Contos de Fortaleza (III)
Clique aqui e leia os outros dois Contos de Fortaleza, com histórias minhas sendo roubado.

E, nesta segunda (17), eu fui assaltado de novo.

O amicíssimo Heraldo me deu carona até próximo da Av. Senador Virgílio Távora. Desço até a citada avenida e sigo pela calçada. Próximo ao CNA (que fica do lado oposto ao colégio Santa Cecília), um cara de bicicleta se aproxima da calçada e diz “Ei, chapa, me arruma um real senão ‘cê morre”.

Diante de convincente argumento, puxo a carteira e dou dez reais ao homem. Eu não sabia se “um real” era mesmo um real ou uma expressão geral pedindo uma quantia considerável de dinheiro, então entreguei 10 reais. Não é quantia digna de um assalto ao Trem Pagador, mas não é pouco como um mísero real. Ele então diz “Eu pedi um real e ‘cê deu dez, então eu vou ficar”, e se manda. Devia estar sem troco, o moço.

Não podemos mais dizer que não valho nada: eu valho um real. Foi o preço dado para eu continuar vivendo.

Pela primeira vez em anos, me valorizei: podia ser só um real, mas dei 10.

Que bom, hein? Viva a segurança pública.

Discografia recomendada para este post, no melhor estilo Igor: Melô do Ladrão, de Wanderley Andrade, e todo o disco Hail to the thief, do Radiohead.

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