A situação atual do rock brasileiro

5 de abril de 2008   —   20:18:01
Hoje me ofereceram cortesias pro show do Capital Inicial. Não rolou.
 

Olha o naipe.

 
Até 2003, eu praticamente me recusava a ouvir qualquer coisa estrangeira. Eu só ouvia rock nacional mesmo, do tipo Paralamas, Legião Urbana, Titãs e por aí vai. Comecei a ouvir outras coisas, mas nem por isso abandonei meu antigo gosto. No entanto, dificilmente eu presto atenção em algum novo trabalho das antigas bandas que eu gostava. As razões?

  • Os Titãs ficaram senis demais e pararam de fazer o rock bom que eles faziam. O Nando Reis saiu da banda na hora certa.
  • O Capital Inicial parece que não cresceu, com seus membros quase cinquentões cantando músicas com a mais pura rebeldia adolescente.
  • O Biquini Cavadão gravou um disco de covers em 2001, depois gravou o mesmo disco de covers ao vivo… enfim, desde 2001 eles se repetem à exaustão.
  • O Nenhum de Nós gravou um segundo acústico e em seguida um disco ao vivo.
  • Os Engenheiros do Hawaii gravaram um acústico depois de outro acústico (foi mais ou menos assim que começou a decadência dos Titãs).
  • Os Paralamas do Sucesso, minha banda nacional favorita, tá me parecendo ingênuo demais.
  • Pra finalizar, toda banda nova que tem aparecido no mainstream ou é aquele hardcore/emocore chato, ou é imitação do Los Hermanos.

É… Já era.

Eu odeio o North Shopping

24 de dezembro de 2007   —   00:56:28
Uma amiga minha definiu o North Shopping, certa vez, como “o maior puxadinho de Fortaleza”. A verdade é que desde que o shopping foi construído ele já passou por tantas reformas, feitas de maneira caótica, que elas acabaram por tornar impossível transitar no shopping (exceto, talvez, se você andar por ele todo dia). Quase não consegui sair de lá na sexta, o shopping parece uma grande armadilha.

Fui pesquisar meu próprio presente de Natal por lá. Entrei na frente do shopping, peguei uma das entradas do estacionamento e acabei indo parar no E4, um estacionamento no alto do shopping alcançado após subir 9 ladeiras de carro. Após a pesquisa, começa a jornada para voltar ao automóvel.

Quando me dirijo a um dos caixas para pagar o tíquete do estacionamento, no valor de R$ 3, descubro que só tinha R$ 2 na carteira. Se você nunca passou por isso, ainda vai passar. Fui sacar dinheiro no caixa do Banco do Brasil, que tinha uma fila enorme, e a todo momento chegavam idosos ou mulheres com crianças de colo e passavam na frente. Mas enfim, saquei alguns trocados e fui pagar meu tíquete.

O elevador só ia até o E3. Achei estranho, mas acreditei que chegando no E3 teria algum acesso pro E4. Pago o tíquete, olho pros lados e reparo que não há escada, ladeira, elevador, nada. Pergunto pra moça dos tíquetes como chego no E4. Ela responde dizendo que tenho que voltar pelo elevador que vim, ir para o segundo piso e pegar o elevador ao lado da Riachuelo. Absurdo: o shopping tem partes que não se ligam, a não ser por andares inferiores.

Tento pegar o elevador para o segundo piso. Aperto o botão e… nada. A porta não fecha, e assim o elevador não desce. Tive que trocar de elevador. Chego ao segundo piso, corro para o elevador ao lado da Riachuelo. Sinto um alívio quando vejo o botão E4. Aperto o botão e… o botão não acende. Torno a apertar, cada vez mais irritado. O elevador sobe pro E5. Continuo apertando o E4… mesmo sem o botão acender, o elevador para no E4.

Fiquei esperando aparecer o Sérgio Mallandro dizendo “Rá! Pegadinha do Mallandro!”, mas não aconteceu, não era pegadinha. Entrei no carro aliviadíssimo, desço novamente 9 ladeiras e vejo a luz do sol vindo de fora do estacionamento. Nunca fiquei tão emocionado em ver a avenida Bezerra de Menezes.

Best sellers e blockbusters

9 de outubro de 2007   —   23:40:51


Bush e seus hábitos peculiares de leitura

Cada um lê como bem entende…
(a bem da verdade, essa imagem é falsa)

 

“Toda generalização é perigosa, inclusive esta”
– Alexandre Dumas, filho

 

Acho que foi semana passada. Eu estava saindo duma sala da faculdade, quando vi a cena: um colega meu de faculdade, segurando algum livro sobre programação de device drivers, apontando pra outra colega, que segurava um exemplar de um dos livros do Harry Potter, dizia algo do tipo “Isso não é livro! Livro é isso aqui!”, apontando para seu livro.

Temos, aí, dois extremos. Vamos acrescentar mais um: o povo que odeia best sellers, sejam quais forem. Elas têm a idéia que, se o livro vende muito, não pode prestar. Uma vez conversei com uma conhecida minha, muito fã dum diretor aí de cinema. Ela se encontrava chateada porque seu diretor favorito estava concorrendo ao Oscar, e dizia que ele era bom demais pra concorrer ao prêmio, no meio daqueles blockbusters todos. Ou seja, os bons diretores de filmes e os bons autores de livros são aqueles que permanecem consumidos apenas por um pequeno grupinho de gente, que se julga uma elite intelectual e que me mata de abuso.

