Atenção, cocotas!

30 de março de 2006   —   11:22:28


Esse é o tipo de homem delicado que
minhas amigas andam namorando

É um hábito meu há anos servir de conselheiro amoroso para várias amigas minhas. Algumas chegam pra mim com as queixas mais absurdas possíveis. Tem namorado que não liga todo dia, que prefere sair com os amigos na maioria das vezes, que não dá notícia nem quer notícia, que não lembra que tem namorada e continua atrás de mulheres, mas que se a mulher der um telefonema prum amigo o cara se morde todo. Outros até se esforçam, mas o cérebro masculino às vezes tem seu intelecto limitado. O que fazer?

Pensando na minha experiência de ouvinte, em algumas habilidades pessoais e em ganhar uma grana extra, decidi salvar minhas amigas através do fabuloso

Workshop de Capacitação de Namorados:
otimizando o cromossomo Y

Aula 1: Lugar de cachorro é na carrocinha
Essa aula ensina princípios de como tornar-se um homem de boa conduta moral, deixando de ser galinha. Aplica-se a homens solteiros ou não e é praticamente um pré-requisito para todas as outras aulas. Aqui aprende-se a parar de mentir pra cocota e de tratar seres humanos como objetos. Quem não gostar dessa aula, desista das outras.

Aula 2: Aprendendo a ter coragem
Coragem não se resume a não ter medo de barata, o homem frouxo é a versão masculina da mulher cu doce e é uma tragédia (você não imagina o que já tive de ouvir por causa deles). O homem deve saber o que quer e ser decidido, ou então ficar em casa brincando de Comandos em Ação.

Aula 3: Quem não dá assistência abre concorrência
Alguns amigos meus preferem deixar a namorada em casa e ir sair com os amigos. Nada contra sair com os amigos, mas a partir do momento que isso se torna constante, temos um problema, e o sujeito acaba perigando levar um belo dum chifre. Ah, quem mandou ir jogar beber cerveja assistindo futebol com os amigos?

Aula 4: Presentes: como escolhê-los e embalá-los?
Módulo extra: Oficina de embalagens
Homens são péssimos em escolher presentes e isso é um fato, principalmente quando se trata de jóias, acessórios, sapatos… Fora que embora seja algo básico, algumas pessoas esquecem que presente exige embalagem e dão o presente parecendo algo que eles compraram pra si mesmos. Tsc tsc.

Aula 5: Como fugir dos sogros
Boa parte dos casais tem aquele famoso horário proibido, onde ele não pode pisar na casa dela. Esse horário às vezes é burlado, e este módulo prima em treinar o namorado para manter a calma e fugir, sem que seu sogro ou sogra o faça virar um eunuco.

Aula 6: Tornando-se um discípulo do Mestre Wando
Dispensa explicações: uma pitada de safadeza é fundamental.

Aula 7: Superando a dor da perda
Elas reclamam, levam chifre, pé na bunda, ouvem desaforo, mas no fim das contas algumas mulheres não suportam ser bem tratadas e, após você aplicar os princípios aprendidos nas aulas anteriores, provavelmente vão trocar você por um brutamonte com QI menor que um smurf. Não, não é hora de virar um homem cachorro. A esperança é a última que morre e essa aula tenta manter acesa a chama da esperança em seu coração. (que lindo)

Aula 8: Considerações finais
Revisa as aulas passadas e pontos importantes. Além de evitar futuros chifres, você ainda ganha um diploma.

O currículo é esse e está devidamente preparado. Caso alguma amiga minha queira patrocinar e dar sugestões, por favor, entre em contato!

Vivendo e aprendendo: glossário de Arquitetura para não-arquitetos

8 de janeiro de 2006   —   09:40:28
Andar com estudantes de Arquitetura é um negócio complicado. Ainda mais quando você é dum curso de Exatas. Os arquitetos, provavelmente revoltados no meio de sua eterna crise de identidade por não serem nem do Estilismo nem da Engenharia (eu tinha que usar essa piada aqui), desenvolveram todo um vocabulário próprio. Eles pegaram coisas simples, complicaram e deram um nome enfeitado, afinal de enfeitar eles entendem. Convivendo com meus amigos da Arquitetura, ouvindo suas conversas estranhas e vendo seus projetos insólitos, acabei conhecendo um pouco da língua dessas pessoas.

