o importante é o show business!
"Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos."

Oswaldo Montenegro,
em Metade
8 de agosto de 2004

A Saga do Pedal Possuído

Dentre as histórias pra contar, a primeira que me vem em mente é a do pedal possuído. É longa, espero que vocês leiam.

Em junho, consegui realizar um sonho antigo: uma guitarra. Até agora aprendi alguns acordes, ando melhorando as pestanas e começando a treinar solinhos. Mas quando eu cismei de comprar um pedal, começou a confusão.

Na quarta-feira (14 de julho), eu andava pela Feira da Música atrás duma loja que vendesse pedais usados pra guitarra. Me deparo com o stand da Interarte, que vende instrumentos usados, falo com um sujeito que trabalha lá e ele me fala que eles vendem pedais usados, e que os levaria no dia seguinte (quinta).

Na quinta-feira, acordo, junto meus trocados, embrulho num papel e ponho na Zona de Acesso Restrito, afinal eu tava indo de ônibus. Chego na Feira da Música, pago mais 4 reais de entrada e me dirijo ao stand da loja. O cara vai e diz que não levou os pedais, pois o carro já estava lotado com os instrumentos (quem já viu um pedal de guitarra sabe que cabe em qualquer espaço vazio…).

Mas da sexta-feira o pedal não me escaparia. Acordo cedo e me dirijo à loja citada, no Centro. Ponho, enfim, as mãos - e os pés - no pedal: um BOSS SD1 (Super OverDrive). Parecia estar tudo ok, mas era só o começo do pesadelo.

Comprei uma fonte pro pedal, chego em casa, toco um pouco. O pedal funciona, exceto o fato de não acender o led. Ok. Desligo tudo, mais tarde tento tocar e nada do pedal funcionar ou do led acender.

Levo o pedal na casa do amigo Igor para testar na fonte dele, com outros cabos, etc. etc. O pedal funciona que é uma beleza, inclusive o led. Ou seja, o problema é a fonte.

Supondo que o problema fosse minha fonte, levo o pedal e a fonte para a loja onde foi comprada a fonte. Lá trocam minha fonte por várias outras, testa-se o pedal e nada dele acender. Ou seja, o problema é o pedal.

Levo o pedal para a loja em que o comprei, falo que o pedal não está ligando. O cara da loja liga o pedal, o qual funciona calmamente e me deixa com cara de besta na frente do vendedor. Ou seja, o problema é a fonte.

Levo numa loja próxima de venda de fontes, testo uma fonte e nada dele ligar. Ou seja, o problema é o pedal.

Levo em outra loja, também de fontes, testo outra fonte. O pedal liga e compro a fonte. Ou seja, o problema é a fonte.

Volto pra casa feliz, e, quando ligo a fonte no pedal, nada novamente do pedal funcionar. Fico puto e levo o pedal num eletricista aqui perto. Ok. Ele dá uma olhada, testa, testa, testa, e pede pra eu deixar o pedal lá e ligar no dia seguinte.

No dia seguinte, acordo cedo, ligo pra lá e o cara diz que o pedal tá ok e pra eu ir lá pegar de volta. Sigo feliz e triunfante, pensando que vai dar certo. Quando chego lá, ele vai dar um último teste: o pedal falha novamente. Ele pede para que eu volte a ligar após o almoço.

Ligo após o almoço. Ele pede para eu ir lá pegar o pedal. Vou com 10 reais no bolso. Chego lá, o cara vai testar e o pedal funciona. Ele cobra 15 reais pelo serviço. Ok. Pego meu pedal, venho pra casa, ponho mais 5 reais no bolso, volto pro eletricista e pago os 5 reais restantes. Volto para casa e faço um pouco de barulho distorcido, morto de feliz, com o pedal que, até então, funciona. Desligo o pedal e guardo a guitarra.

Cerca de 2 horas depois, minha mãe chega e vou, então, mostrá-la o pedal funcionando. “Olha, mamãe, o pedal”. Piso no pedal. Nada dele funcionar ou do led acender. Piso de novo. E de novo. O pedal falha e, pela segunda vez, me deixa com cara de besta. Agora na frente da minha mãe, que ri da minha cara.

Puto, volto novamente pro conserto com o pedal. Rindo da situação, chego lá e informo novamente os eletricistas que o pedal falhou de novo. Deixo o pedal novamente pra consertar, e pedem-me para voltar no dia seguinte.

Volto no dia seguinte e pego o pedal, já pensando se vou precisar levá-lo num pai de santo ou num exorcista. O cara testa o pedal, que enfim dá certo. Trago-o pra casa. Ok.

E até hoje, volta e meia eu ligo o pedal só pra pisar e ver se ele presta, sem nem tocar. Até o fim desse post, ele tava ok. Se eu tiver contado certo, fui 2 vezes ao Centro de Convenções, 2 vezes ao Centro da cidade e 7 vezes na eletrônica perto aqui de casa.

Ah, alguém aí quer comprar a fonte extra que comprei?

7 comentários

  1. Mel disse:

    Ufa!!! Meu filho, pelamorde, né?! Isso tá parecendo aqueles desenhos do Pato DOnald querendo dormir e o mundo conspirando contra ele!

    Beijos e que tenha um ótimo retorno!

    =***


  2. BinkyZinha disse:

    uihaiuheiuhaiuhe.. porra de pedal pra dar trabalho né?! manda exorcisar mesmo! =P~ bom que vc tem blog.. é bom ter pessoas pra comparetilhar os escritos..
    beijãoo
    =***


  3. buni disse:

    hahahahahaa
    ainda bem que eu não tenho um pedal
    não sei o que é fonte nem led nem nada
    deixa só a guitarrinha mesmo :}

    :*************


  4. Eu disse:

    qndo eu tiver uma guitarra a gente se acerta… hehhee
    ;***


  5. Perpétua disse:

    pois é…
    é né…


  6. Luiz Alfredo disse:

    HEUehueahae, ei, primeira vez que leio seu blog depois que ele voltou! Fazia tempo que queria entrar, mas acabava eskecendo. Um abraço cara!


  7. :: o importante é o show business :: Os fabulosos circuitos com fator de cura :: disse:

    [...] primeira vez foi quando comprei um pedal usado pra guitarra, o que se tornou A Saga do Pedal Possuído. Por várias vezes fui e voltei pra loja onde comprei o pedal ou prum conserto de eletrônicos aqui [...]


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Manifesto
o segundo passado, antes de qualquer coisa, virou história; histórias, sobretudo, servem para ser contadas. cada um de nós é protagonista de sua história, e sua vida seu respectivo palco. vivendo e convivendo, somos protagonistas, coadjuvantes e figurantes de bilhões de histórias. não havendo graça no abismo do anonimato, exponho aqui a minha história. ela é contada em forma de fatos e idéias, sem personagens, maquiagem ou playback, para receber aplausos ou tomates – jamais me ocultando com cortinas. no fim das contas, seja a história dramática ou cômica, o importante é o show business. está tudo aí, pra quem quiser ver.
 
Eu
Esdras Beleza de Noronha, 23 anos, Fortaleza, Computação na Universidade Federal do Ceará, livros e filmes de estilos diversos, alguma coisa de britpop, indie rock e rock nacional, fotografia amadora, programação, redes, Linux. Em eterno processo de aprendizagem.
 
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