Mobilidade urbana para iniciantes

19 de agosto de 2013   —   15:50:50

Há muitos anos, alguns amigos me contaram de um conhecido que ia pra faculdade de bicicleta. Meses depois, vi o mesmo sujeito chegando numa festa à noite num carro importado da sua família. Não entendi nada: por que ele ia pra faculdade de bicicleta todo dia se sua família tinha até um carro importado? Devia ser maluco…

Em 2008, comprei uma bicicleta para me ajudar a praticar alguma atividade física e melhorar meu controle da diabetes. Aos 22 anos eu não sabia pedalar, mas acabei gostando da coisa, me interessando e lendo sobre ela. Tropecei em dezenas de vídeos e textos sobre mobilidade urbana, alguns não necessariamente ligados ao ciclismo. Minha cabeça quase explodiu com tanta informação, mas finalmente entendi o cara que ia pra faculdade de bicicleta. Ele não era louco, eu que estava preso em tudo que cresci ouvindo sobre carro, trânsito e status. Era difícil acreditar que meu conceito de “liberdade” estava errado…

A atual polêmica de Fortaleza, onde moro, é que a prefeitura quer construir viadutos enormes próximos ao Parque do Cocó, alegando que eles resolverão o problema do tráfego na região. Infelizmente é só mais uma solução voltada para automóveis, sem pensar em outras modalidades de transporte. A discussão sobre mobilidade urbana tem sido infindável: há quem pense que o viaduto ajuda a mobilidade urbana, mas quando falam isso pensam apenas nos automóveis (que continuarão presos no trânsito).

Há muita desinformação acerca dessa tema e, como falei acima, eu mesmo já passei por isso. Já analisei aqui a paixão dos brasileiros pelo automóvel; agora eu gostaria de passar alguns links e vídeos que podem ser úteis para conhecer um pouco sobre mobilidade urbana de verdade e entender como as melhorias ocorreram em outros países.

Jan Gehl e Copenhague

Copenhague (ou Copenhagen, se você preferir a grafia original) é o exemplo mais famoso de mobilidade urbana do arquiteto Jan Gehl. Na década de 60 a cidade começou a dar mais atenção para pedestres e ciclistas e menos para automóveis. Houve resistência no início, inclusive dos comerciantes, mas essa ideia mudou.

Você pode saber mais sobre Jan Gehl e Copenhague no vídeo abaixo e nessa entrevista com ele.

Um dos participantes do vídeo fala que, antes da mudança, as ciclovias eram apagadas em vez de criadas. Tristemente, isso vem se repetindo em Fortaleza.

Amsterdã: construa o caminho e os ciclistas virão

A Holanda resolveu o problema do alto custo do combustível e dos engarrafamentos buscando alternativas: ciclovias. O governo atuou lado a lado com arquitetos e hoje a Holanda é conhecida pelas suas bicicletas.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=l1a_USVlXSE&w=425]

Bogotá, o exemplo logo ao lado

Os países citados acima são ricos e desenvolvidos e os exemplos jamais se aplicariam à gente, certo? Errado.

Bogotá, na Colômbia, está aí do lado e também é um ótimo caso de melhorias da mobilidade urbana. Até os números da criminalidade melhoraram, já que criar ruas para as pessoas diminui o abismo social e, consequentemente, a violência.

Veja como o ex-prefeito Enrique Peñalosa causou mudanças em Bogotá no vídeo abaixo e veja também essa entrevista com ele.

Update: também achei um vídeo do TED.com com Peñalosa falando sobre transporte público e democracia:

“I wanna fly away…”

25 de março de 2013   —   00:30:30

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=NuSdoA5zBa0&w=480&h=300]

Nos últimos 3 anos, de 2010 pra cá, troquei de emprego duas vezes, incluindo aí uma volta pra empresa de onde havia saído (voltar pra ex, em alguns casos, pode ser um bom negócio). Nessa brincadeira de trocar de emprego, fiquei sem férias.

Antes disso eu estava na faculdade, e entre o fim do meu último estágio (no fim de 2009) e meu primeiro emprego (fevereiro de 2010) tive um mês no limbo, procurando emprego. Não fazia nada, mas desempregado não tá de férias, né?

Bem, ainda antes disso, cheguei a tirar férias remuneradas no estágio (viva a lei que permite férias remuneradas no estágio!), mas tirei pra poder estudar e me formar. Isso, também, não são férias.

