoje até já existiam, mas eu me preocupava menos com eles. O tempo passa e a gente fica adulto e preocupado.

“Preciso de um ano sabático”, eu falei mais cedo pra uma amiga minha. 22 anos, quase 23, e o jovem de poucos anos atrás se sente velho e cansado. Faltou descanso e tempo pras coisas do coração. No fim das contas, não importa dinheiro e diploma, o mais importante da vida são as pessoas. Todo dia eu tento me convencer disso, enquanto a faculdade tenta me convencer do contrário.

Minha amiga respondeu dizendo que eu podia levar uma vida mais sabática ou coisa do tipo. E eu soube o que ela quis dizer.

(paro de escrever: felizmente interrompido por mais amigos, conversas, uma aula que não teve; volto pra casa e continuo a escrever horas depois)

Eu preciso aprender a conciliar as coisas. Não sei se isso me levou a escolher minha carreira profissional ou se foi o contrário, mas me tornei um homem de zeros e uns, de intervalos discretos bem-divididos – um homem de extremos. Quando me dedico a algo, esqueço o resto do mundo. Ou sou um vagabundo, ou sou um workaholic. Preciso descobrir o caminho do meio.

Ando com alguns planos pra tentar levar uma vida mais equilibrada, fazer coisas simples pra relaxar e aliviar a tensão. Por enquanto, hoje vou dormir feliz. Nada como as surpresas: um intervalo de três horas que tinha tudo para ser chato foi simplesmente espetacular e valeu o dia.



15 de fevereiro de 2008

O princípio da impermanência

Se mudar, sem dúvida e com o perdão pela próclise no início da frase, é uma grande experiência. Estou me mudando pela primeira vez em 22 anos, ou seja, estou mexendo em cacarecos acumulados por 22 anos. E quando falo grande experiência, posso dizer que é igualmente chata; quando falo grande experiência, posso dizer que é grande por também ser duradoura: está demorando semanas. Mas aos poucos vamos voltando à zona de conforto.


Quarto antigo

Meu antigo quarto, durante a grande bagunça da mudança.
Patifaria, video games, ventilador, computador,
Alexandre Frota, Rita Cadillac…

Se mudar traz alguma coisa de maturidade. Você inevitavelmente vai se desfazer de alguma coisa, se quiser ter menos trabalho para levar as coisas para seu novo destino. Isso também vai acontecer se você tiver menos espaço em sua nova morada. Isso traz algum trabalho de escolha e desapego. Hoje me peguei olhando para coisas antigas, como brinquedos e papéis, até mesmo antigas tampinhas do adorado Guaraná Brahma que guardei sabe Deus a razão e que devem ter feito parte de algum recreio feliz entre 90 e 92 com um salgado de presunto e queijo ou uma mini-pizza, e pensei em como eu ia conseguir me livrar daquilo; na verdade, pensei em como eu não ia conseguir. Lembrei do budismo e de todas as lições sobre desapego e impermanência. Lembrei de Roberto Carlos, e cantarolei um de meus refrões favoritos do Rei: essas recordações me matam.

Se mudar traz alguma coisa de experiência de vida. A menos que você tenha quem o faça por você ou quem se preocupe com você, você vai lidar com experiências totalmente novas: instalações elétricas, pinturas de cômodos, instalações hidráulicas, e por aí vai. É algo que te aproxima do mundo adulto e te afasta da infância, quando você não se preocupava com nada porque você só precisava viver enquanto os outros ajeitavam o mundo pra você.

O que é não é destino é passagem, e nessa viagem que é a vida ninguém sabe onde vai chegar. No fim das contas, a gente está sempre indo pra algum canto novo, batalhando algo novo, planejando uma mudança. E se não há um destino, um local de chegada, bem, por eliminação da disjunção então só há passagem. Assim provamos o princípio da impermanência, CQD.


Quarto novo

Esse é meu quarto novo, dias atrás, ainda sem colchão na cama.
Pra que dormir quando se tem computador?
E sim, eu agora tenho uma parede verde

Moro em outro canto diferente do que morei em 22 anos. Estou indo trabalhar num canto diferente de onde trabalhei durante um ano e pouco. A Cocota foi estudar uns meses na Espanha e só volta em agosto. Mudaram também algumas coisas que não deviam ser citadas aqui, mas são mudanças grandes. Aprendi, em outras mudanças de outros carnavais, que a vida não nos dá a opção de parar um pouco as coisas enquanto você se acostuma com algo, e esse aprendizado me rendeu alguma tranquilidade nas últimas semanas.

