Onde estou?

3 de dezembro de 2011   —   20:28:54

Faz uns meses que apareço pouco por aqui, por motivos diversos. Cheguei a rascunhar algumas coisas que acabei nem publicando por essas bandas, cheguei a achar que ia parar com isso aqui mas esse é um espaço difícil de se desfazer, e até o silêncio por aqui quer dizer muita coisa.

Quando os blogs começaram a aparecer na web, há uns dez anos, as pessoas os definiam com “um blog é um diário que uma pessoa escreve e publica na internet, pra todo mundo ler”, às vezes seguido por um “…coisa de maluco divulgar sua vida assim!”. Talvez por isso os blogs tenham herdado uma característica bacana dos diários: reler isso aqui me faz reencontrar meu eu de épocas passadas, ver o quanto mudei em alguns pontos, me mantive firme em outros, e até mesmo relembrar histórias que esqueci.

Até o silêncio, a ausência, o hiato no blog fala muito sobre mim, mais do que eu conseguiria dizer se eu escrevesse. E agora, respirando um pouco, eu posso falar sobre isso.

Na descrição do meu perfil no twitter (e isso pode não estar mais lá quando você ler esse texto), eu digo que estou “numa busca diária de tempo para livros, discos, jogos e filmes”. E é isso que acontece e resume meus dias. Vamos deixar isso pessoal e falar de mim?

Livros!
Tenho muitos, muitos livros pra ler. A maioria deles eu comprei na época da faculdade (que concluí em 2009) mas até hoje não consegui ler todos. Agora mesmo acabei de ler A Caçada ao Outubro Vermelho, que comprei no fim de 2008 numa promoção do Submarino, e que achei razoável, provavelmente por problemas de tradução.

Comprei há uns dias os quatro primeiros livros da saga A Song of Ice and Fire, que inspirou a série Game of Thrones da HBO. A ideia é ler pelo menos os dois primeiros livros até a segunda temporada começar, o que os colocou na frente da fila dos livros que já tenho. Vou falar de séries logo abaixo.

A fila de livros é razoável: tem livros que vão desde temas religiosos (eu gosto de ler sobre religiões diversas, história das religiões, etc.), passando por romances de guerra até chegar em alguns clássicos. Quando eu for lendo vou colocando por aqui. :)

Música! Áudio!
Quanto mais coisas novas eu conheço, mais eu volto pros clássicos. Quanto mais eu conheço e escuto coisas como Beatles, Paul McCartney, Rolling Stones, Led Zeppelin e outras coisas mais antigas, mais eu me questiono porque não os escuto antes de experimentar as coisas da atualidade.

Em tempo: preferi o disco do Noel Gallagher’s High Flying Birds que o do Beady Eye.

Pra não falar só de música, vou falar de um vício que adquiri depois de adquirir meu primeiro iPod esse ano: podcasts. Eu tinha um puta preconceito com eles, achava que seria chatice passar uma hora ouvindo gente falando de assuntos diversos… mudei de ideia.

Minhas recomendações são o RapaduraCast (sobre cinema), 99 Vidas (jogos, normalmente jogos antigos), Nerdcast (uma abordagem bem humorada, às vezes demais, sobre temas diversos) e 6 Minute English (dicas de inglês em inglês, da BBC).

Jogos!
Nunca gostei muito de jogos de computador (com exceção de Starcraft e Commandos, meus eternos favoritos), já que gostar de jogos de computador implica em comprar uma placa de vídeo todo ano e fazer um investimento pesado em hardware para conseguir rodar bem os jogos. Sempre preferi consoles: o seu PS3 vai rodar o jogo numa qualidade igual ao PS3 do seu amigo, e assim está bom. Ah, e dá pra jogar deitado olhando pra TV.

Esse ano comprei um PS3, que convive em harmonia com meu Wii. Para o PS3 eu recomendo Heavy Rain, Uncharted 2 (estou devendo o resto da série…), Mortal Kombat. Também tenho gostado da série Call of Duty: eu tinha um preconceito com jogos de tiro de primeira pessoa mas gostei de Black Ops e World at War.

Comprei uma coletânea chamada Sonic’s Ultimate Genesis Collection, com trocentos jogos de Genesis (que no Brasil ficou conhecido como Mega Drive) para jogar no PS3, com alguns do Master System e arcade de brinde. Pretendo, qualquer dia desses, jogar os quatro primeiros jogos da série Phantasy Star.

No Wii tenho me distraído com o novo Zelda: Skyward Sword. Parece uma mistura do Twilight Princess com o Wind Waker e até agora não tenho uma opinião formada, apenas um “está bom até então”. Também gostei do Donkey Kong Country Returns. Apesar de decepcionar com poucos títulos bons, a Nintendo ainda é a que melhor entende de jogos de plataforma.

