O que faz um bom professor?

20 de August de 2010   —   09:51:00

Há alguns meses, conheci o Camilo no trabalho. Ele era líder técnico do meu projeto; um profissional de bons atributos, que sabia a hora de ouvir e falar, que sabia comunicar-se bem com o cliente e tinha bom jeito em reportar-se à equipe.

O Camilo, porém, optou pela carreira de professor do curso de Engenharia de Software da UFC, no campus de Quixadá, universidade de onde deixei de ser aluno do curso de Computação (em Fortaleza) há alguns meses, não sem algumas cicatrizes. E ele já chegou recebendo bons retornos para seus ensinamentos, por mais simples que sejam:

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/ccalmendra/status/21452104664″]

Não pude deixar de dar os parabéns pelo bom trabalho ao Camilo… à minha maneira:

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/esdrasbeleza/status/21452717091″]

O professor Miguel Franklin, também pertencente ao departamento de Computação, e do qual não cheguei a ser aluno, se manifestou no dia seguinte:

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/mfcastro/status/21612832722″]

Respondi o professor, dando os curtos argumentos que o twitter me permitia, de forma resumida:

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/esdrasbeleza/status/21627884268″]

Sendo mais claro, dando alguns atributos:

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/esdrasbeleza/status/21628310900″]

Mas pensei: “Nunca tive aula com o Miguel, eu não poderia incluí-lo dentro ou fora disso e isso realmente soa injusto”. Usando menos do humor negro e tentando desfazer uma generalização causada por resumo das ideias, tentei explicar melhor minha colocação (assassinando um pouco os bons princípios de ortografia para conseguir fazê-la caber em 140  caracteres):

[blackbirdpie url=”http://twitter.com/esdrasbeleza/status/21633973734″]

Mas twitter é microblogging, e uso meu blog, que é um espaço menos limitado, pra manifestar melhor minha opinião.

O que faz um bom professor? Como todo bom profissional, eu acho que um bom professor deve saber motivar aqueles que dependem dele. No caso do professor, deve fazer um aluno se interessar por aprender, mostrando os horizontes e as novas possibilidades que os assuntos estudados podem lhe abrir. O bom professor deve auxiliar o aluno com dificuldades, tornando seu caminho mais claro, dando luz às ideias. Tanto é que, em alguns cursos e palestras, o professor é chamado de facilitador.

Leia as seguintes frases:

  • “Comigo só passa se sofrer”;
  • “Se o aluno está achando isso aqui difícil, é melhor ele ir pra [nome de uma das faculdades particulares mais conhecidas de Fortaleza, achei melhor omitir];
  • “As médias da turma subiram nessa prova, vou fazer a próxima mais difícil”;
  • “Eu estou aqui pra fazer raiva a vocês, pra vocês quererem se livrar de mim e estudarem pra passar”;
  • “Não quero que você fique triste com essa nota baixa, quero que fique com raiva e estude”;
  • “Se vocês pensam que vão ganhar dinheiro com isso [Computação], desistam”.

Sofrimento, raiva, desistência… Isso soa motivacional? Até o Capitão Nascimento ficaria assustado.

Todas as frases acima foram ditas por professores para mim, para colegas específicos ou para a turma. Isso não me soou como motivação. Me parece, como falei no meu tweet, problema de ego: a pessoa tem um pouco de autoridade e precisa usá-la ao extremo, demonstrar o poder que seu título de PhD e seu cargo de professor lhe trazem.

Mas nem tudo é ruim. Tive lá alguns professores que sabiam ensinar, que sabiam motivar, que sabiam cumprimentar alunos no corredor. Com alguns tento manter contato até hoje e tive sagrados ensinamentos, alguns não apenas sobre Ciência da Computação, mas sobre a vida. Conheço alguns amigos que vão terminando seus mestrados e doutorados e voltam para a universidade no papel de professores. Se o que eles me dizem estiver certo, eles estão fazendo de lá um lugar melhor e quebrando esse ciclo de mastigação da autoestima discente.

O Camilo conseguiu incentivar um aluno a fazer um curso de inglês, algo fora da universidade, para que isso tivesse um retorno para sua vida como aluno e profissional. É uma porta que se abre. Fica, então, a pergunta para os demais professores: por que fechar portas se você pode abri-las?

  1. Marcelo says:

    Não sei se esse foi o caso que o esdras comentou, mas teve um professor que disse:

    "As médias subiram em relação ao ano passado, e eu tenho uma reputação a zelar, então essa prova vem mais difícil"

    Na hora achei que fosse brincadeira… não foi.

  2. Fabio says:

    Cara, eu já escutei de uma professora assim :

    "Vocês sabem que eu acho que quem faz licenciatura é burro. Por que se fosse inteligente, faria Matemática Pura"

    E o pior é que veio da USP…. foi aí que eu percebi que o ensino está, realmente, uma droga.

    E ainda culpam os professores da rede pública de ensino fundamental e médio.

    Abs

  3. Leandro Lima says:

    A definição de bom professor é complicada.

    Professores de universidades públicas têm que ensinar para graduação, pós, fazer pesquisa e um monte de outras atividades (burocráticas ou não).

    É difícil que um grupo grande deles seja bom em tudo, e muitas vezes a última prioridade do cara é dar boas aulas pra graduação.

    Como professor que agora sou, às vezes preciso eu mesmo me motivar, com algumas turmas. Complicado…

    Também não acho que o professor deva pregar o terror. Acho sim que turmas de graduação devem ter seu devido valor, já que são esses caras que estarão na pós-graduação sendo pesquisadores bem preparados daqui a alguns anos.

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