Outubro

2 de novembro de 2010   —   20:56:12

Outubro acabou, afinal, deixando algumas marcas pela perda e tendo lá suas horas de introspecção, redescoberta, reavaliação de valores. Pra falar por mim, prefiro uma música que sempre me empurra pra frente quando a vida desce a porrada:


Não vai mudar
Promessas, nem rezas

Não vai voltar
O tempo, os dias

Fecha os olhos pra ter a sensação
Aquela tarde não é mais não

Não adianta
Vizinhos, polícia

Não vai voltar
O tempo, os dias

Em que tudo ainda estava no lugar
Abra os braços, abrace o que sobrar

É dos Paralamas do Sucesso e se chama Não adianta.

Isso é Brasil

13 de setembro de 2010   —   00:11:36

Há poucas horas, saí pra jantar com minha namorada e a família dela, pra uma pizzaria que fica na Varjota, bairro aqui de Fortaleza. Não vale a pena citar o nome aqui porque não quero prejudicar a pizzaria, que não tem nada a ver com isso. Isso nem importa, já que pro que vou relatar não existe lugar seguro.

Estávamos quase pedindo a conta quando escutamos um barulho de tiro vindo da rua, e um casal entra às pressas, a mulher em pânico. Pelo que entendi, uma caminhonete passou muito rápido pela rua da pizzaria e o homem do casal gritou pra caminhonete, reclamando da velocidade. Imediatamente o vidro da caminhonete abriu e alguém de dentro dela disparou um tiro pro alto.

Ora, se alguém disparou um tiro pro alto tão logo recebeu um grito vindo da calçada, essa arma só podia estar engatilhada e pronta pra atirar. Não sei e nem sei se vou saber se isso se trata de alguma brincadeira de péssimo gosto ou se o(s) ocupante(s) da caminhonete estava envolvido em algum crime, mas qualquer explicação para isso é assustadora.

Minutos depois, a calmaria no restaurante foi restabelecida. Porque nós já sabemos, aqui no Brasil, que qualquer um que ponha o pé fora de casa está propenso a isso. Comigo já é a segunda vez que estou comendo em algum lugar e escuto o barulho de tiro seguido de pânico.


Na época das eleições, uma frase bem batida é “odeio política”. Porque brasileiro odeia impostos, odeia insegurança, odeia corrupção. Mas quer dar um jeitinho em tudo, quer parar o carro em local proibido, quer ouvir música nas alturas e o vizinho que se foda, e na época das eleições enche a boca pra falar “odeio política”. Amigo, odeie até os políticos, mas não odeie política, sim?


Passei no supermercado antes de vir pra casa e vi a capa da Época:


Quando chego em casa, está tendo debate na TV dos quatro presidenciáveis que lideram as pesquisas. Muito discurso político, muita promessa, “vamos investir em segurança”, “fazer um país melhor para as crianças”… E eu só consigo pensar em como tudo aquilo é balela pra ganhar votos. A atual gestão do governo estadual do Ceará, que prometeu colocar uma nova polícia cheia de viaturas nas ruas, só fragmentou a polícia e multiplicou notícias de acidentes de carro envolvendo viaturas.

Porque não basta colocar polícia na rua: tem que fazer a polícia funcionar, pegar o bandido, colocar na cadeia, e ele não sair de lá enquanto não estiver apto ao convívio social. Acabar com a impunidade. Tem que dar ao povo educação de qualidade, porque educação é a base de tudo, mas como sabiamente disse o Alexandre Garcia essa semana na TV, o candidato a presidente da eleição passada cujo foco estava na educação obteve 2% dos votos (o candidato em questão é o atual senador Cristovam Buarque, e foi dele meu voto para presidente na época).

Um candidato qualquer a deputado estadual encheu as ruas de Fortaleza com placas onde está escrito “a favor da pena de morte”. O Brasil tem um poder judiciário que nem funciona e onde vivem jogando inocentes na cadeia, agora imagina eles sendo condenados à morte! Não, não dá.

Meu sentimento, nessa época de eleições, tem sido de total descrença: um monte de promessas, candidatos despreparados, políticos que outrora foram grandes expoentes fazendo propaganda de candidatos que não dá pra levar a sério.


Lembra da frase atribuída a Olga Benário Prestes, “Estou grávida de Luis Carlos Prestes e vou ter meu filho no Brasil”? Meu colega de trabalho Vinícius, no auge de seu humor ácido, comentou sobre ela: “Acho duma deselegância ter filho no Brasil”. Não sei se é pelos mesmos motivos que ele falou isso, mas eu, sinceramente, concordo com ele. Eu não colocaria uma criança num país desse.

A vontade que tenho, atualmente, é de trabalhar e estudar para, em alguns anos, tentar a vida em algum país sério, onde eu possa andar à pé na rua, ir de bicicleta pro trabalho, onde eu pague meus impostos mas receba algo em troca do governo. Quero levar ao pé da letra o antigo bordão da época dos anos de chumbo do presidente Médici, “Brasil: ame-o ou deixe-o”, porque eu não gosto de amor não-correspondido.

