"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."
E a vida segue seu curso: emprego novo, rotina nova, coisas novas pra aprender. O futuro, que já começou, é simples e claro:
Trabalhar: posso dizer que sou feliz com minha profissão. Sou reclamão pra caramba, detestei minha faculdade mas só levei ela até o fim porque gosto do meu trabalho. E, pelo que os últimos dias têm apontado, estou otimista de estar trilhando um bom caminho.
Voltar a pedalar: não é de hoje que os amigos e/ou meia dúzia de leitores sabem do meu hobby, que ficou de lado em 2009 e retomo aos poucos em 2010. E assim minha ansiedade diminui um pouco e a diabetes vai se controlando melhor.
Ler mais livros: tenho uma pilha de livros de todos os tipos e tamanhos se acumulando há anos, esperando para ser lida. Pouco a pouco ela vai diminuindo. Sempre lembro do meu antigo professor de português do pré-vestibular, Carlos Augusto Viana, que aconselhava: quem não lê se torna um profissional medíocre.
Ver mais filmes: também tenho um monte de filmes atrasados. Tenho uma lista enorme de filmes que todo mundo já viu, menos eu (pelo menos já vi Jurassic Park e De Volta Para o Futuro).
Jogar: infeliz daquele que não reconhece o valor dos video games ou que pensa que é coisa de criança.
Viajar: não sei como nem pra onde, mas viajar é preciso e sinto uma vontade lascada. Dá um aperto no peito toda vez que vejo um avião.
Namorar:ain’t love the sweetest thing? Um porto é preciso.
Ver mais os amigos: tô devendo uns abraços pra uma turma aí.
Fotografar: de fotógrafo e DJ todo mundo tem um pouco, e fotografia é uma das coisas que abandonei pelo caminho nos últimos anos.
Voltar a tentar tocar guitarra: eu ainda vou aprender a tocar guitarra, formar uma banda e fazer um disco foda que vai ter até uma resenha elogiosa no blog do Danny, vocês vão ver.
Agora me digam como arrumo tempo pra tudo isso, sim? Por mais apertado que pareça, porém, a perspectiva é otimista.
Fui embora sem sentir desgosto pela partida, sem olhar pra trás, sem sentir saudades. Já sabia eu, após alguns meses de nossa relação, que ela não seria pacífica. A paixão durou pouco tempo, acabou assim que vieram as exigências. Eu queria que fosse leve, espontâneo e de coração, mas você queria saber tudo que se passava na minha cabeça, que eu provasse tudo.
Você queria mudar minha personalidade, isso é besteira, esqueça isso, é bom que você comece a gostar disso e daquilo. E lá fui eu, sem coragem para largar aquilo tudo, pensando até quando eu conseguiria aguentar nossa desarmoniosa convivência. Por quantas vezes me escondi de você, de cabeça baixa, pensando até quando, meu Deus, até quando. Adiei meus planos, perdi parte da minha juventude; por vezes olhei pros lados, pensando em outra vida que eu poderia ter longe de você. Mas lá estávamos nós, no dia seguinte, travando nossa batalha. Juntos? Eu diria que um contra o outro.
Mas acabou.
Eu bem aprendi que todo final é feito de um que se alivia e um que sente saudades. E se não sinto saudades, só me resta sentir o alívio e o gosto doce dos novos planos para recuperar nosso tempo perdido. É difícil acreditar nesse sabor de coisa nova que sinto todo dia de manhã, mas eu provarei dele pelo resto da minha vida, enquanto tento esquecer daqueles dias sombrios e retomar a auto-estima que você me tirou.
Só eu e Deus sabemos a medida da dor que me abateu por esses anos, da mesma forma que somente eu e Ele sabemos da felicidade e vontade de viver que se apossam de mim agora. De você, só espero que seja algo melhor de hoje em diante, embora eu prefira não alimentar essa esperança. Me despeço sem saudades.
Dedico esse post à minha faculdade, da qual me despeço após anos de calvário, com muita alegria. Por favor, não venham com aquela ladainha de “você vai sentir falta da faculdade”, porque eu não vou!
I don’t wanna be like other people are
Don’t wanna own a key, don’t wanna wash my car
Don’t wanna have to work like other people do
I want it to be free, I want it to be true
Após alguns dias de refeições pesadas, decidi comprar coisas leves e rápidas para comer, principalmente à noite, quando a coragem pra preparar algo pra comer é mínima e quando mais devo evitar refeições pesadas.
