Onde vivem os monstros

10 de Abril de 2010   —   01:30:57

É o nome do filme de que vou falar agora. Sinopse, produtor, diretor, essa coisa toda de ficha técnica você procura no Google, porque eu preciso falar da minha história com o filme.

Foi minha namorada quem me alertou pela primeira vez que esse filme devia ser bom, que já conhecia a história e devia ser legal. Aí vi no site do UCI que havia estreado, em 15 de janeiro, e fui atrás das sessões. Mas… nada de Fortaleza. Só São Paulo e Rio. Me indignei, fiquei puto, soltei as cobras no twitter e ainda aguentei amigos que moravam nos estados citados ou que viajaram pra lá elogiando o filme. E toda semana ia lá eu, no site do UCI, ver a droga do filme dar a volta no Brasil sem nunca chegar em Fortaleza. Acabei deixando pra lá e desisti de ficar puto toda sexta-feira, ao ver que o filme nunca chegaria aqui.

Alguns amigos baixaram o filme da internet e me ofereceram. Eu ainda me senti tentado, pensando que iria passar em Fortaleza no Dia de São Nunca, mas a Carol, minha namorada, me convenceu a esperar sair no cinema. Tem filme que é pra ver no cinema, né, pelo menos a primeira vez. Esse é um deles. Resisti à pirataria, firme e forte.

Foi o Paulo André quem primeiro me deu o toque que o filme estava chegando, há alguns dias. Já a Natalia mandou pro Danilo a página de cinema do site do jornal O Povo com os horários do filme. Reproduzo abaixo, em formato de figura, a tabela de horários do filme copiada do site citado:

Sim, seus olhos não estão mentindo: sexta, 9 de abril (lembra que em São Paulo e Rio foi 15 de janeiro?), dia da estreia em Fortaleza, às 21:50. No dia seguinte, às 10:45 da manhã. Domingo? 12:10. E de segunda em diante, 19:30. Mas só até quinta. Depois, espere sair na locadora. Troféu Joinha pro UCI Multiplex de Fortaleza! Pior horário de todos os tempos!

Me deu vergonha de morar em Fortaleza (é um evento pelo menos diário). Eu sabia que era um bom filme… Quantas semanas passei indo no site do UCI, só pra ver que Xuxa em O Mistério de Feiurinha estava há dois ou três meses em cartaz, e nada de Onde vivem os monstros estrear? E, quando estreia, ainda é nesse horário merda, inviável pra muita gente. Mas enfim, não dá pra comparar com a Xuxa. Em Fortaleza, o filme recebeu tratamento de Cinema de Arte: poucas sessões, para público selecionado/seletivo/whatever. Bom pro filme (será?), péssimo pro público.

Mas sexta-feira, dia 9, e lá estávamos eu – ainda me recuperando de uma semana doente – e Carol, às 21:30, chegando ao cinema. Sala ainda vazia, mas bem cheia em alguns minutos. Eu estava cheio de expectativas e pronto pra quebrar a cara, porque é isso que acontece quando se vai com muita sede ao pote. Mas, em uma palavra, eu vos digo:

FILMÃO.

Não quebrei a cara. Correspondeu às minhas expectativas. Um puta dum filme, trabalhado nos mínimos detalhes, cheio de sutilezas. História, cenários, trilha sonora, tudo em equilíbrio. Impecável. Se você nasceu com menos de 20 anos e tem algum coração, você será tocado. Foi impossível, durante o filme, não abrir o baú e lembrar de alguns eventos da minha infância com o desenrolar da história. E não, não é um filme infantil.

Há alguns dias eu tinha comentado com a Carol que eu estava sentindo falta de algum filme que desse aquele cutucão em você, que você passasse um tempão depois pensando nele. Achei, é esse filme aí. Fodíssimo.

Só me dá pena dizer pros amigos “vão lá e vejam!”, e depois fornecer essa pobre grade de horários vergonhosa do UCI fortalezense. Mas enfim: vão lá e vejam. Vou aqui sentir vergonha pelo cinema, e dormir pensando no filme.

