Quem diria?

17 de April de 2015   —   22:06:32

Dia desses eu estava lendo alguns textos antigos aqui do blog e tropecei num em que eu dizia que gostava de passear no shopping. Fiquei assustado. Como assim? Eu, gostar de shopping?! Hoje um convite para ir a um shopping me dá um sentimento entre mau humor antecipado e claustrofobia.

Successful man

E dirigir? Tudo que eu queria ali por 2003 e 2004 era dirigir. Em 1º de dezembro de 2004 tirei minha carteira de motorista, morto de feliz, e quando eu podia pegar o carro de casa era uma alegria. Dirigir pra longe era uma aventura. Agora eu dirijo uns 120km por semana — se você for paulistano, acostumado a grandes distâncias, deve estar rindo da minha cara nesse momento — e usar o carro sábado e domingo depois de ter dirigido a semana inteira é quase uma dor. “Eu te pego e te deixo em casa” hoje é uma frase que entoa aos meus ouvidos como uma singela e musical declaração de amor.

A gente muda várias vezes na vida. Aos 18 anos, depois de ser furtado e assaltado em ônibus quentes e suas paradas, eu  sonhava em dirigir. Hoje, com quase (assustadores) 30 anos, depois de descobrir o ciclismo e viajar pra algumas cidades, mudei minha visão de urbanismo e vi que uma vida de pedestre podia ser tranquila e possível, que há uma realidade em que é possível fazer compras em lojas na rua e andar ao ar livre. Minha vocação para passar o dia alternando entre uma caixa de metal compacta sobre rodas e prédios fechados abarrotados de gente se batendo diminuiu.

O mais inacreditável está por vir: a vida toda tive pânico de praia. Desde criança mesmo, nunca gostei. Minha pele tem um bronzeado de palmito cultivado em escritório. Por que se submeter a aquele calor? Mas dia desses não aguentei. Cansado de dirigir no fim de semana, eu propus à minha senhora um fim de semana numa praia que nem se eu quisesse poderia ir de carro.

Meu eu de anos atrás jamais acreditaria.

Wanderlust

15 de December de 2014   —   19:58:27

Estava hoje no trânsito atrás de um carro que nunca tinha visto antes. Claramente não devia custar menos de 200 mil reais, talvez até bem mais que isso. Um esportivo vermelho lindão, imponente, brilhante, um aí que tem um cavalo como marca (não entendo muito de carros, mas acho que apesar do cavalo não era uma Ferrari). Se eu já me preocupo em manter distância pro carro da frente, ali eu me assegurei em dobro. Deus me defenda de encostar num carro daqueles. Senti inveja. Vou pro inferno.

Olhei pra ele e pensei: “Ah, se eu tivesse essa grana pra dar em um carro… pegava ela e passava um ano de férias, talvez até dois, dando uma volta pelo mundo.”

Não adianta. Um carro bacana tem seu valor, mas meu negócio mesmo é entrar num avião.