Filmes (e séries)!
Eu tenho uma longa lista de filmes-que-todo-mundo-viu-menos-eu e minha namorada sempre tropeça num deles dizendo “como assim tu nunca viu?!”. Ao mesmo tempo, vou tentando acompanhar os filmes novos que vão saindo, e, por mais que eu evite repetir, sempre tem um que eu acabo vendo novamente.

Tenho deixado meio de lado a maioria das séries que eu acompanhava. Tenho visto apenas Dexter (que não decepciona e continua ótima na sexta temporada) e estou na terceira temporada de Arquivo X. Sempre me diziam que era uma série datada e que não seria boa hoje, mas tenho achado a série ótima.

Também recomendo a nova série Game of Thrones, da HBO, da qual gostei muito da primeira temporada e, como falei acima, vou ler os livros.

E mais…

  • Tenho tentado voltar a pedalar com regularidade e a glicemia (sou diabético, pra quem não sabe) tem agradecido.
  • Estou no segundo semestre do curso de francês da Wizard, que tem sido legal pra caramba. Estou gostando da língua e do curso, recomendo a quem quiser aprender esse idioma.
  • Também venho tentando ver filmes e séries sem legendas ou com legendas em inglês pra melhorar o convívio com a língua.
  • Trabalhando e sempre.
  • Volta e meia tendo dar uma mexida em alguma coisa nova de programação em casa, só pelo prazer de programar e aprender algo novo. Faz bem pra cabeça e pra sanidade.

É isso. Acho que deixei uma boa marca aqui para que eu volte daqui a uns anos e reencontre meu eu do passado e lembre onde eu estava em novembro de 2011. :)

Isso é Brasil

13 de setembro de 2010   —   00:11:36

Há poucas horas, saí pra jantar com minha namorada e a família dela, pra uma pizzaria que fica na Varjota, bairro aqui de Fortaleza. Não vale a pena citar o nome aqui porque não quero prejudicar a pizzaria, que não tem nada a ver com isso. Isso nem importa, já que pro que vou relatar não existe lugar seguro.

Estávamos quase pedindo a conta quando escutamos um barulho de tiro vindo da rua, e um casal entra às pressas, a mulher em pânico. Pelo que entendi, uma caminhonete passou muito rápido pela rua da pizzaria e o homem do casal gritou pra caminhonete, reclamando da velocidade. Imediatamente o vidro da caminhonete abriu e alguém de dentro dela disparou um tiro pro alto.

Ora, se alguém disparou um tiro pro alto tão logo recebeu um grito vindo da calçada, essa arma só podia estar engatilhada e pronta pra atirar. Não sei e nem sei se vou saber se isso se trata de alguma brincadeira de péssimo gosto ou se o(s) ocupante(s) da caminhonete estava envolvido em algum crime, mas qualquer explicação para isso é assustadora.

Minutos depois, a calmaria no restaurante foi restabelecida. Porque nós já sabemos, aqui no Brasil, que qualquer um que ponha o pé fora de casa está propenso a isso. Comigo já é a segunda vez que estou comendo em algum lugar e escuto o barulho de tiro seguido de pânico.


Na época das eleições, uma frase bem batida é “odeio política”. Porque brasileiro odeia impostos, odeia insegurança, odeia corrupção. Mas quer dar um jeitinho em tudo, quer parar o carro em local proibido, quer ouvir música nas alturas e o vizinho que se foda, e na época das eleições enche a boca pra falar “odeio política”. Amigo, odeie até os políticos, mas não odeie política, sim?


Passei no supermercado antes de vir pra casa e vi a capa da Época:


Quando chego em casa, está tendo debate na TV dos quatro presidenciáveis que lideram as pesquisas. Muito discurso político, muita promessa, “vamos investir em segurança”, “fazer um país melhor para as crianças”… E eu só consigo pensar em como tudo aquilo é balela pra ganhar votos. A atual gestão do governo estadual do Ceará, que prometeu colocar uma nova polícia cheia de viaturas nas ruas, só fragmentou a polícia e multiplicou notícias de acidentes de carro envolvendo viaturas.

Porque não basta colocar polícia na rua: tem que fazer a polícia funcionar, pegar o bandido, colocar na cadeia, e ele não sair de lá enquanto não estiver apto ao convívio social. Acabar com a impunidade. Tem que dar ao povo educação de qualidade, porque educação é a base de tudo, mas como sabiamente disse o Alexandre Garcia essa semana na TV, o candidato a presidente da eleição passada cujo foco estava na educação obteve 2% dos votos (o candidato em questão é o atual senador Cristovam Buarque, e foi dele meu voto para presidente na época).