Comecei comprando uns biscoitos da Nestlé, feitos à base de cereal integral, com poucos carboidratos e muito menos gordura que a maioria dos biscoitos.
Depois comprei iogurtes light de morango, feitos com leite desnatado, e apenas 8g de carboidratos por garrafinha. Fantástico!
Estava me sentindo a mais saudável das criaturas quando, a caminho do caixa, ele estava lá. Amarelo. Imponente. De volta… O Doritos Original.
Arrasou com meu plano de vida.
Em tempo: fazia trocentos anos que eu não comia esse Doritos original. Prefiro o vermelhão mesmo, Queijo nacho.
Eu estava conversando com um colega do trabalho sobre coisas que eu devia ter feito há anos, mas eu não tinha nem a coragem nem a maturidade de hoje para tanto. E a resposta dele foi “Isso é uma música do Los Hermanos, ‘O velho e o moço’.”, e citou o trecho:
“E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?”
Já ouvi essa música muitas vezes, mas sem nunca dar a devida atenção ao trecho. Diabos. O “e se” é a melhor maneira possível de torturar a própria mente, e não é de hoje que sei que “se” é a palavra mais destruidora da nossa língua.
Olhar pra trás e lamentar minhas escolhas não adianta. Olhar pra frente, além de ser solução, é a única opção viável. É usar os limões que a gente tem hoje pra fazer a limonada, ainda que amargados pelo tempo.
Eu estava na casa do amicíssimo Pazzo, em 2007, indo estudar alguma coisa complicada, quando decidi folhear as revistas da sala dele. A sala da casa do Pazzo é tipo consultório de dentista: você acha revistas antigas dos últimos 10 anos e faz uma retrospectiva que vai desde as guerras dos últimos anos, passando pelo fim do governo FHC e pela CPI do Mensalão, até chegar nos casamentos da Adriane Galisteu.
Numa dessas folheadas, vendo aquela seção de citações que tem em toda revista tipo Veja/Época/IstoÉ/CartaCapital, achei a citação foda do John Lennon, na edição de Nº161 da revista Época, datada de 18 de junho de 2001 (e cuja capa era sobre a doação de órgãos de Marcelo Fromer, guitarrista dos Titãs, morto dias antes num acidente com um motoqueiro, lembra?).
Na época eu estava na fase mais workaholic dos últimos anos, estudando muito, trabalhando com dois meses de pagamento atrasado e saindo pouco. Ver a frase do John Lennon – tradução dos versos “Life is just what happens to you/While you’re busy making other plans”, da música Beautiful boy (Darling Boy), escrita para seu filho Sean – naquele dia foi uma porrada. Pedi para ficar com a revista, que achei dia desses, enquanto arrumava meu quarto.
Já fui muito relaxado e já fui maníaco por resultados e cumprir objetivos. Nenhum dos lados vale a pena: em ambos você não vive, vegeta. Num lado você espera as coisas caírem do céu, no outro você acaba cansado demais para alcançar qualquer coisa. Nessa época onde a faculdade quer sugar cada gota de sangue e as ofertas de trabalho andam ótimas, é sempre bom reencontrar a citação do John Lennon, parar um pouco e tentar equilibrar o foco das coisas. E eu tento, todo dia, lembrar das palavras de Buda e Lennon e ter em mente como realmente deve parecer nossas vidas: um caminho equilibrado.
Eu tenho um sonho de morar em algum lugar do globo com transporte coletivo decente, onde eu não seja escravo do automóvel pra me locomover de maneira rápida e segura (4 dos 5 assaltos ou furtos que sofri envolviam estar no ônibus, na parada do ônibus ou a caminho da parada). Ou, melhor ainda, queria viver numa sociedade civilizada onde os motoristas obedecem a lei, não atropelam ciclistas e eu pudesse usar a bicicleta no lugar do carro. Enquanto isso não ocorre, continuo no meio do engarramento e dos motoristas mal educados, tentando manter a calma, já que dirigir parece estupidificar as pessoas e roubar o que há de melhor no ser humano.
Essa semana eu estava estacionando perto do trabalho, fazendo uma balisa como manda o figurino: sinalizei antecipadamente, parei logo após a vaga e comecei a dar a ré para estacionar. Eis, então, que um belo sedã prateado invade a vaga com tudo, me deixando com uma cara de eu-não-acredito-nisso olhando o retrovisor, diante de um dos maiores exemplos de má educação que já presenciei nos meus breves quatro anos de condutor.
