Quarta-feira de Cinzas

9 de março de 2011   —   00:15:20

Acabou a festa, os tambores se calaram, os confetes agora repousam sobre o chão. O clima de festa vai passando, e as pessoas se lembram que precisam trabalhar. E eu, amigo leitor, também preciso trabalhar!

Há quem diga que no Brasil o ano novo só começa depois do Carnaval. Eu, tolo, achava que estava à parte desse processo, mas parece que as energias que regem o território brasileiro estão acima da minha vontade: por alguma coincidência absurda, meu ano igualmente parece que só começará depois do Carnaval.

Porque parece que a queda dos confetes levou junto a neblina e dá pra enxergar algo que ainda não sei o que é. As pessoas pensam na volta pra casa e seguem por estradas engarrafadas, o trânsito volta ao aperto que todos conhecemos e não amamos.

No meio desse aperto todo nas ruas tortuosas da vida, eu penso num novo caminho, na esperança de encontrar um caminho bom, que seja fluido por muito tempo. Trago comigo o cansaço de quem não aguenta mais procurar alternativas, mas também a determinação de encontrar o melhor pra si, sempre.

Se os pés cansaram de sambar (os meus infelizmente não o fizeram esse ano), chega a hora de dar uma voadora com as duas pernas. O Carnaval acabou, a Quarta-feira de Cinzas chegou, mas que não seja esse um motivo pra alegria ir embora.

Começa agora um Carnaval onde não se sabe mais o que é alegoria e quem está de máscara, mas meu bloco vai entrar nessa avenida fazendo muito barulho…

Luana Piovani, na minha cama

6 de junho de 2010   —   22:17:11

Sim, esse título é mentiroso e sensacionalista. A Luana Piovani nunca esteve na minha cama. Nem sequer vi a moça pessoalmente, em algum ponto turístico ou aeroporto. Então, como eu inventei esse título? Acredite, eu também gostaria de saber de onde tiraram esse título.


Essa é a Luana Piovani. E essa não é a minha cama.

Quando eu tinha 13 ou 14 anos, em 1999, eu fazia a oitava série. A atuação dos hormônios gerava certos tipos de conversas e debates entre meus colegas do sexo masculino nos corredores do colégio, na hora do recreio. Eles precisavam falar das mulheres que achavam gostosas e que gostariam de pegar, de alguma atriz gostosa, qualquer coisa que envolvesse o objeto mulher, e de coisas impublicáveis aqui.

Sabe mulher, aquela fabulosa coisa estranha que parecia ter uma vagina (chamar dessa maneira sempre me dá a impressão de que tô escrevendo um livro de Ciências), bunda, dois peitos e nenhum sentimento ou pensamento? Cuja razão de existir é propiciar prazer aos homens? Falava-se dela todo dia.

Se a atriz dum filme ou uma colega de turma eram gostosas, eu preferia guardar minha opinião pra mim. Nunca vi motivo pra dividir esse tipo de pensamento. Mas um dia meu silêncio foi percebido, eu nunca falava nada e isso se tornou suspeito. E começaram a fazer uma série de perguntas, a fim de atestar minha masculinidade. E veio a pérola que jamais esqueci:

— E o que você faria se chegasse no quarto e visse a Luana Piovani pelada na sua cama?

Não lembro que resposta dei, acho que falei alguma coisa óbvia pra voltar à minha zona de conforto, enquanto meus colegas discutiam se eu era gay.

Já faz mais de dez anos desde a minha oitava série, nem sei onde alguns dos meus antigos colegas de colégio andam, mas volta e meia eu escuto os mesmos sermões repetidos à exaustão. Os adoradores da Luana Piovani ainda esperam ansiosos pela sua vinda como um religioso espera seu messias. São rituais sagrados de auto-afirmação que acontecem sempre, em reuniões sem hora pra começar ou acabar, e onde mulher não entra. Ah, em algumas vertentes dessa religião fidelidade e monogamia são pecado.

Um antigo texto que rodava por aí via e-mail dizia que 10% da graça de transar com a Sharon Stone (mal se fala na Sharon Stone hoje) estaria no ato em si, os outros 90% estariam em contar pros amigos. Tem quem pense que libido é como fofoca, se alimenta de divulgação: se você não falar da sua vida sexual pra outros homens você pode acabar broxa. E alguns homens vão pensar que você é gay.

