9 de May de 2004   —   06:44:24

Eu aprendi.

Mais um vômito sentimental, desses que a gente tem depois que volta pra casa depois da festa, e, quando a animação desaba, a gente reflete sobre o que viu e o que restou nas mãos…

Tenho muito a dizer e quase ninguém pra ouvir. Pra piorar, nem sempre tenho as palavras certas, e, se as tenho, falha a compreensão de quem me lê ou escuta. Vivendo, observando a vida alheia, não importa; a gente acaba aprendendo demais.

Aprendi como ninguém a diferenciar um elogio espontâneo dum consolo forçado.

Aprendi a gostar de algumas pessoas, não gostar de muitas e odiar algumas, mas aprendi a amar dum jeito que tocaria Jesus Cristo e aprendi que só se ama uma pessoa em um grande intervalo de tempo. Aprendi a amar com seriedade, e, se o fiz pouco, fiz com intensidade, e peço perdão de joelhos se não foi o suficiente. Aprendi, e como aprendi, que poucos, minto, pouquíssimos nesse mundo incestuoso, onde todo e qualquer grau de afinidade é motivo pra beijar na boca, concordam com o que eu disse nas últimas linhas.

Aprendi que simetria, no amor, nem sempre é verdade.

Aprendi que do que é simples as pessoas fazem algo complexo, e depois preferem não pensar sobre o assunto. Isso pra elas é muito simples.

Aprendi a não ter ídolos ou heróis, e que isso é uma enorme fonte de decepções. Aprendi que diferenças não são algo bonito como dizem, tampouco algo tão enriquecedor. Sem hipocrisia: algumas a gente aprecia e aprende, outras a gente lamenta.

Aprendi que solidão é um mal necessário, e isso pode te fazer crescer ou te tornar uma pessoa estúpida. Aprendi que nem sempre é a solidão que nos maltrata, às vezes a gente maltrata ela. E às vezes os outros maltratam nossa solidão.

Aprendi que não, não é só errando que se aprende (volte e leia isso de novo). Infelizmente, também aprendi que a gente às vezes esquece o que aprendeu. Aprendi que a vida é coisa séria, e isso aprendi com muito senso de humor.

O que eu sinto não é só alegria, não é só tristeza, não é só raiva, não é só rancor, é tudo ao mesmo tempo agora, variando de acordo com qual lembrança ou pessoa vem à mente. Eu tinha muito mais pra dizer aqui, mas não, não tenho as palavras certas. Espero que essas palavras, que soam tristes um tom de epitáfio (toc toc toc, bato na madeira), sirvam. E espero que me entendam, e que, se eu tiver algo a ensinar, que alguém tenha potencial pra aprender.

  1. alinne says:

    eldras, temos que conversar.

  2. luuuuuuuuuuuuuuuuuuu says:

    :~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

  3. mel says:

    [… … …](silêncio) e uma vontade de estar perto, como se quisesse te fazer sentir seguro, ou pelo menos te dar a certeza de que não está sozinho, nem no mundo, nem nas idéias.

  4. ruth says:

    'e aprendi que só se ama uma pessoa em um grande intervalo de tempo.'eu aprendi q o amor fica. permanece. é um sentimento nobre demais pra simplesmente desaparecer.'Aprendi que simetria, no amor, nem sempre é verdade. 'esse eu tb aprendi.e como aprendi. a base da 'chibata'. sofrendo e chorando. mas um dia a gente aprende.

  5. Kataoka! :D says:

    valeu ai viu!? Qualquer coisa, estamos aki, viu?! Um beijo e um abraço bem apertado o/

  6. Eu says:

    Concordo.;***

  7. Nerice Pinheiro says:

    vALHAAAAAAAAAAA Esdras!Tuh eh o melhor….todo besta de blog…Vou favoritá-lo!

  8. larissa says:

    cara, vim parar no seu blog depois de uma tarde estressante e um link no blog da monica – nossa, esse texto… muito legal, mesmo… gostei bastante do que e do jeito que vc escreveu. tinha visto outros textos no mesmo estilo (aprendi que bla bla) escrito por anônimos – um, numa triste tentativa de adicionar àquele do skakespeare ("um dia você aprende a sutil diferença …") – o seu, é de longe o melhor que vi (bom, tirando o do shakespeare ;D)

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