Às vezes eu me pego pensando em algo, algo que o Villar soube descrever bem num texto dele: é interessante como há uns anos a gente nunca imaginou estar onde estamos hoje. Imprevistos chatos ou oportunidades melhores surgem a todo tempo e mudam nossos planos e até nossos sonhos. É… nada permanece.

E assim a vida segue seu curso, nos trazendo mudanças. E ou você vive com elas, ou vive com elas. E quando você menos perceber, até você mudou.

29 de janeiro de 2008

Google e os 50 anos de Lego

Google e Lego

 

Ontem, ao acessar o Google nosso de cada dia, vi essa brincadeira genial na marca do pai dos burros moderno: uma homenagem aos 50 anos do Lego. Nada mais justo: Lego, na minha opinião, é um brinquedo pra todas as idades.

Não tenha dúvidas que quando eu ficar rico vou gastar horrores comprando os famigerados bloquinhos de montar. Sem contar, óbvio, nas edições especiais do Lego, como Lego Star Wars (no JáCotei tem uma lista com alguns e seus preços, fique à vontade pra me dar de presente, sim?).

Lego Star Wars
 
lego-star-wars-2.jpg

Esse vai pra lista de sonhos de consumo

10 de janeiro de 2008

Férias!

“Férias” talvez seja a palavra mais bonita do dicionário. E, pela primeira vez em tempos, me afastei do blog não por excesso de obrigações, mas de prazeres.

Tenho me sentido estranho nos últimos dias. Na verdade, tenho tido sensações que há muito tempo não sentia. Começou quando as aulas acabaram e tive férias da faculdade. Depois veio o recesso de fim de ano, e me peguei sem aulas nem trabalho. Deus, há quanto tempo eu não tinha um dia pra ficar em casa, sem pensar em obrigações? Há quanto tempo eu não passava um dia sem me cobrar alguma coisa?

Sei que, nos últimos dias, tenho feito um esforço para cobrar de mim mesmo algum descanso, alguma atenção às coisas que gosto de fazer. Ler os livros atrasados, desenterrar aquele jogo antigo, pôr pra andar a lista de filmes, encontrar os amigos (e amor, vê se volta logo de viagem). Tenho tomado doses maciças de eu-mesmo que têm me feito um bem danado, e tento rejuvenescer hoje os anos que envelheci durante 2007, que já foi tarde.

Penso muito sobre a maneira como levei os últimos tempos, tanto trabalho, tantos estudos e tão pouca distração. Tenho uma preocupação constante sobre como tentar manter a calma quando tudo começar de novo, mas preocupações são algo que minha cabeça está tentando expulsar, eliminar, adiar, então guardo-as para discuti-las depois com quem puder me dar alguma luz.

Mas vamos ao que importa.

Zelda!Finalizei The Legend of Zelda - Majora’s Mask, pra Nintendo 64, que comprei há mais de 4 anos mas nunca tinha tempo pra jogar direito. Bem, agora preciso dum Nintendo Wii pra continuar jogando o resto da linha Zelda. Alguém me dá R$ 1.700,00?

Depois de assistir todos os episódios disponíveis de Lost e Heroes, fiquei órfão de seriados. Comecei a assistir House e Dexter. House é muito bom, o Silveira havia feito uma descrição básica do que se tratava o seriado e lembrei dela quando fui procurar por um seriado novo (meio estranho, não, procurar por seriados?). Dexter tinha sido uma recomendação do meu antigo professor de guitarra, quando eu fazia aulas.

House!

House. Isso vicia.

E tenho tentado pôr pra caminhar minha lista enorme de filmes também, mas House está atrapalhando tudo. E tenho tentado ler um bocadinho também. Como eu estava dizendo pra Cocota hoje via MSN, tenho muitos planos pra pouca vida. Se eu somar os livros que existem pra ler, os filmes pra assistir, os lugares pra conhecer, bem, acho que preciso dumas duas vidas.

No mais, tenho conseguido ver bastante as pessoas queridas que não vejo faz tempo. Semana que vem a Cocota chega de viagem pra eu matar a saudade. E, quando as aulas voltarem, eu estarei pronto pra outra. Espero.

8 de dezembro de 2007

Coisas que gostaríamos de não passar nesse fim de ano


CD chatíssimo da Simone

A Simone garantiu dinheiro pro resto da vida, imagina
quantos CDs chatos como esse são vendidos todo ano


 

Fim de ano é época de festas, não? Mas isso também implica numa porrada de coisas chatas. Sem falar que o pobre do aniversariante é pouco lembrado, talvez nem tenha nascido em dezembro e há toda uma coação para que todos sejam obrigados a ficar festivos no fim do ano.