Um candidato qualquer a deputado estadual encheu as ruas de Fortaleza com placas onde está escrito “a favor da pena de morte”. O Brasil tem um poder judiciário que nem funciona e onde vivem jogando inocentes na cadeia, agora imagina eles sendo condenados à morte! Não, não dá.

Meu sentimento, nessa época de eleições, tem sido de total descrença: um monte de promessas, candidatos despreparados, políticos que outrora foram grandes expoentes fazendo propaganda de candidatos que não dá pra levar a sério.


Lembra da frase atribuída a Olga Benário Prestes, “Estou grávida de Luis Carlos Prestes e vou ter meu filho no Brasil”? Meu colega de trabalho Vinícius, no auge de seu humor ácido, comentou sobre ela: “Acho duma deselegância ter filho no Brasil”. Não sei se é pelos mesmos motivos que ele falou isso, mas eu, sinceramente, concordo com ele. Eu não colocaria uma criança num país desse.

A vontade que tenho, atualmente, é de trabalhar e estudar para, em alguns anos, tentar a vida em algum país sério, onde eu possa andar à pé na rua, ir de bicicleta pro trabalho, onde eu pague meus impostos mas receba algo em troca do governo. Quero levar ao pé da letra o antigo bordão da época dos anos de chumbo do presidente Médici, “Brasil: ame-o ou deixe-o”, porque eu não gosto de amor não-correspondido.

Duvido muito que o país melhore em pouco tempo, então mais rápido é se esforçar pra fazer minha revolução pessoal e tentar morar num país que preste dentro de alguns anos. Não tem patriotismo que me faça superar o medo de sair à pé e ser assaltado ou receber uma bala ao sair pra jantar. É mais fácil e mais rápido se mandar daqui, e sugiro isso a qualquer pessoa que possa fazê-lo hoje. A máquina do Estado não será consertada tão cedo.

Quando escuto um tiro que é esquecido logo em seguida, quando vejo alguém furando uma fila, um carro grande no trânsito cujo motorista se acha melhor que os outros, a capa das revistas semanais falando do nosso sistema burocrático, só me resta pensar “Isso é Brasil…” e tentar esquecer em seguida, como bom brasileiro.

The Office

21 de fevereiro de 2010   —   17:12:43

Séries são como a Hidra, o monstro mitológico: pra cada série que você acaba de assistir até a última temporada, surgem duas no lugar. E nesses dias eu descobri mais uma: The Office. Minha namorada já me sugeria a série há um tempão, mas só no Carnaval parei pra assistir, emprestada pelo Silveira. Em poucos dias vimos da primeira temporada até o começo da terceira (a série já está na sexta temporada).

Originalmente uma série britânica, The Office foi levada aos Estados Unidos e fala do dia-a-dia num escritório duma filial duma distribuidora de papel. A série aborda as tarefas cotidianas dum escritório: trabalhar para um chefe que sabe menos que os funcionários, mas que se considera uma grande liderança; ter um colega de trabalho difícil de lidar; romances no ambiente de trabalho; preconceito racial; puxação de saco e de tapete. Tudo isso é abordado em forma de comédia, mas de maneira inteligente e sem forçar a barra com risadas ao fundo, comuns em séries de comédia (odeio as malditas risadas ao fundo).

Além do mais, quem já trabalhou num escritório de qualquer coisa ou já estudou algo de Administração sabe o quão real a série é. Mais do que uma comédia, a série satiriza os ambientes de trabalho, unindo todas as características e problemas comuns no mesmo escritório.

Michael Scott é o chefe do escritório, interpretado por Steve Carell, que já atuou em filmes como Pequena Miss Sunshine, O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O personagem se julga um grande chefe e um grande líder, e em algumas horas, principalmente na primeira temporada, dá vontade de bater nele. Provavelmente ele é o personagem de série com quem mais desenvolvi antipatia. E essa é a função dele como personagem: despertar antipatia, desconforto e vergonha alheia.

Outro personagem memorável é Dwight Schrute, um completo imbecil, daqueles que você olha e pensa “como um idiota desses arranjou um emprego?”. Assim como Michael, é um dos personagens que você adora odiar.

Também temos o casal Jim e Pam, um dos casais mais legais que já vi em séries. Jim é um dos funcionários do escritório e seu trabalho é vender papel. É atormentado por Dwight, que senta na mesa ao lado. Pam é a recepcionista do escritório. Apesar dos dois serem apenas colegas de trabalho, não tem como não torcer pra que eles fiquem juntos.