Um dia ainda vou escrever um livro chamado Arquitetura para não-arquitetos – Relatos da convivência com profissionais notívagos esquisitos. Por enquanto, seguem meus esboços iniciais.

Antes de qualquer coisa, admita que tudo que você pensava que sabia está errado. E aquela coisinha entre o corrimão da sua escada e a escada propriamente dita que você nem percebia que existia tem nome.

Mão francesa: Pelo que entendi, é um treco inclinado que serve pra segurar uma estrutura. Onde viram uma mão francesa, Deus sabe.

Planta baixa: representação num plano de uma construção vista de cima, sem o telhado. Lembra do filme Dogville e dos apartamentos nos classificados? Pois é.

Pé direito: pé direito é a altura entre o piso e o teto. Não me pergunte por que é direito e não esquerdo.

Pergolado, também conhecido como pergo-o-quê?: é uma estrutura apoiada em colunas, feita de elementos paralelos, tipo umas tábuas de madeira, alvenaria, concreto.

Pivotante e basculante: uma porta, portão ou qualquer coisa que gire ao redor dum eixo vertical é pivotante. Tipo 98,7% das portas que se vêem por aí e algum arquiteto desocupado (se é que existe um) decidiu classificar. Quando gira ao redor dum eixo horizontal, é basculante.

Guarda-corpo: não é um caixão. Acredite, guarda-corpo é uma grade de proteção usada em escadas, balcões… Se tivesse uma na escada daqui de casa há uns anos, uma empregada nunca teria ficado entalada entre a parede e a escada. Mas isso é outra história.

Vigas e pilares (essa é fabulosa e guardei pro final!) : todo mundo pensa que são a mesma coisa, mas em resumo, vigas são horizontais e pilares são verticais! Um pilar redondo é uma coluna! (o trecho riscado gerou polêmica e falta de consenso) E não confunda os dois perto dum arquiteto. Eles vão fazer careta e se sentir superiores.

A partir de agora, você não precisará chamar essas fabulosas estruturas de “aquele troço ali, ó!”, porque eu tive o trabalho de descobrir o nome (enquanto alguém devia pensar “que burro, não sabe o que é um pergolado…” e ria por dentro).

E por favor, estou aberto a sugestões, adições e correções.

A primeira manhã de um homem sozinho

20 de setembro de 2005   —   12:53:55
Este texto é a história duma pessoa que brigou com o tempo, com a dor, consigo mesmo.
É o primeiro dia da história de alguém que reaprendeu a viver, a sorrir, a lidar com as coisas, a gostar de si.
Leiam ele com carinho, levou tempo pra escrevê-lo, pra ter coragem pra tanto.
Para todos aqueles que oferecem a alguém perdido um ombro.
Para aqueles que ofereceram.
“Você chorará; a seus lábios virá o nome da amiga que você deixa, e às vezes seu pé se deterá no meio do caminho. Mas quanto menos você tiver vontade de partir, mais você deve pensar em partir. Persista e force seus pés a correr, apesar de não quererem. (…) Não pergunte quantas milhas você percorreu, mas quantas faltam a percorrer”
Ovídio, em A Arte de Amar
 
Ele andava por uma calçada irregular, a passos lentos. Sentia alguma fraqueza, parecia ter perdido a força vital de que os cientistas de antigamente falavam, e carregava nas órbitas oculares um olhar fosco. Os olhos perderam o brilho não fazia muito tempo, e agora estavam direcionados para o céu, como quem busca uma resposta divina, ou talvez olhassem para cima por acaso. Não importava. Nada mais importava.Sentia frio. Fazia um pouco de sol, é verdade, não era o dia mais quente, naturalmente não haveria razão para tanto. Mas sentia frio. Um frio que vinha de dentro pra fora, um frio que algumas pessoas conhecem muito bem. Olhou para o céu, e viu as nuvens. As nuvens o deixaram com medo, muito medo. Elas faziam parte de um sonho, um sonho desfeito. Como a chuva. Um banho de chuva. E teve pânico quando pensou na chuva. Imaginou-se sob a chuva, caso ela viesse. Ela seria ácida, e viria corroendo sua pele e seus ossos, desgastando seu corpo, que se derreteria, se dissolveria.Lembrava o tempo todo das palavras que ela dissera há cerca de doze horas, de como elas pareciam sem sentido e de como as coisas perderam o sentido após ouvi-las. Aquilo apertava-lhe o coração, sentia uma angústia, uma dor. Só ele e Deus sabiam o que acontecia dentro dele agora. Era uma dor que não cabia em si, que não cabia nele, como algo que se guarda em um recipiente incompatível, insuficiente, apertado, pequeno, mas que mesmo assim era guardado. E era fabuloso como era necessário tanto espaço… apenas pra comportar um grande vazio.