Numa dessas noites, antes de dormir, comecei a elaborar a lista mental de chatices de fim de ano:

  • Simone;
  • Ivan Lins;
  • Confraternizações com pessoas que não lhe deram a mínima o resto do ano e vão continuar assim ano que vem;
  • Papais Noéis bizarros perambulando em estabelecimentos comerciais que queriam economizar no bom velhinho;
  • Shoppings lotados;
  • Desmontar a árvore de Natal depois das festas;
  • Reveillon vendo o Show da Virada na Globo (pra quem terminou o ano velho liso e vai começar o ano novo loser);
  • Fazer aniversário perto do Natal e só ganhar um presente;
  • Fazer aniversário 24 de dezembro e não ter ninguém na sua festa;
  • Perceber que não cumprimos as promessas pro ano novo que fizemos ano passado;
  • Fazer mais promessas que não vamos cumprir ano que vem, afinal ninguém é de ferro e ano novo é a esperança que se renova… :)


5 de setembro de 2007

Estrelas

O homem de negócios

O homem de negócios, em O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry



 

“Você deve ter em mente que um caminho é só um caminho; se você sente que não deve segui-lo, não permaneça nele sob quaisquer condições. Para conseguir tanta clareza, você deve ter uma vida disciplinada. Somente assim você saberá que algum caminho é apenas um caminho e não é insulto, para si ou para os outros, abandoná-lo se assim pede seu coração. (…) Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o quantas vezes achar necessário. Essa pergunta apenas um velho homem faz: possui esse caminho um coração? (…) Se possui, o caminho é bom; caso contrário, não lhe serve.”

Os ensinamentos de Don Juan, Carlos Castañeda, tradução livre

 

“Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu a caminhar no céu
E foi o princípio do fim”

– Paralamas do Sucesso

 

“Boy, you’re gonna carry that weight,
Carry that weight a long time”

– Beatles

 

Acontece quando volto para casa de madrugada. Deixo pedaços de mim pelas ruas desertas, nas escadas que subo no escuro, nas escadas que eu subiria sem problemas até de olhos fechados, que tenho subido desde o primeiro dia em que aprendi a usar as pernas. Há o cheiro do cigarro alheio nas roupas, dormência nas pernas, sentida mais ainda em consequência da escalada dos já citados lances de escada, e uma mistura de alma lavada com o vazio de quem quer um pouco mais de tudo que acabou há alguns minutos.

Quanto maior a altura, maior a queda. Li em algum canto, já faz algum tempo, um depoimento duma artista que não lembro o nome – minha memória está ocupada por coisas que, francamente, não me servem – onde ela dizia que o complicado de sair do palco era que você num minuto estava interagindo com não sei quantas mil pessoas e pouco depois estava num quarto de hotel ou camarim vazio. Oh, alguém me entende.

Deixo um pedaço meu em cada abraço, talvez por isso às vezes tão forte; deixo ali um pedaço da minha alma que quer ficar sempre um pouco mais com cada pessoa boa presente no meu caminho, deixo uma parte minha que quer saber um pouco da vida de cada um, que quer presentear cada pessoa querida com algo de bom que nossa ciência ocidental jamais entenderá, algo como um desejo sincero de boa sorte.

E eu recebo, eu sei, um pouco disso tudo de volta, e é isso que me faz aguentar o tranco nosso de cada dia. Isso preenche o vazio por um tempo, depois vira um vício que, se não suprido, torna difícil acordar pras coisas sem coração.

A verdade é que me tornei um homem de ciência, e a ciência, amigos, não tem respostas, apenas perguntas. A ciência é como criança, por vezes sequer sabe o que fazer com o que tem nas mãos. E eu estou ali, dia por dia, ignorando o vazio da minha alma enquanto encho a cabeça com coisas que, se você olhar bem, não fazem sentido algum(!), mas você junta todas elas, dá alguma interpretação e toca adiante.

Sei que já fui feliz um dia. Hoje eu só sei que existo, não há tempo para pensar em felicidade enquanto me debruço sobre livros de perguntas que geram e alimentam perguntas. Pouco sei das pessoas que acolhi e me acolheram, porque estou ocupado numa eterna corrida, estou ocupado contando as estrelas que tenho e como fazê-las render.