Dei a volta no quarteirão, parei numa vaga mais distante (a única disponível), e andei pela calçada até me aproximar do veículo mal educado. Esperei o condutor sair: uma senhora em torno de 50 anos, mal humorada e berrando com alguém ao celular. Como não era alguém que pudesse me bater numa briga e nem parecia portar um 38 dentro da roupa de perua que ela usava, tentei um diálogo, fria e educadamente, tentando não transparecer minha raiva:
– Moça, com licença, boa tarde. Tudo bem?
– Hein? Tudo, o que é?
– Oi, é que eu estava parando meu carro nessa vaga, estava dando a ré pra entrar, sinalizando, quando você invadiu ela. – Perdoem-me por ter falado “invadiu ela” e não “a invadiu”.
– Não! Eu estava entrando na vaga, já tinha sinalizado, quando um carro ia roubar a vaga. Era seu o carro?
– Era.
– Então, eu já tinha sinalizado e tudo, você que ia invadir a vaga!!! – Ponha aqui uma pitada de fúria, mau humor e quantas exclamações forem possíveis na fala da dona.
– Ok, apenas tome cuidado da próxima vez. – Encerrei, percebendo que ela não tinha ninguém com problemas de saúde precisando de socorro e também não ia reconhecer a falha e me pedir desculpas.
– Não, você que ia roubar minha vaga e…
Não sei até agora como eu, que vinha na frente dela, estava roubando a vaga. Sem saco pra prolongar uma discussão infrutífera, fui embora em direção ao trabalho. Até o flanelinha que viu tudo comentou comigo depois a má educação da dona. Ela foi embora em outra direção, resmungando e fazendo gestos de reprovação, certamente me culpando pelo dia ruim dela ou pela vida frustrante que ela tem e desconta no resto do mundo, achando que caixas de metal são sacos de pancada.
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…
(Mário Quintana)
Engraçado o número de pessoas que vi por aí dizendo “ainda bem que esse ano chato tá acabando”, com o fim de 2008. As pessoas, inconscientemente, têm essa idéia de usar a marcação dos anos pra marcar épocas boas ou ruins. E as pessoas acabam se prendendo mais a dois ou três fatos ruins que a uma dúzia de coisas boas, ou esperando um novo ano pra fazer as coisas mudarem.
Todo fim de ano e ano novo é a mesma coisa: planos, resoluções de ano novo, uma lista de coisas que a gente promete pra si mesmo. E desde 31 de dezembro de 2008 penso sobre como estou começando 2009 dum jeito completamente despretensioso.
Nada de grandes idéias ou metas enormes. Apesar dos pesares, 2008 foi um ano bom. Pra 2009, apenas uma idéia de continuidade: seguir com as coisas que já estão bem em seu caminho. Continuar trabalhando em tudo que está bom e deixar as coisas fluirem…
Depois de um longo tempo sem encostar no cartão de crédito, minhas dívidas reduziram significativamente. Deu até pra atacar um sushi no fim de semana sem sentir muito peso na consciência. E já dá pra sentir mudanças de comportamento: evitar o dinheiro de plástico me fez menos suscetível às armadilhas das vitrines. Provavelmente hoje darei um fim a esse hiato, mas com algo que eu queria comprar há tempo, e não uma compra feita por impulso.
Usar um celular com menos recursos também me fez mais econômico, já que não uso mais coisas como web via celular. Só serviu pra me provar que essa coisa de checar e-mail constantemente é um mal moderno. Os e-mails quase sempre podem esperar.
A faculdade tá dando no saco. Não aguento mais aulas: eu rendo muito mais estudando sozinho que vendo um professor falar direto durante horas.
Depois de muito tempo sem ver comédias românticas, vi no fim de semana PS: Eu te amo. É de apertar o coração de tão bonito (é, eu gostei). E tô numa fase brega-romântica. Espero que meus vizinhos não me escutem ouvindo Bryan Ferry. “Slave to loooove…”
Alguém além de mim achou absurdo Quantum of Solace, o novo filme do 007, não ter título em português?
Se em maio eu curti viajar pra São Paulo e rodar sozinho numa das maiores cidades do mundo, hoje eu preciso, urgentemente, juntar uns amigos numa casa de praia ou na serra, e passar o dia eguando numa rede, jogando conversa fora, lendo um livro, cochilando e sentindo o vento.
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 24 anos, Fortaleza // bacharel em Computação pela Universidade Federal do Ceará // livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.