8 de setembro de 2006   —   03:15:55
Aula de economia: comendo bem e gastando menos



Essa foto não dá vontade de comer pão de queijo?

Há um tempo eu percebi que eu estava gastando um bocado com comida na rua. Quando eu digo comida, entenda que são aqueles lanchinhos que a gente faz por aí: aquele sanduíche ou aquela coxinha gordurosa que você come na cantina da sua faculdade ou aquele risole que faz o óleo escorrer pelo canto da boca, mas que é difícil de largar.

Imagine que um salgado supostamente decente nossa conhecida coxinha, por exemplo e um refrigerante saem por cerca de R$ 2,50. Agora imagine você fazendo essa refeição duas vezes por dia. Teremos 5 reais. Por semana, temos 25 reais! Por mês, já pula pra 100 dinheiros!

Foi então que procurei uma solução barata pra isso. Nos supermercados, temos saquinhos com 20 pães de queijo, entre R$ 2,50 (não muito gostosos, mas comíveis) até uns R$ 4,50. Supondo os pães de queijo num tamanho razoável, e você comendo 6 pães de queijo por refeição e fazendo 10 refeições por semana. Temos 60 pães de queijo, o que dá 3 pacotes de pão de queijo por semana (acompanhou a conta?). Se você comprar um pacotinho de 3 reais, vai gastar 9 reais com comida por semana. Se a coxinha custava 1,30, serão 4 reais a menos, 16 reais a menos em 4 semanas. O pão de queijo pode ficar no forno enquanto você toma banho pra sair de manhã (cuidado pra não queimar), e bem armazenados num depósito estarão ótimos à tarde, embora frios.

Uma latinha de refrigerante, num supermercado, pode ser achada por cerca de 90 centavos. Nas cantinas da vida, temos por R$ 1,30, até mesmo R$ 1,50. Usando o princípio das 10 refeições semanais, teremos um custo de R$ 13,00 na sua cantina favorita e R$ 9,00 no supermercado, e novamente uma economia de 4 reais por semana, e de 16 reais em 4 semanas. Somando com a economia dos pães de queijo, já temos 32 reais a menos por mês nos seus gastos. E lembre que se você colocar uma lata de refrigerante no congelador umas duas horas antes de sair de casa, ela pode durar muito bem 3 horas depois. E até mesmo minha antiga senzala (o estágio de onde me demiti) tinha uma geladeira pros escravos.

Eu usei por um bom tempo o cálculo do pão de queijo, até que chegou o dia em que eu não aguentava mais pão de queijo. Mas aí eu descobri que você pode comprar um saco de pão de forma pequeno (o saco grande vai mofar na metade!) e muito bom por R$ 1,50, e fazer uns 5 sanduíches com ele. Como são 10 refeições por semana, você pode comprar 2 pacotes por semana, o que dá cerca de 3 reais. E pode comprar presunto e queijo, e um pote de maionese, se não quiser usar a margarina que todo mundo tem em casa, e continuar economizando. Se quiser cortar os gastos mais ainda, troque o presunto por mortadela. Talvez saia ainda mais em conta que os pães de queijo, mas já exigem mais trabalho pra preparar.



Ruth Lemos recomenda o sanduíche-íche

Você pode não ter a praticidade da sua gordurosa coxinha pronta (e vai ter menos daquele gostinho de gordura trans), mas é no mínimo mais barato e às vezes mais saudável. E você pode comprar uma garrafinha térmica e levar suco, ou até mesmo uma garrafa comum, e deixar o suco no congelador de casa, previamente preparado na noite anterior, sem risco de explodir. Se você ainda mora com os pais e for esperto, ainda pode comprar os ingredientes quando sua família for fazer compras e evitar gastar o seu dinheiro, e ter 100% de economia. 😀

Se você quiser gastar menos também no almoço, pode comprar uma marmita térmica e levar sua comida pros cantos. Já vi uma num supermercado Pão de Açúcar por vinte e alguns dinheiros, era só pôr a comida dentro e ligar na tomada. Isso vai render uma bruta economia no almoço e uma grande fama de farofeiro, mas já exige que você tenha comida pronta em casa de manhã.