Na dinâmica dos fluidos aplicada à vida, quando algo sai do lugar, alguma coisa tem que preencher aquele espaço que estava preenchido anteriormente. O homem mais feliz do mundo não andaria mais em Pasárgada e agora tinha como nova companheira aquela dor enorme, e sabia que ela o seria por um tempo indeterminado. Precisaria matar aquele tempo. Pensava no que faria nas próximas horas, precisava ocupar-se até a hora de dormir, quando enfim seu corpo repousaria. E quando acordasse no dia seguinte, o que faria? E no próximo? E no próximo? A nossa cultura diz que o tempo tudo resolve, mas ninguém nunca disse quanto tempo. Mas sabia que precisava matar o tempo. Quanto tempo? Quanto tempo, meu Deus?

Continuou sua caminhada, parecia competir com o tempo para ver quem andava mais devagar. Pressa pra quê? Mas uma hora chegou na parada do ônibus. Pegou um ônibus, observava as mulheres no ônibus e nas ruas, tentava sentir alguma coisa, mas até as que racionalmente seriam as mais bonitas agora estavam completamente sem graça. Não serviam. Não serviriam. E a cada olhar forçado, sua mente lhe devolvia um nome. É, elas não serviam. E não adiantaria insistir.

Iria pra casa empurrar algo goela abaixo, iria se encontrar com um amigo logo em seguida. Precisava preencher todo seu tempo, sufocar o desespero. Depois, não saberia o que fazer. Pensaria nisso depois. E assim as horas passariam, esperava. Na verdade, nem sabia o que esperar. A pior sensação que existe surge numa sequência de formação a partir da negação dum elemento anterior, da negação da esperança. Estava consumido pela pior sensação de qualquer universo: a desesperança. Na forma dum olhar fosco.

Era a primeira manhã de muitas outras que viriam. Era a primeira manhã do resto da sua vida. Do resto dos restos da sua vida.

31 de julho de 2005   —   04:52:27


 

All your seasick sailors, they are rowing home.
All your reindeer armies, are all going home.
The lover who just walked out your door
Has taken all his blankets from the floor.
The carpet, too, is moving under you
And it’s all over now, Baby Blue.

(Bob Dylan, em And it’s all over now, Baby Blue)
 
 
E foi então que as férias acabaram. As férias esperadas, as férias desesperadas. Mudanças bruscas de planos, adaptações urgentes, socos na boca do estômago, pauladas no joelho, chutes no rosto e tudo, tudo totalmente diferente do que eu planejava.

Dias cheios. Foi bom conhecer novas pessoas e conhecer melhor as mesmas velhas pessoas, dividir bons e maus momentos, virtudes e problemas. Filmes, livros, amigos, parentes, abraços, ombros, viagens, fotos, areia, mar, insônia, muita insônia, lugares novos, lembranças, despedidas, lágrimas… e por que não falar de alguns risos, como um intervalo de paz num meio duma guerra interminada e interminável? Talvez soldados contem piadas nas trincheiras.

Caberiam muitos meses da minha “vida comum” no mês de julho que se encerra. Outro mês seria necessário, mas a vida não pára e amanhã lá estamos nós de novo.

Enfim o show business

9 de janeiro de 2005   —   04:23:25

Um pouco de propaganda: na quinta-feira 13, vou atacar de DJ durante algum tempo no Noise3D. Participarei do projeto Hora da Cinderela, com mortais vindos do público brincando de DJs durante aproximadamente 1h e escolhendo as músicas que vão tocar.

O local, pra quem não sabe, fica pelas bandas do Dragão do Mar, ao lado do Hey Ho. Não faço muita idéia ainda, mas prometo Depeche Mode a Oasis, passando por Moby e New Order. Quem gostar, por favor, apareça.