Eu vasculhei minha mente, desesperado, e percebi algo trágico: eu nunca consegui combinar férias (de novo, não vale desemprego), renda própria (ou seja, não vale o mimado “papai/mamãe, me dá 10 reais pra eu sair”) e absolutamente nada pra fazer.

Adoro minha profissão, meu trabalho, meus colegas e minha chefe (morram de inveja), mas, cara, tem uma hora que seu corpo pede penico e você tem que parar. Dá insônia, azia… Mas vamos falar de coisa boa? Tirarei FÉRIAS!

A primeira vez que esse evento belíssimo do proletariado ocorrerá, nos meus quase 28 anos de existência, será no dia 5 de abril. E vocês não têm noção da minha ansiedade contando os dias. Dentro de alguns dias, com a consciência limpa de quem trabalhou por isso, tocarei o terror e só a operadora do meu cartão de crédito e a ONU poderão me julgar!

Janeiros

16 de janeiro de 2013   —   21:17:24

Janeiro costuma ser um mês um pouco chuvoso aqui em Fortaleza, e é engraçado como isso acaba levantando algumas recordações. Janeiro quase sempre foi de férias, quase sempre com coisas legais para lembrar. Ah, bons tempos em que janeiro tinha férias garantidas.

As mais remotas datam de janeiro de 1994. Lembro eu voltando da banca de revistas com Homem-Aranha Nº121 e de What’s Up, da banda Four Non-Blondes, tocando no rádio. Lembro eu lendo a revista na poltrona larga da sala de casa, poderia até falar das histórias daquela edição. Naquele mesmo mês meus tios e primos de Ribeirão Preto visitavam Fortaleza e fiquei no quarto no dia em que eles foram embora, pois não queria me despedir.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=6NXnxTNIWkc&w=480&h=360]

Pulo alguns anos e chego em janeiro de 1997. Eu tinha descoberto a diabetes há poucos meses, ainda tinha onze anos e viajava com meus pais e dois dos meus irmãos para alguma cidade da serra que não lembro qual era. Lembro de tentar jogar uma partida de Yo!Noid pouco antes de sairmos pra viagem, lembro das formigas que comeram o pacote de pão que ficou pendurado num saco na janela do hotel e do meu irmão tocando Esporrei na manivela no violão.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=OgxXP3bRd7U&w=480&h=360]

De janeiro de 1998 tenho alguma recordação de jogar Donkey Kong Land no Game Boy Pocket que eu havia ganhado no Natal de 1997. Eu tinha 12 anos e surgiu, por ali, meu primeiro aparelho de barbear, um Gilette Sensor Excel. Ele vinha com um radinho a pilha de brinde, que eu ouvia antes de dormir toda noite. Lembro que na época estavam na moda Palpite, da Vanessa Rangel, e Dois, do Paulo Ricardo, ambos hits de novelas. No fim do mês, na véspera do primeiro dia de aula da sétima série, fiz a barba — na verdade só o bigode, era o que eu tinha — pela primeira vez.

Pulo para janeiro de 1999. Lembro eu jogando The Legend of Zelda: A Link to The Past para Super Nintendo usando algum emulador no computador que havíamos comprado há poucos dias, além de Super Mario Kart 64 (os jogos sempre marcam alguma época, não é?) no Nintendo 64 que eu havia ganhado no Natal de 1998. Lembro de uma antiga amiga louca da família visitando a gente de surpresa, levando seu filho pequeno e sendo tremendamente inconveniente. Lembro de ir jantar um sanduíche no Babagula, na Beira-Mar de Fortaleza, e me questiono como é possível já fazer tanto tempo.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=IiQA5TA7Zp0&w=480&h=360]

Janeiro de 2000 foi especial. Eu tinha 14 anos e comecei a sair à noite, sendo a primeira vez para a Ponte Metálica. Alguns dos meus amigos da época são presentes até hoje. Na primeira saída lembro que meu irmão, que já dirigia e normalmente me pegava e deixava nos cantos, estava viajando e meu pai teve que me pegar cedo. Será que hoje, 13 anos depois, os adolescentes ainda podem sair tão novos? Lembro de algumas idas ao dentista naquele mês (acho que eu devia ter algumas cáries!) e de idas ao colégio não pela recuperação, mas porque eu estava envolvido em algum projeto pra web — na época em que internet era coisa de nerd — do laboratório de Física da escola. 2000 foi um ano legal.