Duvido muito que o país melhore em pouco tempo, então mais rápido é se esforçar pra fazer minha revolução pessoal e tentar morar num país que preste dentro de alguns anos. Não tem patriotismo que me faça superar o medo de sair à pé e ser assaltado ou receber uma bala ao sair pra jantar. É mais fácil e mais rápido se mandar daqui, e sugiro isso a qualquer pessoa que possa fazê-lo hoje. A máquina do Estado não será consertada tão cedo.

Quando escuto um tiro que é esquecido logo em seguida, quando vejo alguém furando uma fila, um carro grande no trânsito cujo motorista se acha melhor que os outros, a capa das revistas semanais falando do nosso sistema burocrático, só me resta pensar “Isso é Brasil…” e tentar esquecer em seguida, como bom brasileiro.

La-la-la-la-life goes on

12 de fevereiro de 2010   —   02:32:54
E a vida segue seu curso: emprego novo, rotina nova, coisas novas pra aprender. O futuro, que já começou, é simples e claro:

  • Trabalhar: posso dizer que sou feliz com minha profissão. Sou reclamão pra caramba, detestei minha faculdade mas só levei ela até o fim porque gosto do meu trabalho. E, pelo que os últimos dias têm apontado, estou otimista de estar trilhando um bom caminho.
  • Voltar a pedalar: não é de hoje que os amigos e/ou meia dúzia de leitores sabem do meu hobby, que ficou de lado em 2009 e retomo aos poucos em 2010. E assim minha ansiedade diminui um pouco e a diabetes vai se controlando melhor.
  • Ler mais livros: tenho uma pilha de livros de todos os tipos e tamanhos se acumulando há anos, esperando para ser lida. Pouco a pouco ela vai diminuindo. Sempre lembro do meu antigo professor de português do pré-vestibular, Carlos Augusto Viana, que aconselhava: quem não lê se torna um profissional medíocre.
  • Ver mais filmes: também tenho um monte de filmes atrasados. Tenho uma lista enorme de filmes que todo mundo já viu, menos eu (pelo menos já vi Jurassic Park e De Volta Para o Futuro).
  • Jogar: infeliz daquele que não reconhece o valor dos video games ou que pensa que é coisa de criança.
  • Viajar: não sei como nem pra onde, mas viajar é preciso e sinto uma vontade lascada. Dá um aperto no peito toda vez que vejo um avião.
  • Namorar: ain’t love the sweetest thing? Um porto é preciso.
  • Ver mais os amigos: tô devendo uns abraços pra uma turma aí.
  • Fotografar: de fotógrafo e DJ todo mundo tem um pouco, e fotografia é uma das coisas que abandonei pelo caminho nos últimos anos.
  • Voltar a tentar tocar guitarra: eu ainda vou aprender a tocar guitarra, formar uma banda e fazer um disco foda que vai ter até uma resenha elogiosa no blog do Danny, vocês vão ver.

Agora me digam como arrumo tempo pra tudo isso, sim? Por mais apertado que pareça, porém, a perspectiva é otimista. :)

Divórcio

28 de dezembro de 2009   —   00:56:01
Fui embora sem sentir desgosto pela partida, sem olhar pra trás, sem sentir saudades. Já sabia eu, após alguns meses de nossa relação, que ela não seria pacífica. A paixão durou pouco tempo, acabou assim que vieram as exigências. Eu queria que fosse leve, espontâneo e de coração, mas você queria saber tudo que se passava na minha cabeça, que eu provasse tudo.

Você queria mudar minha personalidade, isso é besteira, esqueça isso, é bom que você comece a gostar disso e daquilo. E lá fui eu, sem coragem para largar aquilo tudo, pensando até quando eu conseguiria aguentar nossa desarmoniosa convivência. Por quantas vezes me escondi de você, de cabeça baixa, pensando até quando, meu Deus, até quando. Adiei meus planos, perdi parte da minha juventude; por vezes olhei pros lados, pensando em outra vida que eu poderia ter longe de você. Mas lá estávamos nós, no dia seguinte, travando nossa batalha. Juntos? Eu diria que um contra o outro.

Mas acabou.

Eu bem aprendi que todo final é feito de um que se alivia e um que sente saudades. E se não sinto saudades, só me resta sentir o alívio e o gosto doce dos novos planos para recuperar nosso tempo perdido. É difícil acreditar nesse sabor de coisa nova que sinto todo dia de manhã, mas eu provarei dele pelo resto da minha vida, enquanto tento esquecer daqueles dias sombrios e retomar a auto-estima que você me tirou.

Só eu e Deus sabemos a medida da dor que me abateu por esses anos, da mesma forma que somente eu e Ele sabemos da felicidade e vontade de viver que se apossam de mim agora. De você, só espero que seja algo melhor de hoje em diante, embora eu prefira não alimentar essa esperança. Me despeço sem saudades.

 

Dedico esse post à minha faculdade, da qual me despeço após anos de calvário, com muita alegria. Por favor, não venham com aquela ladainha de “você vai sentir falta da faculdade”, porque eu não vou!

Em versos

25 de novembro de 2009   —   21:09:05
porto_das_dunas

I don’t wanna be like other people are
Don’t wanna own a key, don’t wanna wash my car
Don’t wanna have to work like other people do
I want it to be free, I want it to be true

 
– New Order, Turn my way