Dia desses tava no telefone acertando umas coisas via telemarketing com uma empresa de São Paulo e atendente me perguntou se aqui tava fazendo sol, porque lá tava frio e ela vinha pra cá. Deus, tem gente que não sabe o que é bom.
Pra piorar, hoje recebi certas notícias que eu preferia nunca ficar sabendo. Uma imagem vale mais que mil palavras:
(Nesse exato momento, Tony Martelo e Joe Faca Fina estão preparando o sapatinho de cimento pra Samantha, que me passou essa notícia e vai praticar mergulho de cima da ponte Hercílio Luz, em Floripa.)
"A solução é juntar os amigos, alugar uns filmes, fazer algo bom para comer e aproveitar. E também rezar para que Fortaleza continue com esse frio durante o Carnaval", afirma o estudante universitário Esdras Beleza, de 21 anos.
A parte legal é como eu, conversando com a Amanda, cheguei nessa resposta…
Eu primeiro sugeri que você pode ir ver o Maracatu da Domingos Olímpio levando um 38 e se matar vendo a Unidos do Acaracuzinho ou qualquer outra escola de maracatu com nome de imitação de escola de samba carioca, num ato de protesto à própria mazelice de quem ficou entediado em Fortaleza enquanto os amigos se divertem numa casa de praia ou de serra. Só que isso a Amanda não podia pôr no jornal, né?
Em seguida eu falei: "mas a solução mesmo é juntar os amigos, alugar uns filmes, fazer uma comidinha supimpa e ficar reunido". Mas pedi pra ela tirar a parte da "comidinha supimpa", porque quem lesse isso sem me conhecer acharia que Esdras Beleza é um gourmet gay. Por fim, acabei reescrevendo isso e virou a parte do jornal, que a Amanda publicou exatamente como eu disse. Incrível: uma jornalista que não altera a fala do entrevistado.
Logo em seguida, a Amanda quis os créditos e perguntou: "esdras beleza, 22 (?), estudante de computação?", ao que respondi "21. e tira o ‘estudante de Computação’ e põe ‘estudante universitário’. vão achar que eu sou um nerd que adora o Carnaval na internet".
Perfeito. Estava pronta minha entrevista. Vou já sair do trabalho e comprar um exemplar, pra eu ler no Carnaval se não conseguir sair de Fortaleza. E ainda tem as palavras cruzadas…
Pensando nisso, comecei uma campanha chamada Londres 2010. Ela é simples: consiste em juntar um monte de amigos em Londres. Para tanto, é necessário juntar uma quantidade razoável de dinheiro, e por isso a campanha nos dá um prazo razoável: temos até 2010 pra juntar uma graninha e irmos todos para Londres fundar uma colônia de brasileiros.
Já imaginou? Ao invés de acordar com seu vizinho ouvindo forró, você terá problemas com um vizinho ouvindo Beatles. Vai ter shows de bandas de britpop todo fim de semana. Vai andar de ônibus vermelho e tirar fotos com aqueles guardas que parecem a Marge Simpson. Vai comer batata frita enrolada no jornal. Chega de ladrões e sequestradores, lá você vai se preocupar com terroristas. Problemas de gente chique.
A campanha tem uma comunidade no orkut. E quem sabe a gente chegue mesmo a Londres, nem que seja usando uma bóia de câmara de ar de pneu de caminhão pra cruzar o oceano.
“Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor”
(Legião Urbana, em O mundo anda tão complicado)
Fui a um casamento pela primeira vez em 20 anos. Hoje eu entendo na prática por que as pessoas choram em casamentos. Toda aquela mistura de sentimentos, é impossível não sentir na hora o nervosismo do casal e a alegria pela realização, principalmente quando você sabe um pouco da história deles e sobre como difícil chegar até ali, não apenas por questões de trabalhar, juntar dinheiro pra ter uma casa, mas por superar durante anos os obstáculos que existem nos relacionamentos, até chegar ali.
Não sou muito religioso e filtro ao máximo intermediários como pastores e padres se os escuto (não curto fé cega, nem seguir uma religião específica). Apesar disso, o discurso do padre sobre fidelidade, diálogo, respeito e cumplicidade foi muito verdadeiro. Ah, as pessoas perderam o senso. Mas ainda tenho fé no amor. Às vezes fé cega, admito, às vezes mantida por momentos de felicidade alheia como esses.
Passar uns dias fora de casa, fora da cidade, me dá uma impressão de recomeço. Às vezes a prendo e levo pra casa, às vezes ela vai embora quando me vejo novamente imerso na minha realidade. Na faxina mental, acaba sobrando algo que a gente quer que vá embora, escondido debaixo do tapete. Mas alguras coisas retomaram seu lugar, vamos pensar positivo.
Você gosta de daruma? Comprei um. Pra quem não sabe, daruma (desse jeito mesmo, não faltou um espaço) é um bonequinho que tem os olhos brancos. Você pinta um olho, faz um pedido, e só pinta o outro olho quando o pedido for realizado. Aí ele funciona como um amuleto da sorte. Eu quero dezenas de coisas, mas na hora de pintar o primeiro olho do daruma não sei que pedido fazer.
Às vezes me passa pela cabeça dizer algumas coisas para algumas pessoas. No momento seguinte, desisto. Às vezes é melhor se calar que defender uma causa morta. Não serei eu o soldado dum país extinto.
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