Batman: O Cavaleiro das Trevas

18 de fevereiro de 2012   —   00:13:26

Antes que alguém confunda com o filme de mesmo nome, o título acima é o título brasileiro para Batman: The Dark Knight Returns. É uma história do Batman escrita e desenhada por Frank Miller – que também fez Sin City e 300, que acabaram bem conhecidas no cinema – e foi publicada originalmente em 1986 como uma minissérie de quatro edições. No Brasil, a editora Abril publicou em 1987 e relançou em 1997 (salvo engano), também tendo edições encadernadas posteriores pela Abril e Panini.

Aos onze ou doze anos, li pela primeira vez a minissérie. De lá pra cá, tropecei várias vezes na obra enquanto fuçava meu guarda-roupa (o fato de me mudar duas vezes me obrigou a dar aos quadrinhos um lugar menos favorecido que as prateleiras) e, a cada releitura, a obra é cada vez mais apreciada. Hoje tive a chance de lê-la mais uma vez.

Apesar de ter largado os quadrinhos há muito tempo, ali por 2000, e ter tentado retomá-los sem sucesso na faculdade (era difícil comprar quadrinhos com pagamento de bolsista ou estagiário, já falei disso aqui antes), venho olhando para as HQs com saudade há tempos. Comprei alguns livros na Amazon há uns dias e aproveitei para comprar uma edição encadernada dessa história foda do Batman e também os quadrinhos de V for Vendetta – que ficarão para outro texto.

Um pequeno resumo do enredo, sem spoilers, seria dizer que, após dez anos sem vestir o uniforme de Batman, um Bruce Wayne de mais de cinquenta anos decide voltar a agir ao ver Gotham City caótica e violenta. Ao mesmo tempo que acompanhamos o Batman, podemos ver diversas outras partes da trama em passagens rápidas: a repercussão do Batman na imprensa, na política, nas pessoas, nos criminosos. É um roteiro mais maduro e elaborado.

Os vilões mais conhecidos estão lá: temos o Duas Caras, agora com um rosto normal graças aos avanços em cirurgia plástica, e o Coringa. A Mulher-Gato se aposentou e agora é dona de uma agência de acompanhantes. Os heróis estão todos aposentados, mas durante alguns trechos da história temos até mesmo o Super-Homem, que agora é um agente do governo, e mesmo uma breve participação do Arqueiro Verde.

A história cita alguns elementos do universo do Batman e da DC Comics que podem não ser conhecidos para outros leitores: o uniforme de Jason Todd, o segundo Robin (assassinado pelo Coringa), está na Batcaverna e Jason tem uma breve citação na história; Jimmy Olsen, colega de Clark Kent (o Super-Homem) no Planeta Diário, também é citado; Lana Lang, também personagem e repórter nas histórias do Super-Homem, ressurge mais velha e obesa na TV. Todos esses elementos, porém, não atrapalham o entendimento da história.

Tudo isso é mostrado na forma cinematográfica que Frank Miller sabe fazer muito bem. Quem assistiu Sin City 300 e conhece os quadrinhos desses títulos sabe como tudo ali estava bem mastigado e no ponto de ser jogado na tela. The Dark Knight Returns usa a mesma fórmula: ao reler a história mais uma vez, não pude não ter a sensação de assistir uma série de TV. Tudo é muito dinâmico. Não é à toa que essa graphic novel é cultuada há 25 anos.

Se você se interessar por O Cavaleiro das Trevas, você tem duas opções: a versão em inglês (encadernada ou não) ou a versão brasileira, encadernada. Recomendo a versão em inglês, apesar da demora da entrega o preço sai menos salgado com os fretes mais baratos.

A realidade nua e crua

30 de novembro de 2007   —   15:19:12


Malvados

(clique na figura pra ver a tirinha)

Os fabulosos circuitos com fator de cura

24 de novembro de 2007   —   14:36:30
Consagrado nos quadrinhos e nas péssimas adaptações pra desenho animado e cinema dos X-men, o mutante Wolverine é famoso por seu poder principal: o fator de cura. Não importa se ele é baleado, arranhado ou empalado, o organismo do cara dá um jeito rápido nas feridas, ele não envelhece muito e não gasta com plano de saúde. Ah, e se você gostou daqueles filmes nojentos é porque nunca leu X-men. Mas não é isso que quero discutir agora.

Wolverine

Wolverine, um mutante simpático com fator de cura.

A questão é que parece que os eletrodomésticos, eletrônicos e qualquer coisa com um circuito que eu compre também tem fator de cura. Um fator de cura meio chato pra mim, por sinal. Já aconteceu várias vezes comigo: algo que comprei fica com defeito, e quando levo pro lugar onde comprei ou pra assistência técnica, o objeto quebrado funciona perfeitamente e o funcionário olha pra mim com uma cara daquelas. Minha teoria maluca é que objetos eletrônicos, como os cães, gostam de passear.