Seu intestino e seu bolso agradecem. 🙂 Faça suas contas.

1 de setembro de 2006   —   01:28:04

Sobre princípios e valores


Engenheiros do Hawaii – Dom quixote
(gessinger/galvão)

muito prazer, meu nome é otário
vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d’água, borboletas no aquário

muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro-sangue puxando carroça

um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra
vaidades que a terra um dia há de comer

ás de espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário
muito prazer me chamam de otário

por amor às causas perdidas

tudo bem…até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
tudo bem…seja o que for
seja por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas

tudo bem…até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer…ao seu dispor
se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas

Eu devia ter dezesseis anos quando me bateu aquela sensação estranha: a de estar sozinho no mundo. A sensação de ser único em seu pior significado, quando a individualidade de cada um me fez doer mais que de costume. A sensação de pensar algo e pensar aquilo sozinho.

Há quem diga que as diferenças são bonitas, eu concordo. É bacana você comer verdura e eu gostar de carne. É legal você gostar de verde e eu de azul, aliás já me disseram “o que seria do azul se todos gostassem do amarelo?”, e isso realmente seria chato. As diferenças são bonitas. Até eu gostar de rock e ter quem goste de samba é bom, pandeiro com guitarra acaba ficando legal.

Tem uma diferença que me dói, que me chateia, que me maltrata. Essa é difícil de ignorar, já me deixou tenso e já me tirou sono. Entenda, se eu pudesse me definir e dizer minha característica mais forte, eu diria que é mais que acreditar nas coisas que penso, eu as transformo em causas, as defendo e luto por elas. Minha característica mais forte é a que às vezes me faz sentir numericamente fraco: lutar por coisas pras quais ninguém liga, nas quais ninguém pensa, ninguém ensina, ninguém aprende. Eu acredito em princípios, em valores, em coisas que seriam muito bonitas fossem num filme, mas que, se depender da maioria das pessoas, sempre será ficção.

É a minha moral morta contra a moral torta do cotidiano, das pessoas, de todo mundo. Alguns insistem em dizer que ninguém definiu o que é certo ou errado, mas eu nunca conheci uma pessoa que dissesse isso que não levasse uma vida desregrada e usasse essa proposição como desculpa. Pra beijar por beijar, fazer sexo por sexo, galinhagem, raparigagem, adultério, traições e outras coisas. Coisas que todo mundo hoje faz por osmose, sem pensar nas causas ou conseqüências, mas que viu todo mundo fazendo, então não tem problema nenhum.

Eu não consigo vibrar quando o cara do meu curso de sábado conta que traiu a noiva ou quando um professor conta que traiu a esposa. Não invejo o chefe que conta suas aventuras sexuais com adolescentes gostosas. Quando uma amiga agarra alguém que amanhã vai ser substituído, eu não consigo achar aquilo o máximo. Quando alguém tira lucro da desonestidade ou se aproveita da ingenuidade alheia, eu não consigo dar os parabéns. E todas essas atitudes alheias que citei acabam caindo no conceito de normalidade. E o normal é visto como bom. Então tá.

E é diariamente que tenho de me trabalhar para conviver com tudo isso, às vezes ficar calado pra não pegar fama de velho mala aos 21 anos, de cafona, porque se eu não cair na putaria eu eu sou brega e quadrado, se eu me recuso a agarrar alguém me olham torto achando que sou viado, se eu não gostar da menina ali beijando todo mundo e/ou dando pra um estranho e/ou pra um amigo eu nasci na época errada, e se eu criticar alguém que traiu o namorado ou namorada eu tô falando demais. Afinal o importante é ser feliz, mesmo que se confunda felicidade com prazer.

Dia após dia, eu tento desenvolver uma auto-suficiência e auto-estima para que eu não precise de ninguém concordando comigo para me sentir melhor, afinal eu não posso depender disso pra sempre, e se eu for depender do apoio alheio talvez eu morra de câncer. Quando eu desenvolver essa auto-suficiência toda e tomar um gole de conformismo, estarei pronto pro exercício da tolerância.