Em janeiro de 2002 fui pra Ubajara com minha primeira namorada. No mesmo mês, com o que sobrou da grana que meus pais me deram pra viagem e da qual gastei muito pouco, fui ao centro da cidade e comprei o A Link to The Past para Super Nintendo que eu jogava três anos antes no emulador. Na época ele já era antigo e eu até tinha um Nintendo 64, mas jogos bons não envelhecem.

Em janeiro de 2003 eu pintei o cabelo de vermelho na véspera da segunda fase do vestibular, já seguro de que rasparia o cabelo (isso que é autoconfiança!). Lembro de ter ido a uma rave qualquer e acho que foi a última das duas em que fui. Dois meses depois eu começaria a faculdade, que eu ainda tinha esperança de que seria legal. Que engano.

Em janeiro de 2005 eu estava saindo pra caramba. Tinha conseguido permissão para dirigir há poucas semanas, Fortaleza tinha o Noise3D Club há dois meses e eu estava fazendo mais e mais amizades. Em 12 de janeiro de 2005 eu ataquei de DJ no Noise3D Club. Eu estava um pouco nervoso mas deu tudo certo, especialmente ao tocar Wouldn’t it be nice, dos Beach Boys.

Todo mundo já foi DJ um dia, né?

Todo mundo já foi DJ um dia, né?

2005 teve meu último janeiro de vagabundagem: em janeiro de 2006 eu começava no meu primeiro estágio, do qual não sou muito saudoso, mas foi o começo formal da minha vida profissional. Estagiar foi o que me mostrou que eu gostava da minha profissão, apesar de não gostar da faculdade, e foi meu estímulo para alcançar a formatura.

Em janeiro de 2008 meus pais haviam se separado há poucos meses e eu me mudava pela primeira vez na vida. Foi a primeira de várias mudanças de 2008, um ano que me quebrou de inúmeras formas, do coração à clavícula, mas do qual foi impossível não sair melhor e mais maduro.

Em janeiro de 2010 eu estava recém-formado e desempregado. Foi um alívio ter me livrado da faculdade, e a sensação de liberdade misturada à incerteza daquela época é inesquecível. Era como se sentir a leveza da juventude outra vez.

Em janeiro de 2012, vejam só, eu estava desempregado de novo, e tentando oportunidades que me fizeram bater a cara na porta algumas vezes, ao tentar dar passos maiores que minhas pernas permitiam na época. Engraçado como isso não ficou marcado como um trauma, mas como uma experiência engrandecedora.

E estamos aqui, em 2013. Os dias nublados de janeiro, uma marca desse mês após o calor de dezembro, sempre conjuram os bons fantasmas de janeiros passados. Vi em alguma manchete de jornal que iria chover 40% menos em janeiro de 2013. Uma pena. Mas, por via das dúvidas, escrevo tudo aqui para que eu possa relembrar um dia, tropeçando nos textos do meu blog, desses meses marcantes.

25 anos de Super Mario Bros.

17 de setembro de 2010   —   18:09:11

Em 1981, Mario fazia sua primeira aparição no jogo Donkey Kong, para fliperama. Em 1985, porém, ele ganhou seu jogo solo, Super Mario Bros., que completou essa semana 25 anos. Minha lembrança mais remota do jogo deve ser de 1991 ou 1992, jogando Super Mario na casa do meu vizinho. Meus jogos favoritos para video games são os das linhas Super Mario e Zelda, o que acaba me prendendo aos consoles da Nintendo.

É impossível assistir o vídeo acima sem sentir vontade de jogar e eu precisava dividir ele aqui.

Live and let die

26 de agosto de 2009   —   23:10:53


 

Você percebe que amadureceu quando as coisas que te deixavam indignado aos 16 anos, que te faziam achar que as pessoas estão tomando decisões erradas e que o mundo não tem solução hoje te fazem simplesmente desligar o computador, deitar e ler um livro.

Então você escolhe melhor suas companhias, seleciona suas conversas, guarda sua opinião pra quando ela for solicitada, suas atitudes pra quando elas não forem em vão e suas idéias pra quem souber apreciá-las.

E até lá, você simplesmente descansa no seu travesseiro, lê um livro e resolve suas próprias questões. Simples assim.