A primeira vez foi quando comprei um pedal usado pra guitarra, o que se tornou A Saga do Pedal Possuído. Por várias vezes fui e voltei pra loja onde comprei o pedal ou prum conserto de eletrônicos aqui perto de casa. O pedal sempre funcionava nos cantos, mas não funcionava aqui em casa. Isso me custou várias caminhadas e idas ao Centro. Nunca vou esquecer do vendedor da loja olhando pra mim com cara de “Sim, qual o problema?”

Depois teve meu computador, que começou a reiniciar sozinho. Levei no lugar onde comprei as peças e o problema era simplesmente um cabo da fonte mal encaixado, que quando perdia contato com a placa-mãe fazia o computador reiniciar. Também teve um mouse que comprei e não funciona aqui em casa nem com reza braba, mas funciona supimpa na loja.

Agora foi a vez da minha televisão, que comprei há 4 meses. É uma TV Samsung tradicional, de tubo, nada dessas LCDs e TVs de plasma que ainda não posso comprar. Ontem à noite e hoje de manhã ela apareceu com manchas chatas na tela, e não, não tem nenhum outro aparelho ou ímã por perto. Levei na assistência técnica e, quando chego lá, a televisão funciona que é uma beleza.

Samsung CL-21K40MQ

Aproveitando a deixa, um aviso de utilidade pública é que, segundo o manual da minha TV, o tubo da TV é feito para projetar imagens não-estáticas e em formato tela cheia 4:3. Imagens que sejam paradas ou tenham parte da imagem parada, como aquelas barras pretas de filmes widescreen, podem danificar o tubo da TV se exibidas por mais de 15% do tempo que a TV é usada por semana.

A TV funciona bem até agora, tenho 8 meses de garantia pela frente e a assistência autorizada é aqui perto (lembre de levar isso em conta quando for comprar algo). Mas a parte mais chata de não ter uma TV LCD (ou um prédio com elevador) ainda foi subir três andares de escada segurando o aparelho.

Tchau, quadrinhos

16 de abril de 2007   —   00:35:16
Homem-Aranha Nº63, Panini ComicsLi história em quadrinhos de super-heróis de dezembro de 1993 até setembro de 2000, quando minha assinatura não foi renovada. Eu vinha há um tempo insatisfeito com as histórias, que vinham sendo mal escritas e mal desenhadas: os quadrinhos americanos cada vez mais se aproximavam dos traços japoneses. Sem preconceitos, mas ora, se eu quisesse ler quadrinhos com personagens dos olhos grandes, eu compraria mangás!

Sei que, com o passar do tempo, as coisas caminharam pra melhor. Andei folheando as revistas, e os desenhos parecem bem melhores, as histórias parecem mais interessantes que há 7 anos. Pensei em dar uma chance. Só que uma revista dessas que o amicíssimo leitor vê ao lado custa nada menos que a bagatela de R$ 6,90.

Ah, pô, R$ 6,90. O que são R$ 6,90 por mês pelo prazer da leitura? E pros mais metidos a cult é bobagem, mas eu vejo quadrinhos como arte (tirando algumas fases, como a que esqueci minha assinatura). E vale como divertimento também.

Só que quem já leu quadrinhos, sabe que no meio duma história do Wolverine aparece uma citação a uma história de dois meses atrás numa revista dos X-Men, que contribui para o entendimento da história que você está lendo. E na revista dos X-Men, vai ter uma citação pruma história dos Vingadores de 6 meses atrás. E na revista dos Vingadores, tem uma citação pra revista do Homem-Aranha, que vai ter uma citação pro Wolverine… Elas não são revistas da Mônica ou do Cebolinha, as histórias se passam num universo complexo e têm continuidade… Aí você tem que comprar todas elas. E já não serão mais R$ 6,90.

Contei as revistas na prateleira da banca que me interessariam. Tinham seis. Ora, 6×6,90=41,40.  Começava a virar uma conta amarga. R$ 41,40 pro meu pequeno salário já começa a se tornar inviável. Aí cheguei em casa e fui abrir o site da Panini Comics, representante da Marvel e DC no Brasil. Tem um check list lá com todas as revistas que saem por mês. Abaixo, você confere as revistas mensais. Fora elas, ainda tem edições especiais que também serão essenciais à cronologia…

Ai, meu bolso
Se o sono tiver me permitido contar direito, só da Marvel, minha editora favorita, são 16 títulos mensais. Umas são mais caras, outras mais baratas, mas vamos fazer de conta que todas custam a mesma coisa. Teremos 16×6,90=110,40.

Cento e dez reais e quarenta centavos? Em que país eles pensam que vivem? Quadrinhos, pelo visto, é luxo pra classe A. Desse jeito, só vou comprar quadrinhos quando tiver dinheiro pra comprar um PT Cruiser conversível. Só a Narcisa Tamborindeguy e a Vera Loyola devem conseguir acompanhar a cronologia dos quadrinhos a esse preço.

E assim eu desisti de voltar a comprar quadrinhos.