Nos três exemplos que citei, temos três tipos de pessoas:

  • Uma leitora de best sellers;
  • Um cara que só lê os livros sobre Computação – minha faculdade – e coisas afins;
  • Uma pessoa que acha que ser culta é consumir apenas literatura e cinema desconhecidos.

Não vou dizer quem está certo ou errado. O erro, para mim, está em se prender apenas a um tipo de leitura e se fechar a todo o resto. Na faculdade de Computação, assim como em boa parte das Ciências Exatas, é raro encontrar uma pessoa que dê ao prazer duma leitura que não seja os livros relacionados a seu curso, e algumas tiveram como último livro extra-faculdade algum livro do vestibular, ou nem isso.

Portanto, meu sincero conselho: esqueça se o livro está ou não na prateleira dos mais vendidos, se o livro é ou não sucesso de crítica (seja lá qual for sua imagem da crítica), se o livro não é relacionado a sua profissão, se parece livro de auto-ajuda, e, enfim, se dê ao luxo de ler algo que você simplesmente vai gostar.

Eu e meu iate de um milhão de reais

15 de agosto de 2007   —   15:40:59
Sempre que vejo nos ônibus aquelas propagandas da SOS Computadores pro curso de formação de operadores de telemarketing, com a legenda "a profissão que mais cresce no mercado", penso em como aquilo devia ser proibido por lei. Estão formando centenas de malas-sem-alça iludidos.

Hoje um desses chatos me ligou. Meus conhecimentos budistas dizem pra você se pôr no lugar da pessoa antes de sentir algum sentimento negativo por ela, lembrar que ela também é uma pessoa como você, etc. Não consigo sentir isso por algumas pessoas, e operadores de telemarketing que não sabem o que é um "NÃO!" estão entre elas.

Hoje, pela primeira vez, me livrei de um operador de telemarketing facilmente.


Esse é meu iate, com mulher e tudo.
Eu não apareço porque tô no meu helicóptero tirando a foto.

Foi na hora do almoço, péssima hora pra telefonemas. Era pro sr. Êsdras Beleza de Noronha, na verdade.

– Alô? É o sr. Êsdras Beleza de Noronha (sic)?
– Oi. Sou eu.
– O senhor está podendo atender?
– Sim. – Se eu dissesse não, ele ligaria outro dia e aporrinharia do mesmo jeito.
– Senhor, aqui é da Credicard Citi. Tudo bem com o senhor, senhor Êsdras?
– Oi. – Fiz questão de responder a pergunta assim só pra ser chato.
– Que bom, senhor Êsdras! – Acho que minha resposta não tava no script dele, então ele usou a única resposta que tinha.
– Diga.
– Senhor, nós vimos que você tem sido um ótimo cliente do cartão [nome completo do meu cartão de crédito, umas 8 palavras, nem sabia que o cartão tinha um nome tão grande] há quatro anos, e decidimos lhe oferecer um plano de capitalização!
– Não me interessa.
– Mas senhor, você sabe as vantagens do plano de capitalização?
– Não me interessa.
– Senhor, um milhão de reais HOJE mudaria sua vida? – Repare na ênfase no "hoje".
– Um milhão de reais? Eu podia vender meu iate e conseguir isso. – Friamente, como quem não se perturba com um milhão.
– Tudo bem, senhor. Tenha um bom dia.

Fácil, fácil.


Na verdade, esse é o melhor iate que eu poderia comprar hoje (imagem daqui)

Os Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills

25 de janeiro de 2007   —   11:31:54
Minha amiga Amanda Pônei me mandou um link espetacular do Youtube com coisas relacionadas à infância das décadas de 80 e 90, tipo aqueles e-mails e livros feitos por pessoas que até hoje ainda conseguem assistir a reprises do Chaves. Embora esse tipo de necrofilia seja um clichêzão, bateu uma saudade rever Doug e as canetinhas Playcolor. Mas isso eu comento depois.

O que eu lembrei, enquanto via esse vídeo, foi duma enorme tosqueira que passava no SBT pelos idos de 1995. Alguém lembra, vejam só, dum seriado horrível chamado Os Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills? Não lembra? E se eu mostrar as fotos?

Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills
Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills
Olha o naipe da peruca da loirona!
Parece um Cauby Peixoto com água oxigenada.

Dei até uma pesquida no Google. O seriado era uma porcaria produzida pela USA Network pra competir com os Power Rangers. Um alienígena melequento chamado Nimbar convoca quatro jovens e dá pra eles superpoderes pra combater o diabólico imperador Gorganus. Até aí, é igual a qualquer outro seriado do gênero super-esquadrão-japonês, ainda que produzido nos Istêites. O grande diferencial, mesmo, está na produção dos fabulosos Jovens Guerreiros Tat… cansei. Uma tosqueira horrorosa.

Deixo com vocês um vídeo do Youtube com a abertura de tão fabuloso seriado. Só o SBT mesmo pra mostrar tamanha porcaria.