Dia desses fui dormir pensando em amigos que alcançavam mais estrelas que eu. Hoje, após saciar meu antigo e saudável vício, eu só sei que vou dormir pensando em como tudo que eu cobicei e invejei tão pouco tempo antes era uma grande tolice. Tenho uma verdadeira riqueza comigo, que são as pessoas, talvez a única riqueza que faça sentido. E tive inveja de quem já fui, porque dessa riqueza eu já tive mais.

Mas agora sou, repito, um homem de ciência, de trabalho, de negócios. E eu não pergunto mais como meus amigos estão, eu peço resumos e relatórios, porque o tempo é curto e também é dinheiro. Hoje eu sou aquilo que o mundo quis que eu fosse e quer que eu seja. Na verdade, acho que estou indo além de qualquer cobrança alheia. Mas como disse um antigo professor meu que encontrei um dia no ônibus – outro homem de ciência, embora de outras ciências –, amor não enche barriga. Contemos estrelas, então.

Não há tempo para sentir qualquer coisa, não há tempo para amar, lamentar ou ter saudades, ou eu perco a conta das minhas estrelas. E, no domingo à noite, dispo-me de meus sentimentos para vestir o traje de homem de ciência na segunda de manhã, como uma fantasia dum carnaval de máscaras tristes.

Contemos estrelas, repito.

Contemos estrelas.

24 de julho de 2007

EU TÔ DE FÉRIAS, CAR@#$%!

Não, você não ficou doido. É 24 de julho e estou de férias há menos de 24 horas. E vou fazer um texto todo enfeitadinho de figuras nonsense e piadinhas infames, no melhor estilo dos textos do Silveira no Eu podia tá matando, só porque a Ana Paula (minha namorada) passou um tempão rindo lendo os textos dele.

Mas continuando, doido fiquei eu. Enquanto a maioria dos meus amigos está de férias há 2 semanas ou mais, alguns professores foram muito, muito além dos prazos estabelecidos pela faculdade. Esse semestre foi marcado por uma tremenda desordem na faculdade.


Homem-Aranha em 1968, na ótima fase
em que foi desenhado por John Romita Sr.

Estudei mais nesse semestre que em vários outros somados. Deixei os amigos e a cocota de lado, tudo isso na esperança de um dia conseguir um canudo de papel nojento e ficar rico. Provas e trabalhos da faculdade, provas de certificações, trabalho… Tirando a parte de deixar tudo que gosto de lado, acho que valeu a pena e tudo deu certo.


– Valeu a pena! Ê, ê!

E, enfim, chegaram as férias. É estranha a sensação que sinto de ontem pra hoje: sem nada pra estudar e sem nenhum trabalho da faculdade, eu tenho a nítida impressão de que tô negligenciando alguma coisa. Coisa de workaholic maluco.

Mas eu vou curar tudo isso com um tratamento intensivo de vagabundagem que durará até o dia 5 de agosto. Maravilha: 2 semanas de férias. Mas procurarei aproveitá-las com intensidade. Vou vagabundar até dar uma dor.

Religarei meus video games e vou jogar até dar um jeito no pulso.

Ô bicho fêi
Será que tem alguma promoção por aí
dando 150 Nintendo Wii?

Se os video games deixarem sobrar algum pulso, eu vou estragá-lo na guitarra.


Espero ter mais paciência com a guitarra
que esse cara aí.

Antes que me julguem um ignorante, eu não esqueci dos livros que tenho que ler (e devolver pra quem me emprestou, né?).


British Library, em Londres. Um dia…
Também preciso lembrar à Ana Paula que ela tem namorado. Ela já deve ter esquecido.


Quem tá certa é a Cicarelli.

E matar as xaudaxiXxXx duXx meus MiGuXoXxXx!!


"Amizade é a melhor coisa do mundo", já dizia o filósofo Tiririca.
E fotos de criança dão ibope. Mas eu prefiro a da Cicarelli…
Pra não me servir de consolo, o semestre que vem vai ser muito, muito mais corrido. Preciso correr pra minha temporada de vagabundagem, já que em no começo de 2008 provavelmente estarei num hospício e lá não deve ser muito divertido.

 
Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
:: Perfil no orkut
 
 
 
 
Eu concordo
"Não cometas nenhum ato vergonhoso, nem na presença de outros, nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
(Pitágoras)

 
"Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém."
(São Paulo)

 
"Tenho interesse no futuro porque vou passar lá o resto do meu tempo"
(Charles F. Kettening)
 


 

 

 

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