Ainda bem que as mulheres não.

Onde vivem os monstros

10 de abril de 2010   —   01:30:57

É o nome do filme de que vou falar agora. Sinopse, produtor, diretor, essa coisa toda de ficha técnica você procura no Google, porque eu preciso falar da minha história com o filme.

Foi minha namorada quem me alertou pela primeira vez que esse filme devia ser bom, que já conhecia a história e devia ser legal. Aí vi no site do UCI que havia estreado, em 15 de janeiro, e fui atrás das sessões. Mas… nada de Fortaleza. Só São Paulo e Rio. Me indignei, fiquei puto, soltei as cobras no twitter e ainda aguentei amigos que moravam nos estados citados ou que viajaram pra lá elogiando o filme. E toda semana ia lá eu, no site do UCI, ver a droga do filme dar a volta no Brasil sem nunca chegar em Fortaleza. Acabei deixando pra lá e desisti de ficar puto toda sexta-feira, ao ver que o filme nunca chegaria aqui.

Alguns amigos baixaram o filme da internet e me ofereceram. Eu ainda me senti tentado, pensando que iria passar em Fortaleza no Dia de São Nunca, mas a Carol, minha namorada, me convenceu a esperar sair no cinema. Tem filme que é pra ver no cinema, né, pelo menos a primeira vez. Esse é um deles. Resisti à pirataria, firme e forte.

Foi o Paulo André quem primeiro me deu o toque que o filme estava chegando, há alguns dias. Já a Natalia mandou pro Danilo a página de cinema do site do jornal O Povo com os horários do filme. Reproduzo abaixo, em formato de figura, a tabela de horários do filme copiada do site citado:

Sim, seus olhos não estão mentindo: sexta, 9 de abril (lembra que em São Paulo e Rio foi 15 de janeiro?), dia da estreia em Fortaleza, às 21:50. No dia seguinte, às 10:45 da manhã. Domingo? 12:10. E de segunda em diante, 19:30. Mas só até quinta. Depois, espere sair na locadora. Troféu Joinha pro UCI Multiplex de Fortaleza! Pior horário de todos os tempos!

Me deu vergonha de morar em Fortaleza (é um evento pelo menos diário). Eu sabia que era um bom filme… Quantas semanas passei indo no site do UCI, só pra ver que Xuxa em O Mistério de Feiurinha estava há dois ou três meses em cartaz, e nada de Onde vivem os monstros estrear? E, quando estreia, ainda é nesse horário merda, inviável pra muita gente. Mas enfim, não dá pra comparar com a Xuxa. Em Fortaleza, o filme recebeu tratamento de Cinema de Arte: poucas sessões, para público selecionado/seletivo/whatever. Bom pro filme (será?), péssimo pro público.

Mas sexta-feira, dia 9, e lá estávamos eu – ainda me recuperando de uma semana doente – e Carol, às 21:30, chegando ao cinema. Sala ainda vazia, mas bem cheia em alguns minutos. Eu estava cheio de expectativas e pronto pra quebrar a cara, porque é isso que acontece quando se vai com muita sede ao pote. Mas, em uma palavra, eu vos digo:

FILMÃO.

Não quebrei a cara. Correspondeu às minhas expectativas. Um puta dum filme, trabalhado nos mínimos detalhes, cheio de sutilezas. História, cenários, trilha sonora, tudo em equilíbrio. Impecável. Se você nasceu com menos de 20 anos e tem algum coração, você será tocado. Foi impossível, durante o filme, não abrir o baú e lembrar de alguns eventos da minha infância com o desenrolar da história. E não, não é um filme infantil.

Há alguns dias eu tinha comentado com a Carol que eu estava sentindo falta de algum filme que desse aquele cutucão em você, que você passasse um tempão depois pensando nele. Achei, é esse filme aí. Fodíssimo.

Só me dá pena dizer pros amigos “vão lá e vejam!”, e depois fornecer essa pobre grade de horários vergonhosa do UCI fortalezense. Mas enfim: vão lá e vejam. Vou aqui sentir vergonha pelo cinema, e dormir pensando no filme.

