Wanderlust

15 de December de 2014   —   19:58:27

Estava hoje no trânsito atrás de um carro que nunca tinha visto antes. Claramente não devia custar menos de 200 mil reais, talvez até bem mais que isso. Um esportivo vermelho lindão, imponente, brilhante, um aí que tem um cavalo como marca (não entendo muito de carros, mas acho que apesar do cavalo não era uma Ferrari). Se eu já me preocupo em manter distância pro carro da frente, ali eu me assegurei em dobro. Deus me defenda de encostar num carro daqueles. Senti inveja. Vou pro inferno.

Olhei pra ele e pensei: “Ah, se eu tivesse essa grana pra dar em um carro… pegava ela e passava um ano de férias, talvez até dois, dando uma volta pelo mundo.”

Não adianta. Um carro bacana tem seu valor, mas meu negócio mesmo é entrar num avião.

Lisboa

9 de June de 2014   —   19:00:06

Tenho um novo caso de amor com uma cidade e o nome dela é Lisboa.

Vim pra cá passar alguns dias de férias visitando meu irmão Alvaro e minha cunhada Lívia. Alguns dias após chegar aqui falei com meu tio, que já morou em Portugal durante muitos anos, e fazer a pergunta foi inevitável: “por que você foi embora daqui?!”

Eu podia passar horas e horas falando do que vi — e comi — na última semana.

Fora o fato de eu estar de férias e não estar na ansiedade de correr pra bater ponto ou perdendo no trânsito horas que jamais voltarão, a vida aqui parece seguir outro ritmo. O melhor resumo que posso fazer é esse: Lisboa aparenta ter um ritmo próprio e diferente de qualquer coisa que já visitei.

As pessoas paradas nos cafés das esquinas jogando conversa fora, o guarda sorridente da loja do shopping conversando com uma criança, o garçom brincalhão dos Pastéis de Belém, o caixa simpático e apressado do supermercado, os bondinhos elétricos subindo e descendo ladeiras… Tudo parece seguir a cadência leve de quem aproveita a vida como degusta um vinho português. Perdoem-me o clichê mequetrefe dessa comparação.

Nas primeiras vezes que ouvi a variante lusitana do nosso idioma ele me pareceu soar rude, até achei que o atendente da loja de telefonia celular estava sendo grosseiro, impressão que logo passou. Só posso dizer que os portugueses são simpáticos, educados e bem humorados. Fui bem recebido por onde passei e citar os exemplos deixaria esse texto mais extenso do que já é.

Passear por Lisboa é incrível: os prédios antigos e conservados, os azulejos portugueses, o transporte público bacana, as ladeiras de pedra portuguesa — como é bom sentir as pernas naturalmente, sem precisar ir pra academia! — e a educação do motorista português, que tem o maior respeito ao pedestre. Ah, pra não dizerem que minha análise não é honesta e que não falei de defeitos, é um problema desviar do cocô de cachorro nas calçadas.

A cozinha portuguesa é incrível e é minha nova culinária favorita. Em qualquer canto você encontra comida e vinho ótimos e baratos, seja um restaurante aleatório, seja uma barraquinha numa feira. Nunca gostei de bacalhau e estou adorando o daqui. Contrariando o mais conhecido mandamento turístico, em Portugal até quem converte se diverte — e olha que a conversão entre euro e real anda bem inglória pra nós brasileiros. Mesmo pensando em reais, você come muito bem em Portugal por um preço menor que praças de alimentação de shopping e muito self service em Fortaleza. Não vamos nem comparar com São Paulo.

Fora tudo isso, é sempre bom rever uma parte da sua família, matar a saudade e vê-los crescendo e se virando em outra realidade.

Lisboa ganhou um lugar no meu coração ali do lado de Londres, mesmo sendo cidades tão diferentes uma da outra. Por favor, faça um esforço e não passe por essa vida sem conhecer Lisboa.