Vou concluir meu texto com um pedacinho da conclusão de outro texto sobre o filme, do blog Antigravidade: “É um filme bonito e até tocante que será admirado nos anos futuros e provavelmente será analisado em cursos de cinema ao redor do mundo até o fim dos tempos”.


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  1. kataoka disse:

    só lembrar desse filme que eu fico com os olhos cheios d'agua.

    um dos poucos filmes que não deletei do meu computador.

    lindo de doer.

    aproveita e vê esse curta dele para absolut. outra boniteza

    http://www.imheremovie.com/#

    bisous!

  2. Rodrigo disse:

    Eu não gostei. O filme é bem feito e o visual dos monstros é impressionante – transmite muita emoção pelas expressões faciais deles. Mas cho que eu, talvez não tanto como o Esdras, esperava demais. Deu vontade de ler o livro, que tem críticas ainda melhores do que o filme.

  3. Heraldo disse:

    Rapaz, só o trailer desse filme me arrepiava. Eu assisti aqui no Rio em janeiro e amei. Filmão mesmo.

  4. Leandro Gualter disse:

    Eu não vi o filme ainda… mas acho que vou ficar no piratão mesmo. Despertou meu interesse por causa do Arcade Fire no trailer. =P

  5. Carol disse:

    como tu disse…ele ainda vai ser mencionado, analisado e visto muitas e muitas vezes no futuro, é massa.

  6. Mirella disse:

    Vi o filme duas vezes no cinema há algum tempo e há mais ou menos 15 dias comprei o livro. O filme é imensamente melhor. Raro caso, inclusive. Obviamente, comprarei o filme e lamentarei as gerações que não presenciaram sua estréia.

  7. eu só posso ter ido com muita sede ao pote!

    achei os monstrinhos fofos, a criança linda, a filmagem bonita mas o roteiro não me conquistou!

    um tanto metafórico demais para o meu gosto e no meio tempo do filme eu já sabia o final da estória [e não, eu não li o livro].

    além de achar que o filme oferece vazios para diálogos lindos e no entanto, o silencio perpetua na tentativa de conquistar o telespectador com a velha frase de "para o bom entendedor, meias palavras basta".

    e bastou! o filme me cativou pelas gesticulações e cenário diferente, no mais, eu só posso dizer que saí do cinema ainda com muita sede.

    quanto ao agravante problema dos cinemas de fortaleza, isso eu concordo pleeeenamente, além de me irritar com a falta de solução.

    =*

  8. Mirella disse:

    Hehe. Nem todos assistem o mesmo filme. A minha opinão é que o roteiro é genial, principalmente por ser capaz de transformar um livro de criança que contém uma frase em cada página, em um filme lindo com um olhar adulto, sensível e delicado sobre a infância. Não vi problema nenhum, então, no excesso de metáforas, pois é justamente a proposta das duas obras. Não conheço nenhuma criança que não tenha intimidade com metáforas e o mais belo e comovente do filme é que em meio à completa dureza da ciência, da psicologia, das leis, e de toda exatidão que rege o nosso cotidiano, tudo em excesso atualmente, alguém tenha dedicado seu olhar a esse exercício.

    sou defensora porque fui privilegiada com esse cutucão de que falou o Esdras. E porque entendi que o filme realmente não é para crianças.

  9. Esdras disse:

    Em primeiro lugar, fico feliz pela discussão aqui nos comentários 🙂

    @luana:

    Até tava conversando sobre seu comentário com minha namorada hoje. Os vazios existem, eu concordo, mas acho que no lugar de algum diálogo bonito que entregaria tudo foi bom um pouco de silêncio, pra fazer pensar um pouquinho na saída do filme.

    @Mirella:

    Nunca tive o prazer de conhecer o livro (embora ele me seja familiar, talvez eu já tenha visto há muitos anos), mas fiquei curioso em conhecer. E o que justamente me chamou a atenção no filme foi o excesso de metáforas – o filme é uma grande metáfora, e das boas. 🙂 Me espantou a maneira como um adulto – nós todos havíamos esquecido tudo que revisitamos no filme – conseguiu representar tão bem sentimentos de crianças.

  10. Laura disse:

    AINDA não assisti! mas o modo como vc falou do filme fez eu querer assistir! muito, e logo ^^

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