Vou concluir meu texto com um pedacinho da conclusão de outro texto sobre o filme, do blog Antigravidade: “É um filme bonito e até tocante que será admirado nos anos futuros e provavelmente será analisado em cursos de cinema ao redor do mundo até o fim dos tempos”.

Eu odeio o North Shopping

24 de dezembro de 2007   —   00:56:28
Uma amiga minha definiu o North Shopping, certa vez, como “o maior puxadinho de Fortaleza”. A verdade é que desde que o shopping foi construído ele já passou por tantas reformas, feitas de maneira caótica, que elas acabaram por tornar impossível transitar no shopping (exceto, talvez, se você andar por ele todo dia). Quase não consegui sair de lá na sexta, o shopping parece uma grande armadilha.

Fui pesquisar meu próprio presente de Natal por lá. Entrei na frente do shopping, peguei uma das entradas do estacionamento e acabei indo parar no E4, um estacionamento no alto do shopping alcançado após subir 9 ladeiras de carro. Após a pesquisa, começa a jornada para voltar ao automóvel.

Quando me dirijo a um dos caixas para pagar o tíquete do estacionamento, no valor de R$ 3, descubro que só tinha R$ 2 na carteira. Se você nunca passou por isso, ainda vai passar. Fui sacar dinheiro no caixa do Banco do Brasil, que tinha uma fila enorme, e a todo momento chegavam idosos ou mulheres com crianças de colo e passavam na frente. Mas enfim, saquei alguns trocados e fui pagar meu tíquete.

O elevador só ia até o E3. Achei estranho, mas acreditei que chegando no E3 teria algum acesso pro E4. Pago o tíquete, olho pros lados e reparo que não há escada, ladeira, elevador, nada. Pergunto pra moça dos tíquetes como chego no E4. Ela responde dizendo que tenho que voltar pelo elevador que vim, ir para o segundo piso e pegar o elevador ao lado da Riachuelo. Absurdo: o shopping tem partes que não se ligam, a não ser por andares inferiores.

Tento pegar o elevador para o segundo piso. Aperto o botão e… nada. A porta não fecha, e assim o elevador não desce. Tive que trocar de elevador. Chego ao segundo piso, corro para o elevador ao lado da Riachuelo. Sinto um alívio quando vejo o botão E4. Aperto o botão e… o botão não acende. Torno a apertar, cada vez mais irritado. O elevador sobe pro E5. Continuo apertando o E4… mesmo sem o botão acender, o elevador para no E4.

Fiquei esperando aparecer o Sérgio Mallandro dizendo “Rá! Pegadinha do Mallandro!”, mas não aconteceu, não era pegadinha. Entrei no carro aliviadíssimo, desço novamente 9 ladeiras e vejo a luz do sol vindo de fora do estacionamento. Nunca fiquei tão emocionado em ver a avenida Bezerra de Menezes.

Coisas que gostaríamos de não passar nesse fim de ano

8 de dezembro de 2007   —   11:50:18


CD chatíssimo da Simone

A Simone garantiu dinheiro pro resto da vida, imagina
quantos CDs chatos como esse são vendidos todo ano


 

Fim de ano é época de festas, não? Mas isso também implica numa porrada de coisas chatas. Sem falar que o pobre do aniversariante é pouco lembrado, talvez nem tenha nascido em dezembro e há toda uma coação para que todos sejam obrigados a ficar festivos no fim do ano.

Numa dessas noites, antes de dormir, comecei a elaborar a lista mental de chatices de fim de ano:

  • Simone;
  • Ivan Lins;
  • Confraternizações com pessoas que não lhe deram a mínima o resto do ano e vão continuar assim ano que vem;
  • Papais Noéis bizarros perambulando em estabelecimentos comerciais que queriam economizar no bom velhinho;
  • Shoppings lotados;
  • Desmontar a árvore de Natal depois das festas;
  • Reveillon vendo o Show da Virada na Globo (pra quem terminou o ano velho liso e vai começar o ano novo loser);
  • Fazer aniversário perto do Natal e só ganhar um presente;
  • Fazer aniversário 24 de dezembro e não ter ninguém na sua festa;
  • Perceber que não cumprimos as promessas pro ano novo que fizemos ano passado;
  • Fazer mais promessas que não vamos cumprir ano que vem, afinal ninguém é de ferro e ano novo é a esperança que se renova… :)