Cada episódio da série é curto, com cerca de 20 minutos. A primeira temporada tem apenas seis episódios, e compartilho da opinião de alguns que é a mais sem graça. Chegando na segunda, acabei me viciando na série e foi um caminho sem volta.

Festival Selton Mello

19 de julho de 2009   —   06:08:01
Há algum tempo, recebi um daqueles e-mails que giram o mundo falando [mal] sobre o cinema brasileiro, só sobre coisas que se repetiam ad infinitum nos filmes nacionais. Um dos itens da lista era “Selton Mello”. Não é por menos, já que tem dois filmes em cartaz no cinema com o cara. Acabei assistindo três filmes do sujeito num intervalo de poucos dias.

O primeiro é A Mulher Invisível. Eu não dava nada pelo trailer, mas comecei a ver pessoas elogiando por aí e, na falta de opção que é o cinema nas férias, acabei arriscando. Bom mesmo, engraçado, boas tiradas, e quem for pouco atencioso nem vai perceber o merchandising da Chevrolet. Achei que era mais uma comédia romântica qualquer, mas gostei pra caramba.


A Mulher Invisível
 

Depois veio Jean Charles, baseado na história do brasileiro morto no metrô de Londres em 2005. O filme (que achei um pouco entediante) tem um quê de documentário e fala dos brasileiros se virando pra ganhar uma grana no exterior, com foco na prima de Jean. Alguns fatos reais da história de Jean foram alterados no filme, mas o final todo mundo sabe. Vale como protesto.


Jean Charles
 

Depois aproveitei pra assistir Meu nome não é Johnny, do ano passado. Mais uma ficção baseada em personagem real, dessa vez o Selton Mello faz o papel dum traficante carioca de classe média. Tem até uma aparição rápida do Rodrigo Amarante, do Los Hermanos. Filme bacana, prende a atenção.


Meu nome não é Johnny
 

E já que o assunto é a carreira do Selton Mello: alguém lembra de quando o Selton Mello fazia o Emanuel na novela de 1997 A Indomada, que namorava a ruiva Grampola?


emanuel

Foi a melhor foto do Emanuel que achei :(

 

Respostas curtas

3 de dezembro de 2008   —   20:22:28
Eu juro que tento me conter sobre o assunto, mas meus amigos (e leitores) não devem mais me aguentar falando sobre bicicletas. Mas pedalar, amigos, é um tipo de terapia.

Dia desses, num dos dias de pedalada em grupo, durante uma parada num semáforo, uma colega iniciante perguntou por que eu pedalava tanto. Uma pergunta inocente e que esperava uma resposta curta.

Vi várias coisas passando na minha mente, por dois segundos.


Meses atrás, durante uma viagem para São Paulo, li Cartas a um jovem poeta, livro pequeno de Rainer Maria Rilke, mas grandioso em conteúdo. Há uma citação fabulosa no meio do livro:

“(…) No fundo, e justamente quanto aos assuntos mais profundos e importantes, estamos indizivelmente sozinhos, de modo que muita coisa precisa acontecer para que um de nós seja capaz de aconselhar ou mesmo ajudar o outro, muitos êxitos são necessários, toda uma constelação de acontecimentos têm que se alinhar para que isso dê certo alguma vez.”

A compreensão entre pessoas é algo complicado e, no fim das contas, cada pessoa está só, com sua história, suas motivações, seus dilemas. Podemos sentir compaixão pelo próximo e tentar entendê-lo nos colocando em seu lugar, recomendação típica da prática budista; podemos saber ouvir; mas o real entendimento depende de um longo caminho.


No primeiro episódio da segunda temporada de Lost, Desmond (em uma de suas primeiras aparições na série), encontra Jack num tour de stade (prática que consiste, resumidamente, em correr pelas escadas dum estádio). Jack, médico obstinado em resolver todos os males dos pacientes, se machuca, e Desmond, que tem problemas amorosos, tenta ajudá-lo. Na minha opinião, é um dos melhores diálogos de Lost.

– So what’s your excuse?
– Excuse?
– To run like the devil’s chasing you.
 
Desmond e Jack

Em português, seria algo como:

– Então, qual é sua desculpa?
– Desculpa?
– Pra correr como se o diabo perseguisse você.

A pergunta da minha colega não tinha uma resposta curta. Demorei uns 2 segundos, suspirando, pensando numa resposta. Dei alguma resposta técnica, do tipo “pedalar na frente cansa menos e mantém o ritmo”, e sua dúvida foi satisfeita.

Garota, você nunca entenderia.